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Episódio 44

Três Divãs
Três Divãs

78 plays · Sep 1, 2026

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Speaker: E aí

Speaker: Desde vós.

Speaker: A psicanálise?

Speaker: O mundo.

Speaker: O rock 'n 'roll.

Speaker: enquanto conversava comigo sobre o disco de hoje

Speaker: mesmo antes de começar a escrever sobre o mesmo, estava aqui a fazer um scroll no Instagram.

Speaker: E eis que me deparo.

Speaker: que com uma notícia do público sobre o novo livro de Adam Phillips, psicanalista britânico.

Speaker: E aí

Speaker: A vida que queremos.

Speaker: Tchau.

Speaker: Os excertos escolhidos pelo público para o Instagram são os seguintes.

Speaker: Certo de entrevista.

Speaker: Tchau.

Speaker: Culpar a infância é uma forma de misoginia.

Speaker: E aí

Speaker: E culpar as mães?

Speaker: Parece -me uma das coisas mais graves que fazemos.

Speaker: Há uma tentação persistente, na psicanálise e fora dela, de pensar que as mulheres existem para nos fazer sentir melhor e que, enquanto não o fazem, estão a ser cruéis. Mas as nossas mães são pessoas.

Speaker: Há uma misoginia profunda na maneira como pensamos o desenvolvimento e na cultura em geral.

Speaker: O passado é irredimível e temos de o deixar em paz.

Speaker: Por isso está sempre disponível como matéria de arrependimento e autopunição.

Speaker: Tchau.

Speaker: Só aquilo que fizemos...

Speaker: Importa.

Speaker: não o que deixámos por fazer.

Speaker: A pergunta não é.

Speaker: o que não consegui fazer na vida.

Speaker: Mas o que quero fazer amanhã?

Speaker: Eu concordo.

Speaker: em quase absoluto com tudo o que o Adam Phillips disse mas irei pegar nestes certos para fazer

Speaker: precisamente jus ao álbum que eu e a Patrícia Câmara vamos ter hoje.

Speaker: aqui no nosso divã.

Speaker: No texto que acompanha o post no Instagram do público, também está escrito assim.

Speaker: E aí

Speaker: A vida que queremos, de Adam Phillips, faz conviver duas tradições incompatíveis.

Speaker: A psicanálise freudiana recorda -nos que a infância

Speaker: A dependência e o inconsciente participam nas escolhas.

Speaker: O pragmatismo de William James e Richard Rorty

Speaker: psicólogo.

Speaker: e filósofo, perguntam

Speaker: O que podemos fazer a seguir?

Speaker: e autoriza a redefinir o passado.

Speaker: Philips...

Speaker: precisa de ambos para impedir uma história.

Speaker: que uma história se transforme num destino e a liberdade de escolha numa fantasia de omnipotência.

Speaker: O desejo aprende -se com os outros e é através da imaginação que chegamos a conhecê -lo.

Speaker: Não existe uma vida boa sem as condições políticas.

Speaker: que a tornam possível.

Speaker: Tchau.

Speaker: Perdoem -me o número de palavras transcrito do público, mas são as palavras necessárias tanto ao esclarecimento...

Speaker: Quanta confusão!

Speaker: O disco de hoje é genial.

Speaker: Já o autor das letras de gênio só tem o mal.

Speaker: Mas é brilhante. E é brilhante porque conseguiu num só disco fazer a revolução necessária à saúde mental.

Speaker: Obrigada.

Speaker: Política, solidão e amor.

Speaker: São as três coisas preciosas que nos matam.

Speaker: e sobre as quais devemos conversar durante um passeio onde está calmo e seco.

Speaker: Quem o diz é o Morrissey, que aos 27 anos já tinha presentemente...

Speaker: Dor tão lúcida.

Speaker: Tchau.

Speaker: Como não ficar enlouquecido aos 67?

Speaker: Para a pergunta retórica, uma resposta

Speaker: A companhia do outro.

Speaker: Na companhia do outro, a dor não é dilacerante.

Speaker: O que só é possível se a tivermos verdadeiramente.

Speaker: A companhia.

Speaker: na infância.

Speaker: Tchau.

Speaker: caso não a tenhamos tido, iremos procurá -la uma vida.

Speaker: nos não lugares.

Speaker: E é só neste lugar.

Speaker: não lugar.

Speaker: que deve estar a prudência.

Speaker: E aí

Speaker: A prudência que acompanha a viagem mais bonita à infância. Aquela que se faz entre o psicanalista e a pessoa que o procura para ser acompanhada neste passeio.

Speaker: onde está calmo e seco.

Speaker: Obrigado.

Speaker: E não o fazemos.

Speaker: Eu e a Patrícia Câmara e tantos outros nossos contemporâneos, colegas e amigos

Speaker: para culpar as mães.

Speaker: As mães são a vida.

Speaker: O mundo.

Speaker: Fazemos -o para identificar as causas da procura de não lugares no presente.

Speaker: Tchau.

