Transcript
Speaker: Olá, eu sou a Andrea Candide Saraiva e ir com as amigas à casa de banho é algo que faço mais do que o que eu pensava. E eu sou a Andrea Balacó e agora já não vou com as amigas à casa de banho, mas antes ia muito e comecei a perceber porquê. Bem -vindos ao Ela por Ela, onde a conversa é sempre entre amigas.
Speaker: Esta semana, depois de dois temelhões, vamos trazer um temazinho, mas que foi engraçado fazer e que foi uma uma sugestão de umas amigas fazer alguma coisa mais leve. Começamos a pensar coisas, ideias que são associadas às mulheres e chegamos a este super cliché que é porque é que as mulheres vão sempre à casa de bem com as amigas.
Speaker: E começamos a pensar realmente porque é que as mulheres vão à casa bem com as amigas. E a resposta, ou as respostas, foram muito surpreendentes e dizem muito sobre a experiência da mulher na sociedade em que nos inserimos. Vai ser um episódio que queremos que seja leve e cheio de factos daqueles que vocês podem usar nas conversas para quebrar o gelo. E alguns que, se calhar, vos vão dar que pensar.
Speaker: A mim deram, porque eu por acaso achava que não fazia grande parte destas coisas e afinal, olha, acho que é a conclusão que sim. A tua experiência é que não ias muito, tu comentavas comigo, não é que achavas que não ias muito à casa bem com as amigas?
Speaker: É claro sim, eu acho que em miúda talvez escalar um pouco mais, mas mesmo assim como era um bocadinho mais... isolava -me um bocadinho mais tipo das outras miúdas e ainda mais que um rapaz, era mais meia rapaz e não sei quê, acabava por não acontecer tanto. Mas até mesmo em miúda acho que aconteceram algumas destas coisas, mas agora em adulta também há algumas coisas que vão acontecendo. Mas pronto, acho que isso é bom, acho que é saudável, não sei. Vamos ver o resto da conversa. Se eu tenho que estar aqui alguma coisa no meu comportamento.
Speaker: No meu caso era mais na adolescência e eu acho que esta coisa de irmos à casa de bem com as amigas é um bocadinho mais na adolescência. Quando era miúda não tenho essa noção, tipo quando era mesmo pequenina não tenho noção de ir com as minhas amigas, mas na adolescência tenho muito de esperar que alguma amiga fosse à casa de bem ao fazer sinal para ir à casa de bem e íamos todas juntas. Então sem mais demoras, vamos?
Speaker: desvendar porque é que as mulheres vão à caça de banho com as amigas.
Speaker: Então, motivo número um e que parece pouco nobre, mas pronto, é indiscutível, é cuscar. As mulheres vão à casa de banho juntas para cuscar sobre o que se passa. Vamos falar do que está a acontecer fora da casa de banho. Nem sempre é bonito, mas é humano. O facto interessante que encontramos sobre isto e que foi um facto que já me surpreendeu há algum tempo quando eu li aquele livro Sapiens História breve da humanidade.
Speaker: do Yuval Harari, é que é que o esquí tem um valor social importantíssimo.
Speaker: Pasmes, a cusquice está na base da sobrevivência da nossa espécie e da evolução da linguagem. Ele tem uma frase que eu vou passar a ler, uma citação. A cooperação social é a nossa chave para a sobrevivência e a reprodução. Não é suficiente que os homens e mulheres individuais saibam o paradeiro dos leões e dos bisontes. É muito mais importante para eles saberem quem no seu bando odeia quem, quem anda a dormir com quem, quem é honesto e quem é batuteiro.
Speaker: Foi esta a informação sobre os indivízios em que se podia confiar ou não, estes mexeriques ou estas cosquizes que permitiam aos primeiros seres humanos não só sobreviverem como expandirem -se, além de expandirem as suas tribos.
Speaker: Eu acho que é por isso que estas horas de escovelhar devem ter ajudado -se aqui na questão não só hierárquica, mas também no forjar as amizades que eles fazem. É superinteressante, também quando li o livro também senti isso.
Speaker: Se calhar é tão básico, mas nós nunca associámos isso à evolução do ser humano, mas a verdade é que está interligada com, e pronto, eu acho que também as amizades das mulheres são um bocadinho mais saudáveis porque existe esta cosquice, desde que não seja, mas é a tóxica negativa, né? Mas, pronto, mas aquela cosquice simples e...
Speaker: conectar aqui conceitos e coisas, acho que é sempre importante. E acho que estão sempre aqueles momentos eureca que são interessantes. Pelo menos eu vejo isso. Eu tive também a ler que, historicamente, as mulheres, esta cusca, isso foi a forma como as mulheres passavam entre si os saberes e as receitas. Inclusive, era numa altura em que as mulheres foram apelidadas de bruxas, precisamente porque falavam entre si e passavam estes conhecimentos milenários.
Speaker: E portanto vamos para casa de encuscar e não só faz parte do ser humano como foi fundamental para a sua sobrevivência. Portanto Malta, agradeço -lhes. O segundo ponto...
