Zencastr
00:00:00
00:00:01
Speed1x
Format
Share
Embed
Report

Episódio 38

Três Divãs
Três Divãs

115 plays · Mar 11, 2026

Alex Cortez, músico e produtor cultural. Album: Velvet Underground & Nico https://open.spotify.com/intl-pt/album/657kVMdjQYpbNwLF92JgYj

Transcript

Speaker: As masterpieces paralisam-me sempre.

Speaker: Um pouco.

Speaker: E é-me difícil dissecá-las.

Speaker: Ocorrem, também aqui, as palavras de Dagerman.

Speaker: A perfeição labora em repouso.

Speaker: Esta frase daria uma mão cheia de conversas.

Speaker: Já lá vamos, acho.

Speaker: Há um tempo que já não volta e que volta sempre ao mesmo tempo.

Speaker: Então, é qualquer coisa da ordem da fusão que experimenta as entranhas e que catapulta.

Speaker: Esse fósforo ilumina o sal no mar, o feixe das botas, a gota de orvalho, a curva da anca, a baunilha da vagem, o malte no whisky...

Speaker: A gota do suor, o bafo da temperatura, o por na pele e o espor do estame.

Speaker: A cutícula da córnea, a derme na unha, o sopro do espirro, a saliva no gelado, a pupila no sexo.

Speaker: E queres engolir tudo.

Speaker: Queres sentir tudo.

Speaker: Não há caís do não te importares.

Speaker: Queres saber tudo porque sabes que o não querer saber é tão poerilmente narcísico, assim como o querer tudo só para ti.

Speaker: Resta saber, também, que tudo aumenta se for partilhado.

Speaker: Fica à escolha de cada um.

Speaker: Eu tinha um vestido preto, que ainda tenho, de mini saia vazia, decotado, com mangas à boca de cima.

Speaker: Vestia uns colãs de rede e calçava as botas pretas de tacão alto, com feixe até ao joelho.

Speaker: Soltava os caracóis e abria a porta do bar.

Speaker: Rodeado de sombra negra, o meu olhar percorri ao som dos Velvet Underground.

Speaker: Todos sabiam a minha favorita.

Speaker: E os vampiros à espreita.

Speaker: Há sempre vampiros à espreita.

Speaker: Aqui temos a certeza de que eles têm uma ação.

Speaker: No ar há um apelo que te vai matar.

Speaker: É a adrenalina desse abismo que te empurra.

Speaker: O amor... O amor está nos riffs, pá.

Speaker: Há, e há a cenubeira também, claro.

Speaker: Para mim, este disco vem de um não lugar que encontro o teu.

Speaker: É o disco escolhido pelo nosso convidado de hoje.

Speaker: Está provavelmente entre os dez favoritos de muitos.

Speaker: É um dos meus, mas é aquele que me fura a carne enquanto me conduz à pequena morte.

Speaker: Velvet Underground e Nico, finalmente.

Speaker: Escolhido pelo Alex Cortes, que está aqui para conversar comigo e com a Patrícia Câmara, no bairro Alto, no bar Janela da Ataleia, para a gravação de três divãs.

Speaker: Olá, Alex.

Speaker: Sejas bem-vindo.

Speaker: Olá, muito boa noite.

Speaker: Belíssimo texto, obrigado.

Speaker: Bela introdução.

Speaker: Chamo-me Alex Cortes, nasci em 1961, portanto no tempo do fascismo.

Speaker: Tive uma vida muito tranquila, uma infância ótima.

Speaker: Assisti ao 25 de Abril com 13 anos, o que foi uma experiência que ainda hoje me marca.

Speaker: Vivi no Subúrbio.

Speaker: Nasci no interior do país, nasci em Coimbra.

Speaker: Vivi a minha infância, parte dela em Leidia e depois vim para Lisboa.

Speaker: E quando estava em Lisboa, passaram uns tempos, fui viver para Algarão e Martins.

Speaker: Portanto, um jovem suburbano.

Speaker: Ou fui.

Speaker: Tive a sorte de ter encontrado um grupo de amigos.

Speaker: Conhecemos com 13, 14 anos e estou a falar naquilo que depois que veio a ser no Fortuílio.

Speaker: Foi um grupo chamado Bádio Macau que surge precisamente dessa ligação de amigos de infância praticamente.

Speaker: 12 anos, 12, 14.

Speaker: E isto também foi um bocado graças ao facto de eu viver no seburgo.

Speaker: Ou seja, o comboio, e isso é tudo de lado da linha de cinta, o comboio é uma fronteira muito marcante.

Speaker: Sim.

Speaker: Portanto, as coisas são muito classificadas, ou seja, havia... Por cafés.

Speaker: Mas o café dos Betinhos, o café dos Motados, o café dos Drogados, o café... Nós parávamos no café dos Drogados, mas não éramos drogados.

Speaker: Claro, mas é sempre um bom lugar para parar.

Speaker: Sim.

Speaker: E foi aí que começou esta aventura de Oceira.

Speaker: Eu não gosto de dizer que sou músico, eu acho que sou muito mais um partidor cultural e criativo, no fundo sou um criativo na área da cultura.

Speaker: E foi aí que nasceu essa vontade de fazer uma banda e de criar.

Speaker: Eu gosto de falar nisto porque estamos a falar de uma altura em que não se cantava em português ou cantava-se muito pouco.

Speaker: Era um bocado fuleiro cantar em português porque...

Speaker: o pop era muito... era quase todo o amigo que é. E...

Speaker: E uma coisa curiosa é que quando nós começámos a tentar fazer músicas e tentávamos copiar alguns brasileiros que não eram propriamente da moda na altura, tipo Adriano Correio de Oliveira ou José Caponso, que era mais para a razão das políticas, era onde estava na moda, mas pronto.

Speaker: Aqui já estou a falar do pós-25 de Abril, em que houve depois aquela abertura e nós decidimos construir dentro de um universo pop

Speaker: Uma forma, ou tentámos, uma forma de fazer canções.

Speaker: Tivemos a sorte de deixar de ser um excelente, já desde logo, ainda não sabia que era, já era uma excelente cantora.

Speaker: Sou um arquiteto frustrado porque eu nem acabei o curso.

Speaker: Andei 8 anos na universidade, mas não acabei o curso.

Speaker: Andaste na qual universidade andaste aqui?

Speaker: nas belas artes.

Speaker: Mas foi ótimo, porque foi quando eu comecei a ir para o bairro Alto,

Speaker: Eu acho que foi o curso.

Speaker: Não, mas foi uma fase extraordinária.

Speaker: Mas o problema do curso foi que os rádio de Macau começaram a arter uma projeção enorme e eu não tinha tempo para acabar o curso.

Speaker: Chegava aquele mês de julho, o mês de entrega de junho, o mês de entrega dos trabalhos finais de candidato.

Speaker: E eu no mês de junho tinha 14 concertos, para terem possível uma coisa.

Speaker: Pronto, mas entretanto fiz assim uma vida de músico profissional durante 20 e tal anos.

Speaker: E eu estou mais ou menos a parar naquela fase, final dos anos 80, em que houve alguns...

Speaker: alguns, ou seja, foi um período muito complicado porque os meus amigos, quase todos, uma grande parte, digo eu,

Speaker: meteram-se na heroína e então isto era um dos problemas do seguro-me, era o facto.

