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#006 - Vinicius Cyrillo (Treinador de atletas paralímpicos)

Mosaico de Ideias
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38 Plays1 year ago

Papo muito legal com Vinicius Cyrillo, treinador de tênis paralímpicos.

Instagram: @viniciuscyrillo

Transcript

Intro

Introdução ao episódio e ao convidado

00:00:09
Matheus Lemos
Saudações surfistas da internet, tudo bem com vocês? Vai começando agora mais um episódio do nosso podcast Mosaico de Ideias. Aqui toda ideia é bem-vinda.
00:00:21
Matheus Lemos
No episódio de hoje, nós vamos falar sobre um assunto relacionado a algo que tomava conta dos noticiários tempos atrás, que são as paraolimpíadas. Vamos chamar aqui agora um treinador de atletas paraolímpicos, Vinícius Cirillo. Tudo bom, Vinícius? Seja muito bem-vindo ao nosso podcast.
00:00:41
Vinicius Cyrillo
Tudo bem, Matheus. E você?

Início de Vinícius no esporte paralímpico

00:00:43
Vinicius Cyrillo
Obrigado pelo convite.
00:00:46
Matheus Lemos
Eu que agradeço, cara. Eu que agradeço. Acho que é um assunto bem interessante, né? Mas vamos começar do início, né, cara? Contar um pouquinho do Vinícius, da sua trajetória. Como que você se tornou um treinador de atletas para oímpicos? Qual é a sua formação? Você teve que fazer algum tipo de curso específico? Compartilha com a gente a sua experiência.
00:01:10
Vinicius Cyrillo
Bom, então, eu caí no esporte paralímpico totalmente de paraquedas. Eu sempre fui apaixonado por esportes, praticante de esportes. Na época da escola, jogava futsal, jogava num rendimento escolar, distrital. conseguia até classificar para alguns torneis nacionais. E tinha aquele grande sonho de participar dos maiores eventos do mundo, de ser um atleta.
00:01:36
Vinicius Cyrillo
E por conta disso, na hora da decisão da profissão, eu escolhi estudar Educação Física na faculdade. Eu entrei na faculdade Educação Física, fui tendo vários tipos de experiência, e quando eu estava no terceiro semestre, o meu antigo treinador de futsal da escola estava trabalhando com um time de futebol de cegos.
00:01:57
Vinicius Cyrillo
E ele me chamou para ajudá-lo. Para quem não sabe futebol de cegos, tem algumas pessoas que enxergam para administrar o time, né? Uma delas é o goleiro, ele enxerga e ele administra parte mais da defesa. O treinador, ele administra entre a defesa e o ataque, então ali o meio de campo. E tem uma pessoa que fica atrás do gol, que é o chamador. Essa pessoa, ela administra o ataque.
00:02:22
Vinicius Cyrillo
pro atleta saber onde é que ele tem que chutar, onde é que estão o adversário, que tipo de drible ele tem que fazer. E na época ele me convidou pra ser esse chamador. E eu gostava de futsal, né? Então assim, eu tava na educação física, eu aceitei o convite como voluntário. E foi meu primeiro contato com o esporte paralímpico.
00:02:43
Vinicius Cyrillo
E eu conheci esse mundo e surgiu uma vaga de estágio nesse local onde eles treinavam.

Eventos internacionais e crescimento do esporte

00:02:50
Vinicius Cyrillo
eu fazia um trabalho voluntário aos sábados, de manhã, e surgiu uma oportunidade de fazer estágio durante a semana, que era em outras modalidades. E eu fui conhecendo os outros esportes paralímpicos que tinha lá, natação, atletismo, badminton.
00:03:07
Vinicius Cyrillo
E o esporte que eu mais gostei, que foi o que eu me interessei e me aprofundei hoje, me deu muitas, muitas coisas, muitas oportunidades, foi o tênis em cadeira de rodas.
00:03:19
Matheus Lemos
interessante cara bacana porque assim é você falou é interessante então no caso do futebol de cegos nem todos tem alguma alguma deficiência o caso do do tênis
00:03:36
Matheus Lemos
com cadeira de rodas, não tem

Brasil como potência paralímpica e desafios

00:03:39
Matheus Lemos
ponto de fugir. Todo atleta tem que ter essa condição. Você chegou a participar de algumas olimpíadas, viajou para o mundo, treinando. Como é essa experiência? Como é participar de um evento dessa grandeza?
00:03:58
Vinicius Cyrillo
Nossa, e foi a realização do sonho de criança. Então, quando eu era criança, aficionado por esporte, a cada quatro anos assisti muito mais os Jogos Olímpicos, até que até hoje, infelizmente, é o que mais é divulgado, o que mais passa na televisão. E aí, quando chegava naquela época dos Jogos Olímpicos, eu parava, assistia a abertura, assistia ali, ficava naquela imersão ali de duas semanas, assistindo tudo.
00:04:25
Vinicius Cyrillo
E sonhando, mas sabia que tinha passado dessa fase de ser um atleta, porque normalmente começa muito cedo, eu tinha inspirado, mas eu sonhava com as Olimpíadas.
00:04:29
Matheus Lemos
Sim.
00:04:37
Vinicius Cyrillo
E quando eu comecei, quando eu conheci o tênis,

Regras e visibilidade do tênis em cadeira de rodas

00:04:41
Vinicius Cyrillo
o meu primeiro contato com o tênis foi com atletas que tinham participado de jogos paralímpicos, tinha participado todo ano dos mundiais de tênis cadeira de rodas. Então eu caí de paraquedas num lugar onde tinha os melhores atletas do Brasil que batia de frente com os atletas do mundo. E esse foi o meu primeiro contato, eu lembro até hoje.
00:05:02
Vinicius Cyrillo
O professor, que na época o treinador deles, perguntou se jogou tênis. Eu tinha brincado no clube, nunca tinha feito aula. Eu falei, não, joguei. ele me deu uma raquete na mão e falou, então joga com essa atleta aí. A menina tinha participado para a Olimpíada, era número um do Brasil, era muito boa no mundo já. E cara, eu não via bola, não conseguia acertar a bola, controlar.
00:05:09
Matheus Lemos
Sim. Caramba. Sim.
00:05:29
Vinicius Cyrillo
Eu acho que até essa experiência que foi o que me deu aquele clique assim de falar, não, eu tenho que aprender esse negócio, tenho que jogar com essas pessoas. Eu em aqui, ela tava na cadeira de rodas e eu tomando aquele couro até pra gente ver o nível realmente. A gente acha que...
00:05:45
Matheus Lemos
Sim! Sim! Ah, imagina! Olha só!
00:05:47
Vinicius Cyrillo
Tem muita gente que acha que o esporte para pessoa com deficiência é um esporte assim de coitadinho, de inclusão, mas quando chega nesse ponto do alto rendimento realmente é alto rendimento. E tem muitos atletas de várias modalidades que tanto é que a gente está vendo agora, existem alguns atletas que além de disputar as Paralimpíadas também estão conseguindo se classificar para as Olimpíadas.
00:06:12
Vinicius Cyrillo
Então você que é um nível alto, e muitas vezes eles conseguem bater de frente com atletas sem deficiência também.

