Transcript
Speaker: E aí
Speaker: Divãs.
Speaker: A psicanálise?
Speaker: O mundo.
Speaker: E o rock and roll.
Speaker: O Fá sustenido.
Speaker: Uma vez o Buscaia perguntou -me
Speaker: Qual era a música que eu gostava que passasse no meu funeral?
Speaker: Respondi sem hesitar.
Speaker: White Rabbit.
Speaker: Talvez tenha a ver com o facto de...
Speaker: Caso eu fosse uma partitura
Speaker: Gostaria de ser a partitura dos baixos do White Rabbit.
Speaker: Tchau.
Speaker: Foi Oliver Stone, com Platoon, que me apresentou o Jefferson Airplane.
Speaker: O filme de 1986...
Speaker: Viu em 87.
Speaker: Com o meu pai.
Speaker: quando ele comprou lá para casa o nosso primeiro videogravador.
Speaker: Tinha eu 8 anos.
Speaker: Também tenho a memória exata de quando ouvi White Rabbit pela segunda vez.
Speaker: Foi na série Praia da China.
Speaker: Lembram -se desta?
Speaker: Passou em Portugal em 91.
Speaker: Quatro temporadas gravadas entre 88 e 91.
Speaker: aconselhada pela minha tia, passou na mesma altura do Twin Peaks.
Speaker: Aliás, foi a minha tia que me aconselhou as duas.
Speaker: Obrigada, menino.
Speaker: Depois vasculhei os discos lá de casa, mas não havia nada de Jefferson Airplane.
Speaker: Só o Volunteers numa coletânea qualquer.
Speaker: Entretanto, o meu pai também me comprou uma aparelhagem com leitor de CD e lá veio o disco.
Speaker: Primeiro, a banda sonora do Platum.
Speaker: E depois...
Speaker: Tudo e mais alguma coisa dos Jefferson Airplane.
Speaker: Patrícia, vamos fazer um podcast só as duas, para arranter?
Speaker: e a Patrícia. Vamos!
Speaker: E eu, como é que escolhemos o disco? E a Patrícia?
Speaker: Parece -me óbvio que seja o disco que tem a música da Chasing Rabbids.
Speaker: Claro.
Speaker: O Surrealist Pillow do Jefferson Airplane.
Speaker: Um disco relacional do princípio ao fim.
Speaker: onde a importância do outro muitas vezes confunde com a nossa.
Speaker: de tão importante que é.
Speaker: E também por causa das drogarias, claro.
Speaker: Lá vamos nós, a 1967, a São Francisco e ao rock psicadélico. Lá vamos nós mergulhar...
Speaker: Até quase perder o pé na canção mais adita.
Speaker: Até de sempre.
Speaker: Até o Fá se elevou meio tempo.
Speaker: para assustar.
Speaker: White Rabbit.
Speaker: Olá, Patrícia Câmara.
Speaker: Olá, querida Ana.
Speaker: Então...
Speaker: Diz -nos lá coisas sobre o White Rabbit. Mas que grande lata. Tu bem sabes que eu fui para a psicanálise exatamente para o contrário. Na linha do fala -me de ti para que eu me possa obstinadamente esquecer ou lembrar de mim.
Speaker: Portanto, minha querida, claro que começa em ti.
Speaker: Tchau.
Speaker: Tchau.
Speaker: Tchau.
Speaker: Tu sabias que eu canto isto? Claro.
Speaker: A sério? Tu sabias que eu tinha dito? Olha, então é assim. Sabes que eu tive uma banda.
Speaker: que se chamava Fana no País das Maravilhas.
Speaker: E então?
Speaker: Estava com o rabo correto.
Speaker: Eu adorava cantar o Great Rabbit, até porque acho que a voz da Grace League, que é a vocalista...
Speaker: É extraordinária.
Speaker: Ainda há bocado eu por acaso estava aqui a ler a introdução e não ouviste a Grace a ladrar.
Speaker: Eu pensei, a Grace percebe que estamos a falar da banda dela.
Speaker: Está extraordinariamente entusiasmado.
Speaker: O que?
Speaker: E então, pronto, acho que é uma música que toca aqui a todos, creio eu, a ti.
Speaker: Talvez...
Speaker: Não.
Speaker: Toc Tentu
Speaker: Mas também toca. Eu sei. Portanto...
Speaker: Eu acho que podíamos começar aqui pelas mães.
Speaker: Claro, não fossemos mais psicanalistas.
Speaker: Então...
Speaker: Um beijo.
Speaker: O comprimido que a mãe nos dá não nos faz nada.
Speaker: Esse é o problema da psicanálise, continuar batendo as mães.
Speaker: Nós temos tentado mudar este paradigma.
Speaker: Tchau.
Speaker: Devemos enablar e pensar como nós.
Speaker: Nesta versão psicodélica de Alice no País das Maravilhas, não é?
Speaker: Bom, vamos lá.
Speaker: Um bom comprimido.
Speaker: Um bom comprimido dado por uma mãe que compreende, normalmente faz efeito.
Speaker: Mesmo quando é placebo.
Speaker: Olha.
Speaker: É verdade. E sabes o que é que tu agora me fizeste lembrar?
Speaker: Não me assuste. Não, não te vou assustar.
Speaker: quando fiz as entrevistas para a admissão na especialidade de psicanálise.
Speaker: Obrigado.
Speaker: Uma das pessoas que me entrevistou foi Maria Mili Marques.
Speaker: E falámos da questão do simbólico.
Speaker: Uhum.
Speaker: E eu...
Speaker: Disse a Maria Emília Marques qualquer coisa.
Speaker: Já não me recordo especificamente o que, mas que apontava para isto, para o facto de qualquer falha na minha relação com a minha mãe.
Speaker: a me ter deixado uma lacuna qualquer relativamente à interpretação de qualquer coisa. Já não me lembro especificamente. E a resposta da Maria Emília foi...
Speaker: Então, mas sem a frustração, onde é que pensa que ia?
Speaker: Muito boa.
Speaker: Pronto.
Speaker: Obrigado.