Speaker: também assim que é o mais óbvio, é vamos retocar. Vamos retocar a maquilhagem, vamos pentear o cabelo, vamos partilhar a maquilhagem umas com as outras. E aqui achei interessante, encontramos que a maquilhagem já existe há mais de 5 mil anos, que é utilizada como sabem para disfarçar imperfeições, criar ilusões, celebrar a extravagância e a busca da individualidade. Mas no Antigo Egito há cerca de 5 mil anos,
Speaker: data a qual remontou os primeiros registros de utilização de maquilhagem, homens e mulheres utilizavam o contorno dos olhos com cou, que era esta mistura de metal, chumbo, cobre, cinzas e outras coisas, para se protegerem dos insetos, do sol, do deserto, do mau -alhado e dos espíritos malignos. Mas era também uma forma de afirmarem a sua posição de autoridade e soberania. Que o diga a Cleopatra.
Speaker: Que eu diga aquiliópada. E durante muito tempo, até a revolução industrial, os homens usaram -se sempre maquilhagem e era sempre uma forma de se distinguirem enquanto classe social. Depois, para nós, evoluiu de outra forma, portanto, se calhar de uma forma às vezes não tão positiva, porque apesar de ser uma forma de expressão, a maquilhagem e esta obsessão com a imagem meio que nos foi imposta ao longo dos anos,
Speaker: E, portanto, é uma coisa que nos preocupa e que também vamos fazer para a casa do bem. Vamos retocar. Freshen up, como dizem nos ingleses. Por acaso é uma das questões que eu tenho com este ponto, que surgiu muito mais, tipo, na minha vida adulta, porque eu também não, quando era mía, não usava muito maquilhagem.
Speaker: Agora é um dos pontos que acontece, por exemplo, às vezes quando são aqui os almoços de Natal da empresa, normalmente tenho sempre as minhas amigas aqui do escritório a chamar -me para ir à casa de banho e para... vou -te ajudar aqui com as branzelhas e com os...
Speaker: Com as pestanas, como é que se diz? O rimel. Isso, exatamente. E pronto. É uma coisa que existe agora mais na minha vida adulta, mas que na infância não era tanto. Não ia tanto tocar nada, tipo, especificamente. Mas tinha amigas minhas que iam e o que eu fazia era de ficar de segurança à porta, que era para ninguém entrar, basicamente.
Speaker: É engraçado porque a maquilhagem também acaba por ser um ponto de sororidade. Esta troca de conhecimentos das próprias maquilhagens acaba por ser uma fonte de sororidade. Esta informação que eu vos estava a dar está num artigo publicado na Revista Prima, número 19, e foi escrito pela jornalista Mariana Almeida Nogueira. Também vamos pôr na descrição. Tem factos super interessantes sobre a história da maquilhagem.
Speaker: Depois entramos na terceira razão, e esta já não é tão fã, é a segurança. Quem nunca esteve num sítio manhoso e teve medo de ir até a casa de banho sozinha, que atira a primeira pedra. Nós vamos acompanhadas para evitar abordagens que depois podem descambar em violência, para evitar que nos persigam, porque temos sempre... para termos sempre alguém que olhe por nós.
Speaker: caso alguma coisa aconteça. E, em este propósito, a Secretária de Estado de Bélgica da Igualdade de Género, Marie -Coline Leroy, dizia, uma verdadeira igualdade só existirá quando as mulheres puderem viver sem receita de serem assediadas, violentamente atacadas ou fisicamente lesadas. E eu não podia concordar mais. E ainda a casa de bem acompanhada é
Speaker: Um dos momentos em que se nota que as mulheres têm receio de se deslocarem sozinhas e de chamarem a atenção caso estejam sozinhas. E portanto, vamos todas juntas para nos protegermos umas às outras ou porque uma sozinha parece mais fragilizada do que quando somos algumas.
Speaker: E, efetivamente, não é por uma boa razão, mas a verdade é que existe sempre esse ponto. Principalmente porque em várias situações, sejam eventos, sejam locais onde a gente vai sair à noite ou quando estamos com amigos em alguns sítios,
Speaker: Há muitas ondas, especialmente aqui na Zona de Lisboa, há muitas ondas em que se sabe que não se pode andar sozinho à noite e portanto temos que ter esse cuidado. Normalmente existe até acho que já uma coisa quase automática nas mulheres de...
Speaker: de se fazerem acompanharem ou de outras pessoas as acompanharem ao carro para ter a certeza que voltaram bem e aquela coisa de mandar uma mensagem e, olha, avisa -me que esgaste bem a casa, essas coisas todas, porque já temos essa questão intrínseca em nós, de proteção e etc. E eu lembro -me que quando era mais nova e quando saía para alguns sítios, dedos saía acompanhada com os irmãos mais velhos ou com pessoas mais velhas,
Speaker: E sei sempre que nunca ninguém me deixava vir sozinha, mesmo que eu às vezes até quisesse e etc. Nem de transportes ou o que fosse. Não faziam a questão de me entregar em casa ou de ter a certeza que eu que chegava bem a casa.
Speaker: O quarto motivo. Problemas femininos. O que é que nós vamos fazer para a casa do bem? Exato. Isto mais na adolescência. Vamos trocar secretamente pensos e tampões. Porquê? Porque de alguma forma todas nós aprendemos que
Speaker: Tínhamos de falar baixinho e esconder estes itens vergonhosos. Vergonhosos aqui entre estou a fazer aircoats. Porque nós não, ninguém me pergunta. Alguém tem um pênis? Alguém tem um... Isso é por uma fase já avançada da vida. Isso é quando já estamos muito seguras de nós e já somos adultas. Na adolescência já há mais, agora espero que os adolescentes já estejam diferentes, mas na minha adolescência já há mais perguntávamos -se em voz alta. Era uma coisa sussurrada.