Apoio financeiro para atletas paralímpicos no Brasil

00:06:20
Vinicius Cyrillo
E isso foi... abriu ali a minha mente, assim, eu falei, nossa, eu quero aprender esse esporte, eu quero dar um jeito, e foi que eu me aprofundei. Isso, eu...
00:06:21
Matheus Lemos
Pô, que interessante. Pô, que bacana. Então, hoje você é treinador de atletas para olympus, mas de tênis, né? Somente de tênis ou...
00:06:41
Vinicius Cyrillo
Eu trabalho nesse centro onde eu conheci o esporte paralímpico, onde eu tive contato, mas a minha especialidade hoje é o tênis, e responder na sua pergunta. Eu comecei a sonhar com aquilo na época que eu comecei lá, foi em 2010. Então, os atletas estavam meio que na reta final para participar das Olimpíadas de Londres 2012, nas Paralimpíadas.
00:06:55
Matheus Lemos
Perfeito.
00:07:02
Vinicius Cyrillo
E eu comecei a vislumbrar aquilo, né? Falei, nossa, um dia eu quero estar com ele nesses eventos, conhecer esse maior evento que eu assistia quando eu era criança. E eu tive algumas felicidades dentro do esporte, me tornei treinador de alto rendimento. Hoje eu componho a seleção brasileira de tênis cadê de rodas. participei de duas Paralimpíadas, então eu estive na de Tóquio, que era 2020, virou 2020 como quando a pandemia.
00:07:31
Vinicius Cyrillo
E agora retornei recentemente dois meses atrás de Paris, participei de sete campeonatos mundiais de tênis cadeira de roses, então sete anos que eu venho participando junto com a seleção, conheci mais de 22 países, então assim, o tênis, antes eu não tinha nem passaporte quando eu comecei a trabalhar com eles,
00:07:52
Vinicius Cyrillo
E eu tive que fazer um passaporte às pressas que surgiu uma oportunidade de viajar com eles para a África do Sul. E dentro disso rodei vários países, vários torneios internacionais, campeonatos mundiais, duas Paralimpíadas e também os últimos jogos para pan-americanos de Santiago em 2023. Com certeza.
00:08:11
Matheus Lemos
Que bacana. O Brasil é considerado uma potência paralímpica. Ficou em quinto nessa de Paris agora? Ficou em quinto.
00:08:25
Vinicius Cyrillo
Ficou em quinto em relação àquele quadro de medalhas de ouro por dois ouros, mas em quantidade de medalhas ele até superaria o quarto lugar, que foi a Holanda. E aí, se for olhar a quantidade de medalhas, o Brasil ficaria em quarto. Se for naquela lógica do quem tem mais ouro ficar na frente, a gente seria o quinto.
00:08:44
Vinicius Cyrillo
E muitos anos a gente vem ali top 10, essa foi a melhor campanha que teve no país, o quinto lugar, recorde de medalhas, e a cada edição das Paralimpíadas a gente tem um crescimento.
00:08:44
Matheus Lemos
Legal!
00:08:57
Matheus Lemos
Bacana cara, bacana. Isso é bem legal, né? É o que você falou. A gente tem que tirar esse estigma de das paralimpíadas ser algo, ah não, coitadinho não. Eu vejo que as pessoas têm um alto rendimento, haja a vista o seu depoimento que você tomou um por dessa atleta.
00:09:17
Matheus Lemos
Eu queria te perguntar, você como professor, como treinador, se você tinha algum desafio, se é diferente, se você chega num certo limite de exigência ou não. Bota para a moeda da mesma maneira se fosse uma pessoa sem deficiência. Sim.
00:09:18
Vinicius Cyrillo
É.
00:09:41
Vinicius Cyrillo
Quando a gente olha o atleta como um atleta sem deficiência, é claro, uma coisa que a gente aprende a trabalhar quando a gente está com esse público que tem deficiência, é claro que eles vão ter algumas limitações.
00:09:54
Matheus Lemos
Sim. Sim.
00:09:56
Vinicius Cyrillo
Hoje eu sou treinador da seleção de uma categoria que chama quad. O tênis tem apenas duas categorias, isso também é uma peculiaridade dos esportes paralímpicos que você não tem, tipo atletismo, corrida de 100 metros, é todo mundo igual. Então você tem algumas classes, algumas subdivisões, porque existem inúmeras deficiências e é uma tentativa de acoplar deficiências iguais para até ficar justo.
00:10:23
Vinicius Cyrillo
Então, no tênis cadeira de rodas, por exemplo, a única questão é você ter uma deficiência que acomete os membros inferiores. Então, se você tiver alguma deficiência que te impedir de correr de forma a 100% e ser competitivo contra os andantes, que a gente chama quando os atletas têm deficiência, você está apto a jogar tênis sentado na cadeira de rodas.
00:10:33
Matheus Lemos
Entendi.
00:10:48
Vinicius Cyrillo
Mas dentro disso, existem pessoas que usam cadeira de rodas no dia a dia, que têm a lesão medular, existem pessoas que têm amputação nos membros inferiores e então elas não usam no dia a dia, elas usam prótese, muleta e sentam na cadeira apenas para jogar. Então, existem vários tipos de deficiência, várias alturas.
00:11:07
Vinicius Cyrillo
E é dividido
00:11:08
Matheus Lemos
Legal.

Melhorias e aspirações do Brasil no esporte paralímpico

00:11:09
Vinicius Cyrillo
em duas, uma seria open, que seria meio que o público geral, assim, quando você entra no esporte, você entra na open. E tem uma subdivisão chamada quad, que vem da palavra quadraplégico, tetraplégico. Então, além de ter comprometimento nos membros inferiores, você precisa ter algum comprometimento na parte superior do corpo. Então pode ser uma perda de força, falta de dedos, ou uma lesão muito alta aqui, se você não tem a tronco.
00:11:33
Vinicius Cyrillo
E quando você, principalmente nessa categoria quad, você umas coisas incríveis assim, né? E quando você trabalha com uma pessoa com deficiência, tem que ter um certo olhar de ver as limitações, mas a gente não foca muito assim, ah, o que ela não pode fazer? Porque isso não me interessa, se ela não consegue fazer, não pode? É bola pra frente, a gente tenta ver
00:11:55
Vinicius Cyrillo
Dentro do que ela consegue fazer, a gente arranca o corpo para ela ser o melhor com aquilo. Então, esse também é um legal do esporte paralímpico. Então, porque você vê... Até hoje me impressiona, né? Eu estava na paralímpia, eu fiz até um vídeo. Tinha uma chinesa do meu lado, assim, no refeitório. Ela não tinha os braços e ela jantando, usando os pés, assim, carfo, faca, cortando, tudo com o pé. E eu olhei assim, eu falei, cara, tipo...
00:12:17
Matheus Lemos
Caraca, velho. Sim.
00:12:20
Vinicius Cyrillo
Porque ela não tem braço e não nem aí, né? Todo mundo sabe que ela não tem braço e vai falar, ela não pode fazer nada. Ela se adaptou, até questão de alongamento, de mesmo pra trazer com o pé, você trazer uma colher na boca ali, então ela teve toda uma adaptação com aquilo que ela consegue e ela tira, extrai o melhor daquilo. E esse é o que eu acho a parte mais legal quando você trabalha com a pessoa com deficiência. Quando ela chega pra você,
00:12:44
Vinicius Cyrillo
Você elimina o que ela não tem, o que ela não consegue, e pega o que ela tem e tenta te extrair o melhor daquilo, que é exatamente... É...
00:12:51
Matheus Lemos
potencializar. Você potencializa aquela... Pô, cara, que legal, cara. Que legal. É algo assim que a gente até chega até um pouco emocionado. Você a superação daquela pessoa ali, não somente como atleta, mas como pessoa. Como ser humano que tem dificuldade, que deve enfrentar... Nossa, você não consegue nem imaginar preconceitos. Enfim. Enfim.
00:13:15
Vinicius Cyrillo
Sim, a galera, até mesmo os próprios atletas assim, né? Mas acaba que não tem como fugir desse clichê, porque eles