Speaker: E, portanto, isto sempre em dupla valência, não é? Sempre em dupla valência. Aliás, repara que, no fundo, o comprimido da mãe não faz nada porque dá o tamanho real, que é a coisa mais importante do mundo.
Speaker: Olha, nós vamos salvar as maneiras.
Speaker: Obrigado.
Speaker: Pois é, e temos que a salvar mesmo, porque se não fossem elas... Isto já ia a salvar -me a mim própria também.
Speaker: Tchau.
Speaker: Tchau.
Speaker: Se não fossem elas, com certeza não...
Speaker: Não existia, não é?
Speaker: Nem podias tomar outros comprimidos. Exatamente.
Speaker: Então...
Speaker: Vamos lá.
Speaker: O que é que esta música nos transmite?
Speaker: Agora vai ser tudo.
Speaker: Amém.
Speaker: O que é que esta música nos transmite? Eu acho que esta música tem tantas coisas que é difícil responder só o que é que ela nos transmite assim.
Speaker: Mas...
Speaker: Eu gostei muito da tua introdução.
Speaker: Acho que falaste num sítio quase de hipnose, que nos remete para tantas coisas ao mesmo tempo e que simultaneamente nos abandona em alguns lugares.
Speaker: Obrigada.
Speaker: Para mim, o que me chama mais é esta ideia da proporção.
Speaker: e dos tamanhos.
Speaker: Obrigado.
Speaker: com o que tu...
Speaker: o que tu sentes a cada momento.
Speaker: da vida face a determinados acontecimentos, mas principalmente face à entrega.
Speaker: Não é quando eu falo não.
Speaker: O buraco.
Speaker: Certo.
Speaker: Uhum.
Speaker: E nesta coisa que tu fazes desenfreada de luta contra o tempo, que também é uma luta contra a entrega, e simultaneamente uma entrega que pode ser ela mesma desenfreada e ser tempo em si mesmo, coisa que nós temos falado.
Speaker: nessa corrida.
Speaker: para a entrega nesse tal buraco. Pode levar para muitos sítios estranhos. Mas nesta entrega, que aqui está presente também.
Speaker: Está a este sítio que é importante. Só te podes entregar se não te esqueceres de um lugar que te é dado pelo teu tamanho real.
Speaker: Ou seja, no fundo, este também realmente dá.
Speaker: Permite -te uma entrega onde às vezes é verdade e tu podes mudar -te também.
Speaker: sentir -te.
Speaker: maior ou mais pequena, de acordo com aquilo que vai acontecendo.
Speaker: De acordo com as características relacionais dessa mesma entrega, porque como tu também disseste...
Speaker: na tua introdução, todo o álbum.
Speaker: a este lugar de relação.
Speaker: onde as coisas se intrincam e se envolvem de tal maneira que às vezes é um, às vezes é dois, às vezes é três.
Speaker: Mas é este jogo que só é possível realmente quando tu tens noção do teu tamanho real. Não sei se queres que eu continue?
Speaker: Eu quero que tu continues. Eu acho que isto é uma coisa importantíssima. Então dá -lhe.
Speaker: O que é...
Speaker: Tu sabes que eu tenho uma grande...
Speaker: não quer dizer assim, mas pelo final do livro da Alice.
Speaker: que tem...
Speaker: Sempre lembras do filho, não é?
Speaker: Não esquece que eu digo. Quero, claro.
Speaker: O final, como eu me lembro, não fui rever, mas acho que é qualquer coisa por aqui. É o teu final. É o meu final. Quer dizer, espero. Sim, claro. Olha, boa.
Speaker: já teve impacto terapêutico bom, mas então no final da Alice há a parte de, como está aqui também na música há a parte de reingadizer
Speaker: no momento em que Alice começa a questionar a sua condenação, antes até do próprio julgamento. E, portanto, a rainha fica zangada e começa a dizer corte -lhe a cabeça.
Speaker: E acontece que a Alice começa a achar aquilo cada vez mais enlouquecedor e menos sério.
Speaker: e começa a questionar com mais força.
Speaker: E nesse momento, no final do livro, diz qualquer coisa como. E há Alice.
Speaker: recuperando o seu tamanho original.
Speaker: Olha.
Speaker: para a rainha de copas e diz, mas também...
Speaker: O que é que tu dizes? O que é que me importa o que tu dizes? Tu és só...
Speaker: Uma carta num baralho de cartas.
Speaker: E esta sim parece -me ser.
Speaker: É a aprendizagem mais importante para quem se entrega. Quando te entregas, tu tens que saber que o sítio de terror só passa quando tu te lembras do teu tamanho real, que realmente pode ser dado.
Speaker: um comprimido
Speaker: Metaforicamente falando, claro.
Speaker: relacional que te dê a base suficiente
Speaker: Varias lidando com estas intempéries de vida, o que não quer dizer que há muitos momentos de terror psíquico.
Speaker: Tu não te esqueças mesmo do tamanho que tens. Mas a força interna deste lugar existe entre ti.
Speaker: relacionado com outras coisas boas que vais encontrando pelo caminho, por exemplo, nós as duas, ajudam a reforçar as partes de saúde deste encontro interno que reabilitam e que te mostram que nada não podes temer.
Speaker: a toxicidade das entregas.
Speaker: Se te fores lembrando de como é que acaba, de feed your head, nunca deixaste de pensar.
Speaker: Sim, mas eu agora vou pegar nisso que tu disseste
Speaker: Eu ia virar um bocadinho ao contrário, porque a minha questão aqui é...
Speaker: Quando?
Speaker: E quando não há?
Speaker: E...
Speaker: Quando não há...
Speaker: Tchau, tchau.
Speaker: Amém.
Speaker: E quanto facto, tu não sabes o teu tamanho.
Speaker: Muitas vezes não sabe, né?
Speaker: mas quando tu não tens e agora literalmente
Speaker: Vim daqui à letra.
Speaker: Quando...
Speaker: Os Jefferson Epling dizem que os comprimidos que a mãe te dá não te fazem absolutamente nada.
Speaker: Tchau.
Speaker: Amém.