Speaker: Essa mesma fronteira fazia com que a heroína se concentrasse ali e não era difícil as pessoas envolverem-se em situações complicadas.

Speaker: Portanto, uma grande parte desses meus amigos acabaram de morrer com sida e com hepatite e coisas assim de género.

Speaker: Isto para dizer que o que salvou o Jardimacau, ou o que me salvou, foi eu pertencer ao Jardimacau e nós sermos obcecados com os ensaios.

Speaker: E queríamos isto mesmo antes de sermos conhecidos.

Speaker: Portanto, ensaiávamos diariamente, assim, obcecadamente, para chegar a algum mar.

Speaker: Não precisamos saber bem o que era.

Speaker: O que era esse lá, de onde é que era esse lá.

Speaker: Mas foi realmente, eu lembro-me, eu estou aqui a puxar para a memória daquilo que realmente que agora, pensando, sem ter pensado antes disto, desta entrevista, de pensar o que é que marcou mesmo as diferentes fases da minha vida e isso.

Speaker: Anos 80 foi mesmo um período muito complicado.

Speaker: Por outro lado, o grupo com quem nós nos dávamos, onde havia alguém, alguns mais velhos que foram eles que nos torceram,

Speaker: uma certa cultura ou contracultura que nós não estávamos habituados e que depois foram os letaristas dos rádio Macau, a Vitinha, Pedro e Maliquias, que eram 4 ou 5 anos, 3, 4, 5 anos mais vendes,

Speaker: e que nos marcaram eles também muito porque foram eles que nos deram a conhecer o rambô o vodoulé rouver lana eu estou falando autores franceses porque eles eram muito francófios e e não só o caos que tanto ouve assim de repente no nosso universo minutos que andavam de cicleta e que se tem que começaram

Speaker: a dar-se como a alza mais velha e de repente eles é que nos trouxeram uma data de informação.

Speaker: Por exemplo, nós temos um disco que se chama Spleen, foi precisamente, exprimimos o título, é o segundo disco de Sarah Mercall, por causa do Spleen de Paris, não é?

Speaker: E esse disco tem essa melancolia e essa nostalgia que se associa ao Spline.

Speaker: Aliás, tem uma música que é dedicada a um gato, portanto, se chama o Gato Nicolau, e que era o nome do gato que nós tínhamos.

Speaker: Portanto, houve ali uma série de situações que fizeram com que, de repente, nós nos apaixonássemos muito por aquilo que estávamos a fazer e começássemos a olhar para as coisas com outro olhar.

Speaker: Sem grandes pretensões, porque nós, por outro lado, também fazíamos uma coisa que hoje não é muito vulgar.

Speaker: Fazíamos sessões de poesia, hoje não é muito vulgar, na verdade nós que vinha.

Speaker: Nós fazíamos sessões em que esses nossos amigos... Hoje havia um... Olha, não sei quantos, vejamos de Terdão, hoje vai ler um livro lá a casa de não sei quantos.

Speaker: Fazíamos para a casa dessa pessoa...

Speaker: E eu começava a ler um bocado de um livro e eles acharam-nos aquilo, nós mais novos, ficávamos completamente, uau, agradecendo, é isto que nós queremos.

Speaker: E pronto, foi um bocado por aí.

Speaker: Estou a falar entre os 18, 19, 20 anos.

Speaker: Aí já tínhamos várias bandas, já tínhamos tido várias bandas, não dávamos muito nome, mas pronto.

Speaker: Eu estou a pensar agora há muito tempo, já vamos...

Speaker: E fazes muito bem que eu percebi nitidamente que só pensaste nisto agora, quando chegaste aqui e começaste a conversar.

Speaker: Olha, então, mas daquilo que eu pude perceber, houve dois momentos que marcaram muito.

Speaker: Foi o 25 de abril e depois o início dos rádio Magdalas.

Speaker: Posso-te perguntar uma coisa?

Speaker: Como é que tu vais parar ao baixo?

Speaker: Já tocávamos?

Speaker: Foi experimentar?

Speaker: Como é que foi?

Speaker: Não.

Speaker: Não, eu nem era propriamente aquilo que eu queria ser Não era músico Eu fui um bocado por necessidade Era preciso alguém para tocar baixo Para onde estava lá Embora lá, só sou eu Não, mas eu estou a dizer isto Mas eu, por exemplo, com 14 anos Peguei a minha avó para me oferecer um baixo Portanto, ela ofereceu-me um baixo Para só dizer Ai, o que eu fui fazer?

Speaker: Tu agora não vais acabar o curso Porque eu te ofereci um baixo E esse eu estou...

Speaker: E assim foi.

Speaker: Então, ela tinha razão.

Speaker: Ela tinha razão.

Speaker: O que ela não sabe é que tu irias acabar o curso mais depressa com o baixo, só que os Rádio Macau absorveram-te completamente.

Speaker: Foi uma altura, pronto, e eu nunca, ainda hoje me custa um bocado quando perguntam qual é a tua profissão, eu tenho sempre algumas supersticências em dizer que sou músico.

Speaker: Sempre achei que eu era mais do que músico, ou seja, não é mais no sentido de ser mais importante, quando mais...

Speaker: aquilo que eu fazia era para além da música era mais a criação, a produção a parte de organizar coisas e fazer Tu gostas muito Sim, que eu gosto muito e que hoje continuo a fazer e continuo a tocar mas pronto sempre achei que a música para mim era mais uma ferramenta do que propriamente um fim de vida, um objetivo

Speaker: depois eu pensei assim, eu digo que sou músico, quando tens que preencher a profissão, músico.

Speaker: E eu mesmo, quando era só músico, na luta da cidade de Macau, conheci-se sempre, eu lembro que cada vez que tinha que escrever profissão, pensava assim, está bem, pronto, não deu.

Speaker: Depois pensava assim, a música é o Mário Luizinha, não sei.

Speaker: Percebo?

Speaker: Mas... Olha, e até por falar nisso, tu classificas a Rádio Macau como quê?

Speaker: Pop-rock, cop-rock?

Speaker: Não é que seja muito importante, confesso.

Speaker: Mas aqui só se fazia a minha curiosidade.

Speaker: Acho que é uma venda de rock com um bocadinho de pop.

Speaker: E agora, por acaso, estava a pensar no...

Speaker: Os Velvet Underground, de certa forma, ajudaram-nos a catalogar muitos.

Speaker: Ou seja, os Velvet Underground são considerados um precursor do art rock.

Speaker: Eu se calhar penso que talvez seja uma boa classificação para Vali e Macau.

Speaker: Em certas fases éramos em grupo, num lado arty, era um bocado isso que nos definia.

Speaker: Sim.

Speaker: Olha, e neste momento, quantos projetos é que tu tens ativos?

Speaker: Um é musicais, tenho dois projetos, tenho a Gerada Bacau e a Lisbon Poetry.

Speaker: Depois tenho a associação A Palavra, que faz o MAP Festival, que é um festival anual, com o Devano Torto.

Speaker: e tenho agora também faço a programação do Centro Cultural de Barca Arena que abriu agora ao pouco tempo eu tenho um problema

Speaker: Porque vocês, pessoal da Psicanálise, espero que não me dissequem.

Speaker: Mas eu tenho um grande problema de... Não consigo não fazer nada.

Speaker: Eu estou de férias.