Speaker: Nenhuma pessoa nem sequer dizia diretamente que ia à casa de banho para fazer a troca do penso ou do tampão ou o que fosse, não é? Tipo, sim, mais nem adulta, agora não tenho esses stressos de dizer vou ali, mas naquele momento ninguém dizia nada dessas coisas. Era tipo, ou é um segredo ou então inventávamos uma desculpa para ir à casa de banho.
Speaker: Toda uma cena de mímica para irmos à casa de bem. E toda uma logística de onde é que eu levo os pensos, onde é que eu levo os tampões, como é que eu escondo, em que sítio é que aquilo vai. Hoje em dia eu tenho inclusive tipo uma bolsinha que diz period.
Speaker: e eu vou gastar um pouco agora. E, tipo, até mesmo no trabalho, tipo, para casa de banho, etc. Não escondo tipo aquilo, mas quando era menina lembro -me que às vezes dizia, tipo, até comentava que a minha avó, pronto, que era uma pessoa mais velha, que não entendia o que é que eram tampões e ainda para mais, achava bem da estranho. Mas, acima de tudo, tipo, como é que eu faço? Como é que eu faço um modo stealth, quase de espião? De ir à casa de banho e voltar e ninguém notar o que é que eu estou a fazer.
Speaker: 100%. E isto tem a ver diretamente com o facto de a menstruação ser vista como uma coisa que é suja e vergonhosa. É algo que nos devemos envergonhar. Isto começa a mudar, mas ainda está muito enraizado na minha geração, ultra enraizado. Não era, como a Andréia dizia, não era uma coisa que nós falávamos assim.
Speaker: abertamente e portanto também vamos para a casa de banho às vezes para trocar estes itens importantes para os problemas entre aspas femininos.
Speaker: Mas também já agora queria te fazer uma pergunta, que é também a outra coisa associada, que é quando tu, por exemplo, tens um stress associado com a menstruação e ficas com a roupa suja e etc. Há todo também um se lê uma à volta disso, tipo os típicos casaques à volta das calças ou à volta da roupa etc. Porque é vergonhoso
Speaker: É, das coisas mais mortificantes, eu acho, e quando eu era adolescente eu tinha medo que me pulava disso, tanto que estamos sempre a pedir às amigas, olha, tipo, podes ver se... Está tudo ok? Podes ver se... Está tudo ok? Exato. E isso tem a ver com o facto de, pronto, lá está, era uma coisa super natural, não é? E até surgiu dessa conversa com atletas,
Speaker: que estão a competir e de alguma forma ficam com o equipamento manchado para naturalizar a coisa, mas a verdade é que é uma coisa muito mortificante e na adolescência, então, se tínhamos o azar de isso acontecer, assim, tínhamos sempre um casaquinho para pôr à cintura ou alguém que nos emprestasse um casaco, porque era mesmo o pior que podia acontecer.
Speaker: Eu sinto sempre que é aquele momento em que uma pessoa pensa, se isto me acontece, e mesmo na vida adulta, que pode acontecer ainda para mais pessoas que possam ter certas condições que fazem com que o fluxo seja muito maior e etc. É aquele pensamento, eu estou constantemente tipo, posso pedir à pessoa para verificar mas a minha mente está sempre a pensar, está suja?
Speaker: Exato. E eu vou estar a fazer figura de porve, tipo, eu sei que vou -me embora, tipo, às vezes... Eu? Para marcar coisas, ou desmarcar coisas, para não... Para que não aconteça, tipo, no meio de um grupo de pessoas, etc. É todo um sentimento constrangedor.
Speaker: que, claro, novamente, eu também entendo que não é uma coisa tipo de nos máximo, mas também não é uma coisa fácil de lidar, portanto tem que haver um certo intramédio, mas espero mesmo, não sei bem como é que está agora, mas espero mesmo que hoje em dia seja mais fácil para os adolescentes e para as miúdas lidar com isto.
Speaker: Sim, não é um segredo, não é um nos, mas ainda assim é uma prova de que mesmo em adulta tu continuas a ter isso muito enraizado, essa ideia de que não é fixe, é uma coisa natural, deveria ser levado de forma natural e no entanto não é.
Speaker: é tudo um tabu e depois aí também podemos ir à questão de toda a forma como os pênis e os tampões e os copos menstruais são, é feito o marketing desses produtos, é toda uma higienização do tema
Speaker: que às vezes está muito longe da realidade e que nos reforça a ideia de que se eu não quero andar a cavalo e eu não estou maravilhosa e eu não consigo vestir umas calças brancas, então qualquer coisa há de errado comigo.
Speaker: Mas é, mas a verdade é que está em volta disso e também acho que vem tipo da questão depois se os teus pais ou as pessoas que neste caso eu como cresci com os meus avós, por exemplo a minha avó nunca me contou nada.
Speaker: eu ainda por cima, a mestruar, tipo aos 11 anos de idade, foi basicamente eu sair da casa de banho a correr e disse -lhe, ó vovó, eu tenho uma ferida, tipo, e a questão é, tipo, a minha avó diz -me, não, não é, tipo, vamos falar. Não era necessário chegares a este ponto, não é, tipo, de não entenderes o que era, o que é que era. Eu acho que existe essa necessidade também de consciencializar as medidas desde cedo.
Speaker: para o que é, o que é que vai acontecer, quando é que potencialmente pode vir, como é que se pode gerir essa questão. Portanto, acho que é um tema super importante e que nós dizemos aqui problemas femininos, mas é mesmo com aspas, porque a verdade é que acho que é de todos nós. É um problema de todos nós que isto se torna cada vez mais normal e mais aceitável.