Speaker: É uma insuficiência relacional. Exatamente. Uma insuficiência relacional na ausência de...
Speaker: de um mapa interno do outro.
Speaker: Amém?
Speaker: Obrigado.
Speaker: É...
Speaker: O que acontece?
Speaker: Obrigado.
Speaker: E era isto que eu estava a pensar, e estava a virar isso ao contrário, porque entramos mesmo, tu estavas a tocar aí.
Speaker: na perversão e eu estou a querer entrar mesmo na perversão
Speaker: que é o lugar.
Speaker: Andou.
Speaker: É o lugar do horror, não é? É o lugar onde se caçam coelhos e onde o vazio...
Speaker: É insuportável.
Speaker: Isso.
Speaker: E a única sustentação que há.
Speaker: Doeu.
Speaker: É a mesma violência.
Speaker: Para que possa haver alguma sensação.
Speaker: Isso.
Speaker: Obrigada.
Speaker: E eu estava aqui a pensar nisto, principalmente até para fazer um bocadinho a ligação, quer dizer, aqui à história dos Jefferson Airplane, não é?
Speaker: que está toda envolta em drogas. Estamos na década de 60, em São Francisco.
Speaker: num movimento rock psicodélico, quando aliás era assumido pela banda.
Speaker: as drogas que eles consumiam.
Speaker: E até ir buscar um bocadinho esta adrenalina.
Speaker: Não é?
Speaker: que pode surgir a partir de alguns consumos, mesmo para o preenchimento.
Speaker: Né?
Speaker: deste vazio. Para o preenchimento, ou como tu dizias, para uma coisa mais de estimulação sensitiva, não de sensação sensitiva, é mesmo de sensação fisiológica.
Speaker: Obrigada.
Speaker: Eu agora falei em adrenalina, mas atenção porque há algo...
Speaker: não é só adrenalina há sensações aliás, ainda há pouco, ainda ontem falava numa consulta sobre as questões agora das terapias acompanhadas de ketamina e sobre as sensações
Speaker: Obrigada.
Speaker: Obrigado.
Speaker: que são o oposto da adrenalina, que te levam a sensações muito mais próximas do sentir o outro e da...
Speaker: e do desenvolver um laço com o outro mas pronto mas voltando aqui à perversão e ao espaço do vazio
Speaker: Obrigada.
Speaker: Podíamos conversar um bocadinho sobre isto? Porque... Eu até acho que tens razão.
Speaker: Está cá esse lugar muito bem posto, não é?
Speaker: a manutenção de um lugar de estimulação permanente, mas que...
Speaker: Depois também é assumido como o Chasing Rabbit, uma estimulação permanente.
Speaker: Repetitiva, que não te leva a lugar nenhum. Aliás, ele diz, não é? Se quiseres...
Speaker: Saber alguma coisa sobre isto, perguntá -lhe isso, que caiu no buraco atrás do tempo, do coelho e da sua rapidez.
Speaker: e que fez o percurso, mas que só conseguiu...
Speaker: despertar -se e sair dele de alguma forma.
Speaker: Pelo pensamento próprio.
Speaker: Ou seja, pela capacidade de mergulho daquilo que foi encontrando pelo caminho.
Speaker: Sim.
Speaker: É isso que estás a falar. É isso que estou a falar.
Speaker: E, principalmente...
Speaker: esse mergulho e essa capacidade.
Speaker: que ela foi adquirindo pelo caminho, mas sempre na relação com o outro.
Speaker: sempre na relação com o outro sempre na relação com o outro e isto é engraçado porque
Speaker: Há outra música dos Jefferson High Plains que também...
Speaker: que é também muito conhecida, que é o sambaritula.
Speaker: E é engraçado, porque eu estava ainda há bocado a pensar sobre isto, mesmo antes de começarmos, falámos nesta música, e eu estava a pensar que...
Speaker: Há uma música dos Queen.
Speaker: que também se chama Somebody to Love que depois o George Michael fez uma versão espetacular naquela homenagem aos Queen no Wembley
Speaker: Tchau.
Speaker: em que é uma entrega brutal aquela interpretação do George Michael como era a entrega brutal do Freddie Mercury
Speaker: E, de repente, lembrei -me desta questão do Freddie Mercury ter escrito o Somebody to Love, que nada tem a ver com este Somebody to Love, mas este Somebody to Love, que é de 67...
Speaker: vai ao encontro do Somebody to Love do Freddie Mercury vai ao encontro deste Somebody to Love de 67 do Jefferson Airplane que é de facto às vezes este lugar
Speaker: Pode ser de vazio ou, eventualmente...
Speaker: de não vazio, mas de solidão.
Speaker: e até para a solidão é preciso dois portanto não há vazio na solidão há alguma insuportabilidade mas não há vazio mas desta necessidade de ter o outro a fazer companhia e companhia interna como tu dizes tantas vezes
Speaker: É...
Speaker: para continuarmos então esse caminho.
Speaker: e para podermos ir tendo a experiência que nos permite.
Speaker: traçar o nosso próprio mapa e a nossa identidade e lembrei -me disto deixa -me só dizer porque o Freddie Mercury diz mesmo
Speaker: me encontrar alguém a amar.
Speaker: não é? I need to find somebody to love e os Jefferson E. Plain tocam nisto também no Somebody to Love com a pergunta Don't you want somebody to love? Eu acho que vai aqui, este lugar diz -me lá. Não ia dizer porque encontro disso acho que foi porque ontem quando estava a ver estas coisas encontrei há um provérbio polaco, acho que é polaco o ditado, que era qualquer coisa como
Speaker: Eu sou misto, não é? É mais divertido andar atrás de coelhos, ou seja, caçar coelhos, do que apanhar um.
Speaker: Isto é o princípio da perversão, não é? Que é exatamente o oposto do samba de Itulã. É isso, exatamente. Acho que é isso que estás a dizer e que é importante fazer a grande diferença porque isto parece mascarado de amor.