Experiências nas Paralimpíadas de Tóquio e Paris

00:13:23
Vinicius Cyrillo
não gostam de ser vistos nessa palavra superação que ficou muito, né?
00:13:27
Matheus Lemos
Sim, com certeza. Sim.
00:13:27
Vinicius Cyrillo
Aí, pô, superar, todo mundo se superando alguma coisa, às vezes, pô, você levantou da cama, lá, indisposto, mas você se supera pra ir pro trabalho, pra seguir sua rotina, então eles não curtem muito essa ideia da superação, né? Mas não tem como, você os... Realmente não tem outra palavra, é superação dia a dia, né?
00:13:46
Vinicius Cyrillo
de vencer ali a deficiência, vencer com a deficiência, fazer o que precisa ser feito, dar um jeitinho. E eu acho que é por isso que o Brasil é tão bom também. A gente tem aquela história do jeitinho brasileiro, a gente se vira, a gente faz acontecer. Às vezes não tem a melhor estrutura, às vezes não tem a questão da deficiência, mas um jeito de buscar o que você quer e ter o sucesso.
00:14:12
Matheus Lemos
Pô, cara, legal, legal. E como é que foi o desempenho dessas duas últimas Olimpíadas da seleção brasileira de tênis?
00:14:21
Vinicius Cyrillo
Foi muito legal acompanhar nessas duas últimas, porque teve uma mudança grande. Até a primeira que eu fui, a de Tóquio, a gente ainda estava muito ali visando participação, sabe, de a nossa grande vitória, porque a gente tem algumas conquistas no tênis que a gente joga brasileiro,
00:14:44
Vinicius Cyrillo
Mas existem uns países que são muito tradicionais, sabe, que todas as Paralimpíadas buscam, assim, seis, sete medalhas, quatro medalhas, tipo simples dupla masculino, feminino, quad, então tem alguns ali que...
00:15:00
Vinicius Cyrillo
A gente vai tentando fazer história, né, cada vez. E até então a gente estava indo muito na participação. Em Tóquio a gente não teve bons resultados, a gente perdeu logo no início, nas primeiras rodadas. Foi uma situação até muito estressante por conta da pandemia. A gente saiu de casa muito antes, tinha que ficar fazendo teste todo dia.
00:15:04
Matheus Lemos
Sim. Sim.
00:15:21
Vinicius Cyrillo
E a gente ficou um mês lá, então assim, os primeiros 15 dias era confinamento total e teste todo dia, aquele estresse. E quando começou a competição a gente perdeu no início e fica esperando ir embora. E agora em Paris foi muito diferente, a gente teve a nossa melhor campanha. A gente chegou a brigar por uma medalha pela primeira vez, infelizmente a gente ficou em quarto lugar, a gente perdeu um jogo por dois pontos. No detalhe do detalhe,
00:15:34
Matheus Lemos
Calma.
00:15:50
Vinicius Cyrillo
Mas a gente ficou vivo ali até os últimos dias da competição e tendo o jogo. E naquele pique ainda diz, acorda cedo, se prepara, vai para o jogo, aquece e tal. E a gente viveu o que esses países maiores, que têm mais tradição, vivem. E a gente sentiu essa diferença de começar a ser respeitado.
00:16:06
Matheus Lemos
Sim.
00:16:09
Vinicius Cyrillo
Esses países com tradição, quando você olhava para trás, eles estavam na quadra assistindo seu jogo, te analisando, porque sabiam que na próxima rodada podia te encontrar no confronto.
00:16:22
Vinicius Cyrillo
E foi muito legal, assim, essa mudança de chave e eu acho que a gente tem tudo... Não isso, né, que a paralimpia dela também é um pouco ingrata, porque a cada quatro anos, né, então você trabalha, a gente chama de ciclo paralímpico, então você tem quatro anos para trabalhar, para fazer muitas coisas, para ver o resultado em uma semana lá, né, daqui a quatro anos. Mas dentro desse tempo que eu estou, a gente conseguiu também uma medalha de bronze,
00:16:43
Matheus Lemos
Sim.
00:16:51
Vinicius Cyrillo
com essa minha categoria, que é a quad, no Mundial de 2022. E desde então a gente fica ali terceiro, esse ano a gente ficou em quarto também, perdeu no detalhe, ano passado a gente ficou em quinto. Então a gente ali no Mundial oscilando, mas sempre entre os melhores do mundo, sem ser rebaixado, brigando por medalha, passando para as semifinais, para as finais. Então...
00:17:14
Vinicius Cyrillo
Eu vejo que a gente também está tendo um crescimento de acordo com esses resultados, participando dos maiores torneios, se classificando para participar de grandes torneios e indo bem. Isso, isso fica um pouquinho...
00:17:25
Matheus Lemos
Que bacana. E você falou assim, a gente ficou por dois pontos pra não pegar uma medalha de bronze agora em Paris. As regras, elas são as mesmas? Do tênis convencional e do tênis cadeirante?
00:17:40
Vinicius Cyrillo
Isso, explicar um pouquinho do tênis em cadeira de rodas, ele é exatamente igual ao tênis...
00:17:47
Vinicius Cyrillo
convencional, a única diferença é que a bolinha pode quicar duas vezes, então é o mesmo tamanho da quadra, mesmo tamanho de rede, mesmas regras, mesmas pontuação, mas a bolinha pode quicar até duas vezes, então nada impede do atleta também pegar a bola sem nenhum kick, com um kick ou com dois kicks ele rebate, se quicar três perde o ponto.
00:18:11
Vinicius Cyrillo
Hoje em dia o nível tão alto, desenvolvimento de cadeiras de rodas mais rápidas, os atletas mais fortes, mais agressivos, que quase não acontecendo mais o segundo kick, sabe? Então, tipo, ou você pega no primeiro kick, que é o segundo kick e bateu na grade lá, então é. E ficando bem interessante, assim, né? A potência aumentando, os atletas estão...
00:18:36
Matheus Lemos
Dinamismo, né? O jogo fica mais dinâmico também, né?
00:18:40
Vinicius Cyrillo
E até por ser igual, ele é um jogo muito legal de ver, porque tem vários ralis, tem várias trocas de bola, o pessoal que entende de tênis, que gosta de tênis, quando o tênis cadejosa, ele para e fica assistindo. E isso também é uma coisa que nos ajuda, o tênis acaba sendo um esporte, um dos esportes paralímpicos, ele tem uma grande vantagem.
00:19:04
Vinicius Cyrillo
Porque hoje a gente participa juntamente com o tênis convencional dos maiores eventos que existem no mundo. Então, por exemplo, os Grand Slans, né? O nosso Google ganhou a Roland Garros. No mesmo semana que acontece o Grand Slam dos andantes, tem uma chave de cadeirante acontecendo ali no complexo.
00:19:25
Matheus Lemos
Ah, legal, legal. Sim.
00:19:28
Vinicius Cyrillo
Mas é uma coisa mais restrita, né, que reúne os 16 melhores atletas do mundo, mas ganha muito espaço, né, então a pessoa ali, assistindo um jogo do Djokovic, acaba o jogo, ela sai, ela passeando, ela olha para o quadro do lado, tendo um jogo de cadeirante, então isso ajuda a aumentar a visibilidade, assim como no andante também, mas é lógico que numa proporção muito menor,
00:19:54
Vinicius Cyrillo
São pagos prize money no tennis e cadeira de rodas. Então, existe premiação em dinheiro, em dólar. Então, todo o torneio que os atletas jogam, eles são torneios do circuito internacional. E que começa sempre numa premiação. O torneio distribui uma premiação menor de 3 mil dólares. Aí, cada vez que vai aumentando o torneio, vai distribuindo uma premiação maior. Então, isso também uma base.
00:20:22
Vinicius Cyrillo
Ali aumenta a competitividade, porque além do amor ao esporte, você também tem uma carreira esportiva, você tem muitos patrocinadores. A gente participou de várias exibições. Quando eu falo o tênis e cadeira de rodas, então a gente tem imagens do próprio Djokovic sentado na cadeira de rodas tentando jogar. Agora o Yannick Sinner, que é o novo número um do mundo também, tentou. E ele jogando e você fala, nossa, aqui é difícil demais, eu tiro o chapéu pra você e tal.
00:20:27
Matheus Lemos
Sim. Certo.

