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Episódio 37

Três Divãs
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106 Plays2 months ago

Sofia Perpétua, jornalista e escritora.

Disco: The Essencial, Dinah Washingnton.

https://open.spotify.com/album/3pWxzaSpdqbl7IxZqL1wj1?si=4TVQacYrTreG-SS-tK51qA

Transcript

Essenciais da Vida: Intoxicação Humilde

00:00:05
Speaker
3 divãs, a psicanálise, o mundo e o rock and roll.
00:00:16
Speaker
O essencial.
00:00:19
Speaker
Sempre olhei para o essencial de duas formas.
00:00:22
Speaker
Aquilo que chega e aquilo que não pode faltar.
00:00:26
Speaker
E se vai vivendo uma vida entre elas.
00:00:29
Speaker
E o que é que se pode levar para a vida?
00:00:31
Speaker
Olha, traz o essencial.
00:00:35
Speaker
E o que é que é essencial à vida?
00:00:37
Speaker
dizia Baudelaire, é estarmos embriagados.

Escolha Musical: Jazz e Paixão

00:00:41
Speaker
Refaço.
00:00:43
Speaker
Humildemente embriagados, com uma derivada que não dispenso, até ao fundo, ir à visceralidade onde podemos experimentar o desespero, lugar em que quase nos deixamos morrer, quase, o lugar onde achamos que vamos morrer antes de encontrar a morte.
00:01:04
Speaker
O beijo que Frocan Julie, ou a Miss Julie, no sapato de Jean.
00:01:10
Speaker
A convidada de hoje, 3 Divans, escolheu um disco que nos embriaga, ligeiramente, porque consegue tocar a perdição com leveza, a leveza que o jazz dos anos 50 consegue transportar.
00:01:24
Speaker
Este disco conta-nos que estar apaixonada é essencial à vida.
00:01:29
Speaker
Também nos conta que a humildade de assumir a perdição de uma paixão também o é. Se podemos viver de outra forma, podemos, mas este é um daqueles sabores que, se não provado, empobrece a morte.
00:01:45
Speaker
Mas voltamos ao mesmo.
00:01:47
Speaker
Não é de adrenalina que se trata.
00:01:50
Speaker
Esse gajo que preenche o vazio sem rumo.
00:01:53
Speaker
Este é o lugar que rasga a carne até encontrar amor.
00:01:58
Speaker
É esse lugar que nos traz, humildemente rica, a nossa querida Sofia Perpétua, que fez batota, como ela própria o disse, porque escolheu um best-of.

Introdução de Sofia Perpétua

00:02:09
Speaker
Não, não estamos a abrir um precedente.
00:02:12
Speaker
A Sofia Perpétua é a única que o poderá fazer porque a Sofia é a maior.
00:02:17
Speaker
E trouxe-nos o essencial, ou o essential, da Dina Washington, que me vai pôr a conversar com ela e com a Patrícia Câmara sobre paixão.
00:02:27
Speaker
Olá, Sofia.
00:02:29
Speaker
Olá, Doutor Eze.
00:02:31
Speaker
Olá, Patrícia.
00:02:34
Speaker
Olá, Carolina.
00:02:36
Speaker
Sofia, sejas bem-vinda e apresenta-te, sabes.
00:02:40
Speaker
Olá, doutores.
00:02:41
Speaker
Olha, pronto, é assim, as regras não estavam bem estabelecidas, ninguém me disse que não podia escolher o best-off, tive a ideia que seria uma batotazinha, mas achei que seria o mais justo, mas fui simpática, não é?
00:02:57
Speaker
Tinha um best-off com três horas, quatro horas e consegui arrastar ali com um lado.
00:03:00
Speaker
Com um bocadinho.
00:03:04
Speaker
Então, eu sou a Sofia Perpétua, sou de Lisboa, sou jornalista e escritora e o que eu faço é basicamente contar histórias, ficção e não ficção.

A Arte da Narrativa e Identidade

00:03:19
Speaker
Eu conto histórias com diversos instrumentos, eu tanto escrevo como filme, como edito, como tiro fotos, como produzo podcasts também.
00:03:31
Speaker
E eu acho que às vezes quando as pessoas dizem que são muitas coisas, fazem muitas coisas diferentes, eu faço sempre a mesma coisa, é contar histórias.
00:03:39
Speaker
E depois há aquela ideia muito americana que as pessoas são o que fazem.
00:03:45
Speaker
E isso para mim não me faz confusão nenhuma, porque eu sinto que a minha personalidade e aquilo com que eu trabalho...
00:03:54
Speaker
é também quem eu sou.
00:03:56
Speaker
E como dizia a Nora Ephron, que era uma escritora e uma guionista que eu gostava muito, everything is copy.
00:04:02
Speaker
Então tudo o que vivemos, tudo o que sentimos, me ajuda naquilo que eu quero fazer.
00:04:10
Speaker
Mesmo que eu às vezes não esteja a perceber muito bem onde é que eu vou encaixar a minha experiência de vida ou o que estou a viver.
00:04:15
Speaker
Mas é isso, eu conto histórias e tanto conto histórias aos meus sobrinhos como escrevo um artigo para um jornal americano, um jornal em inglês, ou como tenho uma ideia para escrever uma peça de teatro, ou então como tenho ideia para fazer um ensaio fotográfico ou trabalho na produção de um podcast em que numa semana tenho que ler a obra inteira de um autor e conseguir encontrar ali uma narrativa.
00:04:39
Speaker
Encantam-me muito as narrativas E estive a pensar sobre o álbum que escolhi E se calhar isso também tem a ver com isso Porque não sei se reparaste Nas músicas da Diana Walsh ainda não tens sempre uma história sempre ali uma narrativa por baixo E depois sou encantadíssima com formas de contar histórias e estruturas Porque dependendo do que tu escolhes para contar a história Para contar primeiro onde é que tu colocas os detalhes ou não
00:05:06
Speaker
Tu estás a dar uma ideia do que é que a história seja ou não.

Desafios do Jornalismo e Narrativa

00:05:10
Speaker
Cheguei uma vez a fazer uma apresentação sobre isso, porque me pediram para falar sobre mim, que eu acho que é a coisa mais difícil que se pedir a uma pessoa.
00:05:19
Speaker
Acho que no momento em que sabemos falar sobre nós é como se estivéssemos a chegar ao fim do jogo de computador, não sei.
00:05:28
Speaker
E então eu senti que falar sobre mim não ia trazer nada de novo à conferência e sugeri falar sobre estruturas de narrativas e peguei mais ou menos na minha história e na minha experiência, que era uma coisa que interessava também porque tem a ver com esse superpoder do storytelling.
00:05:46
Speaker
E falei sobre como eu contando uma coisa primeiro ou uma coisa depois, posso dar uma ideia mais assim ou mais assada.
00:05:53
Speaker
Claro que isto interessou mais as pessoas de publicidade do que os guionistas que estavam lá, mas interessam-me muito estruturas, formas de contar histórias, todas as formas de contar histórias e é tudo uma narrativa, não é?
00:06:06
Speaker
Quem sabe contar a melhor história é quem tem mais poder numa sala.
00:06:10
Speaker
Acreditas mesmo nisso?
00:06:12
Speaker
Acredito, sim, acredito.
00:06:16
Speaker
Sim, acredito.
00:06:21
Speaker
E não acreditas no contrário, que é que quem não consegue contar histórias é quem está mais poder na sala.
00:06:28
Speaker
Sabes que uma das organizações para as quais eu trabalho, porque acreditamos que contar histórias é muito importante e muitas vezes as pessoas não têm a oportunidade para estudar e as minorias não têm os instrumentos para o fazer e um dos objetivos desta organização é fornecer os instrumentos a estas pessoas para poderem contar a própria história, para não ser uma pessoa de fora que chega para contar a história deles.
00:06:58
Speaker
Eu acredito que quem não consegue contar a própria história, às vezes não consegue dar a entender aos outros o que é que está a acontecer.
00:07:07
Speaker
Eu acho que o papel do jornalista muitas vezes passa por isso e perceber quando aquela pessoa que está à nossa frente tem um problema, que não está a saber comunicar,
00:07:16
Speaker
e como é que nós vamos comunicar isto da melhor forma para que as pessoas sintam que é aquilo que está a acontecer.
00:07:24
Speaker
Dito isto, também trabalhei como jornalista durante muito tempo e também senti que
00:07:32
Speaker
Às vezes não é o jornalismo que vai chegar às pessoas e, como diz o Camus, a ficção é a mentira através da qual encontramos a verdade.
00:07:45
Speaker
Não que eu não fizesse isso antes, que não escrevesse ficção antes,
00:07:50
Speaker
mas sinto que comecei a escrever ficção um pouco para comatar as minhas frustrações enquanto jornalista e poder falar de coisas que se calhar não estava a conseguir fazer passar nos meus artigos enquanto jornalista.
00:08:08
Speaker
E é isso.
00:08:09
Speaker
Ok.
00:08:10
Speaker
Eu estava aqui a pensar que eu tenho que fazer esta pergunta, que é e quando tu...
00:08:15
Speaker
tens imensa curiosidade e não encontras a narrativa então isto é sempre um jogo isto é aprender para o resto da vida estás-me a perguntar quando tens muita curiosidade em relação a uma história e não sabes como é que vais estruturar a história é isso que me estás a perguntar?
00:08:37
Speaker
É assim, eu vou estar sempre a aprender para o resto da vida e eu leio textos e tudo o que eu leio, às vezes, mesmo inconscientemente, eu estou a analisar o que é que está a acontecer ali no texto e qual é a função de cada coisa.
00:08:50
Speaker
Isso dá-me um enorme prazer.
00:08:51
Speaker
Eu tenho um caderninho de estruturas, porque às vezes umas estruturas experimentais, às vezes um texto pede uma estrutura que não podes usar mais de lado nenhum.
00:09:02
Speaker
eu vou falar por mim um texto simples um texto jornalístico um texto jornalístico normalmente tens uma estrutura que sabes, então aquilo não te perdes muito é aquilo se eu estiver a falar de uma reportagem mais longa o que eu faço é pego em todo o material e escrevo tudo e depois depois de escrever tudo estou ali a fazer um bocado um puzzle tentar resolver um puzzle
00:09:30
Speaker
para ver qual será a melhor forma de... E muitas formas de tu conseguires contar uma história.
00:09:35
Speaker
Depois também depende do que é que tu pretendes com isso.
00:09:40
Speaker
Gosto muito da ideia do jornalismo ser objetivo.
00:09:44
Speaker
E tens duas escolas.
00:09:45
Speaker
Tens um jornalismo mais objetivo, que foi sempre o que eu fiz.
00:09:49
Speaker
E depois tens um jornalismo de opinião.
00:09:52
Speaker
que eu admiro muito, admiro mesmo muito, mas não é aquilo que eu quero fazer.
00:09:56
Speaker
Porque eu acho que muitas vezes tu, com os factos, tu consegues ser mais forte do que estás a dizer à pessoa, como pensar.
00:10:03
Speaker
Como pensar, exatamente.