Speaker: no lugar do amor aparece este lugar cada vez mais da caça e do prazer da caça que realmente do ponto de vista psicofisiológico é o que nós temos falado também traz uma espécie de emborrachamento o Zé Barata dizia sempre isto há um emborrachamento neurológico que faz esta confusão mental e depois acredita -se mesmo que se está a falar de amor quando se está a falar de ódio ou seja, exatamente do lugar do pânico na minha perspectiva
Speaker: num lugar do pânico que é.
Speaker: Usando também o Zé Barato outra vez.
Speaker: a ausência de companhia interna, a ausência do outro dentro de nós.
Speaker: neste lugar.
Speaker: A estimulação permanente.
Speaker: Engano ou vazio?
Speaker: Tá?
Speaker: A grande dificuldade, e que eu acho que está maravilhoso neste álbum, é que neste álbum se toca nestes lugares todos.
Speaker: E nesse somebody love realmente é posta a tónica no sítio certo, não é? Queres chasing rabbits ou queres somebody to love?
Speaker: Exatamente.
Speaker: É mesmo isso.
Speaker: Obrigada.
Speaker: De facto...
Speaker: E agora tocaste aí naquilo que eu acho que é importante e que eu acho que é preciso desmascarar.
Speaker: Obrigado.
Speaker: que é esta questão...
Speaker: de facto, do ódio estar no lugar do amor
Speaker: É? Uhum.
Speaker: E the...
Speaker: e de ser usado
Speaker: Como se fosse amor.
Speaker: E é incrível como isto às vezes ao nível das sensações se sente. Sensações, é essa a palavra.
Speaker: Obrigada.
Speaker: Estava aqui há horas a tentar. Isto é uma questão de sensações. O plenasmo aqui, que ao nível das sensações se sente, porque se sente, não é? Mas nem sempre é possível mentalizar isto.
Speaker: E as pessoas ficam presas nestas amarras. Exatamente.
Speaker: Na sensação permanente. Exatamente. O próprio.
Speaker: Tchau.
Speaker: O caçador e o outro.
Speaker: E o outro, sim.
Speaker: Antes de começarmos a conversar outra vez sobre esta questão de arranjar alguém para amar.
Speaker: Hum?
Speaker: Opa, eu tenho que me rir com isto, que é esta... Tu estás a ver a voz dela, da Grace League, e tu estás a ver o estilo, o rock psicadélico, e esta... Só o White Rabbit é assim, quase um hino. Tu devias cantar um bocadinho da White Rabbit. Não, não é nada disso. O que eu te quero dizer é... Tu devias cantar um pouco. Não, não, não, nada disso. Nem é possível, nem é possível. Isto é difícil, é difícil cantar isto. A questão não é essa, é que eles depois transformaram -se.
Speaker: Nos Jefferson Starship.
Speaker: E a seguir, no Starship.
Speaker: E há muita gente que não faz esta associação da voz da Grace Lee.
Speaker: Nothing gonna stop us now. Tu lembras?
Speaker: Tchau.
Speaker: Betegada. Lembras -te disto? Isto sou o Starship, é a Grace Lica a cantar. Acabei de aprender. Eu fico sempre pasmada.
Speaker: Com isto que é, como é que a miúda que canta?
Speaker: White Rabbit can't tell who nothing gonna stop us now.
Speaker: Pronto.
Speaker: posto isto e as transformações sei que eu adoro essa música, não posso
Speaker: Não, não.
Speaker: Olha lá, tu podes adorar a música. Mas tens de constatar que é...
Speaker: Não, mas gosto da mesma.
Speaker: olha, há um provérbio
Speaker: Além de gente que eu não vou dizer.
Speaker: É esta coisa da distância da luz para a noite, do dia para a noite, sabes? Os Jefferson e o Starship. Imagina como é que os Jefferson Airplanes se transformaram no Starship na década de 80.
Speaker: Enfim, posto esta curiosidade...
Speaker: Vamos lá outra vez mergulhar na perversão.
Speaker: Obrigado.
Speaker: E...
Speaker: É...
Speaker: E nas mães, não é?
Speaker: Vamos lá outra vez à mãe.
Speaker: como um elemento fundamental.
Speaker: Dei relaço de cano como uma relação primordial.
Speaker: Também o pai, também os cuidadores da vida.
Speaker: É da nossa vida, portanto. A função materna. É a função do cuidador que vai ficar uma coisa mais decente, acho eu. E mais adaptada à realidade.
Speaker: Sim, estavas a dizer, no fundo, esta função que é de amparo interno. Esta é uma luz de fundo que nós também tentamos transmitir aqui para que seja possível construir alguma coisa, não é?
Speaker: que é isto que nós estávamos a falar, no fundo, como é que esta melodia de fundo se foi posta no lugar certo.
Speaker: Amém.
Speaker: Há esta sensação de existência interna que se balança na mesma entre a alteração de tamanhos, mas que vai conseguindo a pouco e pouco recuperar o seu tamanho original.
Speaker: Na ausência disto...
Speaker: Ou pelo contrário, não é?
Speaker: Amém.
Speaker: onde seja dito exatamente o oposto, onde a humilhação seja reinante, o que acontece é que...
Speaker: A minha perspectiva ainda atua também, penso que isto é comum a todas as pessoas da nossa área saber isto, mas o que acontece no lugar da humilhação, quando há humilhação, há esta desvalorização permanente e aquilo que se procura...
Speaker: é preencher, como tu dizias, esta sensação de inutilidade interna, de carência afetiva máxima, na possibilidade de mudar de tamanho, de acordo com as sensações.
Speaker: que as coisas da vida provocam, desde os compromissos...
Speaker: na sua coisa mais literal, querem determinado tipo de relações.
Speaker: Amém.
Speaker: Obrigado.
Speaker: levam e conduzem este lugar, mas que na realidade são apenas e só manutenção do lugar onde nada existe.
Speaker: E quando se desmascara esta ilusão...
Speaker: Será que foi possível desmascarar?
Speaker: quando se dá conta desta ilusão.
Speaker: Há este somebody to love, não é? Do you need somebody to love? Se tu de repente te apercebes que tudo aquilo que tu tinhas como garantido do teu tamanho é na realidade assim de uma mentira...
