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#004 - Vinho (Ludimila Andrade)

Mosaico de Ideias
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38 Plays1 year ago

Papo descontraído sobre essa bebida tão admirada! Quer ficar por dentro de vinho e conhecer melhor, aprecie esse episódio SEM MODERAÇÃO.

Instagram: @luvino.vinhos
www.luvino.com.br
Whatsapp: 61 98344-0065

Transcript

Intro

Introdução ao Mosaico de Ideias

00:00:10
mlemos
Saudações surfistas na internet, tudo bem com vocês? Vai começando agora mais um episódio do nosso podcast Mosaico de Ideias. Aqui toda a ideia é bem-vinda.
00:00:21
mlemos
No episódio de hoje, falaremos sobre algo que é mundialmente cultuado, produzido em diversos países e dos mais variados tipos.

Jornada de Ludmila no mundo do vinho

00:00:30
mlemos
Falaremos sobre o vinho. E para tal, convidamos a especialista e empresária nesse ramo, Ludmila Andrade. Tudo bem Ludmila, seja muito bem-vinda.
00:00:41
Ludimila Andrade
Obrigada, bom dia, tudo bem. Eu amo falar desse assunto que é maravilhoso.
00:00:48
mlemos
Ah, que coisa boa! Com certeza temos muitas perguntas e curiosidades para tirarmos aqui. Mas eu gostaria de começar nossa conversa, Ludmila, para você compartilhar um pouquinho da sua história. Como começou a sua vida com o vinho? Foi uma paixão que virou trabalho? Foi uma oportunidade? Como é que iniciou essa sua vivência nessa área? Compartilha com a gente um pouquinho.
00:01:15
Ludimila Andrade
você acertou em cheio, que foi, na verdade, uma paixão. Eu sempre gostei muito de tomar vinhos. Aliás, gostava também bastante, ainda gosto, de whisky. Essa foi minha primeira paixão. E depois comecei a me interessar pelo mundo dos vinhos, pelas histórias, enfim. E aí, como sempre, eu sou matemática também, então eu sempre tava
00:01:45
Ludimila Andrade
pesquisando custo-benefício, preço bom para determinado vinho que conseguisse caber no meu bolso. E a gente foi agregando grupos de amigos e tudo que também para fazer as compras coletivas. Então a gente foi começando a fazer compras coletivas, eu sempre ficava encarregada de organizar, e chegou num ponto que o grupo foi ficando, crescendo, crescendo, ficando muito grande.
00:02:14
Ludimila Andrade
E eu também vi uma oportunidade. Eu estava com um hall de amigos, que hoje são friéis, que consumiam vinho com uma determinada frequência. E bastante pessoas, então eu vi uma oportunidade. E hoje acho que é praticamente minha renda primária, vendo o vinho. E a matemática ficou para a segunda.
00:02:40
mlemos
Ah, legal. Como você viu, você transformou o que era prazeroso numa fonte de renda. Você está vivendo um sonho, né? Está vivendo um sonho.
00:02:49
Ludimila Andrade
É muito bom trabalhar, porque acontece naturalmente. Eu gosto muito de... A nossa trabalha é justamente isso, é de fazer a curadoria, é de indicar... Tanto que eu não tenho uma importadora, a gente trabalha com várias importadoras, a gente faz a curadoria, a gente busca o que tem melhor oferta em cada site de bugas, o que tem de melhores ofertas.
00:03:15
Ludimila Andrade
Em cada importadora e traz, a gente compra também para a loja, para trazer até os clientes. Enfim, é esse o nosso trabalho aí, fazer essa seleção.
00:03:27
mlemos
Ah, bacana. E você falou do preço do vinho, que começou procurando com compras coletivas, o que cabe em um bolso.

Por que os preços dos vinhos variam?