Speaker: A esse propósito a Patrícia Lames do Círculo Perfeito tem o livro Periu de um guia para descomplicar, vamos pôr o link na descrição também e que é ótimo precisamente para normalizar o tema e dar mais informação às miúdas que estão agora a começar a entrar nesse tema. Vou assustar.
Speaker: Tema número 5, ou razão número 5, selfies ao espelho. Sim, aparentemente as selfies no espelho também é motivo forte para ir à casa de banho. Isto não era tanto na minha altura, eu sinto pelo menos não tenho essa ideia, nós nem sequer tínhamos telemóveis com fotografia, são mais como aqui na fotográfica.
Speaker: são mais para diante e, portanto, há aqui claramente uma diferença entre gerações, o que não quer dizer que a nossa geração não faça, mas a geração mais nova eu acho que está muito... é um hábito muito presente e foi uma coisa que também me chamou a atenção para esta tendência que há cada vez maior da autoestima depender
Speaker: muito desta autogratificação instantânea que um like nas fotos dá. Portanto, acorde com alguns estudos, social media é a causa principal de uma diminuição significativa na autostima, sendo que o grupo mais afetado são raparigas entre os 10 e os 14. Fiz aqui um leap, não é? Um salto entre um tema e outro, mas eu acho que esta coisa das selfies ao espelho e das selfies tem
Speaker: é muito sintomática desta necessidade de... não é de aceitação, é de validação, exatamente, por parte dos nossos pares que eu acho que é cada vez maior nesta época, nesta era de redes sociais. O que é que tu achas?
Speaker: É assim, isto também foi uma coisa que não me assistiu muito tipo a mim, não só pelo tipo de dispositivo que tinha na altura, como mesmo hoje em dia não é bem o sítio onde eu tiro selfies, tiro as selfies tipo tiro normalmente com os meus amigos, tipo, na alguma situação, ou então o máximo dos máximos, o sítio mais desperatado que eu acho que tiro selfies é no elevador e é porque, pronto,
Speaker: mas existe mesmo acho que uma interligação das pessoas publicarem essas selfies e serem validadas enquanto a imagem que têm, aquilo que publicam, as quotes que fazem, a forma como se expõem.
Speaker: E eu acho que isso é muito importante e principalmente choca -me aqui um bocadinho aqui os dados porque entre os 10 e os 14 é uma idade muito frágil para as raparigas e é muito importante aqui esta questão porque se nestas idades baixa muito a autoestima delas relacionado com redes sociais e com aquilo que as pessoas vão fazendo e viver tipo pelo like não é muito bom.
Speaker: Porque é precisamente quando estás a construir, se calhar, a tua autoestima e quando estás a aprender quem és, não é? Estás naquela viagem que nós já falámos, adolescência muito nos virámos para nós próprias, descobrimos quem somos. E a verdade é que tanto raparigas como rapazes, a verdade é que, por exemplo, é um fenómeno interessante, eu acho. Na nossa altura, eu acho que os rapazes não tiravam tantas
Speaker: As raparigas tiveram sempre uma coisa com as fotografias e os vídeos e não sei o que, mas os rapazes não tanto e hoje em dia tanto rapazes como raparigas postam muitas selfies, estão muito nas redes sociais e fazem muito depender a sua autoestima desta validação pelo like e por isso é que eu também quis trazer este tema para a questão das selfies ao espelho porque acho que é mesmo muito sintomático desta geração.
Speaker: que temos agora e das gerações futuras é um desafio grande. Eu digo muitas vezes, eu estou muito feliz por não ter sido adolescente na altura das redes sociais, porque para já não gostava que nada perdurasse até aos dias 2, portanto gostei de fazer os meus desparados.
Speaker: e que eles fossem aquilo que eram, disparados, que ficam naquela altura e depois porque tenho a certeza de volta que a minha autoestima seria muito fraca se eu tivesse que passar por toda esta validação exterior e por ser bombardeada com todas estas pessoas perfeitas, com vidas perfeitas.
Speaker: Eu acho que, pronto, redes sociais na generalidade não são fantásticas e espero que as pessoas comecem a conseguir lidar melhor com isto, porque senão a autoestima vai sofrer sempre bastante.
Speaker: Eu depois, eu não me recordo, mas há um documentário no Netflix muito bom sobre redes sociais, sobre o porquê de usarmos ou não redes sociais e eu vou pôr na descrição porque super recomendo. Explica -nos muito bem como é que o algoritmo funciona e quais é que são os efeitos perversos das redes.
Speaker: Eu também já avise, mas também não me lembro, por isso também. Não me lembro, mas vamos pôr na descrição. Motivo número 6 e um dos principais motivos pelos quais nós vamos à casa de bem com as amigas. Filas.
Speaker: Filas nós levamos com panhinha para ficar na fila não sei quanto tempo, não é? Porque toda a gente já viu a casa de banho dos homens vazia e a casa de banho das mulheres tem uma fila que dá à volta ao quarteirão. E a propósito isto, eu vou ler um bocadinho do livro Invisible Woman da Carolina Criado Pérez.
Speaker: O planeamento das instalações sanitárias para homens e mulheres é feito numa base de igualdade de espaço. Parece justo. Mas cabem mais urinóis do que sanitas no mesmo espaço. Além disso, é mais rápido para os homens usarem um urinol do que as mulheres usarem uma sanita.