Speaker: precisas ou não precisas de alguém que realmente consiga amar -te, mesmo no lugar.
Speaker: E é uma coisa que tu costumas dizer, não é? Portanto, vais explicá -la melhor que eu, de certeza.
Speaker: mesmo no lugar onde tu vês.
Speaker: que até ali aquela pessoa tem escolhido o caminho apenas e pura e simplesmente do vazio, do ódio, da casa.
Speaker: Uhum.
Speaker: Conseguir amar alguém nesse lugar.
Speaker: Tchau.
Speaker: Ou mostrar a essa pessoa a necessidade do amor. Não, não, não. Eu não sei como é que se mostra a necessidade a essa pessoa do lugar do amor.
Speaker: Tchau.
Speaker: Até porque, na questão da perversão, é uma coisa altamente...
Speaker: Traiçoeira.
Speaker: PURG.
Speaker: É precisamente...
Speaker: E isto eu quero focar isto, eu acho que, não sei, nos dias de hoje.
Speaker: desta tomada de consciência dos pais, dos cuidadores, de perceberem a importância que têm mesmo na construção da identidade do filho. A importância de fundo, não da importância de superfície.
Speaker: exatamente, porque eu creio que
Speaker: Às vezes já tenho ouvido, já tenho lido e já tenho ouvido até em alguns podcasts a conversa sobre esta importância da estimulação, sobre a importância da atenção que temos que dar aos bebés e às crianças.
Speaker: A parte é tão das crianças.
Speaker: mas esta importância de que não esquecer que a criança está sempre a observar.
Speaker: E que é a única referência que tem.
Speaker: é quem está com ela e portanto esta importância de fundo como tu estavas a dizer na constituição da nossa identidade
Speaker: E que de facto...
Speaker: Su.
Speaker: O laço afetivo estabelecido entre os cuidadores e a criança for
Speaker: Violento.
Speaker: Uhum.
Speaker: Esta criança não vai poder ter uma...
Speaker: Não vai poder ter um sentido de construção com o outro.
Speaker: Porque percebe que a relação...
Speaker: é feita através da violência e não através do amor.
Speaker: Lá está aquilo que estavas a dizer, que se coloca a violência.
Speaker: no lugar do amor e fica uma confusão brutal e depois temos adultos
Speaker: Que...
Speaker: São infelizes.
Speaker: Eu acho que isto é importante falarmos.
Speaker: estamos sempre a falar as duas sobre isto, que é a inveja. Porque a inveja é precisamente o lugar
Speaker: Obrigado.
Speaker: onde nós conseguimos reconhecer que o outro tem aquilo que não nos foi dado, que não nos foi previdenciado, que nós não conseguimos desenvolver.
Speaker: E como resposta a isso, e a essa nossa incapacidade, nós usamos a violência porque é o que está no lugar do amor.
Speaker: Não é?
Speaker: e portanto não conseguimos construir.
Speaker: Só conseguimos mimetizar.
Speaker: E...
Speaker: Destruir.
Speaker: aquilo que percebemos ou que não temos acesso.
Speaker: Amém.
Speaker: E isto é verdadeira perversão, não é? Sim.
Speaker: Destruir o outro.
Speaker: porque ele tem aquilo que eu jamais serei capaz de atingir.
Speaker: E aí podemos ir aos grandes líderes mundiais ditadores.
Speaker: É...
Speaker: Que...
Speaker: que fazem uma destruição maciça por onde passam. Isto como um expoente máximo.
Speaker: para ilustrar um bocadinho isto que temos estado aqui a conversar, tendo em conta que nós estamos cheios de ditadores à nossa volta e que, infelizmente...
Speaker: O mundo.
Speaker: Está muito mascarado por isto.
Speaker: E...
Speaker: E que é isto que nós temos tentado sempre.
Speaker: alertar, não é?
Speaker: E que é isto mesmo até que nós nas nossas consultas tentamos alertar.
Speaker: para tentar...
Speaker: Desconstruir.
Speaker: esta ideia.
Speaker: de que a competição
Speaker: é que nos leva mais longe.
Speaker: Enraí -me.
Speaker: Errado, totalmente errado. E nós estamos a ver os resultados da nossa educação.
Speaker: estão à vista, e estamos a ver os resultados da nossa economia, está à vista, estamos a ver os resultados do modelo que está instituído, está à vista. Portanto, a competição não é de todo o caminho.
Speaker: Mas é a perversão que leva também à competição.
Speaker: É, porque há um perigo na perversão.
Speaker: que é a frase habitual, isto é para o teu bem.
Speaker: que é o grande perigo que nós estamos a viver agora, parece -me que é tudo.
Speaker: Tudo é justificável para o teu bem.
Speaker: E, a somar a isso, e acho que é isso mesmo, é a veja maligna pura, que é o ataque profundo à identidade do outro. Portanto, como nós falamos, é um ataque à alteridade.
Speaker: E tu falaste bem na questão ditatorial do domínio e submissão e deste lugar onde a única coisa que sobra ao outro, no vazio, não só é a apropriação identitária, mas também esta ideia de que eu consigo manter o outro refém de mim, já que não consigo obter o amor que eu quero, eu consigo manter o outro refém de mim, se o humilhar.
Speaker: E, portanto, há uma reprodução do padrão. Isto é o que eu sofri e, portanto, é isto que eu faço. Eu humilho o outro para garantir que tenho o outro à perna.
Speaker: Para garantir que tem lugar. Para garantir que tem lugar. Um pseudo -lugar, não é? Mas que era aquilo que nós falávamos até no último episódio do podcast que no fundo...
Speaker: É desmascarado por este sítio importante que é o que não é perversão não deixa de se irrigar e, portanto, continua a manter a capacidade de produzir independentemente de tudo. Mas ia dizer só mais outra coisa, queria mesmo dizer sobre isto da inveja e da alteridade que era... agora esqueci.
Speaker: Gostei.
Speaker: Queria tanto dizer que me esquece. Mas olha, eu vou pegar nisso que tu disseste relativamente ao anterior porto.
Speaker: podcast.
Speaker: Eu não sei.
