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Episódio 36

Três Divãs
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187 Plays4 months ago

Luis Sangannha, Cantor e professor de técnica vocal.

Album: Sound of Music

https://open.spotify.com/intl-pt/album/1KN5Lr40H56umfa1yzmO5R?si=thXSXH_-TPuNgNoYpIn4Hg


Transcript

Introdução: Maturidade e Simplicidade

00:00:03
Speaker
Três divãs, a psicanálise, o mundo e o rock'n'roll.
00:00:16
Speaker
Uma, entre outras coisas que podemos perceber ao longo do amadurecimento, é que temos que nos desconstruir para depois voltarmos ao lugar original, com outro significado.
00:00:29
Speaker
Amadurecemos através da complexidade para depois voltarmos ao sítio onde tudo é tão simples, o lugar onde a complexidade é alimentar em nós.

Trilha Sonora Universal e Nostalgia Cinematográfica

00:00:40
Speaker
No disco de hoje cabem todas as vidas.
00:00:44
Speaker
É uma banda sonora.
00:00:46
Speaker
Desde que saiu para as salas de cinema, passou a ser a banda sonora de todos os que viram este filme.
00:00:53
Speaker
E foram raros os que não viram.
00:00:56
Speaker
Não, não é verdade.
00:00:58
Speaker
Este disco passou a ser banda sonora daqueles que lhe abriram o coração sem subterfúgios.
00:01:05
Speaker
O convidado de hoje era muito pequenino quando se sentou ao meu lado pela primeira vez para ver o filme desta banda sonora.
00:01:12
Speaker
Eu era muito pequenina também quando me sentei pela primeira vez para o ver.
00:01:18
Speaker
A Patrícia Câmara era pequenina quando se sentou pela primeira vez também para ver este filme.
00:01:25
Speaker
Ficámos os três enormes depois de o vermos.
00:01:30
Speaker
Numa trama melódica podemos viver o ódio e o amor, a maldade e a bondade, a inveja, o ciúme, a mentira, a traição, a lealdade, a honestidade, a amizade, a dignidade, a simplicidade.
00:01:48
Speaker
Começamos na grandiosidade aristocrata, onde até os cortinados que se pretendem menores são ostensivos.
00:01:55
Speaker
Tudo sob um patriarcado corrompido pelas canções de quem se recusa a dobrar, para terminarmos naquilo que, parecendo menor, nos eleva ao topo da montanha, com os pés bem acentos no chão.
00:02:08
Speaker
Eu e tu.
00:02:10
Speaker
É o inside out de outros tempos, num tempo em que vivíamos as narrativas complexas sem termos de as explicar.
00:02:17
Speaker
No tempo em que olhávamos, naturalmente, sem terapia, para dentro, à procura de perceber a narrativa.
00:02:24
Speaker
Lembras-te de passarmos a tarde de véspera de Natal a construir casas de lego enquanto o filme passava na televisão?
00:02:31
Speaker
As tuas caixas de lega eram o mundo.
00:02:34
Speaker
Aquelas tardes eram o mundo.
00:02:37
Speaker
Tantos símbolos a alimentar o sonho.
00:02:40
Speaker
Tanta esperança.

Apresentação e Jornada de Luís Sanganha

00:02:41
Speaker
No Três Divãs de hoje temos o Luís Sanganha, que escolheu a banda sonora da música no coração, no original Sound of Music.
00:02:49
Speaker
Um disco sobre a música que salva, um disco sobre as pessoas que salvam, um disco sobre as relações que salvam.
00:02:56
Speaker
Olá, Luís.
00:02:58
Speaker
Sejas bem-vindo.
00:02:59
Speaker
Apresenta-te.
00:03:00
Speaker
Olá, muito obrigado.
00:03:02
Speaker
Antes de mais eu quero agradecer-vos o privilégio de poder estar aqui.
00:03:06
Speaker
Não era algo que tinha pensado e de repente fiquei muito surpreendido com o convite, até porque acompanhei este projeto desde o princípio e eu acho que ele é mesmo essencial.
00:03:17
Speaker
Portanto, muitos parabéns pelo que têm feito e obrigado.
00:03:21
Speaker
Em relação a mim, então, eu considero-me, sou um rapaz de 37 anos, alentejano, acho que isso está sempre presente naquilo que é a minha apresentação, e ando aqui 37 anos a tentar conhecer-me e a ser melhor todos os dias, a tentar ser melhor todos os dias.
00:03:38
Speaker
Profissionalmente, mudei várias vezes de profissão,
00:03:42
Speaker
Atualmente sou cantor e dou aulas de canto e técnica vocal, mas também fui produtor de televisão e acho que isto tudo acaba por desembocar aqui numa soma de várias experiências e que depois culminam naquilo que sou hoje em dia e que acredito que possa vir a ser mais tarde.
00:04:02
Speaker
Ando sempre aqui a deambular entre a luz e a sombra, acho que tenho um lado luz e um lado sombra.
00:04:08
Speaker
E acho que isto é sempre uma aprendizagem perpétua.
00:04:10
Speaker
Não acredito no acaso, acho que tudo acontece por um motivo e portanto tento diariamente encontrar um sentido para que me possa levantar todos os dias e está, tentar ser melhor todos os dias.
00:04:23
Speaker
Eu acho que o sentido é talvez uma das coisas mais primordiais do meu dia a dia e da minha vida.
00:04:29
Speaker
Gosto muito de pessoas.
00:04:31
Speaker
e acredito no feminismo, acredito na igualdade e acho que a vida se faz assim sempre com amor.
00:04:40
Speaker
Tão bom.
00:04:41
Speaker
Pronto, podia ser isto.
00:04:42
Speaker
Sou-me bem, deste um bocadinho de esperança já.
00:04:48
Speaker
Disseste duas coisas, uma coisa que tens sempre um lado de luz e um lado de sombra.
00:04:52
Speaker
Diz-nos lá, explica isso melhor.
00:04:56
Speaker
Eu acho que todos nós temos a luz e a sombra dentro de nós.
00:05:00
Speaker
Acho que se assim não for, também não estamos completos.

Equilíbrio Interior e Música como Luz Guia

00:05:03
Speaker
Acho que o ser humano tem isto bem presente.
00:05:06
Speaker
Não sei se toda a gente tem consciência dessa luz e dessa sombra e ao mesmo tempo se se conseguem equilibrar dentro delas.
00:05:15
Speaker
Eu acho que este talvez seja um dos desafios mais difíceis da vida.
00:05:18
Speaker
É estarmos entre a luz e a sombra de uma forma orgânica.
00:05:24
Speaker
uma tristeza que eu acho que carrego e também sei qual é a origem dela.
00:05:30
Speaker
Demorei algum tempo, precisei de terapia para entender, porque desde pequeno era como se tivesse aqui sempre uma angústia que eu não descodificava e que felizmente...
00:05:42
Speaker
e graças a ti, a tia Ana Teresa, que encontrei o caminho da terapia e que me apazigou percebê-la.
00:05:50
Speaker
Isto obviamente tem a ver com uma questão familiar de minha mãe durante a gravidez, a gravidez que estava grávida de mim,
00:05:58
Speaker
passou em luto e eu acho que isso marcou profundamente aquilo que eu depois vim a ser ou pelo menos eu tinha sempre um peso que eu não percebia bem de onde é que vinha hoje em dia eu acho que pode vir muito daí eu acho que o meu lado sombra começa e depois obviamente no continuar da vida ele estava presente e foi sempre crescendo como toda a gente com as dificuldades que a vida traz
00:06:25
Speaker
No entanto, havia sempre também um lado meu de luz e que neste caso se traduzia sempre em música.
00:06:32
Speaker
Eu acho que a música é a luz da minha vida e é o que me luz à vida.
00:06:36
Speaker
Então eu descreveria assim, eu olho para a luz e a sombra dentro de mim um bocadinho desta forma.
00:06:43
Speaker
Nós temos 10 anos de diferença, mais ou menos.
00:06:47
Speaker
Sencitalmente, sim.
00:06:49
Speaker
E isto porque agora tenho que acrescentar isto, não é?
00:06:51
Speaker
Ele é sanguém, até a gente percebe que me será alguma coisa porque nós somos os dois sanguém, não é?
00:06:57
Speaker
Portanto.
00:06:58
Speaker
Mas eu tenho que dizer isto, que a mãe dele gostava de facto de luto quando estava gravida dele.
00:07:06
Speaker
Mandaram-me ir à mercearia comprar qualquer coisa e lembro-me porque era de noite, mas o sítio onde nós morávamos era muito pacato e muito sossegado e então eu ia a qualquer hora à mercearia buscar qualquer coisa.
00:07:23
Speaker
E fui eu que abri o resultado do exame da gravidez.
00:07:29
Speaker
Então, eu acho que, portanto, ela coitada, um beijinho para ela.
00:07:34
Speaker
Estava de luto, mas não foi o luto, foi quase o horror de me ouvir dois quarteirões aos gritos.
00:07:43
Speaker
Porque eu virei a esquina da mercearia E a minha tia vinha ao fundo E eu Radiando para lhe dar a notícia Era eu que tinha ido buscar o envelope Ninguém sabia ainda, é eu Porque eu abri, claro, sem ser para mim E gritei isto E foi assim que ela ficou a saber Que ia ser mãe do Luís
00:08:11
Speaker
uma coisa gira, porque é um grito em romper o luto.
00:08:19
Speaker
É luz, é luz.
00:08:21
Speaker
Eu não sei se foi a luz,