Escrevendo para Compreender

00:10:05
Speaker
Sim.
00:10:05
Speaker
E se tu souberes o que queres dizer, isso ajuda bastante a tu encontrares ali uma narrativa, uma estrutura para a tua narrativa.
00:10:15
Speaker
uma escritora que é a John Didion,
00:10:19
Speaker
que dizia que ela escrevia para conseguir perceber como pensa.
00:10:25
Speaker
E eu acho que é uma coisa que nós sentimos às vezes, não é?
00:10:27
Speaker
Quando estamos a tirar umas notazinhas diárias ou assim.
00:10:31
Speaker
Assim, espera lá, isto está aqui a acontecer, como é que é isto?
00:10:34
Speaker
E eu gosto dessa ideia de, no papel, ir descobrindo as coisas.
00:10:39
Speaker
Então, se tiveres uma história, eu estou pensando numa reportagem longa, mas é isso que estavas a pensar.
00:10:43
Speaker
É porque há...
00:10:44
Speaker
Estava a pensar em várias coisas, mas a resposta está perfeitamente adequada, que eu estava assim, mas continua, continua.
00:10:50
Speaker
Numa reportagem longa eu faria isso.
00:10:53
Speaker
Escrevia o material todo, as entrevistas todas, passava tudo, ia vendo o que era mais importante e depois ia fazendo um rascunho ao lado de como é que eu acho que aquela estrutura funcionava ou não.
00:11:04
Speaker
Agora, claro que eu me lembro de ser mais nova e estar completamente perdida e não saber contar uma história ou ver como estruturar as coisas.
00:11:15
Speaker
Sinceramente, eu acho que me fez muito bem fazer mestrado nos Estados Unidos, porque os americanos são muito objetivos e não assim uma ideia muito romântica do que é o jornalismo ou do que é uma estrutura.
00:11:27
Speaker
Não é que eu estou a sentir inspiração e vou escrever, não.
00:11:30
Speaker
Tu sabes o que é que estás a fazer.
00:11:32
Speaker
Aquilo não é...
00:11:36
Speaker
e posso te recomendar algumas jornalistas e alguns jornalistas que escrevem reportagens e ficção que têm estruturas muito, muito interessantes eu devo dizer que eu gosto muito de literatura e os meus autores preferidos foram todos jornalistas antes e o jornalismo é uma grande escola de escrita e
00:11:57
Speaker
Mas lembro-me de estar completamente perdido a olhar para um texto e não saber como lhe pegar, que é o que acontece ainda hoje.
00:12:03
Speaker
Eu hoje sei que fiz isso antes e vou conseguir encontrar ali um rumo.
00:12:07
Speaker
E a partir do momento em que tenho a estrutura, as coisas mais ou menos resolvem-se.
00:12:11
Speaker
É um puzzle.
00:12:12
Speaker
É um puzzle divertido.
00:12:13
Speaker
Agora, se me falares de televisão, é ainda mais divertido, porque tens som, imagem, texto, então tens que jogar com isto tudo.
00:12:22
Speaker
Eu dizia sempre, quando tenho um texto para estruturar, para mim é mais fácil de quando tenho uma peça para o jornal, porque ali tenho que estar a jogar mesmo com tudo.
00:12:32
Speaker
Patrícia, tu sabes, ou sabias, ou sabes, que a Sofia trabalhou para o New York Times?
00:12:46
Speaker
Ela nunca diz estas coisas O que eu acho que é ótimo Eu quando estava no New York Times Um dos editores disse-nos assim Quando vos perguntarem onde é que vocês trabalham Digam que são professores de inglês Senão as pessoas querem ser vossas amigas
00:13:00
Speaker
eu pensava que era ao contrário eu pensava que ninguém põe eu penso que a Sofia não diz isso por isto que acabou por esta história esta pequenina história que ela também sabe contar e que ela contou para ilustrar eu acho que parece-me que a Sofia também não não precisa de contar estas histórias e isso é bom
00:13:22
Speaker
Oh Sofia, eu acho que a Sofia se apresentou muito bem.
00:13:27
Speaker
O que é que tu achas, Patrícia?
00:13:28
Speaker
Estou maravilhada, fiquei aqui a pensar como é que se faz para limpar a opinião dos factos.
00:13:32
Speaker
Estás a ver, tu disseste que era mais fácil.
00:13:34
Speaker
Não era mais fácil, se passava mais a ideia e percebi com mais força.
00:13:38
Speaker
Eu estava a pensar no exercício mental que isso me obrigaria a mim.
00:13:44
Speaker
É mais difícil também escrever assim.
00:13:46
Speaker
Eu às vezes vejo amigos meus que escrevem uma crónica e eu digo-lhes assim, olha, não digas à pessoa como pensar, mesmo que a pessoa concorde contigo, deixa os factos falar por si e deixa o leitor fazer o mais um, fazer o dois.
00:14:00
Speaker
Não des o dois, põe o um, ele que faça a soma.
00:14:03
Speaker
Porque estás a respeitar o leitor e estás a fazer com que o leitor pense um bocadinho também sobre as coisas.
00:14:09
Speaker
E para além disso, eu acho que consegues chegar a mais pessoas do que aquelas pessoas que concordam com o que estás escrito.
00:14:18
Speaker
É muito como nós fazemos na psicanalista, ainda estava a achar mais engraçado.
00:14:21
Speaker
Que engraçado.
00:14:21
Speaker
Parecia a definição do que é uma psicoterapia.
00:14:24
Speaker
Como nós a concebemos, não outras maneiras.
00:14:26
Speaker
Mas a nossa ideia é muito isso, não é?
00:14:28
Speaker
De que maneira é que tu consegues agarrar aquilo que... Até havia um psicanalista que era um biano, não é?
00:14:33
Speaker
Que chamava de uma sessão que tu agarras no facto selecionado, ele chamava o facto selecionado.
00:14:37
Speaker
a partir do qual trabalhas devolvendo coisas, mas sem indicar, permitindo ao outro que faça o seu próprio caminho.
00:14:43
Speaker
Aliás, as más terapias, ou seja o que isso for, seria exatamente a construção de uma opinião perante o facto.
00:14:50
Speaker
O facto com toda a complexidade que a ideia de facto tem.
00:14:54
Speaker
São muito perigosas, porque se tu de facto dirigires o pensamento das pessoas...
00:14:58
Speaker
O que as pessoas passam a fazer são mimetizações, não é?
00:15:02
Speaker
De facto, a aprendizagem de qualquer coisa, não é?
00:15:06
Speaker
E depois, muitas vezes… Ou que toca no essencial.
00:15:08
Speaker
Exatamente.
00:15:09
Speaker
Na ideia do essencial.
00:15:11
Speaker
uma, nos Estados Unidos, eu estou a falar da minha experiência.
00:15:15
Speaker
Claro, então é a mesma tua que nós queremos.
00:15:19
Speaker
Eu nunca trabalhei em redação em Portugal.
00:15:22
Speaker
Trabalhei no Brasil como freelancer, mas em redação trabalhei nos Estados Unidos.
00:15:26
Speaker
E uma distinção muito grande entre o que é opinião e o que é mesmo jornalismo.
00:15:34
Speaker
No New York Times nem sequer no mesmo andar.
00:15:37
Speaker
Os andares são separados.
00:15:39
Speaker
Aqui em Portugal o que eu noto é que uma pessoa que escreve uma notícia, faz uma entrevista, depois está a escrever um artigo de opinião.
00:15:45
Speaker
Isso é um pouco confuso.
00:15:48
Speaker
Não quer dizer que não o possa fazer, mas a mim faz-me um pouco de confusão como jornalista a escrever uma reportagem, depois a dar uma opinião política numa crónica.
00:15:58
Speaker
Faz-me um pouco de confusão.
00:16:00
Speaker
Eu acho que quando eu passar para esse lado,
00:16:03
Speaker
vai ser mais difícil voltar a ser a jornalista de straight news, assim, e eu gosto muito de escrever reportagem, claro que tenho as minhas opiniões, e antes de ser jornalista sou um ser humano, mas, sinceramente, acho que em público,
00:16:20
Speaker
devo dar opiniões sobre assuntos que sejam qualquer coisa contra a dignidade