Speaker: Eu não tenho a certeza, sabes? Do quê?
Speaker: Eu não tenho a certeza porque normalmente as pessoas...
Speaker: as personalidades.
Speaker: A perversas são.
Speaker: parasitárias.
Speaker: secam o outro, mas o outro não está seco.
Speaker: Julgam -se, mas eu não sei.
Speaker: Repara, vamos pensar metaforicamente. Uma carraça num cão.
Speaker: Uma carraça mata o cão se ninguém descobrir a carraça. Se ninguém descobrir que está lá a carraça, claro. E esse é o problema da atualidade. Exatamente. E eu fiquei a pensar sobre isso. Já, e pronto, se não conversarmos sobre isto. Mas eu fiquei a pensar sobre isto.
Speaker: foi...
Speaker: É verdade.
Speaker: que há um lugar dentro de nós.
Speaker: que há um lugar, que pode existir um lugar dentro de nós que não seca e que não deixa que isso aconteça mas de facto o parasita leva à morte do outro
Speaker: Mas eu acho que em vez de...
Speaker: É um sítio pior ainda, não é?
Speaker: Quer dizer, pior ainda não é pior, mas até vejo como uma coisa maligna mesmo, não é? Que invade, que metastiza.
Speaker: E, portanto, cria núcleos. Estamos a pensar agora num ponto de vista mais global e não só singular, mas de um ponto de vista social. Vai criando núcleos.
Speaker: de perversão, que vão ocupando o lugar e vão destruindo ou tentando destruir a humanidade. Eu acho que nós temos conseguido manter a parte saudável, ativa, independentemente disto tudo, senão já não havia humanidade. Desde o ponto de vista singular até o ponto de vista plural. Continuamos a acreditar acho que as duas... Continuamos a acreditar as duas que há mais gente boa do que gente má.
Speaker: sabes que eu começo a ter algumas dúvidas eu acho que continua a haver mais gente boa do que má neste sentido, quer dizer, nós todos temos
Speaker: Ah...
Speaker: Nós todos temos defeitos e virtudes.
Speaker: É...
Speaker: Amém.
Speaker: não vamos pôr isto nos bons versus maus, mas de facto, na perversão não existe amor.
Speaker: se perceba isto.
Speaker: uma vez eu conversava com um amigo na praia
Speaker: que me dizia que mesmo com a perversão nós tínhamos que mostrar o lado do amor
Speaker: Nós tínhamos que mostrar a alternativa. Eu não acredito nisto. A perversão não tem músculo para desenvolver.
Speaker: A perversão não tem o músculo do amor, não vai desenvolver esse amor e, portanto, nós temos de ter cuidado porque, de facto, quer dizer, um Hitler fez o que fez e nós não nos podemos esquecer disso.
Speaker: E, portanto...
Speaker: o que eu acho que é seriamente grave.
Speaker: É que um...
Speaker: uma pessoa como Hitler.
Speaker: Fez aquela unidade que fez, não é? Sim.
Speaker: e portanto podemos ser muitos.
Speaker: que não somos iguais ao Hitler.
Speaker: que basta um Hitler.
Speaker: Para conseguir destruir a humanidade. Sim.
Speaker: Porque eu acho que há outras coisas.
Speaker: É só dizer duas coisas que me parecem importantes.
Speaker: A perversão ataca 100%, não é? A perversão diz sempre, tu podias ter feito melhor.
Speaker: ou justifica qualquer coisa por uma pequena falha, um pequeno erro, não é? E essa pequena falha passa a ser a totalidade do outro. Sim, sim, sim. E isto tem um conluio social, não é? Tu fizeste tudo bem feito, mas naquele dia...
Speaker: fizeste mal e tu passas a ser esse mal e toda a gente aplaude o teu achincalhamento público.
Speaker: E, portanto, esse lugar onde a perversão ganha terreno. Totalitarista, não é? Totalitarista. Exatamente. E, portanto, acho que esse é o perigo, acho que é um perigo, sempre foi, é um perigo da humanidade, acho que estamos a viver outra vez, estamos a viver de uma maneira terrível, não é? Por isso é que eu costumo dizer e continuo a dizer, a ética está a desaparecer, está a ser substituída por um hipermoralismo completamente vazio da complexidade das relações humanas. E a perversão está a ancorar aqui, está a trepar por todos os lados, não é? Todos os sítios estão cheios de situações perversas que estão socialmente consentidas.
Speaker: Portanto, são cânceres a metastizar. Também me preocupa tal e qual como...
Speaker: como a ti, e portanto acho que é este sítio dos 100 % que a gente tem que ver. Porque se disserem que tu podias ter feito isto melhor, é sempre verdade.
Speaker: Nem que morras a tentar fazê -lo, é ilimitado, é um sítio divino, não é? Como se de repente tu só podes dizer seja o que for do ponto de vista da bondade, da humanidade que tens dentro, se fores totalmente perfeita e, portanto, morta.
Speaker: Só podes falar se estiveres morta. No fundo é isto. Isto é o pronúncio da perversidade, que é perigosíssimo e que eu acho que está a reinar.
Speaker: Tchau.
Speaker: Sem um pingo de amor. Mas que vai mascarado de amor.
Speaker: E nós temos visto isso imenso na saúde, eu penso que é uma coisa... Isto é para o teu bem, entra nestas listas infinitas de coisas incríveis que tens que fazer para te manter saudável, caso contrário, tu és responsável pela tua própria doença, porque até tu sabias que tinhas que correr 4km por dia, mas não correstes.
Speaker: E, portanto, agora estás com um problema cardiovascular. E vamos por aí fora, não é? Porque até foste avisada, para o teu bem, de que isso podia acontecer.
Speaker: Obrigado.
Speaker: Portanto, são escutomas a acontecer, perversos, que estão a dictar o caminho, completamente esvaziados, e calmo já, esvaziados deste espaço entre que nós vamos falar também de importância grande.
Speaker: O que é este espaço que se cria, que é maior do que nós, que é o espaço relacional onde efetivamente...
Speaker: Não se tem a certeza de nada. Isso pode errar. Isso pode errar, não é? Seja lá o que for o erro.