Speaker: e baixar tem mesmo que tinha muito não fazer nada e mesmo foi logo de repente pronto eu acho que a ver tudo surge uma ideia e lá começa outra vez mas às vezes é um exagero que eu agora por exemplo sinto que estou a fazer coisas a nós e o que é que isso quer dizer e agora os rádio macau

Speaker: Exatamente.

Speaker: Deixa-me só contar que, por coincidência ou não, não sei, nós estamos hoje a gravar.

Speaker: Tu estás a ter um dia em cheio.

Speaker: Nós estamos a gravar no dia em que o Voltar está a anunciar que o Escado e o Macau vão ter dois concertos no Coliseu.

Speaker: Portanto, o Alex esteve aqui um dia super preenchido.

Speaker: Esteve numa produção fotográfica.

Speaker: Esteve na rádio.

Speaker: Esteve, sei lá, em todo o lado.

Speaker: E agora está aqui connosco para beber um copo de vinho e descontrair.

Speaker: Mas é uma boa notícia, não é?

Speaker: É uma coisa boa porque, do que me tenha percebido, já vos pediam isto há muito tempo, não é?

Speaker: Já, pá.

Speaker: E nós também... Caso uma coisa muito engraçada que aconteceu, porque a Xana fez 60 anos, o ano passado.

Speaker: Pois, eu estou, meu filhoso amigo, é o aniversário da Xana e vives tocar.

Speaker: Pois, e nós resolvemos fazer um concerto e tocámos 12 músicas.

Speaker: Mas o mais engraçado foi que só fizemos três anseios, que veio em três.

Speaker: E havia muitos dias, por mais já não tocávamos à coliseira.

Speaker: E de repente, naquela eu estava preocupadíssimo.

Speaker: Só vamos fazer três agenciais, vai ser mais certinho.

Speaker: Pode, completamente insecuros.

Speaker: Mas não deu e vá.

Speaker: Aquilo, eu estou convencido que se nós não tivéssemos aceitado, tinha sido exatamente como saiu.

Speaker: É um bocado como andar de bicicleta.

Speaker: A nossa memória é uma coisa incrível.

Speaker: Eu não sabia, literalmente, eu não sei de cara isso em outro, já não sei de cara, já não é. E o quarto dia, aí começa com um lá no olho, vai para onde você ia.

Speaker: De repente, começava a tocar com ele, e com a Xana, é todo bruto.

Speaker: E de repente a música aparecia-me, ou seja, aquilo de repente... Houve músicas que conseguimos tocar pela primeira vez, à primeira, sem qualquer falho.

Speaker: O que significa que a memória é mesmo uma coisa incrível.

Speaker: Sabes que nós também temos uma coisa que eu acho que não é fácil de explicar, que é uma cumplicidade que depois...

Speaker: no ponto de vista musical eu por exemplo às vezes olho e sei o que é que ele vai fazer sequer mesmo quando estamos a improvisar porque já se foram tantos anos a ficar juntos Estorme intuitivo

Speaker: Depois de repente há músicas que também se nós não nos lembrássemos logo, tipo o Anzol, já tocámos mais de mil vezes, portanto é estranho, eu só pedi-me ter essa, também não era presidência há muito, porque essa música é muito fácil.

Speaker: Mas acontece que é engraçado esse lado, essa complicidade, e nós já tivemos uma coisa...

Speaker: que foi muito importante enquanto grupo, que foi nós no princípio, no princípio do grupo, quando nós começámos a ter o primeiro sucesso, nós vivíamos durante dois anos e tal, vivemos juntos na mesma casa, onde tínhamos o estúdio.

Speaker: Portanto, criou ali laços quase familiares entre nós.

Speaker: Claro.

Speaker: E isso foi na altura, e foi uma das grandes forças que fizeram com que nós conseguíssemos chegar a um descanto.

Speaker: Aquilo era uma irmandade.

Speaker: Era família, não é?

Speaker: Era família.

Speaker: E depois houve alturas que vivíamos juntos e não tínhamos um total.

Speaker: E então, quando gravámos a primeira maquete...

Speaker: Foi, surgiu a oportunidade de gravarmos no estúdio do Street Kids, que era um grupo dos anos 80.

Speaker: Não durou muito tempo, mas era um grupo muito engraçado.

Speaker: E um rebelo.

Speaker: E esse estúdio, para nós gravarmos uma maquete, esse estúdio era em Birra.

Speaker: Ótimo.

Speaker: Então nós acordávamos tipo às 7 da manhã, carravamos nos instrumentos, íamos à boleia, como não tínhamos um distal, íamos à boleia, logo era até Sintra, depois de Sintra em direção a Cascais, que ficávamos no cruzamento, bebidos, e tínhamos que ir a pé para aí um quilómetro ou assim.

Speaker: Recordas esse tempo como muito bom e com carinho, não é?

Speaker: Sim.

Speaker: Claro, mas isso também criou ali um... se inventou essa amizade e criou ali uma forma de... nós resolvimos os nossos problemas todos sem grandes dramas.

Speaker: Sim.

Speaker: E tinham-se uns aos outros também.

Speaker: Mas tinham-se uns aos outros, não é?

Speaker: Vocês perceavam isso e tinham-se uns aos outros.

Speaker: Sim, sim.

Speaker: Ias dizer, nós gravávamos... Não, quando gravámos o primeiro disco...

Speaker: Foi de repente... Por já foi engraçado, porque é uma história que já contámos muitas vezes, mas foi... Nós gravámos essa maquete no estúdio de Estílio de Kids e depois fomos à lista de Cifónica, mesmo, ver qual era a editora mais próxima da Estação do Recio.

Speaker: Porque...

Speaker: para não comprar gastar dinheiro entre os bósteres parece um bocado ridículo mas é verdade e depois nós chegámos lá eu fico a china levávamos uma cassete de sempre a criança vocês ouvissem esta cassete

Speaker: Chegámos à porta, tivemos uma grande sorte, chegámos à porta, estava o administrador, que era pouco mais velho que nós, que era o Ficisco Asconcelos, à porta e achou muito graças.

Speaker: O que é que era?

Speaker: Estavam vindo aqui?

Speaker: Ah, nós vinhamos aqui entregar uma maquete, mas... Ah, e telefonaram, combinaram alguma coisa.

Speaker: Não, não, não, nós temos aqui a maquete.

Speaker: E ele disse, então deixem a maquete...

Speaker: E eu disse, não, olha, já não podemos deixar a maquete porque só temos esta.

Speaker: Portanto, ou houve agora ou então nós vamos para a Poligrama.

Speaker: Tomou muito, não, pô.

Speaker: E ele olhou assim, então vá, fazer uma coisa.

Speaker: Vocês vão lá dar uma volta, venham daqui a meia hora.

Speaker: E nós fomos para a Ginginha, porque a Valentino Carvalho na altura era na Rua Nova do Alhada.

Speaker: Sim, é?

Speaker: ou fomos para a gingime, gastámos o dinheiro que tínhamos na gingime, vou bem dizer, e quando voltámos, chegámos uns todos, já era a equipa toda para nos sobreseguir, era ele mais o Aeros, mais o Aeros,

Speaker: E levaram-nos lá para uma sala com o que é que querem beber logo.

Speaker: Um esquisinho já.

Speaker: Coisas de uma altura que hoje em dia já não aconteceria seguramente.

Speaker: E assim foi.

Speaker: De repente eles disseram queremos assinar um contrato convosco.