Speaker: Além disso, há mais procura de casas de banho para mulheres, porque estas demoram mais tempo devido à biologia. Em qualquer altura, 25 % das mulheres estão com o período, o que exige mais tempo na casa de banho. As mulheres mais grávidas também demoram mais tempo. E as mulheres com os filhos, que geralmente são as mulheres que levam os filhos da casa de banho, também demoram mais tempo. Lá está, as mulheres tendem a ser as principais responsáveis pela prestação de cuidados e, portanto, é frequente levar os filhos consigo para uma casa de banho pública.
Speaker: Depois destes motivos todos conseguimos perceber que não é muito justo que as casas de bem dos homens e das mulheres tenham exatamente o mesmo tamanho. E já se percebe porque é que nós duramos tanto tempo, que é uma coisa que eu ouço muitas vezes, as mulheres demoram muito tempo na casa de bem,
Speaker: E porque é que temos filas gigantes? E, portanto, por isso levamos companhia ou, às vezes, ficamos no telemóvel, que também é uma tendência do agora. Mas, antigamente, levávamos companhia porque estamos imenso tempo na fila e, ao menos, pomos a conversa em dia. Se querem que nós estejamos mais rápidas na casa de banho, lutem por uma casa de banho maior, com mais condições para as mulheres, porque vocês homens, claramente, não precisam.
Speaker: Isto claramente é aqueles momentos em que a gente pensa de que é igualdade de género, de vez em quando, o que traz são sempre desigualdades. E as pessoas às vezes não entendem, mas a verdade é esta. Aqui é um momento em que não tem que haver igualdade de espaços, tem que haver uma diferenciação porque a necessidade é maior.
Speaker: E, basicamente, sim, é uma cena tipo, por exemplo, nos hipermercados e supermercados, centros comerciais, tenho sempre um stress para ir à casa de banho, porque eu sei sempre que vai estar fila e fila e fila.
Speaker: Às vezes há mais na casa de banho do que especificamente na zona de comer ou numa loja ou o que quer que seja, que é um bocado triste. É óbvio que não estamos aqui a querer dizer tipo que os homens não têm direito de ir à casa de banho, mas normalmente a verdade é essa, é que normalmente elas estão vazias. E até mesmo no caso das crianças, mesmo que não as levemos à casa de banho das mulheres e os acompanhemos lá, se existirem para criança, normalmente é uma
Speaker: Uma casa de banho para tratar da criança, que normalmente também é a dos deficientes. Normalmente eles fazem dois em um, que eu acho sempre espetacular, porque se tiver uma pessoa de cadeira de rosas não pode também ter acesso à casa de banho porque alguém é a tratar de outras coisas. Isto quando, na realidade, quando a fila também é grande, há muitas mulheres que não se importam de ir à dos deficientes, na realidade.
Speaker: que a falta é tanta e a necessidade é tanta, que acaba por ser assim. Mas percebo, e é uma estatística bastante importante entender aqui o porquê que nós levamos tanto tempo nas filas, porque às vezes acham que somos só nós que nos perdemos no espelho.
Speaker: ou com a maquiagem. E lembra -me agora de outra coisa. Fora o tempo que nós perdemos, com as mãos no ar, cada vez que a luz apaga e nós temos que pôr as mãos no ar para a luz se acender porque os detetores de luz também não foram feitos para as mulheres, né? Foram feitos para os homens que estão em pé e não para as mulheres que estão mais sentadas ou agachadas. E portanto também perdemos um tempo aí a fazer aquela sinalização do aeroporto
Speaker: Infelizmente faço o maior almoço a dizer assim, agora está aqui. Exatamente. Não, mas a cena é... Eu sinto, ainda para mais eu sou uma pessoa baixinha, eu sinto sempre que nunca tenho capacidade... Às vezes mesmo batendo palmas e virando todas as sinaléticas, nada acontece. Sentes -te invisível, não é? Sentes -te invisível, que é como diz o nome do livro. Exato.
Speaker: Depois, motivo nº 7. O FOMO ou Fear of Missing Out. Vocês acham que começou nas redes sociais? Mas não começou.
Speaker: O fomo original é quando o nosso grupo de amigas vai a algum lado coxixar e nós ficamos de fora. Não, senhora. Nós, se estivermos em grupo, queremos ser incluídas, queremos saber qual é que é que esquece, qual é que é o motivo pelo qual nós estamos aqui todas a coxixar. Ninguém quer ser o Belito. Para quem viu a Omnicharmada e percebe a referência, ninguém quer ser o Belito. Portanto, se está alguma coisa a acontecer interessante na casa do bem, nós vamos querer também a casa do bem.
Speaker: Não é bonito, não é um motivo que nos orgulha, mas é, pronto, é a realidade. Não queremos ser deixadas de fora, isso também é valido, não é? Mão Vinhone, conversas profundas. Lá está nesta lógica do queremos saber o que é que está a acontecer. Há uma coisa que acontece na casa bem das mulheres, eu acho que toda a gente já passou por isso, que é uma conversa profunda. Nem tudo está estragado para nós, na verdade, e felizmente ao contrário dos homens.
Speaker: que muitas vezes são vítimas desta masculinidade tóxica que é vigente na sociedade e que nem sempre se sentem bem a desabafar. As mulheres fazem isso com as amigas e às vezes o sítio que está disponível é a casa de banho. Eu tenho esta experiência, mas eu acho que quem nunca saiu a uma rotada de chorar da casa de banho que atira a primeira pedra e nesses dias as minhas amigas estavam lá comigo.