Hiperatividade e Compreensão Societal

00:08:23
Speaker
se foi de facto também um surto, quer dizer, não sei se foi a forma mais apropriada dela ter acesso à notícia.
00:08:30
Speaker
Foi o positivismo, mas não interessa.
00:08:35
Speaker
Claro, claro.
00:08:36
Speaker
Oh Patrícia, olha lá, mas o Luís estava aqui a falar nesta coisa do equilíbrio entre a luz e o lado sombra, ou seja, um bocadinho se calhar esta tristeza que o Luís sempre carrega, não é?
00:08:52
Speaker
que acho que também é espetacular que tens falado nisso porque deste o modo para a palavra favorita da Patrícia que é de todos os podcasts então diz-me uma coisa o que é que tu achas desta que o Luís está aqui a falar do equilíbrio entre este lado de luz e a sombra
00:09:11
Speaker
Primeiro eu tenho que dizer que no fundo ela é a luz desde que nasceu, pronto, e depois posso dizer o resto dela.
00:09:18
Speaker
Não, acho que é fabulosa a maneira como estás a descrever, não é?
00:09:21
Speaker
E é esta aceitação e condição que permite até a construção depois das coisas, sem esse lugar, sem essa... Nós, tu sabes, não é uma coisa que nós vamos falar de muitas vezes, que é uma das nossas maiores preocupações, acho...
00:09:33
Speaker
Que é esta ideia de um excesso de luz que segue a possibilidade de olhar para dentro, que deixa de ser luz, não é?
00:09:39
Speaker
E, portanto, esta consciência permanente desse lado é o que permite, de alguma forma, ver qualquer coisa.
00:09:45
Speaker
E, portanto, é mais como reativar esta ideia sem querer estar permanentemente a tornar-se céticos todos os lugares, não é?
00:09:51
Speaker
Eu continuo a achar, os discursos continuam assim, eu próprio tenho levado uma... vou ao mesmo lugar, está bem?
00:10:00
Speaker
Tenho levado um bombardeamento interno, por exemplo, das histórias das hiperatividades e não sei o quê.
00:10:06
Speaker
Tenho uma outra gente a querer convencer-me de como é que eu sou completamente cega à importância disto, à importância do diagnóstico e...
00:10:15
Speaker
Ajuda-me da medicação, não é?
00:10:18
Speaker
Eu vou tentar explicar, não sou completamente cega circunstâncias e circunstâncias Mas que não deixa de me preocupar horrores Como é que nós estamos a silenciar sintomas Que mostram mal-estar geral, não é?
00:10:27
Speaker
Que têm que ser escutados, não podem ser silenciados Porquê?
00:10:30
Speaker
Porque eu acho que estamos nesta ideia De que estamos super luminosos Mais escuros que nunca É verdade, é verdade
00:10:35
Speaker
Mas super luminosos.
00:10:37
Speaker
E pronto, é este lugar.
00:10:38
Speaker
E depois acho que é importante sublinhar aqui uma coisa, e que se entenda isto uma vez por todas.
00:10:46
Speaker
Nós somos psicanálise.
00:10:49
Speaker
E portanto a psicanálise nem sequer olha para a hiperatividade como um problema em si.
00:10:52
Speaker
Quer dizer, a hiperatividade é um sintoma e portanto nós não podemos de forma alguma...
00:10:57
Speaker
E é quando não está a ser posta de maneira completamente errónica, até mesmo como sintoma.
00:11:01
Speaker
Exatamente, até mesmo como sintoma.
00:11:02
Speaker
E, portanto, nós não podemos calar um sintoma assim, sem mais nem menos, sem perceber o que é que pode estar na gênese disto.
00:11:09
Speaker
Quer dizer, isto para mim é muito claro.
00:11:16
Speaker
Bom, mas íamos aqui para outras Vamos voltar a ti Vamos voltar a ti que escolheste um disco Não sei bem adjetivar este disco Porque no fundo é uma banda sonora Nós tivemos alguma banda sonora aqui?
00:11:32
Speaker
Não Nunca ninguém escolheu uma banda sonora Pois não, acho que Falámos do Live Aid, que é um concerto Falámos do Live Aid, que é um concerto Eu acho que ninguém escolheu uma banda sonora Pronto, então tu foste a primeira escolher uma banda sonora
00:11:47
Speaker
Então, conta-me O Sound of Music, porquê?

Influência Duradoura de 'The Sound of Music'