Speaker: Aliviar a culpa.

Speaker: É o que pretendemos com este interlúdio.

Speaker: Por isso não culpamos a vida.

Speaker: Encontramos sim responsabilidades e mergulhamos acompanhados na solidão para mais à frente compreendermos as nossas mães.

Speaker: Os nossos pais. Aceitarmos o que dói e percebermos que somos os únicos responsáveis.

Speaker: Por tudo.

Speaker: na nossa vida.

Speaker: E que?

Speaker: Por isso mesmo.

Speaker: podemos escolher a vida que queremos.

Speaker: E...

Speaker: É tão bom.

Speaker: Quanto isto.

Speaker: Não precisamos esmagar a raça humana para o fazer.

Speaker: Como diz o Maurício.

Speaker: No Big Mouth Strikes Again.

Speaker: E por isso mesmo.

Speaker: Estou tão grata aos de Smith.

Speaker: principalmente ao Morrissey e ao Johnny Marr.

Speaker: que conseguiram colocar tudo isto nos 36 minutos e 48 segundos do Queen is Dead, no dia 16 de junho de 1986, há 40 anos a fazer -me companhia e a conversar comigo.

Speaker: Uma sessão.

Speaker: Ou uma lição de psicanálise.

Speaker: onde só na responsabilidade.

Speaker: Solitária.

Speaker: A nossa.

Speaker: Saberemos amar.

Speaker: E ser amados.

Speaker: É verdade ou não, Patrícia, que estás à procura de uma caneta que eu te vou dar?

Speaker: Obrigado.

Speaker: Boa tarde, Patrícia.

Speaker: Patrícia ficou sem voz com o meu texto. Não posso acreditar.

Speaker: Fiquei sem voz com o teu texto e a minha caneta até ficou sem tinta.

Speaker: Gastámos a tinta toda nesta introdução.

Speaker: não gastaste a tinta toda mas escreveste tudo

Speaker: E eu só te posso estar grata, estava até ainda a reverberar internamente, até fiquei com a música do Sérgio Godinho na cabeça, naquela do É tão bom, um mami. Ah, foi muito bom.

Speaker: Mas por esta questão da companhia que está a fazer...

Speaker: quando falaste, e do resgate da complexidade. Por isso estou mesmo grata. Acho que têm sido momentos mesmo difíceis.

Speaker: Obrigado.

Speaker: Em todos os sentidos.

Speaker: aquilo que vamos vendo e vamos vivendo.

Speaker: E portanto este resgate da capacidade de olhar para as coisas e não ficar numa superfície, estou a pensar que...

Speaker: O público...

Speaker: Ainda não leu o teu livro?

Speaker: por isso é que foi citar o

Speaker: O Adam Phillips. O meu e o teu.

Speaker: o nosso, o nosso os nossos que ainda estão para sair

Speaker: Diz. Estava só a pensar nisto, mas se calhar ia dar um salto muito grande. Se calhar ainda quer dizer qualquer coisa.

Speaker: Olha, ia dizer só...

Speaker: que peguei nisto.

Speaker: nós já vamos ao álbum, não é? que é extraordinário mas eu peguei nisto porque

Speaker: Eu ia começar a escrever.

Speaker: Obrigado.

Speaker: O álbum...

Speaker: A mim este álbum facilita -me a escrita da psicanálise.

Speaker: Mas por acaso fiz um scroll, porque eu já estava até com a estrutura do texto na minha cabeça.

Speaker: E que de repente faço o scroll e encontrei esta notícia.

Speaker: E...

Speaker: e eu gosto dele, eu gosto do Adam Phillips mas achei importante perante aquilo que o público escolheu

Speaker: passar só esta ideia.

Speaker: É de que a psicanálise vai para além de Freud.

Speaker: Obrigada.

Speaker: Mas usa o Freud... Até o próprio Freud e a para além de Freud. Exatamente. E usa o Freud para... Mas quer dizer, o Freud é a penicilina da medicina, não é?

Speaker: Ou seja, a medicina também vai para além da penicilina.

Speaker: E nós não estamos sempre a falar do que a penicilina faz ou deixa de fazer. E há um excessivo...

Speaker: Enfoque Enfoque no Freud

Speaker: O frijol...

Speaker: o Freud é absolutamente necessário e fundamental para aquilo que é a psicanálise sem ele ela não existiria

Speaker: Mas, quer dizer, a psicanálise hoje, atualmente...

Speaker: É outra coisa. Quer dizer...

Speaker: É a mesma coisa, mas diferente, não é? Deixa -me só resgatar porque acho que vai ao encontro do que estás a dizer e daquilo que até escreveste.

Speaker: mas há como se existisse também um desejo.

Speaker: que não pode ser de forma nenhuma debelado, de que o Freud tivesse que ser Deus, não é? É porque há uma idealização implícita, permanente, o que é assustador, não é? Porque vem todos os quadrantes, como se o Freud tivesse que ter dito tudo, e tudo em estrado puro.