00:03:36
mlemos
E uma pergunta, Ludmila, assim, o que hoje é o principal fator ou os principais fatores que difere, assim, do preço do vinho? Por que um vinho custa 5x e o outro vai custar meio x? O que difere nesse caso?
00:03:53
Ludimila Andrade
Acredito que o principal, Matheus, fator que mais interfere, é o tempo de produção, o tempo que ele leva para ser produzido até chegar na prateleira do supermercado. Então a gente tem aí, que às vezes a gente apelida de vinho de combate, que é o vinho de dia a dia, aquele vinho que ele passa por um processo de fermentação, né?
00:04:18
Ludimila Andrade
Claro, de uva boa, colhido em tempo bom, não significa que ele não tenha uma boa qualidade, mas ele passou por um processo de fermentação e, logo em seguida, ele passou ali por um período curto em barricas, para estabilizar, ou até mesmo em tanques de inox, em outras formas que hoje a gente tem uma gama de possibilidades,
00:04:45
Ludimila Andrade
E rápido, em um mês, dois meses, ele está no supermercado. Por isso que às vezes a pessoa olha, a safra é desse ano, a safra é ano passado. Então ele rapidamente está aí, tem um curto menor para a vinícola. Agora, o vinho que ele fica mais tempo, leva mais tempo para a produção.
00:05:10
Ludimila Andrade
que ele passa em 12, 24 meses no carvalho, em um ambiente controlado, para não haver contaminação. Então ele passa esse período, depois ele estabiliza ainda algum tempo, vários vinhos estabilizam ainda em garrafas, então vocês têm que manter as garrafas guardadas. Todo esse risco de quatro, de cinco anos de produção, às vezes, até o vinho ser
00:05:38
Ludimila Andrade
chegar ao supermercado, esse custo é assumido pela vinícola, de temperatura, de controle do ambiente, de controle de pragas, de esperar o tempo correto para colher. Então, isso tudo tem um custo muito alto, porque é diferente você manter um vinho dois meses e você manter ele dois, cinco anos dentro dessa vinícola. Então, isso é o fator principal que diferencia nos preços, de maneira geral.
00:05:56
mlemos
Entendi. Imagem perfeita.
00:06:08
Ludimila Andrade
E tem outras coisas que interferem também, que é a região, né? Regiões da França que são mais nobres, né? Que são consagradas, né? Que tem Argentina, Convales do Ucu, Bordeaux. Então tem os lugares, Bordeaux na França, então tem os lugares também que o preço da terra é muito alto. A uva,
00:06:36
Ludimila Andrade
Você vai colher uva boa, você vai plantar agora, mas você vai colher uva boa daqui 15, 20, 50 anos. Então o preço da terra e da vinha é alto. Então isso também interfere muito na precificação, mas o principal acho que é o processo de produção. Depois vem a terra e a marca, o nome também.
00:06:49
mlemos
Entendi. Entendi. Ah, era isso que eu ia te perguntar. Era isso que eu ia te perguntar. uma vinícula famosa, como você vê, tem um curso ali, né, atribuído a ela.
00:07:09
Ludimila Andrade
Já, até porque uma vinícola mesmo que tem anos, várias famílias produzindo, geralmente eles não vão produzir um vinho de baixa qualidade, porque eles não vão atrelar o nome a um vinho com menos qualidade. Então eles produzem o vinho de entrada dessas vinícolas, costuma ser um vinho
00:07:38
Ludimila Andrade
que leva dois, três anos para ser produzido. Então, vem com um certo valor e também tem a grife. O vinho, assim como qualquer outra coisa do mercado, é assim um objeto de luxo. Então, tem os champanhos mais caros, tem também que sai com esse nome, tem as vinícolas também. Então, eles levaram anos para construir a marca, então eles...
00:07:41
mlemos
Entendi Claro Sim
00:08:07
Ludimila Andrade
apelo no preço. A partir de um certo valor marca, o curso foi pago.
00:08:09
mlemos
Ah, com certeza, com certeza. certo. E assim, falando em marca e preço, o que hoje é mais fácil,

Encontrando vinhos de qualidade a preços baixos

00:08:23
mlemos
então? Achar um vinho caro ruim ou um vinho barato que é bom? Não é?
00:08:31
Ludimila Andrade
Nossa, que pergunta curiosa.
00:08:35
Ludimila Andrade
Eu acho que tem vinhos baratos, porque o barato também depende muito do poder aquisitivo, do poder econômico da pessoa. O meu barato, o barato de alguém é de varia. Mas tem muitos vinhos baratos, tem muitos vinhos a partir de 50 reais, com boa qualidade. Então você consegue encontrar assim.
00:08:40
mlemos
Claro, claro.
00:09:03
Ludimila Andrade
E o vinho caro, ruim, eu acho que é mais difícil. Porque o ruim, talvez o mais caro, você vai encontrar algo que não te agradou, que as características dele não te agradaram. Por exemplo, tem gente que gosta de vinho com barro.
00:09:12
mlemos
é mais difícil, né?
00:09:29
Ludimila Andrade
bastante toque de madeira, que aporta muita aroma e tal. E tem outras pessoas, por exemplo, que não gostam, que gostam de sentir mesmo a expressão da terra, que não gostam, que tira as características que a madeira vai, se não for equilibrada, ela vai esconder um pouquinho das características naturais. Tem gente que gosta, inclusive é uma vertente nova, pegada de orgânicos, de biodinâmicos,
00:09:55
Ludimila Andrade
mínima intervenção no vinho, para a pessoa sentir realmente o que é o vinho daquela região. Então, tem essas variações. Eu acho que o caro ruim é mais difícil de achar. Você pode achar algum que não te agrade, mas ele vai estar bem feito, provavelmente.
00:10:02
mlemos
Entendi. Te agradeço. Ah, não, entendi. Eu imaginei que a resposta fosse essa mesmo. Mas assim, você falou da questão da maneira, de orgânico. Leva tempo para você começar a sentir o que eles chamam de...
00:10:31
mlemos
Eu esqueci, me fugiu agora o T, é tanino, né? São taninos que a gente fala, notas. Isso leva um tempo, para você hoje acredito que você consegue diferenciar. Mas isso leva um tempo para você apurar o seu paladar. E emendando a outra pergunta. Faz diferença a refeição que você está tomando, a harmonização?