00:11:51
Speaker
Olha Conta-nos, desculpem Pensei em várias alternativas de disco para trazer E escrevi uma pequena lista de 5, 6 nomes E cada vez que passava por este Este era aquele que chamava mais
00:12:10
Speaker
E depois de fazer aqui algum pensamento mais introspectivo e retrospectivo, percebi que este é de facto um dos discos que acompanha a minha vida desde sempre.
00:12:24
Speaker
Pelo menos desde que tenho memória, ou de que me consigo reconhecer.
00:12:29
Speaker
E este disco, invariavelmente, é sempre o sítio onde eu volto.
00:12:35
Speaker
Claro que tem a importância do filme, o filme é um dos meus preferidos de sempre.
00:12:39
Speaker
Eu gosto de teatro musical ou de filmes musicais, mas não sou assim um aficionado, um fanático de ver constantemente, mas este é daqueles que me faz mesmo parar, o filme tem três horas e tal, e portanto começa por aí.
00:12:54
Speaker
Depois, ele é mesmo o meu lugar refúgio.
00:12:57
Speaker
Eu acho que, eu posso dizer que, obviamente, não vidas perfeitas, mas eu tive momentos muito bons na minha infância.
00:13:06
Speaker
E ver a música no coração foi mesmo uma delas.
00:13:10
Speaker
Naturalmente, ele foi-me trazido por tia Ana Teresa, pela minha tia, tua mãe.
00:13:18
Speaker
Foi talvez o filme que eu mais vi na vida.
00:13:21
Speaker
E ele, se eu pensar assim de uma forma pragmática Ele tem um significado concreto Que é a família Os momentos que passei em família Dos quais descreveste um deles E obviamente haverão muitos mais Até porque o filme sempre no Natal Mas a verdade é que me apercebi Que ele é refúgio Porque todos os anos eu volto a revisitá-lo E eu aprendo sempre qualquer coisa Ou se eu não aprendo uma coisa nova Eu relembro-me de qualquer coisa Que possa estar a ficar esquecida
00:13:50
Speaker
E eu acho que isto tem muito a ver, para já, com a música.
00:13:53
Speaker
Música no coração acho que diz tudo.
00:13:55
Speaker
Eu não me reconheço sem música e isto é desde sempre.
00:14:00
Speaker
E depois, porque à medida que também fui crescendo, fui tendo outro entendimento daquilo que é o filme e daquilo que são as canções do filme e daquilo que são as mensagens que cada canção traz.
00:14:10
Speaker
e apercebi-me que de facto é onde eu realmente aprendo mais porque está pegando na apresentação não consigo não olhar para a história como uma feminista como personagem principal
00:14:27
Speaker
que ao mesmo tempo tem a música como base para talvez podemos dizer assim não direi para a cura mas num caminho para curar qualquer coisa que não está bem e ao mesmo tempo também tem ali um lado de amar a terra de amar a terra onde tu vives e a origem e de onde tu vens as raízes, de onde obviamente me identifico
00:14:56
Speaker
E depois ainda tem outra coisa muito importante, eu acho que ver este filme balizou-me, ou traçou-me, está, um sentido para a vida, que é a busca pelo sonho.
00:15:06
Speaker
Podemos até não chegar a concretizá-lo, mas a mim alimenta-me todos os dias pensar que me levanto para lutar pelo sonho, seja ele qual for, no meu caso, concretamente é a música, mas poderia ser outra coisa qualquer.
00:15:18
Speaker
E vejo muito isso nesse filme.
00:15:19
Speaker
está, porque cada canção traz mesmo um significado diferente.
00:15:26
Speaker
Como tu própria disseste no princípio, tu tens um medo, tens uma coisa que eu também acho extremamente importante, que é o agradecer as coisas boas que nos acontecem.
00:15:36
Speaker
uma canção que fala disso especificamente.
00:15:38
Speaker
Exatamente.
00:15:40
Speaker
então na verdade eu acho que está ali tudo aquilo em que eu acredito e que muitas vezes quando a vida diária me possa fazer esquecer eu gosto de ir relembrar e foi esse o motivo da escolha Boa Luís Carlos eu acho que ele podia fazer o podcast sozinho Patrícia, tu também gostas deste filme, claro nós dos três, não é?
00:16:02
Speaker
Sim
00:16:04
Speaker
Claro, porque aqui é um bocado até emocionada com o que ele estava dizendo.
00:16:07
Speaker
Também por resgate interno, mas acho que é isso muito o que tu dizes, não é?
00:16:11
Speaker
Uma espécie de regresso interno e de resgate desse lugar da autenticidade, porque a maneira, eu sempre lembro de achar extraordinária, era a genuinidade com que ela rasgava uma data de coisas sem se dar conta, não é?
00:16:21
Speaker
Sim.
00:16:21
Speaker
E portanto não era, era sempre bom, não é?
00:16:25
Speaker
Havia sempre um lugar que se acrescentava e que se abria de repente e eu
00:16:29
Speaker
Mas sabes o quê?
00:16:30
Speaker
Eu também estava aqui a pensar porque é que fazia este movimento.
00:16:32
Speaker
Vocês desculpem, fazia uma incursão lateral.
00:16:33
Speaker
Antes disso, dizer... Mas uma das músicas... Acho que há aqui um embalo de fundo, que é o que tu também falas, não é?
00:16:38
Speaker
um embalo.
00:16:40
Speaker
Também esse regresso.
00:16:41
Speaker
E esse embalo de fundo a mim aparecia-me imenso.
00:16:43
Speaker
Eu não sei porquê, quando os meus filhos eram pequeninos, comecei-lhes a cantar para adormecer no ideal vice.
00:16:48
Speaker
Porque havia aquela cena Não sei explicar Pensaste que ias cantar isto?
00:16:52
Speaker
Não De repente cantava aquele lugar Onde pronto É para dizer que eu acho que marquem sítios Que tu nem sabes que marcaram E aparecem de repente num determinado momento Mas também estava a pensar noutra coisa Muito projetiva
00:17:06
Speaker
Me acontecia imenso com esse filme Adorá-lo até a altura em que começavam As coisas da guerra E a partir daí Não o queria ver mais Ou seja, o viam sempre Mas muitas vezes o que eu fazia era via até a altura Em que começavam e
00:17:21
Speaker
depois parava, porque me angustiava imenso a fuga, de repente eles estarem a cantar-se todos em conjunto e era como se sentisse que havia qualquer coisa mesmo quando eles fugiam pelos montes, eu ficava assim a pensar depois a seguir o que é que aconteceu, aquilo dava uma portanto havia um lugar que era excepcional que eu adorava e de repente havia outro que aparecia que me transtornava imenso e que parecia, pronto, claro a música salvava qualquer coisa e havia um regresso a essas montanhas que também eram liberadas desde o princípio mas isto já é muito elaborado, na altura aquilo angustiava-me, ponto
00:17:52
Speaker
E é mesmo angustiante, até muda.
00:17:55
Speaker
Aquela melodia que vem logo a seguir, portanto, a Fraulein Maria entra nas montanhas a cantar o Sound of Music, não é?
00:18:03
Speaker
E depois a passagem do Sound of Music para o início mesmo do filme, dos diálogos.
00:18:10
Speaker
É uma série de melodias, ajudem-me.
00:18:16
Speaker
É como se fosse um medley das músicas que são… Exato, é quase como se fosse um medley, mas da parte, toda a parte melódica, não é melodia, das harmonias.
00:18:24
Speaker
Das harmonias, sim.
00:18:26
Speaker
Do filme.
00:18:29
Speaker
quando, e aquilo acompanha exatamente, de dada altura aparece a bandeira nazi, é como se fosse um genérico e a melodia acompanha aquilo e é assim mesmo uma coisa soturna que de repente se abate e nós sentíamos isso no filme mas pegando nisto, é engraçado tu cantar aos teus filhos o Edelweiss eu não tenho filhos mas se tivesse cantado, olhos os Cure hum
00:18:55
Speaker
Mas pegando, desculpa que se rompes, mas pegando no filme Edelweiss não deixa de ser a música de resistência É isso mesmo Eu sei que eu acho incrível que tu tens cantado isso aos teus filhos Incrível, logo desde que a gente te ensinas a resistir Acho-me muito bom Agora tenho que vos contar uma coisa muito engraçada Porque eu assisti a este filme com o Luís imensas vezes Uma das vezes Devia estar para aí, olha Eu era novinha, novinha Acumbriram-me de gravar O filme O VHS que ficou a gasto
00:19:25
Speaker
É, fui eu que o gravou, não é?
00:19:27
Speaker
Mas eu estava aqui, tu estávamos a dizer que o filme tem três horas e tal.
00:19:30
Speaker
Não tem, o filme tem duas horas e tal.
00:19:33
Speaker
Ok.
00:19:34
Speaker
Então, com os comerciais todos, com os reclames, como se dizia antes, com os reclames, nós tínhamos que cortar os intervalos.
00:19:42
Speaker
E é incrível porque um dos intervalos que devemos ter ido fazer qualquer coisa e eu deixei passar completamente.
00:19:49
Speaker
Portanto, eu vi sempre a cassete incompleta e ele também.
00:19:52
Speaker
O original, vimos.
00:19:53
Speaker
E então qual é a parte que eu corto?
00:19:55
Speaker
O casamento.
00:19:56
Speaker
Sim, sim, é porque daí...
00:19:58
Speaker
Mas não é incrível eu cortar o casamento Ou seja, no meu VHS não casamento nenhum Eles passam diretamente Daquele amor quando eles se encontram Para estão a cantar Por fora com os filhos Não casamento E que é extraordinário, não é?
00:20:15
Speaker
Tendo em conta que apesar de me ter casado Não é propriamente uma instituição em que eu acredito muito Correto
00:20:22
Speaker
Casei-me também por motivos, olha, de festa, de música no coração, foi um bocado isto, mas é incrível porque foi o pecado, o pedaço que eu, o pecado, o pecado que eu