Speaker: E pronto, e assinámos um contrato de alfórdia neste dia.

Speaker: Ficámos todos contentes, foi uma cena.

Speaker: Tivemos Covid com baixo ambiente, sem o capo penduro, voltar a casa.

Speaker: Mas pronto, foi uma situação enorme, como devem calcular.

Speaker: Imagino.

Speaker: Mas foi e acabou por ser.

Speaker: Depois um... Só um pormenor engraçado também.

Speaker: Aquilo... Vocês têm uma ideia de como eram os anos 80.

Speaker: Eles quando nos deram o contrato e nós assiná-los, era um contrato por 5 anos, 3 discos, válido para Portugal, para o resto do mundo e para todo o universo.

Speaker: Dizia lá.

Speaker: Dizia para todo o universo.

Speaker: Ou seja, podia ir para a Lua com os Beatles e com os Pink Floyd.

Speaker: Não, se houvesse de repente, se descobrissem um planeta novo, habitado por humanos, ou possíveis humanos, ou humanoides, estava a salvo a gordura disso, que eles não pediam para editar.

Speaker: Mas pronto, isto também é um retrato um bocado do que eram os anos 80.

Speaker: Mas eles adoraram e foram impecáveis.

Speaker: E nós fomos para o estúdio gravar o disco e não tínhamos um testão, literalmente.

Speaker: Então, quando chegava a hora do almoço, os técnicos iam almoçar e diziam, então vocês não querem almoçar?

Speaker: Não vão almoçar?

Speaker: E nós, ah, não estamos com fome.

Speaker: Ficávamos lá à espera um bocado, alovávamos qualquer coisa de casa, mas também não abundava a comida em casa.

Speaker: E um dia a sena virou-se para o administrador e disse lá, disse assim, ele está tudo a correr bem, ele apareceu lá, nós já não comemos há três dias, mas está tudo a correr bem.

Speaker: Um bocado exagerado.

Speaker: E então eles... Falou assim, Carvalho, demos um cheque a cada um.

Speaker: Assim, um género que eu nunca tinha visto, tanto dinheiro na minha vida.

Speaker: Fomos logo comprar amplificadores novos.

Speaker: Mas foi, pronto, são aquelas coisas que realmente...

Speaker: Pô, isso é congente, pá.

Speaker: É congente, é. Para mim é que me ouve o nosso coração.

Speaker: Não é, claro.

Speaker: Era mesmo amor àquilo que se estava a fazer?

Speaker: Era, e nós éramos muito amigos uns dos outros.

Speaker: Ou seja, éramos ali um... Éramos muito fechados em nós próprios e muito amigos.

Speaker: E não é... Sei lá, por exemplo, almoçar.

Speaker: Iamos almoçar toda a casa da minha mãe.

Speaker: Eu estou aqui a contar pormenores da vida privada, mas eu tenho fiada, porque era assim que nós conseguíamos funcionar.

Speaker: E hoje, vocês aturam-se bem uns aos outros, com os seus tantos anos?

Speaker: Sim, aturamos-nos bem mesmo.

Speaker: Que bom, que bom.

Speaker: Vou lá-vos-me aturar já, mas é o seu feito.

Speaker: Como já conheces os defeitos, ou seja, nós já conhecemos muito bem os defeitos uns aos outros, portanto, não há uma surpresa negativa, porque...

Speaker: Porque no fundo nós já sabemos o que é que pode vir dali, não é?

Speaker: E a amizade perdura, não é?

Speaker: Sim, claro.

Speaker: De hoje estávamos a falar nem sobre isso.

Speaker: Nós conseguimos, ao fim de 40 anos... Não, pá, a Xana fez 60.

Speaker: E nós, quando a Xana começou a cantar connosco, ela tinha 13 anos.

Speaker: 13, não é?

Speaker: E nós 18, 19, portanto, estás a ver, isto foi há 47 anos.

Speaker: Temos que dizer uma vida.

Speaker: Sim, uma vida.

Speaker: Muito bem.

Speaker: Alex, vamos lá aqui ao nosso disco, que a Patrícia já está cheia de vontade de conversar contigo.

Speaker: Então, tu escolheste Velvet Underground & Nico.

Speaker: Sim.

Speaker: Um disco de 1967.

Speaker: Conta-nos lá.

Speaker: Sabes que eu estou muito contente por ter escolhido este disco.

Speaker: Eu só pensava, mas quando é que alguém escolhe os Velvet, foste tu.

Speaker: Então, conta lá.

Speaker: Porquê este disco?

Speaker: Olha, em primeiro lugar, eu ouvi o disco muito depois de ele ter saído.

Speaker: Apesar de... Eu tenho aqui uma memória de um tio meu, por causa do...

Speaker: da banana, do peeling, de qualquer coisa de tirada, que eu tenho assim uma memória, mas de qualquer maneira, nunca nessa altura eu devia ter talvez 10 anos ou 12, dessa memória do meu tio que eu via a live-drapping, eu via assim coisas que depois, quando era muito meia-dia lá, tentava perceber o que é que ele estava a ouvir, o Pink Floyd, e outras coisas,

Speaker: mas na realidade eu só ouvi este disco talvez com 18, 19 anos por aí mas eu escolhi o disco porque acho que é um disco que é seminal no sentido daquilo que é hoje o Vocal alternativo ou seja, sem este disco muito

Speaker: Ou seja, esse disco também não quer exagerar.

Speaker: Esse disco é talvez a maior influência da maior parte das bandas de um determinado género.

Speaker: O showgaze, olha, art rock, como estamos a falar, o próprio punk e o indie rock.

Speaker: Tu hoje podes pedir ou calhas uma banda de indie rock e está lá um bocadinho de Velvet Sers.

Speaker: Aliás, há uma coisa engraçada que o Brian Nino diz que este disco para ele só vendeu 30 mil cópias, a primeira edição.

Speaker: É incrível, não é incrível.

Speaker: E ele dizia que destas 30 mil pessoas fizeram todas elas uma banda.

Speaker: E, portanto, foi o disco mais importante da história do rock mais individual.

Speaker: Sim.

Speaker: Depois eu também escolhi, porque tem um lado que eu acho que eu adoro o Lowryd enquanto poeta.

Speaker: Acho mesmo muito.

Speaker: E acho que esta junção...

Speaker: daquele género musical, daquele protopunk meio... ainda por acaso, hoje malhante, a última faixa do disco, que é o El Pienseille, é o contraste em absoluto com a primeira faixa, o Sunday Morning.

Speaker: E estive a pensar, aquilo é uma espécie de catal...

Speaker: de como fazer uma música.

Speaker: Cada tema é um género ou um exemplo de um tipo de canção.

Speaker: Portanto, aquilo é um manual ótimo para quem quer começar a compor.

Speaker: É um manual para... ajuda, de certa forma, a criar ou dar forma àquilo que nós queremos fazer.

Speaker: Mas o...

Speaker: O disco em si é um disco que depois tem outra coisa, é um disco que é só ex-its, é só hits, não há uma faixa ali que não tenha uma identidade muito forte, não há ali nada que seja supérfluo.

Speaker: E depois, também escolhi o disco por outra razão.

Speaker: Também não sabes, mas eu adoro desenhar e faço muitos desenhos e pinto também, mas de uma forma absolutamente amadora, sem grandes objetivos.