Desenvolvendo o paladar e harmonização de vinhos

00:10:56
mlemos
Isso de fato faz diferença?
00:10:56
Ludimila Andrade
Faz, faz sim, faz muita diferença.
00:11:02
Ludimila Andrade
Eu acho que vai até uma dica para quem está começando ou quem quer aprender mais um pouquinho. O taninho é algo presente tanto na madeira quanto na casca da uva. Comparado assim, por exemplo, uma fruta que tem taninho, o caju, ou a banana verde, que você chupa e sente
00:11:04
mlemos
Muito bem.
00:11:29
Ludimila Andrade
pegando, secando um pouquinho a sua boca. Então, aquilo que essa secura, essa sensação de secar a boca é o taninho. Então, a gente encontra ele na casca da uva, na baga da uva, e você consegue ir identificando, mas por que às vezes é difícil aprender, entre aspas? Porque quando você consome na sua casa, você costuma
00:11:59
Ludimila Andrade
Abrir uma garrafa, degustar ela por completo, você toma e pronto. E depois você vai abrir outra daqui dois dias ou no próximo final de semana. E às vezes você não tem a memória. Você não consegue carregar essa memória para a próxima semana para você conseguir comparar. Então uma dica é participe de degustações.
00:12:24
Ludimila Andrade
Ou tente convidar amigos, beber em grupos, de maneira que você consiga abrir mais de uma garrafa no dia. Porque você consegue, ah, você às vezes não vai saber dizer o que é, mas você vai saber, perceber assim, ah, gostei mais desse aqui. Parece um pouco mais docinho. Talvez não é o doce. Talvez é porque ele é mais macio no paladar.
00:12:39
mlemos
Certo.
00:12:51
Ludimila Andrade
Mas a pessoa, às vezes, confunde, né, que está começando a falar, isso aqui é um pouco mais doce, eu gostei mais, mas não é, está mais fácil. Então, você consegue ir aprendendo por meio das degustações. E Brasília, por exemplo, estou citando aqui Brasília, mas São Paulo, as outras capitais, a gente também é muito bem servido de degustações. Tem muitas degustações, tem muitas lojas, não sei se posso falar aqui,
00:13:20
mlemos
Pode, pode. Pode, a gente não recebendo nada, viu, pessoal? recebendo nada, mas vamos lá. Pode sim. Muito interessante.
00:13:22
Ludimila Andrade
Então tem a... Então tem a Degalmeida, que faz bastante degustações todo sábado. Tem o restaurante Rubaiá, que faz bastante degustações. São degustações gratuitas e que você tem a chance de participar, provar vinhos diferentes e aprender sobre isso.
00:13:48
Ludimila Andrade
E me desculpa, Matheus, a segunda pergunta agora que veio junto com essa, eu me perdi aqui, falo demais. respondi, né? Ah, isso. É.
00:13:55
mlemos
Foi sobre... Não, não, mas eu acho que você respondeu as duas, né? respondeu as duas, né? Era com relação a... Você levava tempo, né? O que que era, assim, pra aprender? Ou você, de resumo, você falou pra gente? Beba mais, pessoal. Beba mais vinho pra você ir poder pegar.
00:14:16
Ludimila Andrade
Devam mais. A Luvinho também faz bastante degustação, inclusive o Bahia é um parceiro nosso, a gente fez algumas lá, e sempre tem. Brasília é bem servido, tá? De várias lojas que oferecem também degustações gratuitas, eventos, agora mesmo vai ter uma feira de vinhos nacionais vindo no Brasil, que vai ser fantástico. Então é uma oportunidade.
00:14:29
mlemos
Ah, que bacana. Ah, muito bom, muito bom. E, bom, você falou no início que você tinha uma paixão também por whisky, né? É assim...
00:14:55
Ludimila Andrade
E aí.
00:14:57
mlemos
Existe também esse mercado, essa paixão do vinho, porque o vinho é muito...