Speaker: E, portanto, ao mesmo tempo é muito infantil como é que a leitura que é feita tantas vezes sobre a psicanálise, dentro e fora dela, vai a este lugar desta maneira. É o que tu dizes, não é? Há um crescimento, o crescimento faz -se a partir de uma base, aliás, como dizemos das mães.

Speaker: das mães, ainda agora podemos pôr no sentido mais lá do termo, de quem cuida faz -se a partir da base, dos sítios como tu disseste maravilhosamente dos lugares, não lugares e dos lugares, lugares e portanto vamos crescendo a partir deles e é uma ousadia

Speaker: Errogante.

Speaker: Estamos permanentemente a achar que vimos aquilo que até o próprio Freud escreveu, porque muita coisa do que ele escreveu, se calhar nós nem percebemos o que é que ele escreveu. Assim como eu penso que...

Speaker: Acontece com todos, até nós agora, a falar do Adam Phillips, como eu. Estes movimentos de...

Speaker: De uma certa...

Speaker: Aniquilação temporal.

Speaker: e ao mesmo tempo de um desejo totalitário, que é assustador, tendo em consideração os tempos que correm.

Speaker: Sim.

Speaker: E...

Speaker: É...

Speaker: e ao mesmo tempo ir buscar a complexidade que tu estavas a referir que ao mesmo tempo é tão bom

Speaker: quando hoje ainda pegamos num texto de Freud que é maravilhosamente bem escrito e podemos dentro daquilo que somos hoje identificar

Speaker: É que eu...

Speaker: que ainda está cá e aquilo que já refutamos porque se calhar já não nos faz sentido.

Speaker: E... E... E...

Speaker: É esta coisa.

Speaker: É...

Speaker: de divisória, de binário, não binário, ou melhor, não é binário, de zero a um, que me chateia profundamente, porque é que não podemos pegar naquilo que...

Speaker: foram os primórdios da psicanálise, e ressignificá -los, não é? Sem ter que aniquilar quem os escreveu. Sim, sim. E exatamente como tu disseste, nem aniquilar, nem endeusar, não é? Sim, mas é isso.

Speaker: E continuando, e no fundo sim, só podes não endeusar se puderes aniquilar em paz. E o que significa, não é aniquilar no sentido de destruir, é aniquilar no sentido de poder pensar com e ir deitando fora aquilo que não vai fazer sentido.

Speaker: Eu acho que é extraordinário como é que tu foste buscar este excerto.

Speaker: a partir da escuta do álbum que se chama The Queen Is Dead exatamente

Speaker: Obrigado.

Speaker: Tchau.

Speaker: e sabes porquê

Speaker: Porque ao longo de todo o álbum nós vemos o que a psicanálise faz, que é o que o Morrissey faz no álbum. Integração.

Speaker: Integrar. É possível integrar o Freud.

Speaker: mesmo que eles já os tenhamos refutado.

Speaker: É possível integrar.

Speaker: Sem ter que aniquilar.

Speaker: Ou cleaver.

Speaker: e o Maurice faz isso mesmo com a escolha do próprio nome do álbum exatamente

Speaker: É possível dizer da Queen Isideto porque é tudo à volta da existência da Queen. Não há da Queen Isideto nenhum. Portanto, a aniquilação total, esta ideia totalitarista, é a morte total.

Speaker: pois a partir daí não há sentido nenhum.

Speaker: desta exigência que está a ser feita em todos os sentidos, esta exigência totalitária, que nos tem vindo a preocupar às duas muitíssimo, e que eu acho que tens toda a razão que este álbum contraria sem saber que contraria, ou sabendo que contrariava naquela altura, que seria contrariar agora também. Opa, mas não é extraordinário. E a intimidade, tu costumas falar sempre na questão da voz e da intimidade, e não há dúvida nenhuma que há um convite.

Speaker: A intimidade. Completamente. E houve uma coisa. Eu ainda me pergunto, e escrevi aqui, ainda me pergunto como é que aos 27 anos tem esta lucidez.

Speaker: Tchau.

Speaker: E...

Speaker: Em 1986.

Speaker: É inacreditável.

Speaker: e pronto, e depois ele vai ao sítio o pior é como é que aos 50, aos 60 e aos 30 e tal, e aos 40 e tal não se tem mas pronto

Speaker: mas olha, ele perdeu -a um bocado nós sabemos que por isso é que eu estava a rir -me aqui com o mau gênio dele toda a gente conhece o mau gênio quer dizer, conhece daquilo que...

Speaker: E aí

Speaker: Os que conhecem pessoalmente poderão falar melhor do que nós, que não o conhecemos pessoalmente, mas é aquilo que nós vamos podendo ver. A estrada é demasiado seca também.

Speaker: O mau gênio do Morrissey transformou -se numa coisa totalitarista agora. Mas quero dizer, ainda nem percebi muito bem como é que ele está a usar a palavra fascista para se assumir. Ainda nem percebi muito bem o que significa, o que é que ele pode ter para ele. Mas pronto.