Speaker: Já tive algumas conversas profundas na Casa de Bem com amigas e com pessoas que não são amigas. Outras pessoas que conheci ali ou que me deram uma palavra simpática ou que eu dei uma palavra simpática. É um bocadinho da soruridade feminina a acontecer na Casa de Bem.
Speaker: Sim, eu esta para casa cheguei a pensar um bocadinho nela, mas sim, também já tive algumas conversas profundas na casa de bem e estas também me aconteceram na adolescência, porque isto como eu praticava muitos desportos, basicamente quando estávamos assim em grupo,
Speaker: e saíamos de uma aula ou uma coisa qualquer, havia sempre conversas muito profundas, tipo após a prática desportiva, etc. E era um sítio onde nós nos sentíamos confortáveis, porque estávamos a fazer a nossa rotina final e a preparar coisas, etc. e íamos falando. Na vida adulta também já me aconteceu, também com pessoas estranhas também já me aconteceu, tipo disparatar na casa de bem.
Speaker: Acho que é o sítio onde me acontece mais. Tipo, às vezes quando tenho um dia mau no trabalho, que é correr tipo para a casa de banho passar uma água fria, tipo, na cara. E portanto, também já me aconteceu. E depois, como tenho muitas reuniões em que se passam em hotéis, também já tive muitas conversas profundas. Acho que a casa de banho é um sítio onde nós baixamos um bocadinho as barreiras, não é? Tipo, respiramos fundo, não está lá ninguém para ver, passamos uma água ou...
Speaker: Ou choramos um bocadinho, ou qualquer coisa, ninguém está a ver. Eu acho até, por exemplo, que a casa do Marrinhão é um sítio para os introvertidos, às vezes, irem fazer um bocado uma pausa do que se está a passar lá fora, quando está numa festa, por exemplo. Mais uma pé pálgica, ti próprio, também, daquelas coisas, às vezes, de olhar para o espelho, tipo, houve uma vez, tipo, lembro -me, saí do Marrinhão, e entrei, tipo, na casa de banho, e tipo, olhei -me, acho que puse um bocado de água, não sei o que, olhei o espelho e disse assim, bora, Andréia.
Speaker: Isto não é nada de complicado, é só não sei quê. Tipo, eu estava a falar comigo própria porque às vezes é necessário. E depois entrou uma colega e ela disse -me assim, assim é que se fala, bora. E não sabia. E então são aquelas coisas assim que a pessoa ganha tipo nessas conversas. E é engraçado, são situações engraçadas, mas eu acho que é... Eu sinto que normalmente quando
Speaker: como a banha, essas coisas todas, tipo aquela rotina onde tu te sentes um bocado mais relaxada, etc. Então acho que é um momento que na casa de banho tu sentes que podes baixar, como tu davas a dizer, a guarda e baixam as barreiras e consegues aqui alinhar algumas coisas e por as energias mais um bocadinho mais para cima. E acho que te sentes resguardada, porque como é a casa de banho e não sei o quê, a pessoa pode fechar a porta ou pode estar só na parte do
Speaker: do lavatório e mesmo a interação, o que é que possa acontecer com outra pessoa qualquer, acho que qualquer pessoa entende que essa pessoa está naquele momento a olhar para o espelho, com uma cara de caso, passou água na cara e etc. Qualquer outra pessoa se consegue rever naquela situação e tem qualquer palavra importante e fácil de ajudar naquele momento.
Speaker: Às vezes é quando crias aquele espaço entre o estímulo e a reação. Às vezes é o suficiente que fazeres aí uma pausa lá está entre aquilo que acabaste de receber e o que vais entregar, o que vais devolver. Às vezes a casa de bem é esse espaço físico, onde tu chegas aí ao espaço mental. Mas é interessante que estejas a falar de pep talks, porque a pep talks é precisamente o nosso ponto número 9. Nós também vamos à casa de bem para receber uma pep talk.
Speaker: Às vezes é uma pep talk que nem pedimos, nem conhecemos as pessoas, mas ela acontece, como a Andréia disse, historicamente. Isto é importante porque sabemos historicamente que as mulheres têm sido submetidas a padrões irriais de beleza, de comportamento, de sucesso e que isso faz com que nós estejamos num ciclo de auto julgamento e auto exigência. As mulheres são muito
Speaker: exigentes consigo próprias. Eu até no outro dia comentava, exatamente comentava com o Rui, o meu namorado, porque é que os homens, eu não vejo os homens a perguntarem -se tanto se estão a fazer as coisas certas, por exemplo na maternidade, eu não vejo os homens a terem dilemas do será que estamos a estimular o suficiente a criança. Acontece, eu não digo que não haja homens que fazem isso, mas as mulheres que fazem isso quase obsessivamente, entram muito nesse padrão de
Speaker: culpa? Onde é que eu estou a falhar? Onde é que eu posso fazer melhor? E isso depois tem impactos fortíssimos ao nível da nossa autoestima. E eu encontrei uma pesquisa da... foi uma pesquisa global, foi feita em 2019, que nos diz que 60 % das mulheres em todo o mundo relataram evitar atividades importantes devido à insegurança sobre a sua aparência.
Speaker: Portanto, além disso, a mesma pesquisa revelou que 8 em cada 10 mulheres experimentam momentos em que não se sentem bem em relação à própria imagem corporal. Há também um estudo conduzido por Neff e Suiz em 2006 que constata que em média as mulheres têm uma autoestima mais baixa do que os homens.