Comparação entre os mercados de uísque e vinho

00:15:10
mlemos
Como é que eu posso te explicar? É muito comum, né? E ter esses estudos, taninos, sabores, tipos de uvas, se é uva X, região A, região B. Existe isso, fugindo um pouquinho talvez aqui do tema do podcast. Mas existe essa analogia com o whisky também, do tipo do whisky. Ou você deixou isso um pouquinho de lado e focou mais no vinho.
00:15:35
Ludimila Andrade
Eu foquei mais no vinho, mas existe sim. Então, a gente tem muitas destilarias. No whisky, a quantidade de aroma é uma gama muito maior, porque às vezes no whisky está 18 anos, mas significa que
00:15:52
Ludimila Andrade
que essa é a menor idade do mais jovem que está em 18 anos, mas tem outros com passagens com muito mais tempo. Então, cada esse período que fica vai aportar uma riqueza, uma gama muito maior de aromas, enfim. E vai muito bem com o charuto. Então, eu acho que é menos popular dizer que o vinho, graças a Deus, vem ganhando o gosto de muita gente.
00:16:17
mlemos
Sim. Sim.
00:16:22
Ludimila Andrade
vem se tornando popular, ele deixou de ser um pouquinho atrelado ao luxo, hoje a gente consegue bons vinhos, as pessoas estão reconhecendo a produção, a produção nacional inclusive. Então ele vem se popularizando, Brasília mesmo está produzindo ótimos vinhos e
00:16:47
Ludimila Andrade
E o whisky ainda é mais restrito, principalmente ao público masculino. Mas temos aí. Brasília também tem o grupo das mulheres, das charuteiras, tem o grupo das mulheres que tomam whisky. Nem crescendo também. Mas não tanto quanto o consumo do vinho.
00:16:54
mlemos
Sim! Olha aí!
00:17:08
mlemos
quanto ao vinho. Ah, entendi. Você falou com relação à restrição do público masculino, que é grande maioria no whisky, mas você acha também que é uma questão de custo? O whisky ainda é uma bebida mais cara que o vinho ou não tem nada a ver? É o sabor mesmo, né? Acho que é o sabor mesmo que ele...
00:17:27
Ludimila Andrade
Não, até eu não acho que seja mais cara não, não avalio com a mais cara não. Agora essa questão do custo ainda interfere sim, porque as mulheres infelizmente a gente ainda não atingiu o mesmo poder econômico ainda dos homens.
00:17:50
Ludimila Andrade
de maneira geral. Se você for analisar estatisticamente a renda da mulher, ainda ela é menor do que a do homem, se comparado à classe socialidade, se você considerar as características. E a mulher também tem outras demandas que ela gosta mais de investir em outros ramos.
00:17:56
mlemos
sim sim
00:18:19
Ludimila Andrade
Que nossa, deixa eu ouvir. E que tal o cara também, né?
00:18:28
mlemos
Você falou da região de Brasília que tem uma produção.
00:18:35
mlemos
A gente sabe que o Brasil é hoje a grande expoente nacional, mas você pode me conhecer