Dignidade Humana vs. Verdade no Jornalismo

00:16:26
Speaker
humana.
00:16:26
Speaker
Lembro-me que tinha uma professora que uma vez nos perguntou qual era o primeiro valor do jornalismo e nós dissemos a verdade, claro.
00:16:33
Speaker
E ela disse, não, não é a verdade, e nós disse, não é a verdade, como assim?
00:16:35
Speaker
É ou não?
00:16:35
Speaker
É dignidade humana.
00:16:36
Speaker
Muito bom.
00:16:43
Speaker
Onde podíamos ir agora?
00:16:45
Speaker
A verdade, eu estou com a cabeça um bocado paralisada, é que estou tão presa nesse lugar.
00:16:50
Speaker
Sim, sim, sim.
00:16:51
Speaker
Agora não me haste, até me deste mais.
00:16:53
Speaker
Sim, sim, sim, onde é que podíamos ir agora com essa frase?
00:17:00
Speaker
Olha, mas... Ao essencial.
00:17:01
Speaker
Ao essencial.
00:17:03
Speaker
Então vamos ao essencial.
00:17:04
Speaker
Pérfora.
00:17:05
Speaker
Sofia Perpétua, porquê que tu escolheste o Essential da Dina Washington?
00:17:12
Speaker
Porquê?
00:17:13
Speaker
Conta-nos lá.
00:17:14
Speaker
Então, eu adoro a Dina Washington, como tu sabes, e eu se calhar devia ter feito ainda mais batota, e ao invés do Essential dava-te a minha playlist.
00:17:23
Speaker
que é a Dinah da Sofia, tenho a pedir licença porque foi muito difícil encontrar um best of da Dinah Washington com todas as músicas que eu gosto eu gosto muito de algumas cantoras dessa época como a Alaphis Sherald que a Alaphis Sherald tem aquela voz perfeita, linda, límpida
00:17:48
Speaker
é uma interprete.
00:17:49
Speaker
A Dinah Washington tem ali vida, verdade, tem ali uma decadencia na voz e ela não interpreta como vida àquilo tudo e vida com ironia, com duplos sentidos, ou seja, tu ouves a mesma música a ser cantada pela Ella Fitzgerald e pela Dinah Washington e uma está cheia de vida e vida dela, ela põe tudo o que ela é naquela música.

Dinah Washington e Sua Influência

00:18:19
Speaker
E eu sempre gostei muito dela e lembro-me, desde muito nova, não sei como é de descobrir, não me lembro, mas lembro-me de ouvir outros temas dela e de ouvir um que era o Manhattan, que descrevia as ruas todas de Manhattan e quando eu mudei para Nova Iorque, eu andei à procura daquelas ruas todas.
00:18:36
Speaker
E a Diana Washington, estamos a falar de Rílias, ela é a rainha dos blues.
00:18:45
Speaker
Eu sei que aqui é mais rock and roll, mas the blues is the roots and the rest are the fruits.
00:18:50
Speaker
Sim, claro, e o blues é um grande rock and roll.
00:18:53
Speaker
Sim, sim.
00:18:54
Speaker
E o blues é um grande rock and roll.
00:18:56
Speaker
Sim, sim, sim.
00:18:57
Speaker
Rock and Roll, Jazz, para mim ouvir um tema da Diana Washington muda-me o dia completamente.
00:19:07
Speaker
Estava a falar disso bocado, não sei se reparaste, as músicas dela, muitas delas são narrativas e o tema que eu escolhi é um rollercoaster, uma montanha-russa, é uma montanha-russa de emoções.
00:19:23
Speaker
e ela tem ali detalhes, eu não sei cantar, tu a tuas ias cantar um bocadinho, tu sabes cantar muito bem, se eu soubesse cantar mostrava-te ali assim uns detalhes, umas inflexões que ela tem na voz, mesmo muito lindas e ela sabia muito bem escolher os temas, ela teve uma vida muito atribulada
00:19:40
Speaker
morreu nos anos 60, nasceu em Alabama, cresceu em Chicago e é uma cantora que eu ouvi muitos anos e depois às vezes parece que as coisas começam a fazer sentido, começas a ouvir uma música aqui, outra ali, depois de repente todos trabalharam juntos, ela começou a tocar com o Leonel Hampton, que é uma música que eu gosto também muito,
00:20:02
Speaker
e ela é uma das principais influências também da Amy Winehouse que eu também adoro e eu acho que sem a Dino Watch muitas cantoras e muitos cantores não existiriam hoje em dia e ela foi uma mulher que batalhou muito e para a época não era normal uma mulher negra conseguir comprar uma casa em Chicago nos anos 60 e ela casou-se 8, 9 quem diga que
00:20:31
Speaker
Nem tenho muito bem certeza de quantas vezes ela casou, ela sofreu bastante.
00:20:35
Speaker
E eu lembro-me uma vez, uns anos... Eu estou a falar muito no... Desculpe-me.
00:20:40
Speaker
Eu lembro-me há uns anos de ver um documentário sobre ela.
00:20:43
Speaker
E estava um fotógrafo no documentário.
00:20:45
Speaker
E ele estava assim a mostrar algumas fotos que tinha tirado os concertos da Diana Washington e festas da Diana Washington.
00:20:52
Speaker
E ele dizia assim, não, porque estas fotos ninguém tem, eu é que tenho, estas fotos ninguém tem.
00:20:56
Speaker
E ele está assim a passar as fotos e eu vejo uma foto naquele documentário, linda, linda, linda, que para mim aquela foto é a imagem da felicidade absoluta e o auge da existência, aquilo é lindo, ela está com uma expressão, tão feliz, tão feliz em cima de um sofá.
00:21:14
Speaker
E foi uns anos.
00:21:16
Speaker
E eu não desenho nada, sou péssima a fazer desenhos, mas a mim relaxa-me um bocadinho às vezes de manhã, olho para aquela foto e começo assim a fazer, tipo a fazer o sapatinho, a carinha dela.
00:21:27
Speaker
E tenho uma amiga que é artista, que ela de vez em quando faz assim uns bozos.
00:21:32
Speaker
E eu tenho assim um caderninho que vou fazendo uns desenhos e depois pinto, às vezes parece um extraterrestre, às vezes fica... Eu acho que o facto de não saber desenhar muito bem até torna o exercício mais divertido, porque eu nunca sei o que é que vai sair.
00:21:43
Speaker
É sempre qualquer coisa.
00:21:45
Speaker
Sendo que aquela imagem para mim... O fotógrafo não quer divulgar a imagem ao mundo, mas aquilo estava no documentário, fiz o print do documentário.
00:21:54
Speaker
E pronto, se vocês quiserem depois eu passo a fazer a imagem, porque...
00:21:58
Speaker
Porque ela faz-te feliz.
00:22:00
Speaker
Ela faz-me muito feliz e eu acho que os pode fazer felizes a vocês também.
00:22:04
Speaker
Eu gosto de partilhar felicidade.
00:22:07
Speaker
Aliás, olha, vamos outra vez à psicanálise.
00:22:10
Speaker
Uma mulher feliz a sorrir sentada num sofá
00:22:14
Speaker
É tudo o que também nós gostamos de ver.
00:22:16
Speaker
Não, nós também gostamos.
00:22:18
Speaker
É assim.
00:22:20
Speaker
Pronto, acho que sim, que também é tudo o que nós gostamos de ver.
00:22:23
Speaker
Ela não está ali sentada, mas para as nossas filhas...
00:22:33
Speaker
Está bem.
00:22:34
Speaker
Olha, olha, e posto isto, porque, ai não, espera, porque eu agora ia passar para uma coisa, porque eu ia dizer, posto isto, vamos passar para o Making Whoopie, mas não, não, não, porque primeiro quero-te perguntar, Patrícia, se tu também gostas do disco que a Sofia escolheu, e se queres dizer alguma coisa sobre o disco.
00:22:54
Speaker
Não estava preparada.
00:22:55
Speaker
Fizeste um movimento que me induziu em erro.
00:22:57
Speaker
Pois é que eu ia saltar.
00:22:59
Speaker
Esta era uma boa introdução para o making up, mas temos que ir aqui porque tens que dizer se gostas do disco.
00:23:06
Speaker
Eu gosto muito, muito, muito.
00:23:09
Speaker
E acho que é pela mesma razão que tu estavas a dizer.
00:23:11
Speaker
A voz dela, sempre adorei a voz.
00:23:13
Speaker
Exatamente porque não é um lugar, é isso, não é um lugar limpo.
00:23:16
Speaker
qualquer coisa, é blues, não é?
00:23:18
Speaker
É que tínhamos que pôr a melancolia, era para dizer que nós pômos sempre a melancolia.
00:23:21
Speaker
Ela aparece.
00:23:24
Speaker
Mas eu acho que a voz dela encarna a melancolia completamente.
00:23:28
Speaker
O sítio a seguir, não é?
00:23:29
Speaker
O sítio a seguir à esperança, que permanece como esperança, mas com uma certa decepção implícita, não é?
00:23:33
Speaker
Tu sentes essa vivência toda, essa que tu estás a dizer dela, em todas as músicas, a maneira como ela faz a tal narrativa, está cheia do ser, não é?
00:23:41
Speaker
Do ter passado por aquilo, é a sensação, pelo menos é assim que eu uso.
00:23:44
Speaker
Porque é verdade, os temas dela, os temas dela, por exemplo, estas que nós vamos ouvir, não é?
00:23:49
Speaker
Uhum.
00:23:53
Speaker
a versão dela é a que eu mais gosto porque me leva a esse sítio de alguém que está a cantar a partir de um lugar de vivência parece que ela torna apesar de serem temas clássicos que muita gente cantou antes e depois parece que ela vida àquele tema com a própria vida que ela impõe no tema e depois tem ali humor tem uma ironia muito fina tem melancolia claro
00:24:19
Speaker
e depois são temas muito difíceis eu lembro-me uma vez e tal dignidade desculpe interromper-te, não é isso, mas é que há bocado disseste dignidade e eu acho que essa dignidade está no disco também a voz dela e a forma como termina tem sempre essa dignidade implícita e é mais ou menos um reflexo do que é uma história real porque uma história real tem momentos de mancolia, de humor de felicidade, infelicidade e a montanha russa de emoções é isso mesmo
00:24:46
Speaker
Pois, e a sensação que tenho quando ouço, seja o disco, seja as canções dela, ou outros discos dela, não é?
00:24:54
Speaker
É esta sensação...
00:24:57
Speaker
E por isso, na introdução, levei para aqui a coisa que é mesmo uma mulher apaixonada, não é?