Speaker: É incrível como uma pessoa diz que hoje.

Speaker: É fascista.

Speaker: Tenha um disco destes.

Speaker: Aqui está a prova de que podemos integrar sempre.

Speaker: até mesmo quando chega ao totalitarismo, podemos pegar.

Speaker: numa parte.

Speaker: E poder...

Speaker: E...

Speaker: Analisá -la.

Speaker: E ver aquilo que é bom. E...

Speaker: E tentar aumentar, não é?

Speaker: É aquilo que é bom.

Speaker: Tchau.

Speaker: E eu acho que este disco é todo mesmo bom.

Speaker: Patrícia.

Speaker: A dada altura. Não sei.

Speaker: Tchau.

Speaker: É...

Speaker: Ele fala nestas coisas fundamentais, que é a política, o amor.

Speaker: E a solidão.

Speaker: Tchau.

Speaker: de outras formas, mas pronto resumindo em três palavras acho que é mais ou menos isto

Speaker: E de facto temos aqui, eu acho que, os três pilares da vida, não é?

Speaker: Sim.

Speaker: Cresco.

Speaker: Quer que digas mais qualquer coisa sobre isto antes de começarmos a conversar sobre as nossas canções favoritas?

Speaker: Os três pilares fundamentais.

Speaker: Se não achas...

Speaker: É mole, é mole.

Speaker: E solidão. Solidão no sentido da solitude, como tu costumas. Sim.

Speaker: Absolutamente.

Speaker: Sim.

Speaker: E têm que estar profundamente entrelaçados. Não sei onde é que podíamos pôr humildade, sabe? Porque me mando com esta agora.

Speaker: Tá no humor.

Speaker: Está no amor, acho que sim, é um amor a sério. Eu tenho humildade presente.

Speaker: O amor que contém.

Speaker: humildade, alteridade, complexidade.

Speaker: A possibilidade de viver o desencontro e permanecer.

Speaker: Aguentar, suportar a diferença verdadeiramente, não querer pô -la no concreto como coisas absolutas.

Speaker: Acho que sim. Que isso tudo levaria a uma atitude política inscrita numa ética relacional que de alguma maneira nos vai.

Speaker: Parece um bocado deprimida hoje, não achas? Tu achas que estás deprimida? Não, não. Mas eu acho que o disco também nos leva um bocadinho para aí, não é?

Speaker: Eu acho que o disco nos leva para aquela palavra que tu todos os podcasts dizes. Eu estava a resistir. Que é paciente melancólica. Poembal melancólico.

Speaker: Que, de facto, só assim também eu consigo ir a estes lugares. Mas o que me está a fazer a coisa é a dificuldade em perceber como é que se larga a este lugar. O que é que acontece para a síndrome melancólica não estar a acontecer.

Speaker: Esta rejeição maciça da possibilidade de pensar isto que estamos a falar em profundidade.

Speaker: Tchau, tchau.

Speaker: este imediatismo de resposta este mergulho sem história que não é mergulho, não é?

Speaker: É que nem esse snorkeling chega, não é?

Speaker: Eu chamei.

Speaker: chapas permanentes. Portanto, nesta fragmentação total que começa a aparecer.

Speaker: É exatamente o oposto disto, não é? Eu acho que eu estava a dizer isto da depressão, é no sentido da decepção, da dificuldade de compreender.

Speaker: Como é que há tanta falta de respeito pela própria história das coisas, como começámos por dizer, não é?

Speaker: o acrescentar, o pensar.

Speaker: O revisitar lugares implica maturidade, não é? Mas estava a pensar também até numa experiência minha.

Speaker: mas associada até com o Coimbra de Matos que já te contei algumas vezes mas já disse isto noutras uma altura que fiquei muito zangada com ele

Speaker: porque achei que ele falava tanto de pressão.

Speaker: Depois, na prática, quando ele estava a apresentar uma vez um caso, uma pessoa que tinha uma grande depressão e ele estava muito irritado, que me dizia, tem que beber café, porque tem coisas assim.

Speaker: E eu pensei, então que é este homem que escreve sobre a depressão.

Speaker: E depois dele morrer, não é quando fomos fazer?

Speaker: Tchau, tchau.

Speaker: Não foi depois dele morrer que eu cheguei a este sítio, foi antes.

Speaker: Estava a conversar com o nosso colega, amigo João Boavida.

Speaker: sobre isto e uma vez até me dando um bocado de zangada e tal.

Speaker: E ele disse -me qualquer coisa nesta linha do...

Speaker: É.

Speaker: E, depois, você tem que comprar mais de uma opção.

Speaker: coisas que eu acho que tu também me disseste mas eu tinha a Coimbra também

Speaker: E aí

Speaker: E estava a pensar como foi fazendo as pazes com isso também.

Speaker: também dentro de mim. Ele não tem que ser Deus. Os analistas não terem que ser Deus. E estas pessoas que nós vamos encontrando pelo caminho não terem que ser Deus. Mas...