Speaker: Mas por outro lado, sempre foi um personagem que eu admirei, foi o Andy Warhol.

Speaker: Portanto, este disco junta, não só porque havia... O disco foi composto numa turnê de um projeto, Explosion Plastic, não sei o que, Inévitável.

Speaker: que era um espetáculo e performance do Andy Warhol, onde participavam os Velvet Underground, dentre outros, e esse álbum foi composto durante essa turnê, e depois em 67 foi gravado, essa turnê foi em 66.

Speaker: e até parte com o disco para gravar em 2016.

Speaker: Mas isto para dizer que quando os Velvet Underground se formam é um bocado por influência do Andy Warhol.

Speaker: Sim.

Speaker: E o Andy Warhol é que controlou um bocadinho a linha estética daquilo.

Speaker: Ele não era um produtor musical e, portanto, o mais que ele fez, quem foi o produtor foi o Tom Wilson.

Speaker: Sim.

Speaker: E o que ele fez foi, no fundo, pôr ali o seu lado esteta e da parte do... Tivemos uma certa vontade que aquilo fosse um statement dele, sabe-lhe?

Speaker: E na cena nova-iorquina dizia-se é a banda do Andy.

Speaker: Muito genial.

Speaker: É a banda do Andy.

Speaker: Como se o Andy fosse o dono deles.

Speaker: Olha, tu escolheste o Sunday Morning como a tua atenção para hoje desse disco.

Speaker: O que é?

Speaker: Eu já adoro a música, tem aquele lado, tem... E eu penso que é o John Cale que toca a Celeste, que é aquele som que parecem sininhos.

Speaker: E essa música sempre ficou na cabeça por causa disso, por causa disso farro.

Speaker: E acho que, por outro lado, é talvez, de todos os temas desse disco, é talvez aquele que compre para mais uma linguagem, ou que serve, ou que talvez seja um ponto de partida para aquela lomboagem pop,

Speaker: que hoje ouvimos porque é a luz de temporal mas há a música também em temporal se nunca tivesse ouvido antes que estivesse gravado à semana passada com uma banda irlandesa por exemplo tu acreditavas perfeitamente ele é justamente

Speaker: Olha, nós vamos ouvi-la, mas antes de ouvirmos, e depois eu vou passar a palavra à Patrícia também, eu queria só perguntar-te uma coisa.

Speaker: Diz se tu te lembras.

Speaker: Qual foi a tua sensação quando ouviste de facto os Velvete pela primeira vez?

Speaker: Eu gostei muito.

Speaker: Adorei.

Speaker: Adorei mesmo.

Speaker: E aliás, eu penso que o Iud... Agora não sei dizer qual foi o tema.

Speaker: Eu não sei se foi o I'm Waiting for Me, penso que foi essa música, que nós começámos a ouvir, de repente começámos a tirar essa música.

Speaker: Sempre adorámos o Raul Nakal, fala agora.

Speaker: Houve uma altura que tocávamos o Perfect Day nos Concebos, o Take a Walking Outside por causa do Low Reader, agora foi ano.

Speaker: Tocámos e gravámos com o Palma Gilhante, com o Jorge Palma, portanto sempre houve ali uma proximidade afetiva muito grande com o Aldo Vitte e eu continuava.

Speaker: E eu ainda por cima tive uma coisa que eu fiz a produção.

Speaker: de um concerto do Low Grid em Coimbra, no Jairinho da Sereia.

Speaker: E eu não sei porque sintetizou comigo.

Speaker: Então tomámos um pequeno almoço lá no hotel e depois ele pediu-me para eu ajudar a levar as coisas para o carro.

Speaker: e depois almoçámos também eu ao lado dele e o manager, o road manager, eu fiquei muito satiado porque ele mandou o road manager e pediu um porco.

Speaker: Para tudo sentar, boa.

Speaker: Para tudo sentar, boa.

Speaker: Para tudo sentar, boa.

Speaker: Para tudo sentar, boa.

Speaker: Eu lhes falasse sempre, porque não me abraçou da universidade, queria saber quando.

Speaker: Portanto, foi ali, e depois no final ofereceu-me, no fim deste encontro, o fim de conceito, ofereceu-me uma caixa de palhetes, mas agora vou contar uma história muito engraçada, porque

Speaker: Estava o Lourido a tocar E foi um conselho maravilhoso Que eu entro a mim Lembro-me Aqueles jardins super bonitos De repente começou No meio de passeio Foi um artifício No rio E os barcos Uma barilheira E o manager dele O manager dele veio ter comigo

Speaker: E eles assim, ai, vou bem me matar, o que é que vocês estão a fazer?

Speaker: Mande-me parar os foguetes, mande-me parar os uísse.

Speaker: Mas como posso mandar para os foguetes que estão nos barcos, no Rio?

Speaker: E eu, mas ninguém me avisou, ninguém me avisou bem.

Speaker: Ele estava cheio de medo, e tipo atrás de mim, e o Louvrito sai do palco e vira-se para mim e diz assim, eu estava na Bexessos.

Speaker: Ai Alex.

Speaker: É incrível.

Speaker: Você sabia que são as ferramentas durante o meu concerto?

Speaker: Ah, está bom.

Speaker: Estim, máquina.

Speaker: Foi incrível.

Speaker: Então deixa-me só dizer também, eu não conheci o Lou Reed pessoalmente, nada que se pareça, mas quem viu isso na televisão deve ter esta memória.

Speaker: Tu lembras-te no dia que o Coen foi tocar a Portugal ao passeio marítimo de Algés, o Lou Reed tocava no mesmo dia na Praça de Torres do Campo Campo.

Speaker: E ele está a dar uma entrevista para o canal, uma coisa assim, e alguém lhe diz, como é que é tocar no dia do Leonard Cohen?

Speaker: E ele para e diz, o quê?

Speaker: Eu vou tocar no dia do Cohen.

Speaker: Mas como é que é possível?

Speaker: Mas quem é que se lembrou de ver?

Speaker: Eu quero ir ver o Coen, diz ele.

Speaker: Eu quero ir ver o Coen.

Speaker: Como é que vocês me põem?

Speaker: Qualquer coisa deste género.

Speaker: Foi espetacular porque a espontaneidade dele... Eu vou tocar no mesmo dia do Coen.

Speaker: E eu nesse dia escolhi ver o Coen.

Speaker: Não vi o lorinho, mas já o tinha visto e depois voltei a vê-lo.

Speaker: Vamos ouvir então a tua canção escolhida para hoje.

Speaker: O Sunday Morning dos Velvet Underground e Nick Cohn.

Speaker: Patrícia

Speaker: Sunday Morning dos Velvet Underground da Nico.

Speaker: Para já, tu gostas do disco?

Speaker: Muitíssimo.

Speaker: Boa.

Speaker: E queria dizer uma coisa para a irmã.

Speaker: Caralho, fotografia.

Speaker: Tudo aquilo que vocês estavam a falar e toda esta apresentação porque eu hoje de manhã acordei a pensar nisso e vinha com os meus filhos no carro e pela primeira vez senti.

Speaker: Eu nasci mesmo em 1980.

Speaker: No ano de 80.

Speaker: No ano de 80.

Speaker: E foi a primeira vez internamente que senti isto.

Speaker: Toda a expressão do que isto quer dizer, não é?

Speaker: Até agora era uma coisa quase como se não fosse.