Autenticidade na Música e Paixão

00:25:04
Speaker
Em que se que é um apaixonado de verdade dessa vivência que tu estás a falar, Patrícia.
00:25:10
Speaker
Porque, sem querer comparar, mas comparando, porque tocaste aí, por exemplo, na Ella Fitzgerald, e agora falámos na Ella Fitzgerald como podíamos falar noutras,
00:25:20
Speaker
É esta às vezes a diferença em que encontramos nestas narrativas que são, por exemplo, cantadas por todas ou por todos, mas que nós percebemos quem está de facto por dentro da narrativa ou quem está de facto a narrar a narrativa.
00:25:39
Speaker
E ela de facto é muito autêntica.
00:25:41
Speaker
É muito autêntica.
00:25:43
Speaker
Então, tu escolheste o Making Whoopie, vamos ouvir um bocadinho e falamos.
00:26:05
Speaker
Então Sofia, conta-nos lá, porque é que tu gostas tanto desta canção?
00:26:12
Speaker
Foi um bocadinho difícil escolher um tema da Diana Washington, porque eu gosto de vários...
00:26:18
Speaker
Como eu disse antes, eu gosto muito da narrativa, gosto muito desta coisa, começa tudo muito bem e depois vem os problemas e ela está a descrever uma relação e eu sinto que ela a cantar esta música está a descrever várias relações que ela teve e ela está por inteiro a cantar a música, ela está no tema.
00:26:37
Speaker
Eu lembro-me há uns anos de ver uma entrevista da Amy Winehouse a falar sobre este tema em que ela dizia que jamais era capaz de cantar este tema porque a Daina fez tudo com o tema, não para pôr ali mais nada.
00:26:50
Speaker
Este tema é dos anos 20, do intérprete que é o Eddie Cantor e foi feito por um musical da Broadway que era o Whoopi.
00:27:02
Speaker
E eu gosto muito de musicais da Broadway.
00:27:06
Speaker
E fiquei a hesitar, quando pediste um disco, uma série deles e outros que eu estava a pensar era a banda sonora do Hamilton, que eu adoro.
00:27:16
Speaker
E então depois pensei, não, espera lá, isto aqui faz uma pontezinha entre a Broadway e a música da Dino Washington.
00:27:24
Speaker
Esta é uma música que eu posso estar a ter o pior dia do mundo, eu vou ser estima, eu fico feliz.
00:27:30
Speaker
É isto.
00:27:31
Speaker
Patricia, e o Making Whoopi?
00:27:36
Speaker
eu quero falar sempre.
00:27:38
Speaker
Pronto, então, conta tu aqui sobre o que a perpetua disse e sobre o que tu achas do making up.
00:27:47
Speaker
Não consigo acrescentar muito mais porque fiquei presa naquilo que a perpetua estava a dizer, que a Sofia estava a dizer.
00:27:56
Speaker
É que é isto que eu sinto, que tu balanças com ela dentro daqueles lugares todos, mas que ao mesmo tempo, pensando na própria letra, está, ela expõe e faz uma sátira também, do que é que é o lugar do homem e da mulher, e de uma maneira que tem tudo dentro, mas que não te intoxica, que eu acho que é uma mistria, porque a própria letra em si pede isso, mas era muito fácil que aís num lugar onde isso não fosse transmitido.
00:28:18
Speaker
e eu acho que ela faz a sátira no lugar certo te confronta com isso sim, sim é isso não, porque ainda bem que é uma sátira e que se percebe que é uma sátira vamos ver, há pessoas que não percebem é isso mesmo, antes que isto parar às barras de tribunal e ao fim destes anos todos a Diana Washington olha como o desgraçado como é que se chamava o do bom interesse dos poucos coitado também se viu confrontado ao fim de não sei quanto tempo ter que explicar a letra
00:28:47
Speaker
Nunca sabemos se as pessoas não percebem o que são sátiras.
00:28:50
Speaker
Se querem fazer acreditar que percebem.
00:28:53
Speaker
Sim, isso é outra conversa.
00:28:54
Speaker
Isto é outro zúper.
00:28:57
Speaker
chegar às pessoas é um humor, faltava humor humor, ironia, duplos sentidos a complexidade a complexidade a vida em várias camadas por oposto à linearidade e é uma linguagem também muito visual muito, muito visual
00:29:18
Speaker
E eu acho que isso também é um dos pontos fortes desta música.
00:29:25
Speaker
Assim como o resto dos temas dela.
00:29:28
Speaker
E eu gosto de linguagem muito visual também, aparentemente.
00:29:31
Speaker
Sim, sim, sim.
00:29:32
Speaker
É isto.
00:29:32
Speaker
Mas olha, o estás às voltas, não é?
00:29:35
Speaker
No fundo.
00:29:35
Speaker
Estava a pensar nisso.
00:29:36
Speaker
Nisso que vocês estão a dizer.
00:29:37
Speaker
Mas a ideia que está tão bem posta, estou a pensar mesmo na maneira como ela canta, do estar às voltas, não é?
00:29:42
Speaker
Essa coisa que estavas a dizer do... Da montanha russa.
00:29:45
Speaker
Da montanha russa, mas ao mesmo tempo, uma coisa que estás às voltas.
00:29:47
Speaker
que está às voltas.
00:29:48
Speaker
Pois, eu vejo quase como espiral, que é aquilo que a Sofia diz.
00:29:51
Speaker
Começa muito bem, muito bem e depois vai para ali fora à crítica e vai à espiral, não é?
00:29:56
Speaker
E a dada altura estás a bater no ponto essencial.
00:29:59
Speaker
Exatamente.
00:30:00
Speaker
Percebes?
00:30:00
Speaker
Percebes?
00:30:02
Speaker
Mas é na cadeia.
00:30:03
Speaker
É na cadeia.
00:30:05
Speaker
É na cadeia.
00:30:06
Speaker
Exatamente.
00:30:08
Speaker
Mas olha, eu vou pegar aqui porque apetece-me mesmo ir a este sítio e foi muito engraçado porque a Sofia foi e eu vou pegar nisto que é
00:30:19
Speaker
Várias coisas que tu disseste aqui Sofia, mas eu queria pegar nisto e tu disseste que esta música era uma das que Amy Winehouse gostava muito e que fala sobre ela.
00:30:35
Speaker
e uma das coisas que mais me surpreende que me faz surpreender mais com a Amy Winehouse ao contrário de quase toda a gente é uma pervície estar a pôr as coisas assim muitas pessoas que adoram a voz da Amy Winehouse eu não adoro a voz da Amy Winehouse o que eu gosto da Amy Winehouse é toda a atitude dela e toda a autenticidade dela
00:31:01
Speaker
dentro daquilo até que é o desespero dela e por acaso ou por acaso ou não, toquei nisso na introdução e queria falar deste lugar porque a própria Amy Winehouse para mim, isto é o que me espanta mais nela é a sinceridade com que ela diz e com que ela mostrou como se entregou um amor ou uma paixão que a levou entre outras coisas nós sabemos que a levou para um buraco muito profundo
00:31:32
Speaker
E ela escreveu as próprias letras.
00:31:34
Speaker
Sim.
00:31:35
Speaker
E pegando nisto, e porque acho que a Diana Washington era uma mulher que se apaixonava muito e que todas estas letras tocam muito na paixão e não na paixão, no amor também, mas muito na paixão.
00:31:50
Speaker
Tanto naquilo que é a narrativa das letras como é a própria postura dela a cantá-las e não só.