Desempenho dos tenistas brasileiros em torneios internacionais

00:20:48
Vinicius Cyrillo
Então, isso acaba aproximando, porque é o mesmo órgão que rege as duas modalidades, a gente está nesses grandes lãs, está em outros torneios maiores, então tem os atletas profissionais andantes também, de vez em quando faz uma aproximação, então é muito legal ver a modalidade crescendo.
00:21:10
Matheus Lemos
Que bacana, bom demais saber disso aí. E você falou aí, nos grandes lãs, normalmente participam dos 16 melhores do mundo. O Brasil hoje tem algum grande atleta, um expoente nesse esporte?
00:21:27
Vinicius Cyrillo
Sim, dessa minha categoria, a categoria quad, nós temos um atleta que chama Imanitu Silva. Ele está mais de sete anos como top 10 do mundo. Então, ele participou de todos os quatro Grand Slams, que é a Australia Open. A Australia Open ele foi duas vezes. Agora, em 2025, ele está indo a terceira vez. Eu vou ter a felicidade de ir nessa com ele. Ele participou de dois Roland Garros,
00:21:55
Vinicius Cyrillo
participou do US Open também, que eu tive a felicidade de ir com ele em 2023, e participou de uma vez em um ímbolo. Então, ele vem participando, ele foi vice-campeão nas duplas de Rolanga Rolo.
00:22:12
Vinicius Cyrillo
E ele está sendo o nosso maior atleta expoente, que cumpriu esse calendário de Grand Slam. E também tem o Leandro, que está chegando agora. Ele participaria agora, pela primeira vez, ele estava ranqueado, ele está entre os 16 agora também. Ele estaria apto para participar do US Open desse ano, que infelizmente não aconteceu porque foi na mesma época da Paralimpíada.
00:22:34
Vinicius Cyrillo
Então, como teve choque de data, eles não teve o torneio, mas eles pegaram a premiação do torneio e dividiu entre quem estava apto, quem estava entre os 16. E agora ele também está indo para a Austrália. Mas a Austrália mudou um pouquinho a regra. Vai entrar os 12 melhores do ranking direto, então o Manny ele está dentro. O Leandro ele está em 13, 14 ali. Ele vai ter que jogar um...
00:22:34
Matheus Lemos
Hmm. Ah, legal.
00:23:02
Vinicius Cyrillo
uma etapa prévia, um qualifier, que a gente chama, para buscar a vaga, mas a gente crê que ele tem a possibilidade de entrar e participar, enfim, dentro, realmente participar do seu primeiro Grand Slam, que no SROP não deu certo.
00:23:16
Matheus Lemos
Que legal, muito bom, se Deus quiser vai dar tudo certo. E cara, você falou das premiações em dinheiro, que é uma forma também de incentivo, como você falou, de carreira mesmo, como é que é hoje o Brasil nesse
00:23:36
Matheus Lemos
Nessa questão de incentivo financeiro, de patrocinador, existem, na mesma maneira que tem o bolso atleta, os atletas paralímpicos também entram nessa, eles estão aptos a receber esse subsídio governamental. Como é que funciona isso aí? Certo.
00:23:50
Vinicius Cyrillo
Sim, de bolsa atleta a gente tem muitos avanços aqui, a gente tem as bolsas do Ministério do Esporte, que nós temos bolsas desde a base, desde estudantil, universitário, nacional, internacional, paralímpico,
00:24:09
Vinicius Cyrillo
e até as bolsas pódio, que são os atletas que brigam por medalha nas Olimpíadas e Paralimpíadas. Então, a gente tem várias categorias de bolso que acaba atendendo vários atletas, cada uma com o seu valor vai subindo. Hoje em dia, também, quase todos os estados em que eu tenho conhecimento, pelo menos os que os nossos atletas moram, eles têm suas bolsas estaduais também, pelas suas secretarias de esporte.
00:24:38
Vinicius Cyrillo
A própria confederação também tem a bolsa para os atletas com patrocínio, hoje a confederação brasileira tem patrocínio do Banco BRB e também existem alguns tipos de apoio de bolsa que faz nessa parceria.
00:24:55
Vinicius Cyrillo
Mas hoje em dia acaba sendo muito mais governamental. Alguns atletas têm seus patrocínios na empresas privadas ali, mas ainda não é tão forte quanto a gente em outros países, quanto a gente também no esporte olímpico.
00:25:12
Vinicius Cyrillo
Mas tem algumas coisas. O próprio Mani tem uma história muito legal com a Havan, que ele é de Santa Catarina. Então, ele conheceu o juvé da Havan na...
00:25:23
Matheus Lemos
Certo. Luciano Ragnar. Luciano Ragnar.
00:25:27
Vinicius Cyrillo
Foi engraçado que ele estava até em Israel, ele foi jogar um torneio em Israel e o rapaz da van estava lá, a passeio, e a esposa do Manny, a Luciana, a esposa do Manny é fãs assa dele, viu no Instagram, falou, oh, ele está em Israel, tenta encontrar ele. Pô, mas como é que eu vou encontrar? Israel é grande. E eles, no aeroporto, ele olhou, viu a Luciana e foi falar com ele.
00:25:56
Vinicius Cyrillo
E criou até uma amizade e a fan apoia também os Atlas Paralímpicos, além do Mani, e também até um outro apoio do...
00:26:03
Vinicius Cyrillo
um atleta da notação, e assim vai, né? A gente vai buscando. Porque assim como o tênis convencional, o tênis em cadeira de rodas, ele também tem as particularidades de ser um esporte, quando você chega nessa parte do autoendimento, de ter que ter um investimento para as viagens, para material,
00:26:06
Matheus Lemos
Legal. Sim.