Speaker: Mas isto pensado neste terreno, não é? Um terreno em que podes ir compreendendo aquilo que vais sentindo, sem teres que achar que aquilo que estás a sentir é uma coisa que tem direito a existir por si só. Isso é que não merece a reflexão.

Speaker: Sim.

Speaker: Por isso acho que este álbum faz uma enorme reflexão.

Speaker: Sim, faz bem na reflexão.

Speaker: E...

Speaker: e agora pegando naquilo que já falámos

Speaker: Nem as mães têm que ser Deus. Nem têm os analistas, nem têm as mães que ser Deus.

Speaker: E.

Speaker: É...

Speaker: O que é completamente diferente, desculpa interromper -te, mas para não cair no mesmo lugar, não estamos a fazer isso, mas para nem corrermos esse risco, o que é diferente de não percebermos a responsabilidade do lugar que ocupamos na vida.

Speaker: Claro.

Speaker: Obrigado.

Speaker: E a capacidade ao não te dar colo. E a capacidade ao não te dar colo. Porque as mães podem.

Speaker: Te amo.

Speaker: ou não capacidade de dar colo. E em determinado tipo específico de momentos. Exatamente. E não sei que somos mais capazes de momentos que somos. Exatamente. E que... E estamos a dizer mais no sentido lado. Sim.

Speaker: E que acho que...

Speaker: Qualquer um de nós.

Speaker: Percebe?

Speaker: o impacto.

Speaker: pode ter.

Speaker: Amém na vida.

Speaker: Hum!

Speaker: Não é?

Speaker: Pronto.

Speaker: E...

Speaker: É...

Speaker: excluindo -o

Speaker: A culpa.

Speaker: Porque eu acho interessante eles irem buscar a palavra culpa.

Speaker: Uhum.

Speaker: Eles não, é o Adam Phillips mesmo que vai, jornalista que eu não sei qual é.

Speaker: Devia saber, mas não sei qual é o jornalista que...

Speaker: que fez isto.

Speaker: Um...

Speaker: do público.

Speaker: Mas...

Speaker: A palavra...

Speaker: Culpa.

Speaker: De facto, é muito pesada para aqui, não é?

Speaker: Porque...

Speaker: Para nós andarmos para a frente, nós temos que perceber

Speaker: A responsabilidade que temos sobre as coisas para conseguir fazer de facto escolhas.

Speaker: Sobre aquilo que queremos fazer no futuro.

Speaker: Sem dúvida, claro.

Speaker: E isso não tem que acertar a culpa. Nem culpados.

Speaker: tem que acarretar é a consciência. E nós percebemos perfeitamente o que é aquilo. Quer dizer, quando diz que a culpa aposta, ou seja, que esta responsabilização desta maneira culposa...

Speaker: das mais...

Speaker: é misógino, é real essa parte nem sequer é questionada mas não se pode sequer assumir que ela foi, que alguma vez isso foi escrito dessa maneira, ou que a psicanálise

Speaker: de profundidade.

Speaker: e de complexidade pensaria assim seria desmetaforizar não consigo dizer a palavra desmetaforizar a própria psicanálise o que vivo da metáfora

Speaker: É isso.

Speaker: vou até dizer, acho que estamos numa altura complicada e que a metáfora está, como já dissemos noutros episódios, a metáfora está a perder lugar.

Speaker: Precisamos de...

Speaker: Deu.

Speaker: resgatar, é a terceira vez que digo a palavra resgatar talvez se conseguia outra

Speaker: Muito obrigada.

Speaker: Mas precisamos disso.

Speaker: O que também não significa...

Speaker: Hum?

Speaker: Que não possa ter havido alguma misoginia no pensamento de Freud. Com certeza. Aliás, as coisas que o Foucault escreveu sobre a psicanálise são importantíssimas, não é? E é preciso desconstruir os conceitos absolutamente da cor de conta. Sim, sim. Até pela altura. Exatamente. Até pelo que se vivia na altura que ele escreveu.

Speaker: Agora, é preciso ser cauteloso na maneira como vamos desconstruindo, porque qualquer movimento mais simplista...

Speaker: Perde...

Speaker: um lugar e põe um totem com vida isso é

Speaker: A morte simbólica.

Speaker: É morte sim, é perda da riqueza, ficamos planos.

Speaker: O que não é nada pleno a este disco. Então, vamos lá. Patrícia.

Speaker: Boa noite.

Speaker: Ah...

Speaker: A tua cação favorita? Elas são todas boas. Nós não temos tempo para estar aqui a falar de todas.

Speaker: e portanto nós vamos falar daqui a pouco

Speaker: da que eu mais gosto.

Speaker: Pode ser.

Speaker: isto é a mesma coisa que dentro de tudo o que é chocolate que eu adoro ter que dizer o meu chocolate favorito quer dizer, mas é mais ou menos o I Know It's Over

Speaker: É espetacular.

Speaker: E porquê que eu gosto do Ano It's Over? Olha, por várias coisas, porque ele chama pela mãe.

Speaker: É.