Narrativas Feministas e Otimismo no Filme

00:20:39
Speaker
cortei.
00:20:39
Speaker
O que diz muito sobre mim.
00:20:40
Speaker
O pecado que eu cortei.
00:20:42
Speaker
Exatamente.
00:20:44
Speaker
mas o que é que eu queria pegar no que tu estavas a dizer porque o que vocês disseram os dois e a falar disto e disto que eu agora acabei de falar e que acho que é importante entre aquilo que eu acabei de dizer que é a brincar a brincar disso uma coisa que é séria e vocês têm estado a dizer coisas sérias mas que faz muito sentido neste filme que é a possibilidade de tu seres feminista e querer cuidar da família
00:21:13
Speaker
Sem dúvida.
00:21:15
Speaker
A possibilidade de tu seres feminista e de tu até estar no processo de amadurecimento como a Fraleine Maria estava...
00:21:24
Speaker
E no entanto, até esta coisa de... Talvez o desejo dela foi casar por amor, não foi casar para se sentir livre, isso ela era um espírito livre, mas esta possibilidade, tu ser feminista e se quiser, e estás em casa e cuidas da família, se for isso, não é?
00:21:41
Speaker
Neste caso, ele tinha sete filhos e ela estava totalmente predisposta a fazê-lo.
00:21:49
Speaker
E eu acho que isto que tem assustado muitos homens,
00:21:54
Speaker
Que é a palavra feminista significar outras coisas.
00:21:57
Speaker
Não, se uma mulher quiser estar em casa a cuidar dos filhos, pode, desde que viva numa relação de paridade, não é?
00:22:03
Speaker
Com o seu companheiro, companheira, não me interessa.
00:22:07
Speaker
E eu acho que isto é que é mesmo importante, eu acho que isto é importante porque o filme tinha isto, porque é assim, nós olhamos para este filme encantados e é uma história bonita e claro que é um universo inalcançável por alguns, isto em termos dos valores da economia, o tipo de família que era, ou essas coisas que aqueles miúdos tinham, portanto...
00:22:31
Speaker
Nem toda a gente tem acesso a estas coisas, mas até o facto dela sair do convento e para ir casar com um homem rico, mas quer dizer, ela no fundo salvaram-se um ao outro, de alguma forma, se é que podemos usar a palavra salvar aqui, não é?
00:22:46
Speaker
Mas é uma história bonita e é uma história construtiva e de paridade e de colaboração, que é nisto que eu acredito, seja para as relações amorosas, para as relações de amizade, para as relações de trabalho, para tudo.
00:23:01
Speaker
E isto está lá.
00:23:02
Speaker
Isto está na década de 60, não é?
00:23:05
Speaker
Isto está desta forma, com o fascismo à porta, com o nazismo à porta, e está desta forma, não é?
00:23:11
Speaker
Numa miúda que sai do convento.
00:23:15
Speaker
Como dizem os brasileiros, a noviça.
00:23:19
Speaker
Rebelde.
00:23:19
Speaker
Rebelde.
00:23:20
Speaker
A noviça rebelde.
00:23:21
Speaker
E pronto, queria sublinhar isto, antes de começarmos a falar da tua canção favorita, não é?
00:23:32
Speaker
Que...
00:23:36
Speaker
Qual é, Luís Carlos?
00:23:37
Speaker
Climb Every Mountain.
00:23:39
Speaker
Claro, que é cantada pela Peggy Wood.
00:23:42
Speaker
A mais velha de todas no filme.
00:23:46
Speaker
Então, conta-nos porque é que tu gostas desta canção.
00:23:49
Speaker
Depois, se me permitem, tenho uma história real para contar sobre ela, que me aconteceu.
00:23:55
Speaker
A Peggy Wood?
00:23:56
Speaker
Sobre a música, a canção em si.
00:23:59
Speaker
Mas antes disso, ela tem duplo sentido.
00:24:02
Speaker
Primeiro, eu acho...
00:24:05
Speaker
É muito engraçado, no filme existir uma entidade superior que de alguma forma valida uma indecisão, uma insegurança e que é representada pela Madre Superiora e ainda gosto mais neste caso de ser, é como se fosse uma mãe.
00:24:22
Speaker
É uma mãe que valida e aceita e força.
00:24:25
Speaker
E isto eu acho muito bonito no filme.
00:24:27
Speaker
Depois a própria canção em si fala de perseguir o sonho e fala de perseguir o sonho através de percorrer um arco-íris até encontrares o teu sonho, que o sonho tem que ser onde depositamos todo o nosso amor até ao nosso parecer, até ao fim dos nossos dias e isto é muito naquilo que eu acredito.
00:24:50
Speaker
E portanto, juntando aqui esta questão dupla de ser uma mãe que valida e aceita e força como entidade superior.
00:25:02
Speaker
na procura de um sonho acho que também diz muito sobre mim daquilo que é a minha história porque é real aqui uma parecença por outro lado gostava muito que fosse assim para toda a gente e acho extremamente bonito esta coisa de se poder perseguir o sonho para além da montanha não subir a montanha é para além dela até ao fim dos nossos dias com a estrela guia e todo o filme é isso acho que faz tudo certo
00:25:33
Speaker
Sim, sim, sim, o filme está E estava a pensar a quantidade de críticas Que me lembro de ter lido Fiquei até triste quando as liga, é o que me acontece Fico sempre decepcionada com o mundo De vez em quando Fico logo decepcionada Mas estava a pensar que havia umas críticas que li na altura Até de pessoas que eu... Bom, não interessa O que interessa é esta dimensão Não, uma crítica, não é?
00:25:56
Speaker
Como se houvesse um excesso de sonho Um excesso de leveza E fiquei sempre a pensar nisso Mas...
00:26:00
Speaker
preocupação no lugar errado, não é?
00:26:03
Speaker
Porque realmente o que eu acho que transmite é isso, é esse regresso ao lugar onde outopia a tua estrela guia e portanto está sempre um embalo de fundo que permite a tal resistência que tu dizias, não é?
00:26:13
Speaker
E é giro como isto se levanta sempre tantos anticorpos É verdade Vêm logo os anticorpos dizer cuidado, isso é demasiado fofinho Não é o cuidado É engraçado como é que isto É, eu estou prestes a fazer um anticorpo destes
00:26:26
Speaker
estou à espera que vocês calem para eu começar Desde que seja no sítio certo Agora, deixa-me dizer isto Mas a ideia, até porque eu acho que Repara a própria palavra, não é?
00:26:36
Speaker
Como é que isto acontece a toda hora?
00:26:38
Speaker
Porque perseguir o sonho E perseguir o sonho Tocam-se tanto e estão sempre em conjunto Até mesmo na questão da luz e da sombra Mas está sempre presente E a confusão vem logo Não estou a dizer em ti Tantas vezes posta no mundo Quando ofereces esta ideia Claro
00:26:54
Speaker
Vem sempre para alguém perseguir, sempre Mas não é isso que tu vais fazer, não é?
00:26:58
Speaker
Não, não Vou fazer, até vou fazer duas coisas Não, aqui uma Eu vou fazer isto em relação a outra coisa Uma questão que o Luís levantou aqui
00:27:11
Speaker
em que eu vou desarrumar aqui um bocadinho, mas até quero dizer uma coisa sobre isto, porque acho mesmo, independentemente, e nós sabemos porque é que esses anticorpos surgem, mas acho que neste momento faz mesmo muita falta ao mundo isto, não é?
00:27:28
Speaker
Claro.
00:27:29
Speaker
Faz mesmo muita falta ao mundo esta leveza, esta leveza, estas coisas fofinhas, que podem ou não ser fofinhas, mas que transportam alguma leveza.
00:27:39
Speaker
Não, não, que conseguem, não é?
00:27:41
Speaker
Que conseguem, desculpa interromper-te, mas é só por isto também, porque é a leveza que surge da possibilidade de encontrar-me.
00:27:46
Speaker
Não, é uma leveza substancial.
00:27:47
Speaker
Exatamente.
00:27:47
Speaker
Claro, com substância.
00:27:49
Speaker
Claro, com substância.
00:27:49
Speaker
Mas que lá está, olha, ainda de ontem a hoje, publiquei um reel de uma miúda a dançar.
00:27:55
Speaker
É isto, não é?
00:27:56
Speaker
Perceber que há um entusiasmo vivo em miúdos mais novos.
00:27:59
Speaker
Por exemplo, isto, isto, isto.
00:28:02
Speaker
Aquilo é muito simbólico e está carregado de densidade.
00:28:06
Speaker
Agora, é uma garota a dançar.
00:28:08
Speaker
Pronto, é isto.
00:28:09
Speaker
É o elementar que tu falavas também na tua introdução.
00:28:13
Speaker
Agora, é que o Luís disse que se levanta para perseguir o sonho e que na introdução, não na introdução, na sua apresentação, ele introduziu-se muito bem.