Regiões vinícolas em crescimento no Brasil

00:18:41
mlemos
se eu estiver errado. Pelo menos para quem está de fora quer ler no assunto, a gente sabe que é a região sul do país. Mas existem outras regiões, além de Brasília, para você destacar aqui no Brasil, que está crescendo a produção do vinho.
00:18:42
Ludimila Andrade
Isso.
00:18:53
Ludimila Andrade
Sim, sim. Então a gente tem Brasília, a gente tem Pernambuco, a gente tem várias Santa Catarina. Então deixou de ser uma exclusividade, a gente tem Goiás também. Então a gente tem outras regiões também que estão despontando. E não posso deixar de citar Brasília
00:19:12
mlemos
Olha que legal!
00:19:22
Ludimila Andrade
recentemente foi premiada no concurso junto, competiu junto com os vinhos de Bento Gonçalves, da região da Campanha, de toda a região do Sul, e ficou super bem posicionado, foi premiado como um dos melhores dos vinhos nacionais, então ficou entre os 15 melhores vinhos nacionais. O vinho aqui de Brasília, da Vinícola Brasília, que é o Monumental,
00:19:45
mlemos
Olha só! Que legal! Gravação!
00:19:50
Ludimila Andrade
Em homenagem ao eixo monumental. Então, Brasília está na ponta também.
00:20:04
mlemos
Pô, muito bacana, bacana demais. Eu ia perguntar assim, e qual que é a uva aqui produzida? Pro nosso clima aqui que é bem seco, um cerrado. Até uma surpresa a gente estar sabendo dessa produção. Qual que é a uva que melhor cresce aqui? Um cerrado.
00:20:22
Ludimila Andrade
Aqui se adaptou muito bem a uva cirrá. A cirrá se adaptou muito bem ao região. Então é uma uva com a casca um pouquinho mais grossa, é uma uva que concentra bastante, é uma uva potente, concentra bastante aroma mesmo, vinhos bem encorpados, você sente assim a geleia na boca, um vinho forte.
00:20:49
mlemos
Ao.
00:20:49
Ludimila Andrade
Mas a gente produz aqui em Brasília cabernet, pinot noir, tem espumantes agora também, uvas italianas, tem barbera, tem várias uvas.
00:21:07
mlemos
Você falou que a gente pode até pegar um gancho para falar das uvas. Existem uvas que são exclusivas de regiões do mundo? Essa uva que produz nessa região ou não?
00:21:21
Ludimila Andrade
Eu acho que hoje em dia, exclusividade, você não tem essa região. É que geralmente tem as que se adaptam melhor a uma determinada região. Algumas que exigem um clima frio, bastante frio. Na Alemanha, a gente tem o Gewoztraminer, a gente tem Riesling,
00:21:51
Ludimila Andrade
que eles vão carregar essas características se produzidas lá. Então, quando você toma o Riesling, que é alemão, quando você toma o Gewürztramini, que é alemão, você vai sentir uma diferença. Talvez produzido em outro local, você não vai conseguir identificar até a uva. Ela vai perder um pouco da característica original dela.
00:21:52
mlemos
Uhum. C.
00:22:20
Ludimila Andrade
Mas você não tem exclusiva, acho que não. Tem algumas uvas que são autóctomas, que a gente fala, que é a uva que é típica dessa região mesmo. Mas a maioria foram levadas mudas e plantadas em outros locais. Uma exemplo é a Malbec. Malbec é popular, ela é uma uva francesa. Ela é autóctoma. Na verdade, ela é uma uva francesa, que
00:22:50
Ludimila Andrade
ela acabou se popularizando mais quando produzida na Argentina. E hoje em dia a gente tem até o nome Malbec, que ia mal na boca. Bec da boca e mal, que ele ia malo na boca. Não era agradável na boca, era muito tânico. E na Argentina, o Malbec carrega uma característica de mais palapável. Ele não é tão tânico e tornou mais saboroso, por isso
00:22:53
mlemos
na Argentina, né? Olha só! Sei.
00:23:20
Ludimila Andrade
se tornou o Maube que a Argentina acabou sendo mais famoso que o Francês.
00:23:25
mlemos
Olha só, isso eu não sabia, não. Pra mim eu ia morrer achando que Malbec é da Argentina, porque, particularmente falando, é a minha uva preferida. São os meus vinhos preferidos, né? Tinha que vir alguma coisa boa da Argentina, né? Pelo menos o vinho, então... Mas eu não sabia, não. Engraçado, que bacana. E tem assim, das outras, dessas uvas mais famosas. A gente tem a Malbec, a gente citou aqui a Sihá, tem... Quais outras? Cabernet. Cabernet também é francesa ou não?
00:23:50
Ludimila Andrade
Cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet, cabernet,
00:24:00
mlemos
Caminha francesa também. tem a Fran, que tem a Savignon. Qual seria a diferença entre as duas? Tranquilo.
00:24:19
Ludimila Andrade
Depois da maternidade, a minha memória não é igual. Mas eu prometo colocar nos comentários aí, ou então eu te passo para você colocar para a gente. Tem para mim muito bem na... na Espanha, né?
00:24:32
mlemos
Ah, tranquilo, tranquilo. Sem problemas. tem pranilho, né? Tem pranilho também. Sim.
00:24:48
Ludimila Andrade
Cada uva geralmente tem as suas regiões mais falosas. Tem a Taná, Uruguai. Isso é até uma dica para o consumidor na hora de comprar. Não se restringe, pelo amor de Deus. Mas, claro, entre levar de uma região desconhecida, se você vai comprar um nacional, aqui o Fihá, a Merlot, aqui de Brasília, é Fihá.
00:25:16
Ludimila Andrade
No sul, a merlot é uma uva que produz, que a gente consegue comprar vinhos com muita qualidade, então não vale a pena desgustar a merlot nacional. E se você está procurando um Uruguai, procura um da campanha gaúcha, que é ali na de Outaná, se você procura um da campanha gaúcha, você procura um do Uruguai, enfim.
00:25:40
mlemos
Ah, bacana. Até aproveito para perguntar assim, qual seria a sua dica? Você falou até de quem está começando agora, mas qual seria a dica para quem está começando a apreciar? Começar por aí, pegar as regiões mais famosas e até você identificar o sabor que mais te agrada. O que você poderia mais falar sobre isso?
00:26:00
Ludimila Andrade
Isso! Eu acho que para quem vai começar e quer fazer a compra, você vai pelo clássico. Vinhos brancos, você tem que procurar regiões que tenham boa altitude. Aqui no Brasil você vai escolher Santa Catarina, que tem geralmente ótimos vinhos brancos, porque a gente consegue essa altitude.
00:26:31
Ludimila Andrade
você vai escolher, se for regiões de fora, você vai escolher o Chile cordilheira, o Vale do Uco na Argentina, que é uma região pré-cordilheira, você vai escolher na França, regiões que têm mais frias, então, a Alemanha, Áustria, você vai escolher essas.
00:27:00
Ludimila Andrade
se você quer comprar um branco. Então, provavelmente, vindo dessas regiões, você consegue, às vezes, com o menor custo, comprar um vinho de qualidade. Se você quer um Taná, você procura pelo Uruguai ou região do Brasil que faz fronteira com o Uruguai. Se você quer comprar um Malbec, você vai de Argentina. Se você vai comprar um Tempranilho, você procura na Espanha.
00:27:26
Ludimila Andrade
Se vai encontrar a Pinot, Pinot é uma uva francesa, tem as regiões. Você pode procurar o Bordeaux, a Borgonha, aliás, Borgonha. Se você quer uma Merlot, você vai para Bordeaux. Vai pelos clássicos. E lembrei aqui,
00:27:46
mlemos
Que não tem erro, né? Ah, entendi. Entendi, perfeito, maravilha.
00:27:51
Ludimila Andrade
Peguei uma colinha aqui, na verdade, e me lembrei. A Cabernet é uma mistura, a Cabernet Sauvignon, a da Franck com a Sauvignon Blanc. Ela é originária da França, então as mudas. Ela é uma combinação.
00:28:12
mlemos
A combinação de uvas, né?