Speaker: com certeza que sim seja lá o que é que é isso o erro, mas pode ser e é um erro decorrente de uma tentativa de fazer qualquer coisa de construtivo e não de destrutivo e portanto confundir
Speaker: Porque eu acho que a perversão está aqui. Quando tu confundes...
Speaker: A intenção.
Speaker: relativo a um acontecimento.
Speaker: então estás efetivamente no campo da perversão. Se tu confundes...
Speaker: Uma peça aqui.
Speaker: Um colega nosso diz sempre isto, se tu confundes uma constipação com um cancro...
Speaker: E tratas -te por igual, com certeza, de um péssimo clínico.
Speaker: Mas atualmente é tudo igual.
Speaker: Estamos a falar de um câncer relacional como estamos a falar de uma constipação relacional e o tratamento que é dado é exatamente o mesmo. Quer seja para não ser tratado de tratamento nenhum, quer seja para tirar uma quimioterapia insuportável em cima de uma coisa que nem precisava dela. E às vezes eu fico a pensar nisto.
Speaker: Tchau.
Speaker: é a senha de E.
Speaker: Obrigada.
Speaker: Essas regras que têm surgido em todas as áreas...
Speaker: Noé.
Speaker: com o consentimento de todos que são
Speaker: Então...
Speaker: Então...
Speaker: Tchau.
Speaker: Obrigada.
Speaker: De uma ausência de liberdade brutal onde é preciso balizar tudo, tudo, tudo, tudo, tudo.
Speaker: E que, de facto, onde é que está o distanciamento?
Speaker: suficiente para perceber que isso é total ausência de liberdade interna.
Speaker: É total ausência de liberdade. E é incrível, porque não há amor.
Speaker: Sem liberdade.
Speaker: Eu preciso também da coluna.
Speaker: não há amor sem liberdade e portanto
Speaker: Como é que eu posso amar o outro preso em amarras?
Speaker: Como é que eu posso amar o outro se...
Speaker: Eu não consigo expandir.
Speaker: Como?
Speaker: Não.
Speaker: Sem suportar o lugar da melancolia, da impossibilidade de viver uma coisa pura.
Speaker: No seu absoluto.
Speaker: Exatamente.
Speaker: E...
Speaker: E sem julgamento, não é?
Speaker: E esse chocamento moralista que falavas também há pouco.
Speaker: Obrigado.
Speaker: É...
Speaker: Então vamos ouvir esta canção e eu vou...
Speaker: Tchau, tchau.
Speaker: Naquilo que tu enunciaste e que eu não peguei.
Speaker: Fomos ao outro lado.
Speaker: Mas vou lá agora até a propósito da liberdade interna, não é?
Speaker: E de um lugar que eu acho que é de esperança, que é a capacidade de amar o perverso.
Speaker: Uhum.
Speaker: Não.
Speaker: É...
Speaker: E...
Speaker: Qual é submetida a este julgamento moral?
Speaker: Absolutamente.
Speaker: Absolutamente.
Speaker: É...
Speaker: e eu acho que é um lugar de esperança porque de facto
Speaker: o lugar.
Speaker: E...
Speaker: Eu creio existir o amor.
Speaker: capaz de...
Speaker: Olhar.
Speaker: Com um olhar de...
Speaker: de construção.
Speaker: com um olhar de cumplicidade sobre o outro.
Speaker: Obrigado.
Speaker: e tentar resgatar no outro as partes boas.
Speaker: Ou, aliás, esse olhar regata.
Speaker: com outras partes boas.
Speaker: Hum...
Speaker: Às vezes nas supervisões lembro -me.
Speaker: nas várias previsões que tive.
Speaker: De... De...
Speaker: Diz meus supervisores me alertarem para eu olhar também para o mal, não só para o bom. Não está só no bom, não está só no mal, não é?
Speaker: Mas...
Speaker: facto.
Speaker: desta capacidade.
Speaker: É...
Speaker: que eu acho que o amor tem.
Speaker: de encontrar no outro os lugares bons.
Speaker: e Deus tenta a fazer expandir ainda que isso possa ter
Speaker: Uma... Uma...
Speaker: Uma narrativa.
Speaker: muito para além disto só que estamos aqui a conversar
Speaker: Não é por acaso que acontece.
Speaker: A narrativa cada um tem a sua e terá inscrita na história de cada um. Mas não começa nem acaba nas mães. É que eu acho que o mundo é maior do que isso. Nós também temos que trazer este lugar.
Speaker: Há muitas coisas, não é só a mãe. Quando digo a mãe, digo que não é só a primeira infância. Há também que ter cuidado com esse lugar. Acho que nós sabemos cada vez mais isto. Tudo isto é maior e mais complexo. Desculpa. Não, não, não. Força, força. Diz, diz.
Speaker: Não, não.
Speaker: Mas, de facto, acho que é preciso ter sempre esta...
Speaker: Pode haver a capacidade de amar o perverso.
Speaker: Isso é muito humano.
Speaker: Mas eu creio que...
Speaker: É preciso perceber.
Speaker: que a perversão de facto mata o amor.
Speaker: E que, portanto, é um não lugar.
Speaker: Sim.
Speaker: E essa tomada de consciência é essencial para a sobrevivência, não é? Sim. Porque senão perdes o pé.
Speaker: É mesmo num lugar...
Speaker: É...
Speaker: E...
Speaker: E pronto, e a minha preocupação é com o não lugar que tem vindo a ser feito lugar. Exatamente, é isso mesmo, excelente.
Speaker: E eu ia dizer...
Speaker: O que eu ia dizer só.
Speaker: Eu acho que sim, e nesta música em seguida.
Speaker: que tu dizes que está presente, peço eu de uma outra...
Speaker: de uma outra forma.
Speaker: exatamente no seu polo. Não é bem oposto. Este não é o polo oposto nesta música.
Speaker: Mas antes disso, só dizer -te uma coisa, que eu estou com esta conversa das mães, porque eu própria...
Speaker: Ele vem -me a chicotar da minha.