Speaker: Mas agora com aquilo que estamos a viver passa a ser um lugar mesmo importante, não é?

Speaker: E ouvir tudo aquilo que tu disseste aqui e agora ainda me deu mais...

Speaker: reencontro interno com esse lugar que para mim era só implícito, nós vivíamos isto implicitamente, nós não tivemos que fazer nada naquele ano e portanto aquilo estava tudo já aberto por vós e isto para nós e portanto queria-te agradecer imenso esta introdução que nos retoma este lugar onde se pode fazer qualquer coisa em conjunto que é maior do que nós

Speaker: Que é isto que nós temos tentado também fazer, trazer um bocadinho com este podcast esta ideia, não é?

Speaker: De alguma maneira nós temos que revitalizar como fizeram que é maior do que nós.

Speaker: Este disco, eu gostei muito, que eu gosto de ele.

Speaker: Porque eu acho que também traz este outro lugar que também me parece que atualmente está difícil de ser vivido, pelo menos que é esta experiência de vertigem, mas com um conhecimento sobre essa vertigem.

Speaker: Agora eu acho que muitas vezes as pessoas estão no abismo e não sabem, ou pelo menos esta sensação que dá, temos todos num espaço cru, muito abismal, mas sem a vertigem consciente, não é?

Speaker: Este disco leva-te à vertigem, em todas as letras, todas as músicas, vão a vertigens de maneiras muito diferentes, não é?

Speaker: Por exemplo, no Sunday Morning, a sensação que dá é quase como se houvesse um embalo muito naivo, mas depois depende de aquilo, não é?

Speaker: Não está, é uma queda livre, não é?

Speaker: E a letra é tudo menos Sunday Morning.

Speaker: É uma paranoia do povo estupro.

Speaker: É muito engraçado este suspeito.

Speaker: Parece que vai oferecer um lugar cândido e naivo e de repente convoca-te o abismo de uma maneira intempestiva, não é?

Speaker: Mas interpela-me, não é?

Speaker: Este disco da Manchester Fornell é um catálogo de cada letra que trata...

Speaker: algo que é absolutamente contrário, cultura americana, contra o Americano, El Velaça, Sheffert, St.

Speaker: Helo.

Speaker: E o Lovide era muito bom nessa matéria, porque ele realmente escreveu e deixou-nos uma obra onde todas estas questões permentes e pulsantes da sociedade

Speaker: acabaram por ter esta roupa de canções que depois se transformaram, aligeraram uma coisa que era absolutamente pesadona.

Speaker: Os bilas, a droga, já sei qual é o...

Speaker: É o Vénus in First, que é inspirado no Mazoc, nos livros do Mazoc, ele no fundo, isso era também um retrato pessoal dele, porque ele era ele próprio mesmo, do ponto de vista da sua sexualidade, era uma pessoa que não se percebia, não se definia bem, portanto aquilo era um... andava ali um bocado à procura do sítio dele.

Speaker: E este disco tem esse lado que eu considero maravilhoso, que é o lado de falar de coisas...

Speaker: complexas e complicadas, com uma roupa musical absolutamente sedutora.

Speaker: Portanto, as pessoas ficam a achar que se calhar aquilo que ele fala não é assim tão mal como se diz cá fora.

Speaker: Quer dizer, é um retrato da sociedade muito, muito... Muito fiel, não é?

Speaker: É. Acho que...

Speaker: Não permite que não se olhe para este lugar, não é mais cru, mais carrado, não é?

Speaker: E pronto, isso fascina-me.

Speaker: E se depois combinarmos isso com o lado orçamento experimental da música, eles trouxeram para o rock coisas que não eram normais, desde tipos de afinações, há uma afinação que o Abedin inventou, que se chama ostrich.

Speaker: e que são as cordas todas afinadas pelo mesmo tom.

Speaker: Depois outra coisa que eu li na biografia do Lou Reed que eles, no princípio, quando iam tocar, punham os amplificadores todos, todos no máximo, a fazer a maior destruição possível e as pessoas fugiam.

Speaker: Aquilo era de tal forma desagradável que as pessoas fugiam.

Speaker: Até que de repente

Speaker: de repente aquilo que começou a tornar-se uma espécie de moda, então ia toda a gente ver os concertos por serem muito evidentes.

Speaker: Aquela desconstrução.

Speaker: Exato.

Speaker: Por causa da desconstrução, então as pessoas adoravam e iam ver por causa disso.

Speaker: E depois eles sonhou o trabalho de moda e que é fabuloso, as concessões são muito boas, muito bem construídas, ou seja...

Speaker: Sem grande esforço.

Speaker: Tu vês que aquilo é uma linguagem que eles desenvolveram e criaram, muito espontânea.

Speaker: Portanto, é uma coisa que sai, que saia de algo.

Speaker: Não faziam grande esforço, nem estavam... Não vamos fazer isto assim, não.

Speaker: Aquilo saía.

Speaker: Apesar do Sunday Morning ser quase antítese daquilo que é o ritmo da música... Mas é ressarro também.

Speaker: Há qualquer coisa de esperança na música que é espetacular, porque da mesma forma, porque tu podes olhar para esta dada altura, quando eles dizem, há sempre alguém que vai telefonar e o mundo não para.

Speaker: Portanto, tu também podes apanhar esse comboio como uma esperança e não como uma derrota de relax.

Speaker: A Patrícia nasceu em 80, eu nasci em 79.

Speaker: E isto pegando, estava muita coisa feita e o caminho estava aberto.

Speaker: E também potência, estava todo em... Sim, mas agora vou pegar naquilo que é o meu contacto com a música, a dada altura, tu depois, incelidamente, teres nascido mais tarde ou não, tu tens o teu contacto com as coisas quando tens que viver, não é?

Speaker: Quando te encontras com elas.

Speaker: E eu lembro-me, a primeira vez que ouvi Velvet Underground, e eu já consumia muito rock, porque já consumia uma série de coisas, mas não tinha chegado aos Velvet, e há um dia que chega aos Velvet.

Speaker: E foi uma coisa... Eu lembro-me de pensar, o que é isto?

Speaker: Porque era um rock diferente, era um rock muito diferente, e nós hoje percebemos, e depois...

Speaker: Era um grupo que vivia muita genialidade do governo E sentias mesmo a coisa avant-garde É que só o facto, imagina, já existia, não é?

Speaker: Imagina, eu com, sei lá, 14 anos Eu devo ter ouvido de Alba 13, 14 Já existia Mas era avant-garde à mesma, não é?

Speaker: Sim, sim E de repente, uau, isto é muito avant-garde, o que é isto?

Speaker: É espetacular

Speaker: Eu senti, obviamente, ainda hoje, que há canções que o tempo não modifica.

Speaker: Ou seja, tudo hoje em dia, aquilo que ali está, isso é perfeitamente contemporâneo.

Speaker: Tinha sido gravado ano passado quase tudo.

Speaker: E eles realmente tinham esse lado de... essa força criativa.

Speaker: Eles depois tinham muitas questões dentro do grupo.

Speaker: Porque não só temer Manico, depois o Andy Warhol pegava umas partidas e dizia agora... Não, quem vai cantar é... Ah, eu sei que, por exemplo, quando eu... A meio do processo da gravação,

Speaker: Entra o Tom Wilson, que é o tal produtome, e o Andy, até gravar outras coisas, mas não podes mexer no que já está.