Jornada Espiritual e Vivência no Presente

00:28:29
Speaker
Na sua introdução, ele diz qualquer coisa como tentar ser melhor, eu acho que estou sempre a tentar ser melhor.
00:28:35
Speaker
Porquê?
00:28:38
Speaker
Porque eu entendo isso, eu tenho isso presente para mim, não quer dizer que isto seja o que está certo, mas eu à medida que a vida foi andando desenvolvi aqui, se é que se pode dizer, um lado mais espiritual.
00:28:56
Speaker
Esta coisa de ter que necessariamente encontrar sempre um sentido para tudo, e eu acho talvez que é das...
00:29:01
Speaker
das coisas que mais me cansa diariamente é... Eu preciso sempre de encontrar um sentido.
00:29:08
Speaker
Não sei se isto vem da filosofia que adorava quando era miúdo e sempre tentar encontrar um porquê.
00:29:16
Speaker
Não um porquê de vitimização que é. Porquê que as coisas acontecem assim?
00:29:21
Speaker
Não.
00:29:23
Speaker
Acreditando eu que as coisas não acontecem por acaso, então eu terei sempre qualquer coisa a ganhar com tudo o que acontece.
00:29:30
Speaker
E quando digo a ganhar, é ganhar internamente, a ganhar no que eu possa ser.
00:29:35
Speaker
Porque acho que as coisas não nos acontecem na vida para nós ficarmos impassíveis e iguais, seja o que é bom e o que é mau.
00:29:42
Speaker
Acho que nos traz sempre um ganho.
00:29:45
Speaker
E portanto acredito ter como missão, ou eu tenho para mim como baliza que devo acordar todos os dias para tentar ser melhor,
00:29:55
Speaker
naquilo que é o meu amor próprio naquilo que é o amor com os outros naquilo que são as relações com os outros porque acho que assim é que existe uma evolução e às vezes tenho muita pena porque olho à volta e penso que as pessoas estão se calhar vou dizer uma palavra um bocadinho forte mas estão um bocadinho amorfas em relação a este tipo de sensação de que parece que a vida é um sopro e que na verdade é mas que é um sopro na qual nós não temos muita coisa para fazer
00:30:23
Speaker
Um sobre-suprado vazio.
00:30:25
Speaker
Sim, sim.
00:30:27
Speaker
E eu quero morrer completo.
00:30:29
Speaker
Sim.
00:30:30
Speaker
E na realidade, quando tu nasceste, ainda havia muito isto que era...
00:30:38
Speaker
que eu não sei se posso dizer se faz parte de um paradigma, não sei se se pode dizer assim, mas se calhar fazia parte de um paradigma e agora está a transformar-se noutra coisa, que era muito do que nos era passado na educação, e quando digo educação, era em casa e na escola, era ser um ser humano melhor.
00:30:57
Speaker
Era estar constantemente, superar-mo-nos constantemente.
00:31:03
Speaker
E isto fazia parte da nossa educação.
00:31:05
Speaker
Como seres humanos.
00:31:06
Speaker
Sim, como seres humanos.
00:31:07
Speaker
Sim, sim, como seres humanos.
00:31:09
Speaker
Não, não, não, como seres humanos.
00:31:11
Speaker
Sermos, quer isto, como seres humanos, tanto na escola como em casa.
00:31:15
Speaker
Mesmo que um pai, uma mãe, não percebessem muito daquilo que podia ser basilar na educação de um filho, porque agora até é que nos questionamos mais sobre isso.
00:31:25
Speaker
Os pais de hoje percebem muito melhor...
00:31:29
Speaker
têm acesso à responsabilidade que têm sobre a educação.
00:31:32
Speaker
Antes não havia tanto, os pais não tinham, sabiam que tinham que educar um filho, mas não tinham tanta consciência do impacto da educação deles depois na formação de personalidade do filho.
00:31:41
Speaker
E hoje em dia mais isso, mas quando tu nasceste isto ainda era muito presente, tu tens que ser melhor, tu tens que ser um ser humano melhor, tens que te superar.
00:31:52
Speaker
É isto, qualquer professor passava isto, e qualquer pai passava isto.
00:31:56
Speaker
E hoje, hoje, a coisa é outra.
00:32:00
Speaker
A coisa é mais como isto pode acabar a qualquer momento, tens que aproveitar ao máximo.
00:32:04
Speaker
Sim.
00:32:05
Speaker
E isto mudou.
00:32:07
Speaker
Isto é mesmo uma grande mudança.
00:32:08
Speaker
É uma paradigma que mudou.
00:32:09
Speaker
Eu acho que tem a ver com o paradigma que está a mudar e eu acho que a mensagem que está dentro dele é esta, que é isto a qualquer momento pode acabar e portanto tens a que aproveitar.
00:32:20
Speaker
Enquanto antes tu tinhas uma noção de tempo muito mais extensa e de infinito, tu agora sentes o tempo como infinito, nós de antes sentíamos o tempo como infinito.
00:32:30
Speaker
E o tempo mudou muito graças às redes sociais, a uma série de coisas, a tecnologia acelerou isto tudo.
00:32:37
Speaker
E então nós de antes tínhamos esta coisa de o tempo passava com outra velocidade e nós tínhamos tempo de nos tornar um ser humano melhor, tínhamos tempo de amadurecer.
00:32:46
Speaker
E agora não, o que nós ouvimos desde pequeninos até...
00:32:50
Speaker
é isto pode acabar a qualquer momento porque há armas e nós temos todos a sensação que temos que viver isto porque isto pode acabar a qualquer momento e então a coisa começou a ser vive isto o mais que tu podes deixou de ser tenta ser um ser humano melhor tenta superar-te constantemente e tu ainda tens isto felizmente
00:33:13
Speaker
mas nós, hoje em dia, muita gente que não tem isso, não é?
00:33:18
Speaker
Por isso é que nós sentimos este terreno tão infértil cada vez maior.
00:33:24
Speaker
E queria, pronto, dizer isto porque tu falaste nisto e eu acho que é mesmo importante.
00:33:29
Speaker
Patrícia, pegando na canção se te apetecer ou nisto que temos estado a conversar?
00:33:35
Speaker