A arte de misturar variedades de uva

00:28:13
Ludimila Andrade
É isso.
00:28:13
mlemos
É porque tem até vinhos que combinam mais de uma uva, né? eles chamam de blend, né? Eles fazem essa mistura. Não, entendi, entendi. Ah, entendi, entendi. Não, entendi, entendi, entendi.
00:28:22
Ludimila Andrade
Isso, mas essa foi enchida. A cabernet franque com a salvião branca. Para formar a cabernet salvião foi uma combinação das mudas de genética, vamos dizer assim. E agora os blend é a combinação que eu faço, a mistura depois do vinho, geralmente vinificado. Então eu colo a uva,
00:28:49
mlemos
Sete.
00:28:52
Ludimila Andrade
e depois faço, vinifico, transformo em vinho, passo pela fermentação alcoólica, transformo isso em vinho, e depois eu faço a mistura, o blend. Geralmente é feito para, não para, é para tornar mais harmônico, às vezes. Geralmente o enólogo
00:29:18
Ludimila Andrade
O enólogo é melhor do que o sommelier. Eu sou sommelier e o enólogo é melhor para responder isso. Mas geralmente é porque você vai tornar o vinho mais equilibrado. Então tem algumas uvas, por exemplo, que elas têm o taninho mais agressivo. Então você combina com uma outra para dar um pouquinho mais de suavidade, para tornar um pouquinho mais palatável.
00:29:24
mlemos
Isso aí. Isso aí.
00:29:44
Ludimila Andrade
Às vezes você não tem aquele tempo... Esse é um vinho que você quer vender a um custo mais baixo, mais honesto. Então, você não tem aquele tempo todo para esperar, para ser produzido, para amarciar. Então, uma forma de fazê-lo também é colocando o blend. E eu, de maneira geral, gosto muito. Geralmente torna o vinho bem agradável, para você consumir,
00:30:02
mlemos
Uhum. Mas como o vinho de... É isso que eu ia perguntar, mas como vinho de combate ou não? Até um vinho um pouco mais elaborado pra... ou não, né? Entendi.
00:30:13
Ludimila Andrade
Excelente. Não, todos os vinhos, de maneira geral. Vinhos muito bem elaborados. Inclusive, a gente tem o corte bordalês, que é famosíssimo. Que combina as três uvas, melô e a cabernet, que é delícia. Que é famosíssimo.
00:30:41
mlemos
E isso não significa, como você falou aí, baixa qualidade. Ser um blend não significa ser baixa qualidade.
00:30:46
Ludimila Andrade
Não. De jeito nenhum. De jeito nenhum. Pelo contrário, a gente tem os vinhos famosíssimos, né, consagrados, vários chatôs, enfim, que são misturas tão blentes, né.
00:31:06
mlemos
Você falou que um enólogo seria melhor para explicar. Qual seria a principal diferença entre um sommelier e um enólogo?