Paixão de Vinícius pelo tênis e compromisso com o esporte

00:26:23
Vinicius Cyrillo
para treino, para o espaço de quadra. Então é necessário ter todos os tipos de apoio para conseguir.
00:26:32
Matheus Lemos
Sim, o tênis é um esporte caro, não tem como fugir da raquete, não é algo barato, enfim. Sim.
00:26:40
Vinicius Cyrillo
Eu digo como professor, como todo esporte também...
00:26:46
Vinicius Cyrillo
é caro de um certo nível, né? Você pode começar com uma raquete, você pode comprar uma raquete segunda-mã ou uma raquete inferior, barata, pode jogar descalço, enfim, mas quando chega realmente, quando a gente fala de alto rendimento, todos os esportes vão exigir, né? Hoje você tênis de corrida custando 4 mil reais, né? Que o preço de duas raquetes e o tênis roda 50 quilômetros e depois ele não serve mais.
00:27:10
Matheus Lemos
Sim Sim Sim
00:27:15
Vinicius Cyrillo
Quando você almeja o alto rendimento, ele vai ficando mais caro. E o tênis tem essa fama também de ser um esporte mais caro, de ser um esporte mais nobre, mas realmente o alto rendimento ele exige mais, é repassagem, é torneio no mundo todo, você tem que ficar viajando para estar bem ranqueado, então realmente vai ficando caro.
00:27:37
Matheus Lemos
E até mesmo tenha um equipamento, como você falou, a própria cadeira de rodas. Mas a cadeira... cadeira... Não, pode concluir. Exatamente, era o exemplo que ia dar.
00:27:44
Vinicius Cyrillo
Essa é uma uma peculiaridade, não no tênis, mas todo o esporte de cadeira de rodas se compara à Fórmula 1.
00:28:00
Vinicius Cyrillo
A gente tem até um brasileiro que foi medalhista agora no atletismo aqui de Brasília também, o Parré, ele estava na quinta Paralimpíada buscando essa medalha, ele conseguiu uma medalha de bronze agora, e o feito dele ficou ainda mais impressionante porque
00:28:19
Vinicius Cyrillo
Ele compete com os caras que têm as cadeiras feitas pela engenharia da Formula 1, da Saube, da Honda, o japonês é da Honda, o alemão é não sei o que, os caras têm a cadeira de fibra de carbono, a cadeira dele pesa 5, 10 quilos a mais do que a cadeira dos caras, ele mesmo fabricou ali de alumínio.
00:28:38
Vinicius Cyrillo
E aí, assim, chega a ser discrepante, né? Então, volto a falar do que eu falei antes, assim, a gente vai com aquele jeitinho brasileiro, com a força de vontade e rala o dobro para tentar compensar. Hoje em dia, existem as cadeiras nacionais, que são, assim, caras, né, assim, cerca de 7, 10, 15 mil reais,
00:28:42
Matheus Lemos
É... Epsi...
00:29:03
Vinicius Cyrillo
Mas hoje, para você realmente ter uma condição, bater ali de qual igual, teria que ir para as cadeiras internacionais, que a gente fala de 7 mil libras. Então o preço de um carro, 50 mil reais, 60 mil reais, para você jogar com a cadeira que os melhores estão jogando, né? E você começa ali mais ou menos no mesmo patamar e fica um pouco mais fácil.
00:29:14
Matheus Lemos
Caramba, é o prejão caro? Sim. É, e assim cara, vamos lá.