Não, não, porque é pensando nisso que estás a dizer da sensação das coisas serem a prazo, não é?
00:33:40
Speaker
Sim Sim Sim
00:34:05
Speaker
É em grande parte apenas naquilo que é visível.
00:34:09
Speaker
É engraçado porque a música que ela canta para expulsar o medo dos miúdos à noite, não é?
00:34:15
Speaker
Pensa quais são as coisas boas da vida, não é?
00:34:17
Speaker
E os exemplos todos são coisas de regulação, não é?
00:34:20
Speaker
Do prazer, do encontro com a relação, com as coisas da vida Mas tudo, mesmo, não é?
00:34:25
Speaker
Lembro-te da letra, quero-me lembrar, quer ser que tinha aqui Está aqui, está aqui Queres em português?
00:34:30
Speaker
Quero que tu cantes, Ana, trazer hoje Não, não, não, não, não
00:34:49
Speaker
cordel, não é?
00:34:51
Speaker
Estas são algumas das minhas coisas favoritas.
00:34:53
Speaker
Pónis cor creme e struddles de maçã crocante.
00:34:56
Speaker
Campainhas, cines de ternó e os suítes com macarrão.
00:35:03
Speaker
Bentes selvagens que voam com a lua em suas asas.
00:35:07
Speaker
Meninas de vestido branco com faixas de cetim azul.
00:35:10
Speaker
Floques de neve que ficam no meu nariz.
00:35:12
Speaker
Invernos branco prateados que derretem na primavera.
00:35:17
Speaker
Quando o cachorro morde, quando a abelha pica, quando me sinto triste, simplesmente lembro-me das minhas coisas favoritas e então...
00:35:26
Speaker
Não me sinto tão mal Pronto Exatamente, esta relação plena com as coisas Do encontro máximo com as coisas Que é este, do pormenor Ser o lugar onde tu te encontras Mas está cheia de contemplação Essa música Está cheia disso E esse é o resgate da humanidade Que o Luís está a falar desde o princípio E este regresso ainda me deixa alguma esperança Que apesar de tudo, toda a gente está à espera De encontrar este lugar quando chega ao Natal Não é?
00:35:55
Speaker
um eco que te espera, não é?
00:35:57
Speaker
E portanto de alguma maneira, mas na outra dia pensava isto também sem crítica nenhuma, as pessoas todas têm a sua história de vida, mas a facilidade com que as pessoas dizem mal do Natal, não é?
00:36:07
Speaker
É horrível esta época, quando eu era pequena, nós havíamos isso assim, quando eu era pequena é que era espetacular, porque a casa estava cheia de adultos e de outras crianças
00:36:17
Speaker
Aquilo é uma golfada também por dentro Se nós deixamos secar esse lugar E justificamos não podemos ter acesso a esse lugar Porque não somos mais crianças Do ponto de vista literal Abandonámo-nos completamente deste lugar de magia E de sonho que está presente Porque intempéries na vida Temos todos Agora achar que havia uma responsabilidade De alguma maneira da manutenção do Natal Que não depende de mim Eu acho que é o princípio da desresponsabilização social Sim
00:36:48
Speaker
Não, mas eu estava a pensar nisto que tu estavas a dizer, porque ainda bocado vi para aqui um reel qualquer, ai eu odeio o Natal, essa facilidade, eu odeio o Natal e vai com um cachorro vestido de pai Natal.
00:37:00
Speaker
É porque há isto, não é?
00:37:01
Speaker
Eu odeio o Natal, mas de repente tudo o que são acessórios, tudo o que é materiais de Natal, tens a casa nisto.
00:37:08
Speaker
Tens tudo nisto ao ponto de vestir um cão com roupas de duende.
00:37:14
Speaker
E isto é mesmo a antite, não é?
00:37:17
Speaker
vamos ao mesmo lugar, que é o lugar onde a palavra não corresponde à ação.
00:37:22
Speaker
A ação palavra e tu ficas a perceber que tipo de personalidade é que tens à tua frente, não é?
00:37:28
Speaker
Pois.
00:37:29
Speaker
É a época da distopia, não é?
00:37:30
Speaker
Sim.
00:37:31
Speaker
E da subversão.
00:37:32
Speaker
Ou da perversão.
00:37:33
Speaker
Sim, sim.
00:37:33
Speaker
Porque dentro está tudo subvertido.
00:37:35
Speaker
É isso mesmo, não é?
00:37:36
Speaker
Claro que tu podes ter tido, agora, para ir pegando nisto literal, mas é claro que nós sabemos que as circunstâncias da vida fazem-nos ter uma dor imensa face a determinados acontecimentos, não é?
00:37:43
Speaker
Se eu tive Natal em todas as suas acessões e deixo de ter, é óbvio que a dor tem que ser grande.
00:37:48
Speaker
Mas depois...
00:37:49
Speaker
não percebemos que é disso que estamos a falar e fazemos uma luta enorme para secar o Natal é muito triste porque é o princípio da... Claro, para falar noutra coisa que o Natal é quando um homem quiser e é o que o homem quiser porque eu, por exemplo, por princípio aquilo que para mim é o Natal não tem nada a ver com o Natal como... é outra coisa o Natal.
00:38:10
Speaker
Aliás, o Nuna Marco disse isso ontem num post que escreveu do hospital que dizia, não é?
00:38:16
Speaker
O quê?
00:38:16
Speaker
O quê?
00:38:17
Speaker
Ter as minhas pessoas, tenho medo de dizer disparados, mas a ideia era qualquer coisa destas, não é?
00:38:20
Speaker
Fazer isto, ou acordar e encontrar não sei o que, ou fazer um dia de rádio e não sei o que era, mas era nesta linha.
00:38:25
Speaker
É ser Natal.
00:38:26
Speaker
Sim, exatamente.
00:38:31
Speaker
O Natal para mim pode não ser exatamente o que é para ti, pode não ser o que é para ti, mas na realidade matá-lo
00:38:44
Speaker
É que não é de tudo... força, não é?
00:38:46
Speaker
Exatamente aquilo que nós... Exatamente aquilo que as pessoas estão a querer fugir, na verdade.
00:38:53
Speaker
É fugir no sentido contrário, não é?
00:38:58
Speaker
É melhor fugir para dentro do Natal do que para fora dele.
00:39:01
Speaker
Eu também concordo contigo.
00:39:03
Speaker
Eu também.