Speaker: no momento da aflição.

Speaker: E quando chama pela mãe?

Speaker: num momento de aflição.

Speaker: E aí

Speaker: perante aquilo que...

Speaker: Foi uma perda.

Speaker: Foi ali a tomada de consciência da perda do amor.

Speaker: É...

Speaker: YOLO

Speaker: Vai diretamente à sua solidão.

Speaker: E consegue.

Speaker: fazer uma coisa espetacular.

Speaker: Que é...

Speaker: através de frases tão simples como se és tão inteligente porque é que estás sozinha à noite, se és tão...

Speaker: Como é que eu disse aqui?

Speaker: Como é que ele diz a dada altura? Se és tão engraçado, porquê é que estás sozinho esta noite? Se és tão divertido, porquê é que estás sozinho esta noite?

Speaker: E diz qualquer coisa deste género.

Speaker: Porque esta noite é como qualquer outra noite.

Speaker: Osso.

Speaker: Obrigado.

Speaker: Epá, um tipo que nós olhamos para ele que é super omnipotente, acho eu.

Speaker: Amor, me apetece.

Speaker: que eu acho que o Maurice transporta, ao mesmo tempo consegue despir -se disto e relativizar tudo aquilo que é.

Speaker: o nosso ser.

Speaker: O eu ser, não é?

Speaker: e colocar a responsabilidade nele.

Speaker: É...

Speaker: E que ao colocar essa responsabilidade está num lugar de solidão de facto.

Speaker: Mas que é necessário.

Speaker: Escalhar.

Speaker: para reconhecer.

Speaker: A diferença entre o eu e o outro.

Speaker: E poder a partir daí.

Speaker: perceber como é que se pode dar e receber através de uma relação.

Speaker: E é por isso que eu gosto tanto desta...

Speaker: letra.

Speaker: principalmente quando ele a dada altura diz uma coisa que é é fácil odiar e é fácil rir

Speaker: E é fácil odiar.

Speaker: E aí

Speaker: O que é preciso é necessária muita força para ser gentil constantemente. Ele até faz aqui com a história do over, que é o acabar da relação, mas ele depois usa aqui o over como...

Speaker: como palavra homónima.

Speaker: porque ele diz...

Speaker: É tão fácil de rir, é tão fácil de odiar.

Speaker: É estranho.

Speaker: To be gentle and kind.

Speaker: Over and over and over and over E eu acho que E por isso é que eu gosto tanto desta letra Porque esta letra Tem as verdades todas

Speaker: Claro que tem as minhas, não é?

Speaker: eu estou -me a projetar é assim porque é mesmo assim como nós sabemos as canções deixam de ser dele, passam a ser nossas se ele fosse falar sobre esta letra era o que ele queria, sabemos lá nós o que é que não é

Speaker: Agora, eu a falar desta letra, eu vejo isto nesta letra. E acho que esta canção...

Speaker: Tem tudo o que é preciso saber.

Speaker: Tchau, tchau.

Speaker: Sobrevida, pá.

Speaker: Entendes, não? Eu entendo. Hoje fico sem palavras. Tu falas e eu não consigo.

Speaker: Tchau.

Speaker: Acho que sim. Acho que é duríssima.

Speaker: É muito dura.

Speaker: porque vai lá o pior exatamente

Speaker: Não é.

Speaker: Mas lá está com a voz dele, há uma certa companhia. A voz e a guitarra, porque a guitarra é super melancólica do John.

Speaker: Permite -te ir lá a 100 % de 100 partidos. Sim.

Speaker: E por isso é que é espetacular.

Speaker: E aí

Speaker: Tem aquela parte de...

Speaker: Tchau.

Speaker: É o que tu dizias de tratar com kindness, não é?

Speaker: Uhum.

Speaker: Hum.

Speaker: ainda que ela precise, ele diz, ainda que ela precise.

Speaker: Mais.

Speaker: Do que te ama. Sim.

Speaker: essa era a outra essa era a outra lado mas

Speaker: Não ia dizer não, porque...

Speaker: Boa tarde.

Speaker: Obrigado.

Speaker: É o lado aqui, sim, da solidão senana.

Speaker: Uhum.

Speaker: Pronto.

Speaker: Não, mas diz porque isso é mesmo importante É eu ia lá

Speaker: E ela é de outra forma.

Speaker: Tá bom?

Speaker: que é esse o sítio onde muitas vezes estamos antes de uma psicanálise

Speaker: Exato, também. E depois?

Speaker: com uma psicanálise podemos ir a esse sítio

Speaker: Não é esse, podemos ir ao outro, em que de facto dizemos assim, eu não preciso, eu gosto de ti.

Speaker: Sim.

Speaker: percebes? É, mas com essa firmeza que não é, ou seja, acho que sim, mas era só por causa da questão do caindo nas ruas, como estou irritada, vai assim. Então vá. Não, não, é só dizer isto, não é que...