Speaker: E depois foi a Beatriz e a minha filha que me atirou.
Speaker: que foi este momento, por causa do White Rabbit, eles chamam -me lá em casa, eles chamam -me o goelho branco da Alice, porque eu estou sempre a dizer que estou atrasada.
Speaker: Estou atrasada. A Beatriz está -me sempre a gozar. Mas isto tudo no Natal.
Speaker: E aí
Speaker: Também gostas disto para mim.
Speaker: Claro.
Speaker: Mas no Natal havia uma atividade que foi proposta lá na escola que era que os filhos dissessem que presente é que gostavam que o pai Natal desse.
Speaker: Aos pés, às mães...
Speaker: E então...
Speaker: O que é que a Beatriz escreveu para mim? Escreveu uma coisa qualquer que não me lembro. E o segundo ponto era tempo.
Speaker: E claro, eu pensei, pois claro, nunca estou em casa, estou há pouquíssimo tempo, que chatice, não sei.
Speaker: E disse -lhe, pois é, mãe, muitas vezes não está.
Speaker: Passa pouco tempo. E ela ficou a olhar para mim, mas quase espantada, que ainda diz, não estás a perceber nada.
Speaker: Mas não era isso?
Speaker: Não, estudar.
Speaker: Era tempo para ti.
Speaker: Era mesmo tempo para ti. Eu estava a falar antes.
Speaker: O que corroborava, porque no final dizia qualquer coisa como a minha mãe nunca me deixa sozinha. E aquilo aliviou a minha consciência. Mas fora de brincadeira, por causa destas preconceições que nós pomos nas coisas, não é? E a importância de as retirar, porque este sítio de perversão tem estado alimentado delas.
Speaker: destas preconceições postas como uma psicologia reinante que é completamente vazia depois do seu próprio conteúdo, porque perde a complexidade. Se nós fazemos ligações ideológicas lineares, perdemos completamente o lugar daquilo que pretendemos fazer, que é o oposto do que nós temos tentado fazer aqui. Mas estava a pensar que esta música remete, então, para tal síntese mais melancólica, que é qualquer coisa, não é? Eu vi -te...
Speaker: Eu vi -te a ti que me vês a mim.
Speaker: Este lugar de espelho que também se encontra nas relações amorosas, que é tão essencial à manutenção interna.
Speaker: e que de certa maneira, claro, tem o seu que é de viciante, mas que nos diz qualquer coisa como...
Speaker: Há aquele lugar permanente de suspensão temporal. E que bom que é. E quantas vezes nos apetece ficar nesse lugar mais tempo. Mesmo que a gente saiba que a seguir temos que crescer e acordar. Mas há aquela parte boa desta entrega, deste encontro, que...
Speaker: Infelizmente, a perversidade também conhece bem.
Speaker: Sim.
Speaker: E não só conheço, mas...
Speaker: Nós podemos deixar aqui a dica? Sim.
Speaker: Porque...
Speaker: É perversão.
Speaker: Só me entesa.
Speaker: Portanto...
Speaker: Fica a dica para quem estiver atento.
Speaker: Que...
Speaker: Um lugar de espelho relacional é muito diferente de um lugar de espelho da perversão e perverso.
Speaker: Só te mentes a não faz mais nada.
Speaker: Absolutamente.
Speaker: E portanto, de olhos bem abertos.
Speaker: E de olhos bem ligados.
Speaker: Obrigada.
Speaker: Aqui vamos andando com a cabeça entre as orelhas.
Speaker: Patrícia, queres dizer mais alguma coisa?
Speaker: E depois...
Speaker: aqui a pensar se há aqui mais alguma coisa que nós possamos dizer sobre o Surrealist Pillow vamos isto para...
Speaker: O lugar da perversão. Mas também da entrega.
Speaker: mas também da entrega.
Speaker: Sim, essencialmente isso.
Speaker: Já sei.
Speaker: Porque tocaste aí na palavra alteridade.
Speaker: Uhum.
Speaker: E eu acho que é preciso sublinhar isto.
Speaker: A alteridade.
Speaker: Amém.
Speaker: única.
Speaker: Coisa.
Speaker: que nos faz mesmo.
Speaker: distinguiram.
Speaker: que é o amor do desamor.
Speaker: Portanto...
Speaker: se eu conseguir ver a diferença.
Speaker: no outro, se eu conseguir ver o outro.
Speaker: Então temos amor.
Speaker: se o outro
Speaker: é visto como um prolongamento de nós próprios.
Speaker: no terreno do desamor.
Speaker: E é a única coisa. Às vezes, quando nós pensamos nisto... Se funciona prolongamente nós próprios, nem a coisa vai muito mal. Se for na destruição... Sim, claro.
Speaker: Está bem, mas mesmo no prolongamento nós estamos a pôr o outro a favor.
Speaker: Estamos a relacionar -nos com o outro sempre a favor do nosso benefício.
Speaker: Portanto...
Speaker: mas eu acho que esta questão é mesmo importante.
Speaker: Puro.
Speaker: que...
Speaker: Há um cuidar mascarado.
Speaker: Há um gostar mascarado, não é?
Speaker: Ah...
Speaker: quando falamos às vezes no que é a definição do amor.
Speaker: o cuidar do outro.
Speaker: ou admirar o outro às vezes tudo isto é mesmo muito mascarado e aí pode -se...
Speaker: Um único filtro.
Speaker: Que eu creio.
Speaker: existiram.
Speaker: para aquilo que é de facto a diferença entre o amor e o desamor.
Speaker: é alteridade. Com certeza.
Speaker: Claro, todos os sítios são de uma volta ligado.
Speaker: São sempre sete jovens.
Speaker: Exatamente.
Speaker: Também tudo.
Speaker: pelo menos de fusão identitária e portanto normalmente
Speaker: Pelo menos barraca vai...
Speaker: Pronto.
Speaker: Feche sua cabeça.
Speaker: Fecha a sua cabeça.
Speaker: Até à próxima. Beijinhos.
Speaker: Divãs.
Speaker: A psicanálise?
Speaker: O mundo.
Speaker: Um rock 'n 'roll.