Mudança de Carreira e Caminho de Santiago

00:39:07
Speaker
Agora, tu gostas muito desta canção do Climb Every Mountain e estavas a falar na superação do sonho para além da montanha.
00:39:20
Speaker
Então, conta-nos porque tu disseste, e que é verdade, tu disseste, e no início da nossa conversa, que gostas muito de cantar e portanto deixaste de ser, tiraste de comunicação social.
00:39:37
Speaker
É, Ciências da Comunicação.
00:39:38
Speaker
Desculpa, Ciências da Comunicação.
00:39:40
Speaker
E depois trabalhares na televisão e agora foste atrás do sonho.
00:39:45
Speaker
Portanto, tem tudo a ver com esta canção que tu escolheste Certo Então contamos lá, como é que anda a tua vida Na busca dos sonhos
00:39:53
Speaker
Então, obviamente fiz aqui um... Eu acho que durante muito tempo quis muito ter esta mudança, não é?
00:40:01
Speaker
Ou seja, sempre idealizei o que é que eu gostaria de fazer todos os dias da minha vida, mas também eu próprio precisei de estar num determinado sítio e num determinado lugar, talvez pudesse não me sentir ainda preparado para fazer essas mudanças, percebo agora.
00:40:17
Speaker
Sim.
00:40:19
Speaker
Embora também não ponho para trás e não hipoteque tudo aquilo que vivi como produtor de televisão.
00:40:24
Speaker
Foram 15 anos e foram 15 anos muito enriquecedores, não do ponto de vista profissional, mas também do ponto de vista humano.
00:40:33
Speaker
de facto aqui um momento da minha vida, por circunstâncias familiares, que fui obrigado a repensar o que é que eu queria fazer todos os dias da minha vida
00:40:43
Speaker
não por questão logística de me poder aproximar da família mas também porque o facto do que aconteceu com a família me fez pensar será que eu estou no caminho certo?
00:40:55
Speaker
Nós também vivemos à partida uma vez que se saiba.
00:41:00
Speaker
Nós estamos sempre a dizer vivemos uma vez.
00:41:03
Speaker
Embora depois no fundo
00:41:07
Speaker
Sim, porque eu acho que há bocadinho tu falavas do tempo e eu tenho sempre esperança de que nós consigamos viver para além do tempo.
00:41:13
Speaker
Eu acredito que possa voltar muito mais vezes e que não será esta.
00:41:16
Speaker
Não virei assim como estou, mas também acredito nisso.
00:41:21
Speaker
E então pensei que foi um bocadinho beber dessa coisa do aqui e agora.
00:41:26
Speaker
que é, eu não me apetece também muito esperar pelos 60, pelos 70 anos, achando que chegarei, para de repente decidir que agora é que eu vou ser feliz.
00:41:34
Speaker
Não, não, eu quero ser feliz já.
00:41:36
Speaker
Porque isso também faz parte de eu poder ser melhor todos os dias.
00:41:40
Speaker
Então decidi fazer essa mudança e neste momento...
00:41:44
Speaker
Sendo aulas de canto Ando a produzir também as minhas canções Tenho aqui um objetivo de poder um dia chegar a um álbum Fazer concertos Mas também acho que o caminho vai sendo feito um degraude cada vez Esta música eu há bocadinho narrava Que tinha uma circunstância muito caricata Como aconteceu com ela Porque na verdade isto...
00:42:09
Speaker
não acreditando eu em coincidências, vou dizer aqui entre aspas que é uma grande coincidência que aconteceu.
00:42:18
Speaker
Portanto, foi um dos, num dos, das aventuras, das experiências mais incríveis da minha vida, foi fazer o Caminho de Santiago.
00:42:28
Speaker
e que me deu muitas respostas, talvez para aquilo que eu procurasse.
00:42:34
Speaker
E uma delas, eu fiz o caminho de Santiago precisamente neste processo de mudança.
00:42:40
Speaker
E muito embora estivesse completamente certo naquilo que queria fazer, sempre dúvidas, não é?
00:42:45
Speaker
sempre medo.
00:42:47
Speaker
Eu até acho muita graça, voltando aqui ao filme, a música Have Confidence é precisamente quando a Maria está numa fase de transição e em que ela própria está a cantar para si, para se ouvir, eu tenho confiança em mim, eu vou conseguir fazer isto.
00:43:03
Speaker
Eu acredito que fosse também muito medo dela a falar e por isso é que precisava de sentir essa segurança e assim eu também o fiz no caminho.
00:43:10
Speaker
Portanto, estava no andamento, estamos a falar num ponto de exaustão bastante grande, vários dias a andar, numa fase em que fazia as caminhadas sozinho, sempre de música nos ouvidos nunca consegui estar em silêncio, percebi que na verdade mesmo dentro da... não consigo estar em silêncio, eu encontro o silêncio dentro da música.
00:43:35
Speaker
E este foi um dos álbuns que pus a tocar.
00:43:38
Speaker
Numa fase mais crítica da etapa, de repente, muito cansado, dou com uma, digamos assim, um bocado muito íngreme.
00:43:50
Speaker
Mesmo muito ingre, em que de repente, isto estou tão cansado e tenho que subir isto até acima.
00:43:57
Speaker
Mais ou menos sensivelmente a meio existiam duas senhoras de idade amparadas uma na outra, portanto mais velhas, a tentar chegar ao...
00:44:07
Speaker
ao cume da subida e de repente estava tão cansado e coincidentemente começa a tocar esta música nos meus ouvidos e eu senti uma vontade louca, insana de cantar, era como se de repente eu acompanhar aquilo que estava a ouvir a cantar a plenos pulmões me pudesse dar a força que eu precisava para lá chegar acima e como vos digo estava nesta fase de será que eu estou mesmo a seguir o caminho certo?
00:44:35
Speaker
Cheio de dúvidas
00:44:37
Speaker
eu estou a chegar mais ou menos ao topo da subida, sensivelmente em simultâneo, ao mesmo tempo que as senhoras.
00:44:43
Speaker
e a intenção seria ultrapassadas para continuar o caminho na minha passada e de repente tenho um braço, aliás tenho uma mão que se mete no meu braço e me para e eu automaticamente pensei, ai ai ai, eu vou levar aqui uma grande repocada porque pessoas que estão a fazer este caminho e que querem ir em silêncio e de repente quem sou eu para vir atrás delas em plenos pulmões a cantar Climb Every Mountain
00:45:08
Speaker
Eu estava maluco, pensei, vou levar uma repocada da vida E de repente a senhora, que eram duas alemãs, tinham mais ou menos 70 anos Disseram-me, mas a senhora importa de parar aqui um bocadinho?
00:45:20
Speaker
Eu disse, não, não, preparadíssimo para pedir desculpa
00:45:23
Speaker
E elas disseram, o senhor não tem noção, a subida estava a ser tão difícil para nós.
00:45:28
Speaker
E de repente começámos a ouvir uma voz ao fundo, a cantar, e gostámos da sua voz, gostámos de o ouvir cantar, e principalmente por ser esta música...
00:45:39
Speaker
Isso foi o ampar que nós precisávamos para poder chegar ao cimo desta subida.
00:45:45
Speaker
Senhor, faça-me um favor, por favor, nunca paro de cantar.
00:45:48
Speaker
Posso dar-lhe um abraço.
00:45:49
Speaker
Então, tive mais ou menos, não sei quanto tempo, o tempo me pareceu-me infinito.
00:45:54
Speaker
Foi assim, um abraço dos mais quentinhos que recebi, chorámos copiosamente os dois, nunca mais encontrei estas senhoras, mesmo depois nas etapas seguintes.
00:46:05
Speaker
Mas honestamente acho que foi uma das respostas que eu, talvez foi um dos sinais que eu pudesse precisar mais naquela altura e que marcou precisamente com esta música.
00:46:14
Speaker
Eu já a tinha tomado, eu acho que precisava de uma validação.
00:46:18
Speaker
Que era a validação que falavas ainda há pouco da própria Peggy Wood, fazer de Madre Superior.
00:46:24
Speaker
Exatamente.
00:46:26
Speaker
A falar da Frawling.
00:46:28
Speaker
Sim.
00:46:29
Speaker
Fabuloso.
00:46:29
Speaker
Portanto, guarda assim esse... Eu acredito nestas coisas, eu sei que há pessoas que não acreditam, ou talvez possam não estar tão despertas, está, como precisa encontrar um sentido, eu tento estar atento a tudo o que acontece à minha volta para...
00:46:43
Speaker
Para poder ter, é quase como se fosse um, como dizer, dá-me aqui um fogo para andar.
00:46:50
Speaker
Exato.
00:46:51
Speaker
Uma espécie quase de combustível de caimbo.
00:46:53
Speaker
Tem combustível, exatamente, exatamente.
00:46:55
Speaker
Sim, sim, sim.
00:46:57
Speaker
Que é o momento autêntico, não é?
00:46:58
Speaker
O talento autêntico de repente te faz encontrar.
00:47:02
Speaker
Sim.
00:47:02
Speaker
O que na realidade está, é isso?
00:47:04
Speaker
Sim.
00:47:05
Speaker
Mas é este lugar de bênção quase, não é?
00:47:07
Speaker
E eu disse uma coisa importante bocadinho também, que eu acho que também faz falta, não é?
00:47:12
Speaker
Que é este sítio onde sim, onde há alguém que é uma referência para ti também de alguma maneira e que te valida um caminho, não é?
00:47:19
Speaker
Esse lugar também como um lugar de uma importância extrema, porque eu tenho, temos falado também, tenho dito isto...
00:47:26
Speaker
uma sensação, mesmo do ponto de vista académico, vamos sentindo muito isto, de repente, vamos começar uma certa ideia de doutoramento em barna, independentemente da experiência das pessoas, independentemente do caminho conquistado.
00:47:38
Speaker
E assim, uma certa inversão às vezes, que uma certa orfandade ao mesmo tempo.
00:47:43
Speaker
uma coisa qualquer que fica muito cheia, muito vazia.
00:47:47
Speaker
Salve raríssimas exceções, claro, com certeza as haverá Mas ao mesmo tempo é isto, não é?
00:47:52
Speaker
Falta esse lugar onde tu também sabes que precisas Dessa alguém que tem um lugar de experiência, de vida vivida E que de alguma maneira te consente Não num sentido de condescendência, mas num sentido de reforço Essa mesma caminhada, não é?
00:48:09
Speaker
E da confirmação da tua existência, não é?