Futuro do tênis paralímpico brasileiro

00:29:31
Matheus Lemos
É uma pergunta de um leigo mesmo, mas são cadeiras que as pessoas usam inclusive no seu dia a dia ou servem para praticar o esporte?
00:29:42
Vinicius Cyrillo
Não, a cadeira esportiva ela serve para o esporte, ela tem algumas peculiaridades diferentes da cadeira convencional. Então as cadeiras esportivas elas têm uma roda mais cambada, então a roda dela elas são de lado, porque isso facilita as curvas, né? Então você vem e faz curva com muita velocidade e se não tiver essa cambagem você capota, né? Você vem correndo.
00:29:46
Matheus Lemos
Quer. Sim. Sim. Acaba caindo, né? Sim.
00:30:06
Vinicius Cyrillo
Outra coisa é que tem uma rodinha mais atrás, então além das duas rodas grandes, das duas rodas dianteiras pequenininhas que a gente nas cadeiras convencionais, tem o anti-tip, que é uma roda atrás que também não permite que você capote, então ela fica totalmente estável no chão.
00:30:24
Vinicius Cyrillo
E você não consegue andar com essa cadeira na rua, principalmente no Brasil, porque é uma cadeira que você não consegue empinar para subir meio fio, não consegue passar nas portas, que ela é bem mais larga por conta da escampagem. E ela é bem insensível também, então pode empenar, ficar ali por conta dessas diferenças de piso. Então é uma cadeira que se usa na quadra mesmo, que é uma superfície lisa, reta.
00:30:53
Matheus Lemos
Então realmente é um investimento muito alto.
00:30:54
Vinicius Cyrillo
É.
00:30:57
Matheus Lemos
Claro que é a sua vida ali, mas para não ser algo do dia a dia, realmente fica até bem mais caro. E hoje, qual que é o país de grande destaque no mundo dos Estados Unidos no tênis Paralímpico? Legal.
00:31:11
Vinicius Cyrillo
Hoje a gente tem alguns países que são grande referência, Japão, Holanda, Grã-Bretanha, principalmente esses três que ficam ali e disputam a maior quantidade de medalhas nesses jogos.
00:31:27
Vinicius Cyrillo
E tem os outros países que vão correndo por fora muito mais também pelo... Esses são os países que conseguem renovar, sabe? Todo ano. Aposenta um, você fala, pô, beleza, agora a gente vai ter uma...
00:31:41
Vinicius Cyrillo
Uma oportunidade do nada, chega outra assim e você fala, de onde saiu isso aqui? Até os dois últimos campeões do masculino, foi assim, em Tóquio foi um japonês que chama Shingo Kunieda, ele é comparado ao Federer da cadeira de rodas.
00:31:55
Matheus Lemos
Sujo! Caraca!
00:31:59
Vinicius Cyrillo
Ele ficou ali vários anos sendo número 1, ganhando para a Olimpíada, ganhando o Grand Slam. E ele aposentou em casa, em Tóquio, ganhando a medalha de ouro. todo mundo, beleza, agora aposentou, vai descansar, deixa um pouquinho pra gente. E no ano seguinte surgiu o novo número 1 do mundo, que chama Tokito Oda, japonês também. O moleque com 15 anos era número 1 do mundo.
00:32:22
Matheus Lemos
Caramba! Nossa! Caraca!
00:32:25
Vinicius Cyrillo
e agora ele ganhou a Paralimpíada agora com 18 anos, foi o campeão mais jovem, destruiu o nosso atleta, o Daniel Rodrigues, que é o nosso número 1 masculino, ele fez uma ótima campanha, ele chegou nas oitavas de final de simples,
00:32:45
Vinicius Cyrillo
É um jogador fenomenal, ele é top 20 do mundo, foi top 11, ganhou de vários top 10. E ele pegou esse menino, que foi o campeão nas oitavas, ele não viu bola, a gente olhava assim, não tem o que fazer, o cara terminou o jogo dando um ace a 170 km por hora, que tipo, pra cadeirante, sentado na cadeira, é muito difícil fazer. E ele olhava pra gente e a gente, cara, esse moleque não puro assim, alguma coisa. Moleque saiu.
00:33:03
Matheus Lemos
Nossa Senhora! Ó o antidope, tem coisa do antidope aí! Ah!
00:33:17
Vinicius Cyrillo
É pior que tem, pior que tem anti-doping nesse nível assim, toda semana, todo torneio grande eles fazem. É brincadeira assim, mas realmente são os países que conseguem se renovar, aposenta um. A Holanda também teve uma jogadora que ela ficou
00:33:34
Vinicius Cyrillo
10 ou 15 anos sem perder um set. Então a mulher não perdia set. Ela se aposentou porque ela não tinha, cansou de ganhar. É impressionante. E ela aposentou...
00:33:38
Matheus Lemos
Caracalho! Sim! Caracalho!
00:33:48
Vinicius Cyrillo
E veio outra holandesa agora nessa mesma pegada mais nova e anos e anos. Esse ano ela perdeu depois de ela estava 147 jogos sem perder. Ela perdeu no mundial por uma chinesa. A China conseguiu destronar a Holanda feminina.
00:34:05
Vinicius Cyrillo
E cara, parecia um clima de velório assim, porque a mulher perdeu, porque ela não estava acostumada a perder, sabe? Então, são países que têm muita tradição, têm muitos atletas, têm muita renovação. Tem umas escolas, né, que a gente chama, umas escolas de técnicas de rodas muito fortes. É.
00:34:23
Matheus Lemos
Sim, cara, que legal. Quem sabe um dia o Brasil a gente vai conseguir chegar lá, quem sabe, seja com apoio privado, seja com apoio... Mas o que esses países
00:34:37
Matheus Lemos
O que você acha que tem diferente nesse país que hoje o Brasil não tem? É mais tradição? É incentivo privado? O que seria? Ou simplesmente é, por exemplo, a Holanda nunca ganhou uma Copa do Mundo e ganhamos cinco? É questão de talento mesmo?
00:34:56
Vinicius Cyrillo
Olha, a gente está tentando descobrir o segredo. Toda vez que a gente está junto com eles, a gente tenta ver, mas eu vejo algumas coisas assim. Eles têm um programa que acaba aqui para eles, a gente também a questão geográfica, facilita um pouco.
00:35:14
Vinicius Cyrillo
São países menores também, que conseguem juntar mais ali. Então, ele uma criança ali que tem potencial, que se destaca, e eles conseguem pegar desde cedo e abraçar essa criança ali, botar no laboratório onde tudo acontece, onde o número um do mundo está treinando. E eles juntam todo mundo no mesmo lugar e vai, todo mundo treina igual, faz a mesma coisa.
00:35:17
Matheus Lemos
Sim.
00:35:41
Vinicius Cyrillo
a gente que essa questão geográfica para a gente é uma grande dificuldade, sabe? A gente tem alguns benefícios por ser um país grande, mas nessa hora eu vejo que a gente perde bastante nessa questão. E outra coisa também, quando você está ali na Europa, você acaba que tem um privilégio geográfico também de
00:35:47
Matheus Lemos
Sim. Sim.
00:36:04
Vinicius Cyrillo
de jogar torneios, de pegar um trem e jogar um torneio, então você consegue ganhar mais experiência, mais bagagem, um pouco a gente, para jogar os principais torneios. 15 minutos de passagem de avião, dois dias para chegar e tal.
00:36:17
Matheus Lemos
Sim.
00:36:19
Vinicius Cyrillo
e custo muito caro, muita distância, então nossos atletas, mesmo os melhores, eles não conseguem estar toda hora jogando contra os melhores, para ir se desenvolvendo, ir achando um caminho, se eu fizer isso eu estou ganhando desse caro, então assim, joga menos contra os melhores, então quando joga,
00:36:40
Vinicius Cyrillo
Às vezes é um jogo, que nem eu te falei, é um jogo rápido, assim, de menos de uma hora. O cara nem... Quando piscou, acabou o jogo, perdeu, tomou um sacode. E aí... E a gente acha assim, né? Acaba sendo... A gente está tentando descobrir, né? Para virar também. Mas eu vejo essas peculiaridades e diferenças, assim, que eu acho que contam.
00:36:47
Matheus Lemos
Bem vivo, né? Sim, sim. Aqui na América do Sul tem torneios sul-americanos? Tem?
00:37:10
Vinicius Cyrillo
Tem torneio, mas assim, por exemplo, os torneios, esse ano, por exemplo, vamos tomar como base. Os torneios que aconteceram esse ano na América do Sul são torneios Future. Seriam os torneios de entrada, que é menor premiação, menor pontuação, que é isso, é 3 mil dólares para o torneio inteiro. A pontuação não é muito alta, então não vale muito para o ranking. Então, acabam sendo torneios que o nível é mais baixo.
00:37:24
Matheus Lemos
Pseu. Ah. Pseu.
00:37:38
Vinicius Cyrillo
Até porque os atletas que estão bem ranqueados, eles têm algumas regras, né? Os atletas ali top tem, eles não podem jogar esses filters, né? Então é um torneio realmente para pessoas que estão chegando, que estão ali mais embaixo do ranking e tal. A partir que você entra no top 20, você não pode mais jogar filter. Então é bem mais baixo, sabe? E são os torneios que...
00:38:01
Matheus Lemos
Sim, entendi Sim
00:38:03
Vinicius Cyrillo
A gente teve torneios maiores no Brasil, pra você entender um pouco, né, a escala seria Future, depois ITF3, ITF2, ITF1, Super Série e Grand Slam. Então...
00:38:22
Vinicius Cyrillo
No Chile tem um torneio todo ano, que é o ETF3, que seria o segundo na escala, de baixo para cima. E aqui no Brasil, faz alguns anos, não conseguimos manter, por anos seguidos, o ETF2, que seria o terceiro.
00:38:38
Vinicius Cyrillo
Por que não consegue manter que é o principal, né? Como eu te falei, as premiações vão subindo. Então um Future é 3 mil dólares, que pra gente é, hoje seria 18 mil reais de premiação. Fora outros custos que você tem que arcar, né?
00:38:50
Matheus Lemos
Sim. Sim. Poxa, quase três vezes mais, né? Cinco vezes mais, quase cinco vezes mais. Sim.
00:38:55
Vinicius Cyrillo
É claro que você cobra uma inscrição, mas você pode ter prejuízo como pode ter lucro, de acordo com a quantidade de atletas, com o patrocínio que você conseguir. O segundo, o ETF3, ele sobe para 14 mil dólares. Então, de 3 para 14, que é 14 mil dólares.
00:39:15
Vinicius Cyrillo
Em vezes 6 reais, então assim, fica estrondoso. o ITF-2, que a gente fez, inclusive aqui em Brasília, a gente fez duas vezes, ele é 22 mil dólares.
00:39:26
Vinicius Cyrillo
Então, vai subindo em dólar e é difícil você conseguir, né? Principalmente o sul-americano ali, que a nossa moeda não está valorizada, para a gente é muito difícil ficar fazendo esse tipo de lei. Então, acaba que a gente tem que viajar, tem que ir o mais perto ali, ser os Estados Unidos, mas também é uma viagem cara, Europa, Ásia,
00:39:38
Matheus Lemos
Sim. Ah não, com certeza. Sim.