Definindo Paixão e Amor

00:31:58
Speaker
Tudo isso, aquilo que eu te perguntava ainda há bocado.
00:32:02
Speaker
porque eu acho que a paixão é um bocadinho isto que é quando nós nos interessamos e temos muita curiosidade por uma coisa como o jornalista também tem mas não lhe conseguimos encontrar uma narrativa eu acho que isto é uma boa definição para paixão eu acho que há paixões em que nós depois conseguimos encontrar a narrativa nós conseguimos
00:32:29
Speaker
dizer porque é que estamos apaixonadas mas muitas paixões em que nós não conseguimos encontrar a narrativa para aquilo que estamos a sentir mas se consegues encontrar a narrativa não tornas as coisas um bocadinho mais racionais por isso eu te estou a perguntar exatamente, era isso eu queria-te perguntar o que é que é isto para ti?
00:32:47
Speaker
de tu quereres encontrar a narrativa e não a encontrares
00:32:50
Speaker
E ao mesmo tempo sentires que estás muito curiosa com aquilo.
00:32:53
Speaker
É um puzzle.
00:32:55
Speaker
Anda ali às voltas.
00:32:57
Speaker
E às vezes não é uma coisa imediata, não encontras logo.
00:33:01
Speaker
Às vezes, quando está a ser muito, muito, muito difícil, faz uma coisa linear, escreve as coisas de forma linear, depois volta atrás e tenta encontrar ali outra ordem.
00:33:12
Speaker
Mas não, não é fácil, porque escrever não é fácil.
00:33:15
Speaker
Mas, em relação às paixões... Pois, e vivê-las?
00:33:18
Speaker
Tu disseste, escrever não é fácil.
00:33:20
Speaker
E vivê-las?
00:33:22
Speaker
Olha, o Montaigne tem um ensaio em que, acho que alguém me perguntou porque é que gostava de alguém e ele escreveu, porque era ele, porque era ela.
00:33:33
Speaker
Exato.
00:33:34
Speaker
E pronto.
00:33:36
Speaker
Eu acho que às vezes racionaliza muitas coisas, mas voltando à John Didion, também entendo...
00:33:44
Speaker
que às vezes para controlarmos uma realidade precisamos de encontrar alguma narrativa e sendo da natureza da paixão ser descontrolada tu tentares entender o porquê talvez seja uma tentativa de controlares uma coisa que é por si descontrolada porque talvez alguém de ti sinta que precisas ali de uma ordemzinha não sei, não sei
00:34:11
Speaker
Para ti, o que é que é estar apaixonada?
00:34:14
Speaker
O que é que é estar apaixonada para mim?
00:34:17
Speaker
Para mim estar apaixonada é acordar feliz todos os dias.
00:34:20
Speaker
É a imagem do sofá.
00:34:23
Speaker
É a imagem da Diana Washington, a sorrir assim.
00:34:29
Speaker
É prestar atenção às coisas do dia-a-dia que realmente são especiais e não precisam de ser coisas...
00:34:37
Speaker
extraordinárias o trágico e o sublime está no mais banal para mim isso é estar apaixonado e talvez estar apaixonado seja uma forma de te abrir um portal de tirar os filtros ou as nuvens negras das realidades à tua volta de ser um pouco mais otimista sobre as coisas sobre o futuro e o mundo em geral
00:35:06
Speaker
Eu acho que a paixão é meio um motor do mundo, acho que se todos estivéssemos apaixonados o mundo era um lugar muito melhor e acho que muita gente, muitos partidos precisava era de se apaixonar.
00:35:21
Speaker
em vez de andar a julgar as paixões dos outros viver as suas próprias e acho que é isto eu acho a tua resposta espetacular porque eu estava a pensar em jargões, mas vou dizer na mesma estava a pensar, não, não é isso mas é que eu acho que a Sofia disse isto maravilhosamente
00:35:37
Speaker
Tinha pensado na tua pergunta da narrativa, não narrativa e das múltiplas formas de contar uma história, não é?
00:35:43
Speaker
As narrativas implícitas.
00:35:46
Speaker
Paixão é a base da narrativa implícita, não é?
00:35:48
Speaker
Que se ressignifica a si própria.
00:35:51
Speaker
Contar uma paixão é isso, não é?
00:35:53
Speaker
Uma encarnação.
00:35:55
Speaker
Não é assim que eu quero dizer, José?
00:35:58
Speaker
Um encarnamento, não há palavra para não.
00:36:00
Speaker
Um embodiment.
00:36:01
Speaker
Psicosomático.
00:36:04
Speaker
É a base de tudo, eu também acho.
00:36:06
Speaker
É a mesma base de tudo.
00:36:07
Speaker
Para vocês, o que é paixão?
00:36:09
Speaker
Eu fiz este jargão todo?
00:36:10
Speaker
Estás a ver?
00:36:13
Speaker
Sofia, eu vou responder-te a isso, mas primeiro tenho que fazer uma coisa, porque o que vocês estavam a dizer, e agora a Patrícia fez-me lembrar aqui duas ou três coisas que eu fiquei a pensar ao longo da vida.
00:36:28
Speaker
Nós ouvimos frases de outras pessoas que nos deixam a pensar.
00:36:33
Speaker
e que depois a experiência nos vai dando ou tirando significados a essas coisas ou ressignificando essas coisas por exemplo, na introdução do Fala com Ela a dada altura a Rita Blanco diz qualquer coisa e faziam muitas coisas erradas mas parece que é isso mesmo o amor por exemplo uma vez vi aquela atriz a...
00:37:03
Speaker
Lourdes Norberto, é Lourdes Norberto, não é?
00:37:06
Speaker
No Alta Definição, a dizer que estava tão... Aquela Alta Definição com o Daniel Oliveira, na SICA, a dizer que estava tão... que se apaixonou perdidamente ao ponto de enlouquecer, de andar atrás, seguia-o para todos os lados.
00:37:21
Speaker
Ela diz, ele ia para o café, eu ia atrás.
00:37:23
Speaker
Ele ia para o restaurante, eu ia atrás.
00:37:25
Speaker
Ele ia sempre com muito receio de o encontrar com outras mulheres, sempre muito obcecada.
00:37:30
Speaker
e ia assumir isto e a dizer eu não fiz boa figura mas olha e ela ia dizer eu não fiz boa figura mas era isto que eu estava a sentir eu estava perdidamente apaixonada
00:37:42
Speaker
a própria Amy Winehouse a assumir isto, tanto nas letras e... I only said... Como é que ela diz?
00:37:54
Speaker
Aquela do Black.
00:37:56
Speaker
Não, tu disseste... Back to Black, como é que ela diz?
00:38:00
Speaker
Tu disseste duas palavras, eu morri... Exatamente.
00:38:07
Speaker
and then I go back to her you go back to her and I go back to black exatamente, por exemplo isto este assumir o assumir do desespero de estar apaixonado e de não se ver outra alternativa que e principalmente eu lembro-me que eu não ouvia Rita Blanca dizer isto
00:38:37
Speaker
ouço no genérico cada vez que eu sou programa ouço no genérico mas na televisão lembro-me de ouvir a Lourdes Norberto dizer isto e de eu pensar assim bolas isto é um lugar mesmo de verdade
00:38:53
Speaker
Um lugar de verdade, em que não subterfúgios aqui, as pessoas estão mesmo a assumir um sítio onde perdem o controle sobre aquilo que julgam ser o seu juízo e se entregam.
00:39:08
Speaker
E é assustador.
00:39:11
Speaker
É assustador, mas é bonito.
00:39:14
Speaker
E é o lugar que faz políticos e outros julgarem.
00:39:25
Speaker
E é um outro lugar de estar apaixonado que me parece que também pode ser pensado, ou não?
00:39:35
Speaker
Patrícia Câmara.
00:39:40
Speaker
Pensarmos sobre isto, não é?
00:39:42
Speaker
Porque o lugar de paixão que nos deixa nesta felicidade, que a perpetua está a falar.
00:39:48
Speaker
Estar apaixonada é acordar todos os dias.
00:39:50
Speaker
Mas um apaixonado que nos leva ao desespero, que não nos traz esta felicidade.
00:39:56
Speaker
Ou muitas vezes...
00:39:58
Speaker
de um estado de felicidade passamos a este estado de desespero e que obviamente do ponto de vista de saúde mental podemos pôr isto em várias coisas que muitas delas às vezes chegamos a ir à patologia quase mas e este lugar onde vamos pela paixão vamos ao desespero
00:40:17
Speaker
E que depois até nos conseguimos resgatar.
00:40:19
Speaker
A Amy não conseguiu.
00:40:22
Speaker
Aparentemente.
00:40:24
Speaker
Mas outros lugares, outras situações onde se vai a este lugar e que é possível um resgate.
00:40:33
Speaker
E a Daina fala isto.
00:40:35
Speaker
A Daina há muitas letras que vai a este lugar e depois sai dele.
00:40:40
Speaker
Mas ela afirma que o sente também e que se pode ir.
00:40:45
Speaker
Sim, mas o maior ataque é a vulnerabilidade, não é o que estás a falar?
00:40:49
Speaker
A possibilidade, antes de ir a esse sítio, mas o perdida mente, vou brincar, mas é isso, não é?
00:40:57
Speaker
Poderes perder a mente é a base central da existência, não é?
00:41:02
Speaker
Mas perder a mente nesse lugar de entrega.
00:41:05
Speaker
Que não tem que ser um lugar de desespero, não é?
00:41:07
Speaker
um lugar de desespero se for sentido como um sítio de potencial ataque, não é?
00:41:13
Speaker
Exatamente.
00:41:14
Speaker
Mas é disso mesmo, não é?
00:41:16
Speaker
Pois, e nessa medida, sim, claro.
00:41:18
Speaker
É o que acontece.
00:41:19
Speaker
A maior parte das vezes é que... E está a acontecer muito, não é?
00:41:22
Speaker
Pelo menos estamos a viver uma época em que os conceitos estão muito pervertidos e muito confundidos, não é?
00:41:27
Speaker
Fala-se de paixão e estás a falar de cru.
00:41:29
Speaker
Não estás propriamente a falar de uma entrega deste desnorte que é essencial à construção.
00:41:33
Speaker
Que não é.
00:41:34
Speaker
O desnorte da entrega eu acho que é essencial à construção.
00:41:37
Speaker
Sim, mas vivido... Se passar a ser um sítio onde no fundo aquilo que acontece é que esse tal medo que tu dizias, não é Sofia?
00:41:46
Speaker
O assustador leva ao movimento habitual, domínio e submissão, então um...
00:41:53
Speaker
fechamento total e uma perversão do conceito.
00:41:55
Speaker
Eu acho que temos ouvido falar de paixão e não é paixão que se trata, é isso que também estás a dizer.
00:42:00
Speaker
Atualmente as pessoas falam, até sentes isso às vezes até, não queria dizer nas consultas que não é justo com as pessoas, mas
00:42:08
Speaker
sei lá, até relatos mais de uma determinada idade, não sei como é que terá agora também, mais uma vez, não quero ser injusta, mas tenho ouvido com mais frequência este, o saltar de paixões, não é?
00:42:19
Speaker
As pessoas falam, estou apaixonadíssima, e depois no dia a seguir já é apaixonadíssima, depois está na sua até de baralhas, porque a paixão já é outra.
00:42:26
Speaker
E tu queres seguir o fio da paixão e a paixão tem valor por si própria e ela tem valor por si própria e não está ligada a nada.
00:42:31
Speaker
Portanto é uma sensação fisiológica.
00:42:34
Speaker
Não é mais nada.
00:42:35
Speaker
Portanto, acho que esta confusão é de tudo o que está aqui nestas músicas.
00:42:39
Speaker
Esta música tem esta distensão toda.
00:42:41
Speaker
Mas querias falar no desnorte, no desespero, quando tu no fundo te conheces e sabes este lugar e a resposta que te é dada é do lugar contrário.
00:42:49
Speaker
Exatamente.
00:42:50
Speaker
sim é desesperante Porque depois o que acontece na maior parte das vezes É que te querem fazer convencer que o teu lugar de paixão É um lugar errado E depois vem com uma força tão grande Faz um ataque autoemuno Muitas vezes temos que ter imenso cuidado Que é o que está a acontecer agora Ou nós nos lembramos rapidamente que temos mesmo Que fechar, impermeabilizar completamente As paredes relacionais para aquilo que é A tentativa de aniquilação Continuas a acreditar que as relações De entrega valem a pena Isto é que nós temos que dizer com muita força Digam isto numa outra linguagem
00:43:20
Speaker
Eu digo noutra linguagem, ou democracia ou finitude e morte.
00:43:28
Speaker
É que nem é finitude, é fim.
00:43:31
Speaker
É fim, não é?
00:43:32
Speaker
Portanto, eu ponho isto, ou democracia ou morte.
00:43:38
Speaker
E portanto, sim.
00:43:40
Speaker
Era mesmo que eu queria ir.
00:43:43
Speaker
Agora, um sítio que eu acho bom nisto tudo, que é o sítio onde tu podes deixar sentir isto sem medo.
00:43:57
Speaker
Como a Lourdes Norberto dizia, olha, eu andava a fazer estas figuras, entre aspas, não se foi bem assim que ela disse, mas foi uma coisa muito semelhante.
00:44:04
Speaker
Eu andava a fazer isto, se calhar não era bonito, mas eu estava perdidamente.
00:44:09
Speaker
Estava perdidamente na sua bivalência.
00:44:14
Speaker
Apaixonada.
00:44:16
Speaker
Muito bem.
00:44:17
Speaker
Era o Neymar de Coroço que dizia que a paixão é um negócio que ele não trabalha porque é descontrolado.
00:44:23
Speaker
O Neymar de Coroço fechou disso muito cedo.
00:44:29
Speaker
Sim, sim, sim.
00:44:32
Speaker
É como um petit morto.
00:44:35
Speaker
Um orgasmo, para ser mesmo um orgasmo, tem que ir a esse lugar, senão...