Diferenças entre sommelier e enólogo

00:31:19
Ludimila Andrade
Um é antes do vinho e outro é depois do vinho. Vamos ver. Um é antes do vinho ficar pronto e o outro é depois que o vinho ficar pronto. Então, o enólogo ele produz, né? Ele produz, então ele decide de que maneira vai ser plantada, ele decide se vai ser uma espaldeira, qual vai ser o posicionamento das uvas no vinhedo, qual a distância, quando vai ser colhido.
00:31:49
Ludimila Andrade
qual vai ser a forma que vai ser vinificado, se vai usar barrica de cavalo, se vai usar tante de concreto, enfim, quem vai definir, se vai usar inox, e ele vai produzir o vinho, se vai fazer blend, se não vai, então ele vai produzir o vinho. E o familier, ele vai cuidar do serviço do vinho, então ele vai entender o que foi produzido e servir, então ele vai cuidar ali da
00:32:20
Ludimila Andrade
Ele vai estudar a região, ele vai estudar essas informações acerca do vinho, mas ele não interfere na maneira como foi produzido, não. Então é a parte de serviço do vinho mesmo, de decidir, de compreender um pouquinho da geografia, das características de cada região, de aromas, de... Lógico que o Enol também entende um pouco tudo disso também,
00:32:34
mlemos
Entendi. Entendi.
00:32:48
Ludimila Andrade
Mas essa parte de serviço é com o sommelier, o enólogo também não serve o vinho, o sommelier vai cuidar de servir o vinho, de abrir a garrafa, de posicionar pastas, de harmonização, que até lembrei que a gente tinha perguntado, que é um diferencial muito grande, a harmonização. Então, para quem é leigo, é como se você toma Coca-Cola com uma pipoca e toma Coca-Cola comendo um chocolate.
00:33:19
Ludimila Andrade
o sabor vai mudar completamente. Então é a mesma coisa para o vinho. Quando você harmoniza, você ganha muito um sabor. Então às vezes... Pessoal, eu tomei um vinho na vinícola quando eu viajei e eu trouxe para casa. eu fui abrir aqui em casa e não gostei. Ah, calma. Talvez, né? Lógico que tem questão de transporte e tudo,
00:33:23
mlemos
Verdade.
00:33:47
Ludimila Andrade
o mais provável é porque você tomou na região, então eles devem ter servido, a fomedia deve ter servido, deve ter indicado um prato que harmonize, enfim, deve ter feito uma combinação, além de quando a gente está em viagem, quase tudo é bom. Então, além desse glamour, você chega em casa, tem que proporcionar um ambiente
00:34:08
mlemos
Ah, é verdade, é verdade. Não, viaja... Ah, entendi, não, verdade, entendi. Então deve ter assim... Tudo bem, eu sei que deve ter milhares de combinações, de harmonização de vinhos, mas assim, qual que é o básico? Vinho branco, frutos do mar?
00:34:17
Ludimila Andrade
parecido com aquele, para conseguir competir.
00:34:38
mlemos
Vinho tinto, carne vermelha, ou pra ter um vinho tinto que você coma com um bom peixe. Certo.
00:34:47
Ludimila Andrade
também, também, mas assim, sempre pela região. Então hoje você vai tomar um vinho da Espanha. O que costuma? Vai dar um Google lá, né? E olha assim, se você não quer olhar, porque se você um Google também você acha tudo, acha até a própria harmonização.
00:35:14
mlemos
Sim, sim.
00:35:15
Ludimila Andrade
Mas se você quiser fazer por si, ou para pesquisar, para aprender, você... Ah, nessa região se consome o que se costuma consumir. Então, provavelmente, essa harmonização por aproximação vai ficar muito boa. Porque você está combinando o que é consumido naquela região com o vinho daquela região.
00:35:44
Ludimila Andrade
Possivelmente ele foi elaborado para harmonizar com as comidas daquela região. Eles têm um paladar a fim com a região. Então, é isso. E você está indo muito bem. É isso mesmo. Se você vai em pratos mais leves, procura um vinho mais leve. Então, se você quer... Tem uvas mais leves. O Pinot Noir é uma uva muito elegante.
00:35:47
mlemos
Isso aí.
00:36:13
Ludimila Andrade
Tida como a uva mais elegante que a gente tem. Ela é uma uva delicada, uma uva leve, então você procura essa leveza que você quer tomar com um tinto. Você procura harmonizar com coisas mais leves, para não perder o seu peixe, para não perder o sabor, enfim. Mas pode usar o branco,
00:36:40
Ludimila Andrade
Ficou na dúvida, de maneira geral, o espumante e o vinho rosé, eles são sempre coringas, vamos dizer, nas harmonizações. Sempre vão bem com quase tudo. Então, pede um rosé que vai fazer bonito. E o tinto também. O tinto você, com as carnes com sabores mais fortes. Porque o pessoal fala, vou pegar um tinto
00:36:47
mlemos
Entendi. Entendi. na dúvida, pega um rosê, pega um espumantezinho aqui, não vai ter erro, né? Ah, legal.
00:37:10
Ludimila Andrade
encostada que é, você vai comer uma feijoada, você pode usar um tamar, que também é um vinho potente, é um vinho que, como a feijoada é mais gorda, ele vai dar uma limpada no paladar. Mas, como eu aprendi com o professor meu, nem tudo a melhor harmonização é o vinho. Você pode comer a feijoada com o vinho, mas aqui no Brasil, por isso que eu falo da região,
00:37:22
mlemos
É. Sim, sim. Exatamente. Sim.
00:37:39
Ludimila Andrade
o pessoal consome a feijoada com a caipirinha. Então, por quê? Porque possivelmente a melhor harmonização vai ser com a caipirinha mesmo. Mas quer tomar com vinho? para tomar com paná, para tomar com espumante, que vai ficar bom. Isso, o vinho vai ajudar.
00:37:54
mlemos
Olha só, é dica, gente, isso aqui é ouro, viu? Porque a gente combina também a feijoada, uma cervejinha, que você fica tudo empapussado, né? Não dá, né? Porque cerveja dá. Mas gostei da dica aí. é mais leve, muito bom, muito legal. Ludmila, outra coisa aqui que a gente também não pode deixar de tocar nessa nossa conversa, que está muito interessante, é o seguinte, a gente está falando das uvas,
00:38:08
Ludimila Andrade
nesse sentido.