Próximos torneios e objetivos para a próxima fase

00:39:50
Vinicius Cyrillo
né? Então, tem que ficar rodando.
00:39:54
Matheus Lemos
Cara, que legal, muito bom, muito bom. E aqui em Brasília, que você falou de Brasília, tem alguém, tem alguma afeta que você olha falando com mais carinho, né, de, pois, a pessoa que tem potencial ou não?
00:40:07
Vinicius Cyrillo
Aqui... Então, Brasília sempre teve tradição, sempre foi um celeiro, né? Igual quando eu te contei por isso até que eu comecei, minha primeira experiência era com atletas de seleção, a gente sempre desenvolveu, teve os melhores de Brasília masculino, feminino aqui, os melhores do Brasil, sendo de Brasília por várias temporadas. Hoje a gente tem duas meninas,
00:40:30
Vinicius Cyrillo
de 20 anos, 23 anos ali, uma e outra, que hoje é número 2 e número 3 do Brasil. Elas até brigam entre elas, ficam alternando ali. É a Maria Fernanda e a Jade. Hoje a Maria Fernanda é a 2 e a Jade a 3, mas foi ao contrário. A Jade foi número 1 do mundo, o Júnior, até 18 anos.
00:40:52
Matheus Lemos
Legal. Sim.
00:40:52
Vinicius Cyrillo
Ela foi a primeira campeã júnior de Grand Slam, que começou no S-Open, foi o primeiro Grand Slam a fazer chave de júnior de cadeirante em 2022, e ela foi campeã de simples e dupla, e nesse ano ela também termina o ano como número 1 do mundo júnior.
00:41:11
Vinicius Cyrillo
Então, são as nossas estrelas hoje que estão na seleção, jogam mundial. A Maria Fernanda foi para o último para pan-americano, em Santiago. Infelizmente, esse ano a gente não conseguiu classificar nenhuma menina para as Paralimpíadas do Brasil. A gente teve a equipe masculina e a equipe quad. Mas elas são as nossas...
00:41:30
Matheus Lemos
Sim. Referências aí, né? Ah, que bacana, que bom, cara. Show de bola. E assim, você tem...
00:41:40
Vinicius Cyrillo
as nossas pérolas aqui do momento.
00:41:50
Matheus Lemos
Como você falou que começou no esporte, agora se especializou bem no tênis, mas você tem vontade de ter experiências em outros esportes paralímpicos ou não? Você quer ficar quietinho no tênis, que é onde você se achou?
00:42:08
Vinicius Cyrillo
Hoje eu não tenho, eu me encontrei no tênis. Acaba que eu trabalho num grande centro paralímpico, que tem quase todas as modalidades. A gente tem um contato com uma ou com outra, uma brincada, encontra os atletas, faz aquela bagunça. Mas, para trabalhar mesmo, eu não me vejo fora do tênis.
00:42:22
Matheus Lemos
Sim. Entendi, entendi. Deu match, né? Deu match ali no tênis e não... Pô, cara, que legal, que legal. Então, e esse, estamos no final do ano, tem algum outro torneio que está por vir grande ou agora parte de 2025?
00:42:48
Vinicius Cyrillo
Existem alguns torneios, né? Toda semana, né? Existem torneios no mundo todo. Aquilo que eu falei, se você tiver dinheiro, tiver condições, você viaja. A própria Jade terminou hoje o torneio da Argentina. Ela foi vice-campeã, perdeu para uma colombiana. Ela está duas semanas, no torneio anterior ela foi campeã, em cima das colombianas. Agora nesse segundo torneio ela perdeu na final, mesmo que ela tinha ganho o semana passado.
00:42:54
Matheus Lemos
Sim Sim Sim Sim
00:43:18
Vinicius Cyrillo
O Daniel também está fora, ele fez um torneio na França. ainda tem uns torneios na Turquia, mas agora a gente está muito mais olhando para o ano que vem e para o próximo ciclo. Como eu te falei, terminou agora o ciclo de quatro anos com a Paralimpíada e a gente começa a focar em 2028 em Los Angeles. Mas o nosso próximo desafio grande vai ser os torneios da Austrália, que começam no início do ano.
00:43:45
Matheus Lemos
Sim.
00:43:45
Vinicius Cyrillo
onde os atletas melhores ranqueados vão participar, e vai ter o Grand Slam, o Australia Open, então a gente ali com essa visão, e também sempre, todo ano em maio, a gente participa do Mundial de Tênis Cadeira de Rodas,
00:44:04
Vinicius Cyrillo
E aí, como eu te falei, o Brasil, a gente está ganhando espaço entre os cabeças, entre a elite, então a gente vem vários anos mantendo o nosso posto sem rebaixar e a gente tem os times classificados ali para o Mundial do ano que vem, que é em maio. Então, esses são os maiores.
00:44:17
Matheus Lemos
Sim. Sim.
00:44:25
Vinicius Cyrillo
Ao longo do ano, esses são os que estão certos, em janeiro e maio, mas ao longo do ano tem os outros desafios, até que os atletas acabam muitas vezes indo mais sozinhos, pela questão de custo e pela quantidade de torneios, que é importante fazer.
00:44:43
Matheus Lemos
Entendi. Onde é que a gente consegue acompanhar? Tudo bem, para a Olimpíada todos os canais passam, mas esses torneios menores, vou chamar menor assim, tenda menor que a Olimpíada, mas pode ser um Super Série ou um Grand Slam. A gente tem como assistir? Eles chegam a ser televisionados? Tem algum canal no YouTube que a gente consegue acompanhar esses jogos? Ah, sim.
00:45:08
Vinicius Cyrillo
Hoje acaba que tem o Star Plus, né?
00:45:11
Vinicius Cyrillo
O Star Plus costuma passar muitos torneios de tênis e tem muitos torneios de tênis e cadeiras de rodas. Às vezes também transmissão no YouTube pelo canal do Paralympics ou da ITF, que é a Federação Internacional de Tênis. O Mundial mesmo sempre é transmitido pelo YouTube, pelo canal da ITF.
00:45:17
Matheus Lemos
Ah, legal. Bacana, bacana.
00:45:38
Vinicius Cyrillo
E assim a gente vai indo, mas são os principais meios. Os grandes lãs, por exemplo, são mais pelo Star Plus. Você consegue ver todas as quadras que tem. você acessa a quadra, qual quadra o Atlântico vai jogar e consegue achar ali pelo Star Plus. Sim.
00:45:49
Matheus Lemos
Legal. Bom saber, é bom ter essa noção pra gente poder acompanhar, prestigiar, né? Às vezes é pouco divulgado.
00:46:05
Matheus Lemos
É isso, então é interessante esse... Cara, teve alguma situação inusitada que você tenha passado algum torneio, algum sufoco, que tenha passado algum atleta? Você queria compartilhar com a gente? Sim, sim. Caraca.
00:46:19
Vinicius Cyrillo
Então, acaba que, como eu falei, o treinador não viaja tanto quanto os atletas. A gente tem atleta que chega a fazer 25 torneios, 28 torneios no ano, então a gente considera como se cada torneio fosse uma semana, que normalmente começa de quarta a domingo, mas ele viaja antes, então a gente está falando de mais de meio ano fora de casa.
00:46:43
Vinicius Cyrillo
E eu acho que a situação mais inusitada que a gente vivenciou foi quando estourou a guerra de Israel. Três dos nossos atletas tinham acabado de chegar lá. E eles chegaram, tipo, cinco da manhã, foram para o hotel, deram aquela cochilada, chegaram morto, que é uma viagem longa, nem tomaram banho, deram aquela cochilada.
00:46:53
Matheus Lemos
Caramba!
00:47:09
Vinicius Cyrillo
Deu oito horas, eles foram descer pro café, de repente começou a soar a sirene, e guerra e tal, e vão embora, vai pro aeroporto, tenta entrar no primeiro voo. E foi um momento mais louco, assim, né, que a gente fala, pô, vocês passaram por tudo, vocês passaram até por guerra. E foi aquela loucura de eles contam, assim, né, a...
00:47:24
Matheus Lemos
Caraca! Até por guerra! Caramba!
00:47:34
Vinicius Cyrillo
O que eles viveram ali, coisa impressionante, de estar no aeroporto e agora todo mundo corre pro subsolo, vai pro banque, deixa as malas jogadas e vai, vai, vai que o aeroporto sendo o alvo. E aí, pô, era dois cadeirantes e um andante de prótese.
00:47:54
Vinicius Cyrillo
tendo que descer a escada para ir para o banque, tipo, largou a mala, larga tudo, e a gente viveu vivendo aqui, acompanhando o desespero
00:47:54
Matheus Lemos
Putz! Meu Deus!