Speaker: Ou seja, tudo o que fizeres aqui é por acrescento.

Speaker: E isso é o que eu penso que marca mesmo a característica daquela aula.

Speaker: Por exemplo, o Sunday Morning, quando eles metem a celeste e metem aquele som de topos bonito,

Speaker: e umas guitarras limpinhas, melodiosas, já é com este Tom Wilson, que era um grande produtor, que foi o primeiro a trabalhar com o Franco Sapa e com outros músicos assim, que este no Valdílion também.

Speaker: E então ele percebeu aquilo que era também a força do Andy Wallace.

Speaker: Percebeu, este tipo sabe o que quer e portanto se ele não está a proibir de mexer no que lá está, ele podia fazer o que quisesse.

Speaker: Tinha era de deixar o que lá estava.

Speaker: Ponto, eu tinha que pôr por cima.

Speaker: E isso dá depois uma característica ao disco...

Speaker: que no fundo acaba por ser essa masterpiece que toda a gente diz, não é?

Speaker: É uma obra de arte, não há dúvida não há.

Speaker: Sim, sim.

Speaker: Olha, eu escolhi o Heroin como a minha canção favorita, mas estive muito, muito indecisa.

Speaker: Não, nem é indecisa.

Speaker: Eu escolhi o Heroin porque acho que... Espanha toda cruz.

Speaker: Não é só por isso, é porque eu gosto muito do Venues in Fierce.

Speaker: É mesmo a minha cena.

Speaker: O Venues in Fierce é a minha cena.

Speaker: Só que eu acho que o Heroin é tão bem feita, tão bem feita, tão bem feita, que também é a minha cena.

Speaker: Pronto.

Speaker: Pronto.

Speaker: E portanto, não conseguimos escolher uma das duas Mas, querendo passar aqui um bocadinho do Erowin Vamos ouvi-la e já conversamos

Speaker: Então Alex, a Heroin, diz-me lá.

Speaker: É uma das músicas mais fortes do disco, é um facto.

Speaker: Tanto do ponto de vista musical, ele traz logo aí uma nota de dissonância, de guitarras afinadas e coisas um bocado fora do registro.

Speaker: Mas acima de tudo tem a ver com aquilo que penso eu.

Speaker: Nova York era na altura.

Speaker: Nós estamos a falar de uma época em que a heroína...

Speaker: ainda não era aquilo que é hoje, ou seja, a heroína era uma droga aceitável, como fazia parte do percurso de um junkie, não é?

Speaker: Passar por diversos tipos de drogas, afetaminas, muitas, e a heroína era uma espécie de contrapeso a ingressar, para que nós pensarmos, por exemplo, um dos grandes influenciadores, vai lá,

Speaker: Influencers do Lobbyde foi o William Bobbs.

Speaker: O autor era o Raymond Chandler, mas o William Bobbs esteve viciado em heroína 23 anos.

Speaker: Ao mesmo tempo era uma droga que na altura provavelmente tinha um grau de fereza diferente do que é hoje.

Speaker: E talvez fosse mais pacífico viver com essa droga.

Speaker: Mas de qualquer maneira é um retrato.

Speaker: Ele tem duas músicas que falam sobre heroína neste disco, que é o I'm Waiting For The Man e o Heroine.

Speaker: Sendo que eu acho que era principalmente porque dentro daquela comunidade com quem ele se dava já, era já um dos problemas, era a heroína.

Speaker: Havia muita gente que se viciava em heroína, depois nem todos conseguiam ultrapassar o seu.

Speaker: A heroína muda de facto a morfologia cerebral, ou seja, a potência daquilo.

Speaker: Agora, eu tenho amigos... Eu passei muito... Nunca tive viciado em heroína, mas passei essa fase... Aliás, já falei nisso um bocadinho, mas... Vá e Macau salvaram-se dias muito, voltando ao assunto, por estarmos tão obcecados com a música.

Speaker: Com a música.

Speaker: E acabávamos para não ter tempo para... Sim.

Speaker: Agora, porquê que eu gosto desta canção?

Speaker: Para além de ser extraordinariamente bem a letra, desde a letra à composição de tudo, não é?

Speaker: Esta oscilação que nos mostra perfeitamente aquilo que pode ser uma tripe da heroína, não é?

Speaker: É ele não fazer qualquer julgamento, nem ele fazer qualquer enaltação da coisa.

Speaker: Ah, sim.

Speaker: Não é?

Speaker: Ou seja, o que é espetacular é Ao mesmo tempo que a música é super intensa Há uma neutralidade na forma como ele apõe Que ele nem faz julgamentos à heroína Nem faz enaltações Nem a coloca no pedestal Nem a coloca no charco Isto é espetacular É mesmo espetacular E não falei da Venus in Fierce Que é a mesma que eu gosto mais Mas eu escolhi esta Porque acho que tínhamos que falar desta

Speaker: Patrícia, queres dizer alguma coisa sobre o heroína ou vamos já ouvir a tua favorita?

Speaker: Era muito idêntica para tratar e falar exatamente, mas eu acho que o disco tem que o álbum e até tu diz, não é?

Speaker: Há uma... Não queria dizer denúncia, por nem sequer chegar a essa denúncia, não é?

Speaker: Há uma exposição de um Estado

Speaker: que não é moralizado, que aparece como postatação desse lugar e a maneira como está feito, extraordinário vem mesmo um pulmo, vem a este sítio e fatua para ser olhado, para ser pensado mas é forma pura, eu acho que é extraordinário isso não ia só dizer o caminho na cena do que estavas a dizer, mas da heroína que aparece muito como uma espécie de companhia, uma falsa companhia que também está presente ao longo do álbum estes sítios de engodo, aparecem com marido de idas e a minha música favorita para ti, porque

Speaker: Mas espera, antes tu is a sua música favorita, porque eu acho que precisamos de falar disto só um bocadinho.

Speaker: Diz, diz.

Speaker: Diz, diz.

Speaker: Que essa falta-se acompanhia, que vamos lá ver, no caso dos Velvet Underground, e deste disco é uma obra de arte que nos faz muito que acompanhe, não é?

Speaker: Mas põe a estes lugares, não é?

Speaker: Exatamente, e eu queria ir aí, Patrícia.

Speaker: Eu queria ir a esse sítio.

Speaker: Nós estamos a precisar de ir a esse sítio, porque a puta é...

Speaker: Desculpa, diz.

Speaker: Não, é só dizer o silenciamento destes lugares de rasgão interno, onde é preciso olhar para a dor crua, não é?

Speaker: E para a brutalidade da existência, e para a vertigem, e para este tópico.

Speaker: Se nós não olharmos para eles, eles tomam conta de nós de outras maneiras, não é?

Speaker: Pequeno aquilo que estavas a dizer, se estes lugares não forem vividos...

Speaker: Vão ser substituídos por lugares muito mais... Porque estes lugares são de uma ordem profunda.

Speaker: Atenção, não é?

Speaker: Ou seja, eles podem não ter muita densidade, mas eles tocam-nos num sítio visceral.

Speaker: Eu acho que há este ponto importantíssimo ao longo do álbum, que é a consciência do lugar.

Speaker: Tu podes não saber o que fazer com ele, mas há uma vertigem.

Speaker: E isto é onde é vertigem?

Speaker: Não há um aplanamento deste sítio.

Speaker: E há nenhum abafamento.