Speaker: E por isso é importante este aspecto que as nossas amigas ou estranhas nos vão dando, às vezes na casa de bem, e que se calhar nos dão coragem para aquele momento para enfrentarmos aquilo que precisamos de enfrentar. E num outro episódio vemos falar do fenómeno de impostora que faz muito parte, é muito comum nas mulheres e que também é um sintoma desta realidade em que nós vivemos, em que nós crescemos.
Speaker: Sim, por exemplo no caso da D .A .V. o estudo que eles fizeram, depois Fun Fact, é aquilo que vai balizando um bocadinho a maneira como eles comunicam e a campanha que eles têm que é o Real Beauty e que têm tentado manter este conceito já ao longo de largos anos.
Speaker: porque é uma coisa que ainda não está resolvida e eles sabem que não está e vão adaptando, portanto que a última campanha da Beleza Real vem de encontro à parte das redes sociais e também da inteligência artificial e que também tem impacto na maneira como as pessoas veem a Beleza Real do
Speaker: dos nossos corpos, da nossa maneira de estar, etc. E é superinteressante como eles têm trabalhado sobre isso enquanto marca. Para além disso, existem aqui algumas coisas no caso da autoestima feminina e deste aspecto que também impactam na maneira como nós trabalhamos e como nós nos apresentamos a nível profissional. Eu, por exemplo, tenho muitas e com muitas pessoas dentro da empresa.
Speaker: e com amigas, inclusive. Porque eu não sei se tens o mesmo sentimento, mas eu sinto que aquela coisa do... Às vezes olho para um anúncio ou vejo uma informação qualquer e fico a olhar para aquilo e diz assim. Faria sentido, tipo, algum tipo de candidatura. Faria sentido, tipo, fazer isto aquilo ao outro. Eu não me vejo a fazer isto. Tipo, eu não tenho capacidade para fazer isto. E às vezes são as outras pessoas que dizem assim, mas tu deixaste de ser parva, tipo... Vai só?
Speaker: Porque é uma coisa que acontece com os homens também, que é, os homens não fazem isso, eles não fazem, não tem que fazer check tipo, uma coisa e dizer tipo, ok, tenho isto, isto, isto e isto, vou concorrer. Sim, se calhar tem 50 % check dos requisitos e vão, e nós precisamos de pelo menos 90%, eu acho. Exato, exato. Isto não é científico o que eu estou a dizer, mas eu acho que sim, mais ou menos é isso que acontece.
Speaker: E eu acho que vem um bocadinho daí, por isso é que as peptoxes acho que são importantes e, especificamente, ajuda a mulher a empoderar -se e a sentir -se com valor e com capacidade para seguir em frente, seja qual for a situação que ela está a passar. E é superinteressante perceber como o espaço de casa de banho dá abertura e dá aso para essas coisas, por acaso, é superinteressante.
Speaker: O número 10, já falámos aqui de passagem, que é o fazer novas amigas. Não sei se vos acontecia, mas muitas vezes eu tenho este problema que eu fico muito desconfortável no silêncio e estou bem conversa com toda a gente. Eu sou pessoa que vai sempre a conversar com os taxistas e os motoristas de uva e as velhotas no metro, sempre.
Speaker: E então na casa de banho aproveitava muito e punha conversa quando estava à espera, porque antigamente não tínhamos o telefone para estarmos a olhar colado ao ecrã. Então aproveitava e às vezes punha conversa, elogiava as pessoas. Acho que isso acontece, às vezes ganha -se ali uma complicidade.
Speaker: de casa de banho, é engraçada. E, portanto, às vezes novas amigas acontecem ou novas pessoas conhecidas que, de repente, ficam a simpatizar conosco e que, quem sabe, são nossas amigas no futuro. Mas acho que é um bom momento de sororidade feminina.
Speaker: Nunca me aconteceu, sempre fui com amigas, mas criar amizades novas não, mas eu também não sou essa pessoa. Quero dizer, meto conversa com os senhores do Uber ou taxistas que me permitem isso ou cometem conversa, portanto, respondo, mas não...
Speaker: não sou eu a primeira pessoa a fazer isso e na casa do bem também não. Menos que a pessoa esteja muito mal e precise de uma pep talk ou de alguma ajuda, não faço muito disso. No entanto, estejam à vontade, se me virem a alguma casa também podem ter conversa à vontade. Não feche a porta a novas amizades. Eu não sei que a Malta esteja com o ar muito apertado e muito nauseada e se calhar não é boa ideia para conversa.
Speaker: Se forem aí, pelo menos escurem -se ao cabelo, que é para não dar nenhum stress, mas de resto, pronto, falem comigo depois. Mas estou aberta a novas amizades, não fosse o nosso primeiro episódio. Portanto, são bem -vindas. Os últimos dois motivos são de ordem muito prática e muito óbvia e eu acho que todas as mulheres vão reconhecer neles.
Speaker: O décimo primeiro é fechaduras que não funcionam. E como sabem, ao contrário dos homens que ficam de costas para a porta, olá design, outra vez, nós ficamos sempre de frente e portanto temos super respostas a quem decide abrir a porta. E todas nós já passámos por, mas de certeza mil vezes na vida, uma casa que não tem uma fechadura que funcione.