Riscos e Crescimento nas Relações Paixão

00:44:42
Speaker
Exatamente.
00:44:43
Speaker
É um lugar pelo qual se tem de passar, mas coloca em risco talvez a própria identidade.
00:44:49
Speaker
É um ir para regressar, mas o risco de não voltar.
00:44:52
Speaker
É o preço a pagar pelas relações.
00:44:54
Speaker
Ou voltar melhor.
00:44:55
Speaker
Claro, exato.
00:44:56
Speaker
Isso é o que acontece maior parte das vezes.
00:44:58
Speaker
Agora querem-te fazer convencer que o meu pai não é. Exatamente.
00:45:00
Speaker
E o que estão a fazer atualmente é dizer, não, se tu vais ali, a probabilidade de morreres é enorme, portanto não vais.
00:45:04
Speaker
Não é a hipersegurança.
00:45:05
Speaker
Nós vimos isto acontecer de tantas maneiras.
00:45:06
Speaker
Não, ouvemos isso...
00:45:09
Speaker
nas cadeirinhas dos carros.
00:45:10
Speaker
Isso é uma coisa hipermoralista, mas vemos outra coisa, que é uma assunção de que se vai ali sem se ir lá.
00:45:22
Speaker
Porque isto também acontece muito, que é vocês ouvirem constantemente narrativas deste lugar vazias.
00:45:30
Speaker
que não é este lugar, estão esvaziadas, porque não se vai lá, porque para ir a este lugar é preciso estar disposto a perder.
00:45:40
Speaker
E o que nós vemos, e por isso se saltita de paixão em paixão, é que estas pessoas que querem viver com tanta intensidade isto, saltitam de paixão em paixão porque não conseguem ir ao lugar onde se pode perder, que é esse da entrega total.
00:45:56
Speaker
Não é?
00:45:59
Speaker
Mas também não sabe o que é bom.
00:46:01
Speaker
Está bem.
00:46:02
Speaker
Mas a questão é que eu acho que estas pessoas pensam que vão a este lugar.
00:46:06
Speaker
A Clarissa é que dizia, medo eu tenho, mas eu lanço-me.
00:46:10
Speaker
Exatamente.
00:46:11
Speaker
É isso.
00:46:12
Speaker
E a consciência do medo é importante até mesmo para a maneira como te lanças.
00:46:15
Speaker
Claro.
00:46:16
Speaker
É porque esta entrega descontrolada tem a mesma um sítio onde ancorar, não é?
00:46:23
Speaker
Exatamente.
00:46:27
Speaker
Agora, claro, podes apanhar virosos tremendos.
00:46:29
Speaker
Claro.
00:46:29
Speaker
Mas antes de apanhar virosos, ficarem em casa.
00:46:32
Speaker
Olha, vais fazer as análises.
00:46:37
Speaker
Três em três meses, fazes análises.
00:46:41
Speaker
Eu pensei que era a análise.
00:46:43
Speaker
As duas.
00:46:43
Speaker
Estás a ver?
00:46:46
Speaker
As das duas.
00:46:48
Speaker
Patrícia Câmara.
00:46:50
Speaker
É a Natrícia, está mal isto.
00:46:51
Speaker
Está mal, não.
00:46:52
Speaker
Está muito bom.
00:46:53
Speaker
Está me casgando.
00:46:55
Speaker
Sim.
00:46:57
Speaker
Patrícia Câmara.
00:46:58
Speaker
É a Natrícia.
00:46:59
Speaker
Every time we say goodbye.
00:47:04
Speaker
I die a little Isto é para ti e eu e tu E para a Sofia também Sempre que dizemos adeus umas às outras Eu morro um bocadinho Mas foste tu que escolheste a canção Every time we say goodbye Vamos ouvir E me ouvimos Every time
00:47:26
Speaker
We say goodbye I die a little Every time Patrícia Ana Tu escolheste esta canção Tu sabias que eu escolhereste ou não sabia?
00:47:44
Speaker
Sabia Então Então Mas vais tu dizer porquê Vou tentar, vou tentar Eu adoro esta canção Sim
00:47:55
Speaker
Mas a versão dela é aquela que me faz mais companhia.
00:47:58
Speaker
Ou seja, que parece que percorre contigo, comigo, estes lugares todos.
00:48:06
Speaker
O que é que eu acho que tem?
00:48:06
Speaker
Acho que é de uma intimidade interna profundíssima.
00:48:10
Speaker
É assim que eu sinto.
00:48:11
Speaker
Tem o sítio da perda implícita, claro, se eu não fosse buscar a música da melancolidade, não fazia sentido a mim mesmo.
00:48:17
Speaker
Mas acho que transmite este sítio de perda.
00:48:20
Speaker
Mas a tua capacidade de voltar ao mesmo lugar, ela atira com coisas quando eu digo isto e eu se perdo, é aquilo que me fez de mal.
00:48:29
Speaker
Mas a capacidade de regressar ao mesmo lugar com o mesmo espanto e a mesma capacidade de entrega.
00:48:34
Speaker
que podíamos olhar para isto psicopatologicamente mas eu prefiro sempre olhar do outro lugar que é como se fosse um regressar à fonte que te faz uma e outra vez conseguir encontrar como é que tu dizias logo no princípio Sofia os pormenores, por maiores da beleza da vida tu disseste qualquer coisa no princípio neste sentido sobre as coisas banais exatamente e eu acho que esta música está cheia disso e o que é que eu acho?
00:48:59
Speaker
acho que excepcional esta maneira como está na literatura mas como ela canta
00:49:04
Speaker
a ideia de que não é o amor que acaba é o mundo que muda de tom isto é extraordinário, não é?
00:49:10
Speaker
porque é não desistência é isto que estávamos a falar há bocadinho, para mim isto é a não desistência do lugar de irrigação da humanidade
00:49:19
Speaker
Não é, não desiste, mas não é possível desistir, quando se tem não é possível Sim, mas eu acho que esta música é um hino a esse lugar, não é?
00:49:25
Speaker
Aceita, já sei que eu ia dizer que tu disseste bocado e porque não gostavas a dizer também Aceita a perda implícita, que é este lugar onde eu e outro somos duas coisas Que é simultaneamente o melhor lugar da vida, não é?
00:49:38
Speaker
O melhor de todos Mas aceita isso, não é?
00:49:40
Speaker
Ou seja, também contra o desejo de totalitarismo, não é?
00:49:43
Speaker
Claro
00:49:44
Speaker
que seria, ou nesse caso, seria o antítese da paixão.
00:49:50
Speaker
Pronto.
00:49:52
Speaker
É isso.
00:49:52
Speaker
Muito bom.
00:49:54
Speaker
Pois, pois.
00:49:55
Speaker
Suia, tu gostas desta também.
00:49:57
Speaker
Tu gostas de todas, não é?
00:49:58
Speaker
Sim, quase todas.
00:49:59
Speaker
Ah, queres que eu te diga as músicas que eu mais gosto?
00:50:02
Speaker
Quero.
00:50:03
Speaker
Claro.
00:50:04
Speaker
Quantas horas tens?
00:50:06
Speaker
Pois, são várias horas.
00:50:09
Speaker
If I were a Belle, adoro essa música.
00:50:11
Speaker
Sim.
00:50:12
Speaker
Essa é a linda Gostas desta?
00:50:16
Speaker
Adoro, claro que adoro Rock in Good Way É uma música que me vontade, quando estou com os meus sobrinhos, de dançarmos a ouvir a Rock in Good Way I could write a book, drinking again Eu sou muito doida, mas não acho, então peço desculpa Não peças?
00:50:32
Speaker
Não, mas claro, não tens nada a que te dizer
00:50:38
Speaker
pedir desculpa podes pedir as músicas dela mas acho que a Diana Washington é uma mulher muito corajosa não pela sua vivência mas pelas coisas que cantou
00:50:55
Speaker
Não porque é emocionalmente corajosa, porque também naquele tempo não eram temas fáceis de cantar.
00:51:03
Speaker
E ela tem uns assim mais edgy, que eu depois vos passo.
00:51:07
Speaker
Que ela não deixou os próprios filhos ouvir em vida, sim.
00:51:11
Speaker
E que são lindos, lindos, lindos.
00:51:16
Speaker
eu estava a pensar nisso tudo e certo e estava a pensar mas quem se permita apaixonar a sério neste lugar onde se pode encontrar a perda e onde se pode tocar a loucura de poder perder isso não é de uma coragem imensa não é é a coragem de contar e vai-se até ao fundo e depois e depois olha temos que se se encontra o amor
00:51:47
Speaker
É maravilhoso.
00:51:48
Speaker
Se não se encontra... É uma grande merda.
00:51:52
Speaker
Não temos que nos agarrar ao que está dentro.
00:51:54
Speaker
Podemos dizer merda.
00:51:54
Speaker
Podemos dizer o que tu quiseres, mas... Na realidade, estás sempre a encontrá-lo.
00:52:02
Speaker
Porque as pessoas que se permitem ir a este lugar têm-no dentro, não é?
00:52:06
Speaker
Portanto, tu mesmo que não encontres o amor, tens que voltar ao amor para te refazer dessa impossibilidade que encontraste.
00:52:15
Speaker
E isso é...
00:52:19
Speaker
E isso é o que distingue aqueles que têm que se podem mesmo apaixonar dos que não podem.
00:52:24
Speaker
É essa a diferença.
00:52:27
Speaker
Olha, eu que imaginei que vocês... Eu hoje não fiz... Foi muito difícil, Sofia.
00:52:33
Speaker
Foi muito difícil para mim escolher uma canção.
00:52:35
Speaker
Acho que pelos mesmos motivos que tu, não sendo eu a fanzaça que tu és.
00:52:41
Speaker
Mas cada música, cada melro.
00:52:45
Speaker
E então, eu fiz assim uma coisa quase racional.
00:52:48
Speaker
Não foi racional.
00:52:49
Speaker
Porque normalmente pego no disco e digo... É esta.
00:52:53
Speaker
É a forma como me bate no seu conjunto.
00:52:59
Speaker
Ah pá, eu andei aqui, andei aqui, andei aqui, andei aqui, depois tu disseste uma tua música favorita, depois eu disse à Patrícia uma, mas depois não era bem aquela, depois a Patrícia disse-me dela, e eu depois pensei, então vamos aqui pôr a coisa num sítio um bocadinho.
00:53:15
Speaker
mais feio do ponto de vista do conteúdo mas para mim mais bonito porque eu acho que deste Essential que tu trouxeste é que é mais blues e portanto é mais a minha cena não pela melancolia porque este blues toca-me noutro sítio que não é o da melancolia mas é o melancolia que permite claro, claro, sei Patrícia
00:53:38
Speaker
é o blues que permite é verdade mas é porque tem mesmo a cena é mais blues do que as outras porque aqui muita coisa de jazz jazz e folk e jazz e blues blues e folk e esta é a cena mais blues e então pensei fiz uma escolha mais racional pela letra mas fui ao ritmo fui ao ritmo e eu gosto muito deste ritmo vamos ouvi-la é o Careless Love
00:54:18
Speaker
Oh, love Oh, careless love
00:54:24
Speaker
Karis Love.
00:54:26
Speaker
Então, amigas do coração, o que é que têm a dizer sobre o Karis Love?
00:54:31
Speaker
Então não és tu.
00:54:35
Speaker
É que eras com isso.
00:54:36
Speaker
Não, eu ia-vos dar a palavra.
00:54:38
Speaker
Tocou-te fundo.
00:54:39
Speaker
Eu quero saber porque é que tu queres.
00:54:40
Speaker
É uma música que tocou mesmo.
00:54:42
Speaker
Tocou-me por vários motivos, mas vou pegar no primeiro que tem aqui a ver com o nosso podcast, que era o sítio...