Conclusão e contatos de Vinícius

00:48:03
Vinicius Cyrillo
deles para tentar ir embora, e o voo sendo cancelado e tal, e no fim das contas eles conseguiram pegar um voo para a Tailândia, para depois começar a saga de volta.
00:48:03
Matheus Lemos
Sim!
00:48:14
Vinicius Cyrillo
ali na emergência, mas essa loucura toda foi tipo... Eles ficaram cinco, seis dias entre sair do Brasil e conseguir voltar sem tomar banho, sem comer direito, sem fazer nada e vivendo ali aquela loucura de... Eu acho que essa foi a situação mais peculiar. Tem várias coisas, né? Toda viagem tem uma coisa ou outra, um perrenguezinho ou outro, uma historinha pra contar, mas eu acho que essa é a mais bombástica que eu vi.
00:48:26
Matheus Lemos
Nossa, caramba. Nossa senhora. Sim. Sim. Caramba, porra, realmente. E isso foi a do ano passado ou a desse ano? A do dia, de outubro do ano passado, né? Sim. Caraca.
00:48:49
Vinicius Cyrillo
Assim que começou lá, a do ano passado. É isso, exatamente. Assim que começou, ia ter o torneio e foi cancelado. Estão bem, estão vivos, estão competindo, vivendo suas histórias, buscando, viajando mais ainda e tentando não passar por isso.
00:48:59
Matheus Lemos
Caramba, cara, realmente. Bom, graças a Deus, eles estão bem, estão vivos, estão competindo aí. Sim.
00:49:17
Matheus Lemos
Ah, beleza. Meu cara, estamos chegando aqui no final do nosso episódio. Foi muito legal vivenciar esse mundo que às vezes as pessoas não conhecem muito tanto. Eu confesso, não acompanho tanto assim, mas é interessante a gente saber dessa realidade de, como você falou, não tem como não falar, mas deve existir diversos casos de superação também. Achei bem legal trocar essa ideia contigo.
00:49:47
Matheus Lemos
E como é que o pessoal te acha nas redes para acompanhar seu trabalho, suas postagens, os vídeos que você faz dos atletas? Deixe um reencarso final pessoal aí.
00:49:59
Vinicius Cyrillo
No Instagram é Vinícius, arroba Vinícius Sirilo, Sirilo com C, Y e dois L. Confesso que eu gostaria de ser mais engajado ali nas redes, eu acabo postando mais quando viajo ali, porque às vezes a rotina nos engole, você pensa em fazer umas coisas, mas dando aula e a sua viagem chupacana fica difícil ali, mas tem lá.
00:50:18
Matheus Lemos
Sim.
00:50:25
Vinicius Cyrillo
E queria te agradecer, para a gente é sempre muito bom esses espaços que nos dão nessa oportunidade de falar sobre o que a gente faz, o que a gente ama. Como você falou, acaba que as pessoas acompanham pouco, mas também porque muitas vezes não tem muita opção de acompanhar.
00:50:47
Vinicius Cyrillo
Te agradeço abrir esse espaço, agradeço a todos que nos ouviram, espero que eu tenha conseguido passar um pouquinho desse universo paralímpico, desse amor e dessa vontade de vocês também, quando tiver oportunidade de assistir, torcer junto com a gente, e que venham mais espaços como esse para as modalidades paralímpicas.
00:51:13
Matheus Lemos
Ah, com certeza, cara. Eu que agradeço a você ter aceitado o convite, estando com essa rotina muito maluca, muito doida. Mas que bom que deu tudo certo. Cara, te agradeço bastante, tá? Pessoal, obrigado aí, quem acompanhou, quem está nos ouvindo aí, não deixe de curtir o nosso canal, fazer seu comentário, beleza? E até o próximo episódio. E não deixe de compartilhar no Star Plus aí, pessoal. Vamos precisar dos nossos atletas. Falou, Vinícius. Um abraço, meu cara. Até mais.
00:51:39
Vinicius Cyrillo
É isso aí. Obrigado, Matheus. Valeu, abraço.