Speaker: tomada de consciência, também é o que a psicanálise também dá, é a possibilidade de saberes que não tens que estar com a carne no sítio onde o outro precisa e não sabe amar. Ah, sim, claro. Era só aproveitar para fazer aqui um bocadinho para reforçar a ideia da tal solitude ou daquilo que é a solidão total que é o face a face com a desumanização. A desumanização.

Speaker: quer dizer que tu gostas de salsas eu não gosto mas

Speaker: Exato.

Speaker: E pronto, demos aqui as duas perspectivas, não é? A perspectiva do sítio onde...

Speaker: A imaturidade.

Speaker: Não é?

Speaker: Há uma imaturidade.

Speaker: Nos adultos, não estamos a falar de adultos, não estamos a falar de crianças, que isto nas crianças não é imaturidade, mas há uma imaturidade nos adultos que de facto precisam.

Speaker: Não é?

Speaker: Mais do que ama. Isso.

Speaker: E...

Speaker: A partir desta imaturidade...

Speaker: Há duas hipóteses.

Speaker: Você faz uma psicanálise e de facto conseguimos.

Speaker: podemos conseguir chegar ao sítio.

Speaker: onde há um amadurecimento.

Speaker: Ou então...

Speaker: ao outro lado.

Speaker: Canoei.

Speaker: que não consegue relação.

Speaker: E que é exatamente isso tudo que tu disseste.

Speaker: que é o sítio onde depois...

Speaker: Quem de facto consegue amar?

Speaker: Uhum.

Speaker: Não.

Speaker: pode continuar constantemente a dar amor a quem não sabe sequer reconhecer ou receber.

Speaker: Exato.

Speaker: E é só zerar o tacozinho.

Speaker: É só por...

Speaker: por esta parte da letra, não é? Que a mim gostei, por causa do tom irónico também que tem, não é?

Speaker: E...

Speaker: Só para dizer o quê? Ah, que fica com uma certa inveja boa.

Speaker: Disto que é a possibilidade que tu tens quando...

Speaker: Escreve -se uma música.

Speaker: Poder dizer livremente aquilo que realmente nós, como psicanalistas...

Speaker: em determinados momentos mas nem estou a falar das sessões de terapia porque aí é completamente diferente as coisas podem -se pôr

Speaker: mas em determinadas situações.

Speaker: Não nos é dado o direito público de poder...

Speaker: dizer tão livremente estes lugares, não é? Brincar, pôr a coisa de uma maneira mais irónica. Agora fiquei com uma ligeira inveja de poder dizer esta parte.

Speaker: Que tu há bocado disseste, não é?

Speaker: porque é que sabes isto tudo e és tão bom

Speaker: Porque é que estás...

Speaker: por tua conta, desta maneira tão...

Speaker: Só.

Speaker: Esta noite.

Speaker: Uhum.

Speaker: Sim.

Speaker: Muito bem.

Speaker: Pronto. Isto é por isso que eu gosto desta do I Know It's Over. Mas tu escolheste...

Speaker: Eu escolhi a melancólica pura, não é? Então vá.

Speaker: Durskul Yurt, There's a Light That Never Goes Out.

Speaker: Não, não, não.

Speaker: É isso aí.

Speaker: Não.

Speaker: queres que eu comece eu ou queres que eu fale? não, fala tu então, tu é que escolheste

Speaker: Bom, eu acho que escolhi

Speaker: Estava a dizer, parece mesmo que é aquela...

Speaker: Talvez seja mesmo a mais melancólica, no sentido, ao mesmo tempo, do tal desejo.

Speaker: de um sítio.

Speaker: de uma companhia

Speaker: profunda.

Speaker: apesar de não totalitária mas que tem como estrela guia uma sintonia absoluta talvez

Speaker: Parece que está muito lá.

Speaker: como pano de fundo, para poder pensar essa mesma impossibilidade.

Speaker: há sempre esta there is a light that never goes out eu acho que é a manutenção destas trilogias a sintonia pura

Speaker: Tchau.

Speaker: que se sabe para sempre impossível. Lá está.

Speaker: Pela possibilidade que também nos é dada por esses seres que nos permitem vir ao mundo.

Speaker: que é o desumbigamento.

Speaker: De zumbigamento. De zumbigamento. De centramento. De sentido de centramento.

Speaker: Mas era também para cortar, no fundo, a possibilidade que tens de desumbigar no sentido mesmo da identidade.

Speaker: e de que maneira é preciso suportar.

Speaker: essa solidão desse movimento.

Speaker: Obrigado.

Speaker: Como tu disseste e bem, legumes no teu texto também, eu penso, quando começaste a falar.

Speaker: que só é possível, claro, de certa maneira, com um embalo suficientemente suficiente, não é como dizia aquele psicanalista brasileiro que não me lembro o nome.

Speaker: para tornar este movimento possível.

Speaker: É isto.

Speaker: Acima de tudo, posso ir buscar bocados se quiseres, mas a minha ideia principal...

Speaker: Acho que há qualquer coisa que é de uma intensidade tal que está presente na música que é...