Comparações e Reflexões Musicais

00:54:52
Speaker
onde eu admiro profundamente a Amy Winehouse, que é exatamente o mesmo sítio onde eu admiro profundamente a Dana Washington, que é a Amy deixou-se morrer aqui, a Daina não.
00:55:08
Speaker
A Daina escolheu viver.
00:55:11
Speaker
A Daina escolheu dizer, olha, tu deste cabo de mim, estragaste-me o coração, isto é insuportável, mas pronto, eu tenho que me ir embora daqui.
00:55:21
Speaker
A Amy decidiu mergulhar aqui e ficar lá.
00:55:24
Speaker
Na defesa da Amy, ela tem temas em que também saiu do braço.
00:55:28
Speaker
Pronto, mas...
00:55:32
Speaker
A questão é que os dois lugares são passíveis de ser vividos sem vergonha.
00:55:44
Speaker
Que é o lugar onde a Lúcia Norberto diz que perdi-me completamente, é o lugar onde a Rita Blanco diz que parece que as coisas são muito erradas, mas que é isso mesmo que é o amor.
00:55:55
Speaker
que é o lugar onde podemos, de facto, olha, mergulhar e perdermos e não voltar, e é muito complicado, porque é um lugar de muita dor, sendo que um lugar de muita dor, mas onde é possível o resgate, vive mais a saúde, pronto, vive mais a saúde, e ela faz isto, com esta canção.
00:56:15
Speaker
Agora, vocês perceberam o ritmo disto, é espetacular, porque é uma coisa, é mesmo...
00:56:20
Speaker
E é por isso que eu gosto, porque ela, a dada altura, diz aqui que este amor é entristeceu tanto, tanto, tanto, tanto.
00:56:32
Speaker
Olha, lhe fez tanto mal.
00:56:34
Speaker
Que lhe partiu o coração e que é por causa disso que ela está a cantar esta canção de ódio.
00:56:39
Speaker
É que eu não acho nada que isto seja uma canção de ódio, não é?
00:56:41
Speaker
Porque depois o embalo da canção, tudo na canção... Isto não é uma canção de ódio, é uma canção... É uma canção de zanga.
00:56:49
Speaker
Sim, e para a zanga é preciso uma pitada de ódiozinho um bocadinho Para a gente ir ao sítio onde Vomita tudo de repente Mas é um sítio onde ela De facto acaba por Preservar o outro E é ela própria Que é ir-se embora Que é onde tu mostras ao outro Que há um limite Para a existência do outro E onde mostras a ti própria Que um limite
00:57:19
Speaker
que o limite do amor é o ódio e portanto se estás a receber ódio tens que te ir embora porque não vais deixar que o ódio tenha aquilo o amor porque nem sequer isso é possível de acontecer mas esse é então um lugar onde não é capaz de onde deixes de existir o amor próprio é que tem que sobrepor é isso mas eu agora confesso eu não gosto da palavra amor próprio
00:57:51
Speaker
Eu acho que amor.
00:57:53
Speaker
Se não houvesse amor, tu afundavas-te.
00:57:57
Speaker
Havendo amor, esse amor não te deixa ir para este lugar de morte.
00:58:01
Speaker
Sim, tens razão.
00:58:02
Speaker
É amor não por ti, mas também pelo outro.
00:58:05
Speaker
Exatamente.
00:58:06
Speaker
Para o outro não ter o espaço para fazer isso.
00:58:10
Speaker
Porque nós às vezes falamos muito, as pessoas falam do amor incondicional de uma forma que eu não... Não é bem a forma como eu vejo.
00:58:17
Speaker
Acho que disse aqui, não disse.
00:58:18
Speaker
A gente já falou disto num episódio, Patrícia.
00:58:21
Speaker
mas que é aquela coisa de o amor para ser amor tem que ser condicional ou seja, podemos lhe chamar amor incondicional mas esse incondicional tem regra porque ele é incondicional se tu fores capaz de fazer isto que ela diz nesta que é, eu vou-me embora não por mim mas é por ti também porque tu enquanto ser neste caso vamos pôr isto nos seres humanos não é paixão por um livro não é paixão pela natureza, às vezes também é mas tu tens que te ir embora
00:58:52
Speaker
para que o limite da vivência dos dois seja uma verdade dentro daquilo que é o amor caso contrário não é amor, é outra coisa e por isso é que eu acho que não é o amor próprio é o amor, o amor faz isto porque o ódio deixa de estar num sítio para chegares até ao fim
00:59:19
Speaker
O amor retira-se e até pode ficar a observar.
00:59:22
Speaker
Ele até pode ficar ali, mas fica a observar.
00:59:25
Speaker
Porque o amor não vai matar o ódio.
00:59:28
Speaker
O ódio é que pretende matar o amor.
00:59:31
Speaker
E, portanto, o amor acaba por dizer, olha, fica porque eu vou-te mostrar que outra forma de estar.
00:59:40
Speaker
Isto não é ódio.
00:59:41
Speaker
Quando ela diz que tenho que me ir embora, isto não é ódio, é exatamente amor.
00:59:47
Speaker
Porque se ela ficar, vai haver destruição.
00:59:49
Speaker
Isso é de outra ordem.
00:59:50
Speaker
Se ela sair, hipótese de se resgatar e do outro também fazer alguma coisa com isso.
01:00:01
Speaker
É por isso que eu escolhi, porque vai um bocadinho... Acho que aqui neste album é a canção que ela diz isto...
01:00:13
Speaker
que diz mesmo, tirem-me este homem... Puseram-me um homem mau na vida.
01:00:16
Speaker
Acho que ela diz isto aqui, não diz.
01:00:19
Speaker
Ela diz assim, puseram-me um homem mau na vida...
01:00:21
Speaker
Acho que é a música, a canção em que ela diz misto misto e depois faz este movimento que eu acho que é e depois porque é o mais perto do blues, quer dizer, parece que é o que a Sofia dizia parece que ela é muito visual estamos a vê-la, a balançar nisto e foi por isso que eu escolhi E vocês?
01:00:42
Speaker
O que é que acharam desta canção?
01:00:44
Speaker
Ah sim, porque agora são vocês Agora é a Sofia Eu acho Eu quero saber a vossa opinião Vocês são as especialistas De Ró, não, elas não são A Daino Washington teve uma vida amorosa Muito atribulada
01:01:02
Speaker
ela não escreveu a maior parte das letras que canta mas ela escolhia as músicas e acho que escolhia muito bem e eu sinto cada vez que eu vejo aqueles vídeos antigos dela a cantar que ela de certa forma está a cantar de uma forma catártica e está meio que a reviver as dores dela no palco e numas músicas mais do que outras ela consegue ter ali assim um quesinho de vingança emocional não sei
01:01:31
Speaker
E nesta sentes isso?
01:01:35
Speaker
Nesta eu sinto que ela está resignada a esta realidade.
01:01:41
Speaker
E ela está a nomear tudo nele que faz com que ela não seja culpada por abandonar a situação.
01:01:49
Speaker
Não a sentes sem nada?
01:01:50
Speaker
É que eu sinto ela um bocado zancada.
01:01:57
Speaker
Sim, mas ao mesmo tempo eu sinto que ela aceita que essa é a natureza da outra pessoa.
01:02:02
Speaker
Ah, sim, sim, sem dúvida alguma.
01:02:05
Speaker
Zangada, mas talvez não com a outra pessoa, mas com a situação em si.
01:02:08
Speaker
Com a situação, sim, sim.
01:02:09
Speaker
E por isso ela diz, olha, tenho que sair daqui.
01:02:13
Speaker
Sim.
01:02:13
Speaker
Sim, sim.
01:02:16
Speaker
Patrícia, Câmara.
01:02:17
Speaker
Não consigo acrescentar, não.
01:02:18
Speaker
Acho que você disse.
01:02:22
Speaker
Não, acho que sim.
01:02:23
Speaker
Estava a pensar, acho que é esse sítio de... que a Sofia estava a dizer de uma certa reposição de justiça.
01:02:29
Speaker
Eu acho que a maneira como ela canta aqui, não a letra também, mas a maneira como canta a própria letra, tem um certo... eu sinto assim um certo desdém implícito.
01:02:42
Speaker
Que é essa tal, penso eu, esse tal lugar que tu dizias de...
01:02:46
Speaker
alguma vingança, chamemos-lhe assim.
01:02:48
Speaker
Não é a palavra certa, mas é um afastamento.
01:02:52
Speaker
Sim, sim, sim.
01:02:54
Speaker
Por isso acho que está lá.
01:02:55
Speaker
Careless também é esse tal sítio de suposta indiferença, mas ainda estou a cantar.
01:03:03
Speaker
Honestamente, eu ouvi isto tudo e pensei, esta é que eu cantava bem.
01:03:10
Speaker
Não, não, não consigo, agora não consigo, mas esta era aquela que eu escolhi agora.
01:03:16
Speaker
Não, mas houve uma coisa.
01:03:19
Speaker