Comunidade, Ensino e Expressão Musical

00:48:15
Speaker
Por se ficar sozinho à procura disso e ninguém te confirmar isso, não é?
00:48:21
Speaker
Ficamos nesta coisa sempre singular sem relação, não é?
00:48:24
Speaker
Para isto que a relação também serve.
00:48:26
Speaker
Confirmar naqueles lugares vazios, não é?
00:48:27
Speaker
Estava destes doutoramentos no sentido de não é?
00:48:29
Speaker
Estas acabam os cursos, a gente vai vendo isto, não é?
00:48:31
Speaker
Acabas um curso e de repente o passo a seguir é o doutoramento e a seguir estás não sei quantas... Está tudo certo, mas faltam os regentes de cada lado.
00:48:39
Speaker
Não no sentido de submissão, mas no sentido deste lugar da experiência que por caminho.
00:48:42
Speaker
E não, esta coisa de como é que... Que agora até à parte dos doutoramentos, até ponho a coisa assim, como é que, por exemplo, na nossa área, como é que se tomam decisões sobre pessoas sem se perceber nada de pessoas?
00:48:57
Speaker
Pois, isso é tudo.
00:48:58
Speaker
Pronto, é isto, não é?
00:49:00
Speaker
Como é que se tomam decisões?
00:49:03
Speaker
Nós falamos muitas vezes que, por exemplo, para de facto, na nossa profissão, para sermos o que somos, temos mesmo que estar com as mãos na massa.
00:49:12
Speaker
o Coimbrau dizia constantemente, não é?
00:49:16
Speaker
Não são os livros que nos ensinam.
00:49:18
Speaker
Os livros dão-nos muito e fazem... dão-nos muito.
00:49:22
Speaker
E então estar em relação com eles é uma coisa maravilhosa, mas quer dizer que temos que pôr a mão na massa, porque senão não percebemos nada disto.
00:49:29
Speaker
O que é que nós percebemos de pessoas ao ler livros?
00:49:34
Speaker
Ficamos a saber, mas não ficamos a conhecer.
00:49:37
Speaker
Ficamos a saber, mas não ficamos a conhecer.
00:49:40
Speaker
Porque para isso precisas da comunidade, precisas de estar em comunidade.
00:49:43
Speaker
Não, e precisas de estar com as pessoas, precisas de ter uma pessoa a tua frente, precisas de sentir a... Atualmente ler livros era espetacular, eu quero dizer, atualmente se fosse ler livros e falar sobre eles era... Claro, não, está bem, mas estamos a falar nisto, por exemplo, do que é exigido a uma pessoa que está a tirar o doutoramento, a quantidade de papers que é preciso, não sei o que, aquela pessoa desata a fazer papers, desata a fazer tudo, então onde é que está com as pessoas, não é?
00:50:04
Speaker
É nesse sentido.
00:50:04
Speaker
Claro, sim, sim, eu preciso que está a dizer.
00:50:06
Speaker
Mesmo que possa montar uma investigação, onde possa estar com pessoas e experimentar coisas, mas quer dizer, estamos a falar desta coisa do pôr a mão na massa, que é estar a ouvir o outro, estar com o outro, sentir a respiração do outro, sentir o ritmo do outro, a tristeza, a alegria, tudo.
00:50:27
Speaker
Isto não...
00:50:29
Speaker
as vivências é que nos trazem isto, não é?
00:50:34
Speaker
Eu sei que, está bem, eu sei, mas experimentei, conheço, sei tudo, não é?
00:50:38
Speaker
É isto.
00:50:40
Speaker
Então, mas tu estás contente e parece-me que te sentes mais realizada.
00:50:47
Speaker
cantar o lar eu acho que nós merecimos que vocês cantassem os dois eu não percebo porque é que eu tenho que estar a pedir isto porque olha, se quiseres vais a um concerto não, vocês davam agora aqui um bocadinho e eu acho interessante podemos pedir ao Luís Carlos mesmo para terminar, para cantar um bocadinho sim, pronto não, aqui não precisamos de pedir, mas a prima dele podia acompanhar não, nada disso que disse não faz sentido uma coisa é não querer, outra coisa é que isto não faz sentido, lamento
00:51:19
Speaker
Obrigada.
00:51:20
Speaker
Portanto, estás contente com a mudança que tens feito, que tens vindo a fazer?
00:51:29
Speaker
Estou, estou, para porque tenho música todos os dias, todos os dias, naturalmente não é sempre na minha voz, embora obviamente eu estou sempre com a minha voz.
00:51:39
Speaker
mas está a acontecer esta coisa extraordinária que é estar todos os dias com, neste caso com pessoas que estão comigo semanalmente, todas as semanas estou com elas e poder acompanhar aquilo que também é a sua evolução no canto, claro, mas eu acho que acima de tudo é mais do que isso.
00:52:02
Speaker
é de superação, é de... porque naturalmente também aqui muita coisa ligada, obviamente não sou terapeuta, não tenho nada a ver com isso, mas muitas vezes bloqueios a cantar que vêm de outro sítio, ou que vêm de muitos outros sítios, e muitas vezes o que acontece em formato de aula é que as pessoas são confrontadas com...
00:52:21
Speaker
Bloqueios que muitas vezes nem elas sabem porquê e que se traduzem no canto e é esse que nós tratamos ali, mas muitas vezes vão para casa a pensar, ah, que engraçado, porque é que eu fecho tanto o maxilar, porque é que eu não respiro desta maneira?
00:52:37
Speaker
E então, para mim é extraordinário, de repente, cada vez que algum aluno consegue, quando conseguimos atingir algum objetivo a que nos propomos, é uma benção.
00:52:47
Speaker
Eu não sou religioso, mas isto para mim é uma benção.
00:52:51
Speaker
É mesmo.
00:52:52
Speaker
Então, sim, acordo muito mais feliz.
00:52:54
Speaker
Faço mesmo aquilo que mais gosto.
00:52:58
Speaker
E nesse sentido, sim, considero-me um privilegiado.
00:53:01
Speaker
Acho que fiz por isso e continuarei a fazer por merecer este lugar.
00:53:06
Speaker
E pronto, e depois naturalmente, paralelamente, também estou aqui numa fase de explorar mais a minha expressão, em que estou a pegar, estou a tentar olhar para dentro também de uma forma que nunca olhei, que é musicalmente falando, o que é que me apetece escrever, o que é que me apetece compor, o que mensagens é que eu quero transmitir para o mundo, o que é que eu acho que pode ser importante no mundo nesta fase...
00:53:28
Speaker
um bocadinho por então sim, também lancei dois singles e agora quero continuar a lançar mais e poder também expor aquilo que eu sou musicalmente falando talvez aqui outra vez a voltar aos primórdios de encontrar a identidade embora eu acho que isto é sempre uma coisa perpétua eu acho que nós até ao fim dos nossos dias estamos à nossa própria procura subscrevo inteiramente e se assim não for vai muito mal é por
00:54:00
Speaker
Também podemos desistir de procurar, mas é um lugar mais seco.
00:54:06
Speaker
É um lugar mais seco.
00:54:07
Speaker
Porque eu acho que também essa possibilidade.
00:54:11
Speaker
Mas é um lugar... Não é um lugar tão bom.
00:54:18
Speaker
Muito bem.
00:54:19
Speaker
Então...
00:54:22
Speaker
O que é que nós podemos dizer mais?
00:54:26
Speaker
Acho que está feito, não é?
00:54:29
Speaker
Podemos agradecer muito Podemos agradecer muito a tua presença Mas tu falaste em deixar uma mensagem melhor ao mundo Eu acho que estamos no mês do Natal Se calhar O que é que te apetece dizer sobre o mundo?
00:54:43
Speaker
Podes dizer agora Aproveita Antes disso
00:54:54
Speaker
isso é uma boa pergunta tenho muitas coisas para dizer ao mundo mas eu acho que acima de tudo eu gostava muito que as pessoas lá está, olha, pegando até no Natal o Natal tem uma espero, eu acho eu, tem aquela característica de nos fazer parar numa vida tão corrida
00:55:17
Speaker
Então eu acho que era incrível se se conseguisse fazer dessa paragem algo frutífero, que é olhar para dentro e perceber que para além de nós existe o outro e que nós estamos todos ligados que ninguém existe sem a existência do outro, eu acho, ou pelo menos não deveria ser assim.
00:55:46
Speaker
e que acima de tudo se procurem mas está, não esquecem de sempre que existe o outro eu acho que talvez eu estou sempre a bater na mesma tecla mas eu acho que é das coisas que as pessoas mais têm esquecido e que me parece que cada vez mais estão a esquecer vou sempre parar em um lugar comum que é a empatia mas de facto eu acho que ela está mesmo em vias de extinção e isso está a afligir-me, então
00:56:13
Speaker
por favor aproveitei o Natal para pensar nisso para pensar que se queremos continuar a ser melhor todos os dias temos mesmo que olhar para nós e para os outros Muito bem, Patrícia
00:56:31
Speaker
Sabes o que acabou de ser?
00:56:34
Speaker
Queria vos ouvir a canção.
00:56:35
Speaker
Isso para mim era Natal, é a esperança, talvez eu possa dizer isto, ela fica zangada, mas é assim que eu sinto, que era para eu guardar a voz dentro, em momentos de maior aflição, fazer esse resgate interno da música, agora podiam dizer uma rima bastante...

Comercialização Sazonal e Gratidão Final

00:56:49
Speaker
Então vamos fazer assim Enquanto eu me vou despedir O Luís vai pensar Se pode cantar aqui um bocadinho De qualquer coisa De que lhe apeteça Da música no coração E eu despeço-me Despedimos todos E o Luís canta um bocadinho Pode ser assim?
00:57:13
Speaker
Então Mas se quiser podes acompanhar Está bem, obrigada
00:57:17
Speaker
Eu tenho uma coisa a dizer antes de me ir embora daqui.
00:57:23
Speaker
Hoje é dia 1, podemos desejar Feliz Natal.
00:57:28
Speaker
Estou farta desta coisa de não celebrarmos o outono.
00:57:32
Speaker
Estou farta disto, estou farta de chegar a setembro e de chegar da praia, que adoro ir à praia em setembro e ter bolas de Natal ali nos pré-mercados em todo o lado.
00:57:43
Speaker
Estou farta disto.
00:57:44
Speaker
Parem de acelerar o tempo, por favor, parem com isto.
00:57:48
Speaker
e ponham como dantes as folhas secas e as castanhas nas montras em outubro e novembro e deixam o Natal para o dia 1 portanto, eu hoje vou desejar Feliz Natal porque já é dia 1
00:58:00
Speaker
posso te dar Feliz Natal, mas uma coisa que eu queria dizer ao mundo era isto, parem com isto.
00:58:06
Speaker
Deem um tempo às pessoas de viverem as várias estações do ano, porque elas até estão bastante alinhadas agora.
00:58:12
Speaker
As pessoas falavam antes na meteorologia e que o tempo e não sei o quê.
00:58:16
Speaker
Não, isto está tudo alinhado, as folhas caem, não está assim tanto frio em outubro, novembro está tudo certo, chove, tal.
00:58:23
Speaker
Deixem-nos curtir o outono.
00:58:25
Speaker
E parem com esta coisa de meter o Natal, logo, as bolas de Natal e os presentes e as compras.
00:58:31
Speaker
Pronto, era isto que eu tinha para dizer.
00:58:34
Speaker
E assim, me despeço, nos despedimos, agradecendo à Climeps e o material que temos aqui, agradecendo à Patrícia que está aqui, ao Luís Carlos, à Carolina Pichel que está a fazer o som, aos Dirty Mac...
00:58:48
Speaker
e à Yoko Ono que cantam e tocam a canção que faz o nosso jingle à Joana Bernardo por ter dado voz à Psicanálise ao Mundo e ao Rock'n'Roll e nós vamos fazer aqui uma pausa porque não gravamos em dezembro vamos fazer umas férias de Natal mas voltamos em janeiro muito obrigada e até janeiro
00:59:13
Speaker
Edelweiss, Edelweiss, every morning you greet me, small and wide.
00:59:55
Speaker
Adelweiss, Adelweiss, bless my homeland forever.
01:00:22
Speaker
Três divãs, a psicanálise, o mundo e o rock'n'roll.