Speaker: Qualquer coisa que parece dar sentido à própria existência. Mas porque não pode ser vivida...

Speaker: Na totalidade.

Speaker: Se fosse, acabava com ela.

Speaker: Uhum.

Speaker: Acho que está extraordinário isso. Sim.

Speaker: Não viste nada? Ouvi. Estava a pensar nisto em termos da esperança, não é?

Speaker: Ou seja... É a estrela guia da esperança, sem dúvida nenhuma. É a estrela guia da esperança, sim, sem dúvida.

Speaker: mexe,

Speaker: É...

Speaker: Esse sítio onde tu estás a dizer que não se pode viver na totalidade, de facto...

Speaker: Também é entrega cega à esperança.

Speaker: entrega total cega à esperança que também não...

Speaker: E aí

Speaker: É...

Speaker: Também é pregosa, não é?

Speaker: É isso.

Speaker: É que implica a tal síndrome melancólica. Tens que ter como estrela guia esta ideia de que há uma luz que está lá sempre presente, mas lá está, é uma estrela.

Speaker: Já morreu. Exatamente.

Speaker: É o sítio onde entra a responsabilidade.

Speaker: Não é?

Speaker: Tens que ir, tens que pôr os pés no chão.

Speaker: É por isso que o Maurice sai no ano oito sobre o centro do chão a cair -lhe sobre a cabeça tão pesado que é. Eu gosto aqui muito de uma coisa, mas isto já vai aqui à cena mais visceral.

Speaker: Que...

Speaker: Aquela.

Speaker: Fique.

Speaker: que a dada altura ele diz.

Speaker: É...

Speaker: Se tiverem um acidente, se um...

Speaker: Se um carro bater contra ele, se houver um caminhão de 10 toneladas for contra nós, morrer ao teu lado é um...

Speaker: É um privilégio.

Speaker: Este acho que é o sítio.

Speaker: onde tu não te sentes abandonado na queda, não é?

Speaker: É, não sei onde é que vi no outro dia.

Speaker: Qualquer coisa que transmite esta ideia.

Speaker: Mas era -se uma espécie de gratidão.

Speaker: pela hipótese de coincidir no tempo.

Speaker: Como é que temos o David Bowie?

Speaker: E olha, este também, este é outro.

Speaker: Vou arrebentar lá já com o da Coenizete Porque é conosco Conosco

Speaker: Eu acho que a minha mãe fica assustada quando houve estas coisas. Diz -me sempre, vê lá se não estás a ficar.

Speaker: Tchau.

Speaker: Obrigada.

Speaker: Mas é verdade.

Speaker: Exatamente.

Speaker: Não, não, mas é... Estás a brincar? Não, estás a brincar não, estás a falar a sério. Vamos chamar... Não, agora estamos a falar de nós, não é? Estamos a falar mesmo de nós, porque o Bo e o Maurice aí acaba por ser o plano simbólico, não é? Exatamente. Pronto, mas agora é que tu disseste que estamos a falar de nós e claro que é um privilégio poder morrer ao teu lado, Patrícia Câmara. Muito bem.

Speaker: E...

Speaker: Mas é isso que é bom nas relações e que nos mantém cá.

Speaker: Na luta, não é?

Speaker: Eu acho que não há muito mais a dizer. Ouviria infinitamente.

Speaker: E aí

Speaker: O que é o meu primeiro disco?

Speaker: Só os títulos.

Speaker: Some girls are bigger than others, por exemplo. Só os títulos, o que nós poderíamos. Depois vamos ver as letras e nem tudo podemos...

Speaker: Podíamos extrapolar aqui o que... Mas acho que parece -me que...

Speaker: O essencial está dito.

Speaker: E que faca.

Speaker: Acho que temos que brindar às mães.

Speaker: temos que brindar às mães, obviamente com muita gratidão

Speaker: E...

Speaker: E ao Freud.

Speaker: Com muita gratidão.

Speaker: Se não, também é para você sentir aquela frase icônica, não é? Quando você diz uma coisa, mas você quer dizer sua mãe.

Speaker: Sim.

Speaker: Sim, mas eu ainda estava aqui a pensar.

Speaker: E de agradecer ao Maurício também.

Speaker: É...

Speaker: Porque...

Speaker: Que...

Speaker: Porque a dureza deste álbum...

Speaker: Porque é um álbum que tem outras que são mais leves e outras que são mais duras. Mas é a dureza deste álbum que nos dá mesmo um...

Speaker: Hum...

Speaker: Um chapadão.

Speaker: Dá pra ter embalo.

Speaker: Se não, não. Só desmatá -lo.

Speaker: Uhum.

Speaker: E como estas duas coisas são...

Speaker: São tão espetaculares.

Speaker: Para a humanização.

Speaker: Absolutamente.

Speaker: Então...

Speaker: Até para o mês que vem.

Speaker: Obrigada.

Speaker

Speaker

Speaker

Speaker

Speaker

Speaker

Speaker

Speaker

Speaker

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