Houve uma coisa, mas vai a outro sítio também que é importante, porque agora a forma como significaste o careless foi de uma forma, mas de facto depois também é isto que é as paixões que são...
01:03:36
Speaker
A desilusão das paixões é isto, é o sítio onde depois nós não encontramos o care, o take care.
01:03:42
Speaker
Exato.
01:03:43
Speaker
E não encontramos o take care, portanto ficamos na cena do careless e depois fica num sítio feio.
01:03:49
Speaker
Feio no sentido que dói, não é?
01:03:51
Speaker
Porque ou estás a cuidar do outro ou não estás e isso...
01:03:56
Speaker
A paixão é exatamente o lugar anterior a esse.
01:04:02
Speaker
A seguir ao desnorteamento, temos que chegar a um sítio onde se toma conta do outro.
01:04:10
Speaker
E se esse sítio de alguma das partes não é possível, então tem que haver alguém que diga, olha, eu vou-me embora, que é para nem tu, nem eu nos destruirmos.
01:04:22
Speaker
A cara é essa, Patrícia.
01:04:23
Speaker
A cara é porque isso pode ser... Eu estou de acordo, mas pode ser subvertido.
01:04:28
Speaker
Eu quero fazer uma... Oh, Patrícia, tudo pode ser subvertido.
01:04:31
Speaker
Mas tenho que dizer aqui, porque... Estás a ver?
01:04:35
Speaker
Porque amor e ódio a escutar... Está bem, mas estamos a pôr... Pois é isso, tens toda a razão.
01:04:41
Speaker
Está o amor e o ódio a escutar, mas por isso referências.
01:04:45
Speaker
Quem não as tem, põe como quer.
01:04:47
Speaker
Mas se a referência for...
01:04:50
Speaker
Isto que estamos aqui a ver, alguém deixou de cuidar.
01:04:53
Speaker
Então se um deixou de cuidar, o outro tem que ir embora.
01:04:59
Speaker
Pode não ir.
01:05:00
Speaker
E por isso é que é tão bonito ser a Amy Winehouse, ser a vivência da Amy ou ser a vivência da... Mas atenção, estamos a falar aqui na ordem, a Amy também não foi ódio.
01:05:14
Speaker
A Amy deixou-se foi ficar no ódio.
01:05:16
Speaker
Mas estamos as duas a falar no mesmo lugar Exatamente, mas um lugar que é mesmo de ódio, de ódio que é o que subverte, não é?
01:05:22
Speaker
Que é esse que tu queres ser Eu quero ser, estava a sublinhar esse, porque por causa desta coisa que nós sabemos, da mimetização dos lugares, não é?
01:05:31
Speaker
Como estamos a falar daquilo do vazio há bocadinho e é isto que eu acho que nos tem estado a acontecer tanto, não é?
01:05:36
Speaker
Porque a narrativa fica lá, está aposta é utilizada mas é exatamente no oposto daquilo que era a origem Sim, na cidade
01:05:46
Speaker
sem densidade e como força aniquiladora pois é isto, é para abrir os olhos sim, sim mas Carol é sim, sim mas é por isso que o episódio 0, 1, 2 e 3
01:06:05
Speaker
Tu dizes, olha, eu acredito.
01:06:06
Speaker
sabes que eu tenho sempre dúvidas.
01:06:09
Speaker
Não, mas quando se começa no 2, é essa referência que eu estava a falar.
01:06:13
Speaker
Tu tens o episódio 0, 1, 2 e 3.
01:06:16
Speaker
E isso faz uma narrativa.
01:06:19
Speaker
Se tu começas no episódio 2, estás a aniquilar o 0 e 1.
01:06:24
Speaker
Mas se a tua referência for a partir do início, então tu tens que dizer a essas pessoas, aqui o 0 e aqui o 1.
01:06:32
Speaker
Não vais começar isto a partir do 2.
01:06:34
Speaker
Pronto, agora puseste no sítio.
01:06:35
Speaker
Muito bem, nasce senhora.
01:06:36
Speaker
Pois.
01:06:37
Speaker
Muito bem.
01:06:38
Speaker
Não, mas eu estava a falar a partir desse lugar.
01:06:43
Speaker
Eu percebo que tu queiras ir ao sítio onde as pessoas se esquecem deste lugar.
01:06:49
Speaker
Mas eu estava a falar a partir desse lugar, que é o lugar da referência.
01:06:53
Speaker
Eu com esta referência...
01:06:56
Speaker
A narrativa é esta.
01:06:58
Speaker
Não é?
01:07:00
Speaker
No vazio total, eu agora vou para ali porque o céu me o vento se porou e eu vou perverter isto porque me jeito.
01:07:05
Speaker
Não, isso é outra conversa.
01:07:07
Speaker
Exato.
01:07:08
Speaker
Isso é o abandono.
01:07:10
Speaker
Mas é esse abandono que depois dá o fascismo.
01:07:13
Speaker
Eu sei.
01:07:15
Speaker
E pronto.

Agradecimentos Finais de Sofia

01:07:16
Speaker
E sátiras incompreendidas.
01:07:18
Speaker
E sátiras incompreendidas.
01:07:20
Speaker
Vou parar.
01:07:25
Speaker
Sofia, gostaste de estar aqui?
01:07:27
Speaker
Eu gostei muito Também não podias dizer o contrário Pode, pode Eu estava a dizer bocado Não é um lugar confortável para mim fazerem perguntas Eu gosto mais de ser eu fazer as perguntas Mas senti-me acolhida Gostei muito das batatas fritas e do vinho E das nossas partilhas
01:07:51
Speaker
e gostei muito das vossas escolhas e senti que vocês gostaram do álbum e isso fez-me sentir bem não foi uma tortura, pronto um prazer e conheciam o álbum antes?
01:08:06
Speaker
o Essential não sei se conhecia quer dizer a Diana Washington sim mas agora nós pomos as coisas a tocar no Spotify e às vezes perdes a referência vamos atrás do algoritmo
01:08:19
Speaker
Começamos no 2.
01:08:20
Speaker
Sim, e às vezes começamos no 2.
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Speaker
E depois quem consegue vai ao 1, não é?
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Speaker
Que é isto, depois vai-se buscar o resto.
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Speaker
Olha, eu para fazer tive que ir mesmo para a pesquisa, mas muito bom.
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Speaker
A Dana Washington...
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Speaker
Então, assim, se um dia destes se cruzarem comigo na rua, provavelmente vou estar a ouvir, não vou a chutar na minha cabeça, porque eu tenho sempre música a tocar na minha cabeça e é muito provável que seja uma destas músicas que ouvimos aqui hoje.
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Speaker
Uma excelente companhia.
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Speaker
Exatamente.
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Speaker
Então...
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Speaker
Vamos terminar?
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Speaker
Sim, querida.
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Speaker
Também gostei muito de estar aqui convosco.
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Speaker
Vou agradecer-vos por estarem aqui comigo.
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Speaker
Vou agradecer à Climepsi por este material.
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Speaker
Vou agradecer à Carolina por tomar conta deste material.
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Speaker
E do nosso.
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Speaker
E de nós, um bocadinho, agradecer à Joana Bernardo que voz ao nosso jingle que é cantado e tocado pelos Dirty Mac e a Yoko Ono.
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Speaker
Eu sou Ana Teresa Sanganha.
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Speaker
Este episódio vai para o ar 1 de Fevereiro, que é o dia em que o podcast faz anos.
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Speaker
Já vamos fazer três, não é?
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Speaker
Três ou quatro anos.
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Speaker
Quantos anos faz o podcast?
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Speaker
Três anos.
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Speaker
E não é o podcast.
01:09:39
Speaker
E... vos espero para o mês que vem.
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Speaker
Até lá.
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Speaker
Três divãs.
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Speaker
A psicanálise, o mundo e o rock'n'roll.