Speaker: e que temos que ficar a segurar e a segurar as calças ao mesmo tempo enquanto nos agachamos e fazemos toda uma ginástica e tirar o papel e segurar a porta e agarrar a mala e portanto se levarmos uma amiga toda esta coisa fica mais facilitada.
Speaker: Temos ali uma pessoa. Agora imaginem se tiverem com a menstruação ainda mais bonito o equilíbrio. Exatamente, ainda mais essa informação. Basicamente há alturas em que as mulheres se forem sozinhas à casa de banho, com uma fechadura destas nós não estamos a ir à casa de banho, estamos a jogar ao twister na generalidade. Metam a mão no vermelho, a mão no amarelo, a mão no azul e vamos lá ver o que é que isto equilibra. E se acertar na sanita.
Speaker: Yes, é um excelente exemplo de jogar ao Twister na casa de banho que nós fazemos e por isso levamos as amigas para jogarem ao Twister conosco.
Speaker: O último motivo, e é o mais óbvio, é porque nós temos a bexiga mais pequena. A capacidade média da bexiga urinária é de 700 a 800 mililitros. É menor nas mulheres porque o outro ocupa o espaço, imediatamente acima da bexiga. Então, imaginem grávidas. Eu sei que quem já teve grávida sabe o que é isso, sentir aquele peso. Por isso é que as grávidas estão constantemente.
Speaker: a ir à casa de bem, e as mulheres também, exceção para quem bebe cerveja, ou a maior mulher, e esses aí andam sempre a ir à casa de bem. Não há nada a fazer. Eu não sei, eu fui com duas amigas ao caminho de Santiago e foi a experiência mais engraçada, não sei quantos quilómetros, quantas vezes é que elas queriam fazer xixi. Claro, casas de bem por perto eram muito poucas, mas depois eu sempre dizia que é super engraçado, nós temos noção que temos bexigas pequenas.
Speaker: que é dificuldade de manter tipo as coisas bem acomodadas é difícil. Mas até as pessoas não, tipo era do gênero, acabei de fazer xixi.
Speaker: ali no mato, mas depois logo a seguir a primeira coisa que faz, agarrando uma garrafa é beber água e a gente pensa, claro, porque tudo está sempre por lá. Porque a mulher precisa estar hidratada. É a mesma coisa. O equilíbrio, eu entro hidratado. Minha resto, eu, por exemplo, eu até duro bem, que tipo, houve uma fase que foi um pai em 14 km, tipo com vontade de fazer xixi e correu tudo bem, até encontrar uma casa de banho, não fui ao meio do mato, porque eu também não gosto muito, não.
Speaker: Gostas de fazer um xixi ao natural? Pronto, um xixi ao natural, não? Não, até porque tenho atraspeito. Já viste o que é jogar ao twister no meio do mato, depois é fazer xixi em cima dos ténis. Fui escuteira, sei bem o que é fazer xixi no... Jogar ao twister ao ar livre.
Speaker: Pronto, é isto, mas pronto, temos de ter consciência disso, mas basicamente a bexiga pequena não o facilita, não, na realidade. Sim, basicamente temos de ter consciência, mas não temos, porque temos aqui, lá está, não é fácil ser mulher, porque temos aqui esse equilibrio entre nós precisamos de nos hidratar, porque hidratar é importante, e ao mesmo tempo temos uma bexiga pequenina.
Speaker: E portanto, é lidar, como dizia a outra, é lidar. E aceitar que nós vamos mais à casa de lenho e que vamos demorar mais porque ninguém quis desenhar casas de lenho feitas para nós.
Speaker: Mas é sempre um momento em que tens mais momentos para estar com amigas, porque normalmente acontece muito isso, que é... Ah, espera aí, antes de me ir embora ainda tenho que ir à casa de banho. Espera -se um bocadinho. Então uma pessoa acaba por ficar à porta da casa de banho e ainda a fazer conversa com a pessoa enquanto ela vai fazer xixi. Ah, isso é... Exatamente. Isso é outra coisa, que é... Lá está. Isso tudo isso que falámos, esta sororidade que acontece na casa de banho. Vocês, quando começaram a ouvir este episódio, nunca pensaram que casa de banho ia ser tão importante para...
Speaker: para o género feminino. E é mesmo, esta sororidade que acontece, esta conversa... que acontece é importante a vários níveis, sejam elas conversas mais fúteis ou conversas mais profundas. E portanto, a próxima vez que perguntarem porquê que as mulheres vão com os amigos à casa, bem, olha, poupem o vosso latim, mandem -lhes o nosso episódio e nós não desimportamos de explicar tudo tintinho por tintinho.
Speaker: Esperamos que tenham gostado deste episódio. Foi um bocadinho tulinho, mas ao mesmo tempo cheio de informação importante sobre nós. E ao mesmo tempo faz -me sentir...
Speaker: Contento de ser mulher, porque acho que as mulheres têm uma série de particularidades super engraçadas. A nossa vida não é fácil, mas nós sabemos bem dar a volta ao texto e olhar trabalhar com aquilo que nos dão. E às vezes isso significa estar uma boa meia hora à espera para fazer um xixizinho.
Speaker: Sim, eu termino, espero que tenham gostado do conteúdo e o facto de ser mais leve acho que também ajuda. É assim um pouco mais fun e eu acho que também faz falta. E acima de tudo vou terminar com... vou à casa de banho com amigas e acredito que isso é mega saudável. Can I get a N .A. man up in here?
Speaker: Obrigada. Obrigada a todos. Este foi o Ela por Ela, onde a conversa é sempre entre amigas.