Speaker: A purificação disto, na hora que tem ainda a acontecer, faz com que possas ter consciência da vertigem, que é mais perigoso.

Speaker: A heroína aparece sobre uma forma muito mágica.

Speaker: explicativa, possível, mas muito mais vazia do que sentida, do que vivida.

Speaker: A ausência de companhia interna torna-se um lugar mais apesicopatado.

Speaker: Isto não é uma religião europeia, não me paro nem a paginar.

Speaker: Mas é a nossa dificuldade de poder olhar para estes sítios, com a sua amoralidade toda, para os transformar.

Speaker: Mas eu acho extraordinário, já repetiste, acho que estou só três vezes.

Speaker: Aqui é os rádio Macau salvar.

Speaker: É porque é isso, um lugar.

Speaker: O que é que salva verdadeiramente?

Speaker: O que é realmente da heroína propriamente dita é esta capacidade de estarem com os... Estar uns com os outros e de terem esta coisa de família, não é?

Speaker: Portanto, perceberam que podem contar.

Speaker: E a coragem de fazer esta travesia deste comboio, não é?

Speaker: Entrar dentro do comboio, o que é que se tem?

Speaker: E acreditar que vais-te conseguir fazer qualquer coisa porque o conjunto é maior do que a unidade, não é?

Speaker: O que é que devia ser óbvio, mas não está assim.

Speaker: Xará.

Speaker: Então, agora já te posso deixar ir ao...

Speaker: ir ao I'll Be Your Mirror que é a tua música favorita do álbum eu não vou dizer que é a minha música favorita mas é aquela que a mim me salva dentro do próprio álbum que é a Ana Esco eu acho que essa música é dedicada a Nicole é cantada por ela e ela é que canta pois

Speaker: Para mim salvou-me um bocadinho só isto, como se me tivesse dado, ainda que eu acho que a voz dela tem qualquer coisa de estranho e de secudo ao mesmo tempo.

Speaker: Portanto, dá e não dá.

Speaker: Mas em todo caso, há esta promessa deste lugar onde há um olhar que te reconhece, que te faz a tal companhia que sustenta todo o resto.

Speaker: Portanto, a minha era que o se disse assim, a base permite suputar todo o abismo que é oferecido a partir dali.

Speaker: Mas sou eu, não é?

Speaker: Não me levem a mal, mas eu vejo-a como a maior vampira de todas, por isso é que tu sei.

Speaker: Eu vou-te só dizer, não, é verdade.

Speaker: E mesmo a voz dela, a voz dela apela a exular.

Speaker: Eu acho que aquela segura da voz que promete este olhar, que pode ver espolhar, simultaneamente é uma queda no vazio.

Speaker: Eu também acho que ela... Sim, sim.

Speaker: Quem acha?

Speaker: Até sente um certo sarcasmo, na maneira como ela diria.

Speaker: Claro.

Speaker: Há um certo sarcasmo, não é?

Speaker: Não sei.

Speaker: É mesmo.

Speaker: E eu acho também que este disco tem outra coisa que está nas entrelinhas, que é o facto de a tensão amorosa, sexual, entre o Lowry, o Andy Warhol, a ciumeira toda ali à volta, há ali uma segunda leitura que nós não sabemos bem.

Speaker: E a Nicole também, no meio deste triângulo,

Speaker: acaba por também dar ali uma outra força à Keydys.

Speaker: É uma coisa que eu achei piada.

Speaker: Eu, por acaso, não teve nada a ver porque eu li a biografia de Loury para aí há seis meses.

Speaker: E é muito engraçado porque jogou-me imenso a ponto de teres folizado este disco e tudo aquilo que ele conta na... Não é ele que escreve, não é?

Speaker: Na autobiografia, não sei.

Speaker: E todos os outros projetos.

Speaker: E depois as relações amorosas.

Speaker: Eu sinceramente não sabia que este lado sexual entre as...

Speaker: entre o Lowryd e o Andy Warhol e outros que não fazia ideia de que ele tinha sido admitido essas relações tão atribuadas e depois de repente tinha uma fase em que arranjavam uma namorada e ia para a casa dos pais e ficavam um criudo a ser o mais normal possível de acordo com os seus padrões mas é muito giro, é muito engraçado ver o

Speaker: como é que há aqui uma mistura de diferentes ingredientes para resultar neste algo de orçamento fantástico.

Speaker: Há uma coisa que eu acho que caracteriza muito este disco, que é o facto de ser a junção perfeita, é como se costuma dizer as pessoas certas no momento certo.

Speaker: Quando se junta à poesia do Lou Reed, com toda a inovação musical trazida também pelo John Cale,

Speaker: E temos que pensar também que o John Cale traz para este disco coisas inesperadas que têm muito a ver com o facto daquilo que ele trouxe do fluxo em movimento artístico pirá.

Speaker: Aquela década, 60, 70,

Speaker: e a ideia das guitarras desafinadas, das guitarras sobrepostas, dos feedbacks, etc.

Speaker: deram também uma certa cor a este disco e se juntarmos a isso também a força do Andy Warhol e a capacidade que ele tinha de intervir, não intervir neste disco, fizeram

Speaker: criaram o objeto certo num momento certo, ou seja, dentro do contexto que se vivia na altura em Nova Iorque e nesta época, final dos anos 60.

Speaker: Se pensaram-se também ao mesmo tempo no Mai 68, no Flower Power, etc.

Speaker: Isto aparece aqui

Speaker: como de certa forma também uma certa pedrada nos charcas, diz que acaba por ter uma importância, ou vir a ganhar uma importância que nunca lhe foi atribuída quando saiu.

Speaker: Alex, gostaste de estar aqui?

Speaker: Gostei muito, adorei.

Speaker: Muito barulho, Alex.

Speaker: Isto dispersou-nos um bocadinho.

Speaker: Desculpa?

Speaker: Muito barulho, Alex.

Speaker: Isto dispersou-te um bocadinho.

Speaker: Sim, mas estou aqui dentro da minha concha com os headphones...

Speaker: Aguento perfeitamente, não há problema nenhum.

Speaker: Então, nós vamos terminar.

Speaker: Muito obrigada por teres vindo.

Speaker: Quero desde já agradecer ao João e ao Fred e aqui à janela da Ataleia por nos ter recebido hoje com imensa gente a esta hora.

Speaker: Agradecer à Patrícia Câmara, agradecer à Carolina Pinchel que esteve a fazer o som arduamente.

Speaker: Agradecer aos Dirty Mac que fazem o jingle.

Speaker: Os Dirty Mac dão a música ao nosso single e a voz da Joana Bernardo.

Speaker: Obrigada à Climepsi por todo este material.

Speaker: Nós estamos de volta para o próximo mês.

Speaker

Speaker

Speaker

Speaker

Speaker

Speaker

Recommended

Episódio 4436:20
Episódio 44Três Divãs

76 plays · Sep 1, 2026

Episódio 841:39
Episódio 8Três Divãs

52 plays · Aug 15, 2026

Episódio 1551:40
Episódio 15Três Divãs

25 plays · Aug 15, 2026

Episódio 749:48
Episódio 7Três Divãs

16 plays · Aug 15, 2026

Episódio 4348:08
Episódio 43Três Divãs

96 plays · Aug 2, 2026

Episódio 421:08:10
Episódio 42Três Divãs

115 plays · Jun 30, 2026