Classificação e doçura dos vinhos

00:38:22
mlemos
Mas existe também, e eu acho, pelo menos eu acho que não depende do tipo da uva. Se um vinho é seco, se ele é meio seco, se ele é suave. O que vai interferir nesse processo? É a quantidade ali de...
00:38:40
mlemos
Pode ser meio óbvio. A quantidade de açúcar vai ser meio seco. Isso varia de região para região. O Brasil considera meio seco x quantidade. A França considera seco até x quantidade. Isso faz diferença.
00:38:45
Ludimila Andrade
Sim, varia assim, tá? Então a gente tem as gramaturas de classificação. Por exemplo, em Portugal,
00:39:12
Ludimila Andrade
Mas até uma certa quantidade de açúcar ainda é considerado, no Portugal, na Itália, ainda é considerado seco. E aqui no Brasil é considerado meio seco para essa quantidade, para tinta. Então, a gente tem uma escala mesmo. O que vai definir, se o vinho vai ser classificado como seco, meio seco, enfim.
00:39:25
mlemos
Hmm...
00:39:40
Ludimila Andrade
é a quantidade de açúcar residual. Da mesma maneira os espumantes também vão ser classificados, né? que a gente fala brute, demisseque, meio seco, o brute, o extrabrute, enfim. Também é que tem a quantidade, a tabelinha certinho com a gramatura de açúcar que é considerada para classificação.
00:40:09
Ludimila Andrade
E aí, claro, tem as uvas que, por exemplo, quando eu vou produzir um vinho de sobremesa. Então, esse vinho geralmente ele vai tratar por uma secagem. Vou deixar a uva amadurecer bastante. Então, esse vinho vai vir com mais no sor mesmo, porque foi proposital. Então, deixei a uva amadurecer bastante, deixei secar. A gente quando...
00:40:09
mlemos
Isso aí.
00:40:37
Ludimila Andrade
Por exemplo, quando você também tem o amarone, a gente deixa a uva passar por esse processo. A Califórnia é uma região de muito calor, por exemplo, um clima muito quente, então a uva amadurece mais e naturalmente tem mais açúcar.
00:41:06
Ludimila Andrade
Então, ou você tira um pouco, ou possivelmente vai ser classificado quando você compra um cabernet californiano ou um pinot californiano. Ele é muito bom, muito agradável, não cai nada em qualidade com relação a isso, mas geralmente está classificado aqui no Brasil como meio seco. Enquanto em outros lugares seria classificado como seco. A maioria dos vinhos portugueses,
00:41:06
mlemos
Obrigada. Obrigada.
00:41:34
Ludimila Andrade
100 reais, tudo que a gente consome, eles são meio secos, mas a gente trata como secos, porque não tem um açúcar que vai incomodar o paladar, que vai causar nenhum desconforto, é pela tabela limpa.
00:41:38
mlemos
Meio seco. Sim. Pela tabela mesmo. Entendi. Você tem uma preferência de seco, meio seco, suave?
00:41:56
Ludimila Andrade
Eu não sou muito preconceituosa, mas aqui no Brasil, geralmente eu tomo os meios secos, mas português, italiano, uma linda no rótulo e o que é que você consegue identificar. Se veio dessa região e está classificado como meio seco, pode ser que ele não seja esse dulçoso, mesmo não sendo a quantidade lá,
00:42:14
mlemos
Ah.
00:42:26
Ludimila Andrade
Você consegue imaginar para esse ponto que não é o suave. Agora, o suave, aqui no Brasil, classificado como suave, a maioria das vezes ele não é vinho. Ele não é feito, a gente tem as uvas. A gente tem as uvas viníferas, que são uvas próprias para a produção de vinho. E a gente tem a uva, que é chamada de uva americana,
00:42:56
Ludimila Andrade
Então, niágara, essas outras uvas, que geralmente se faz suco delas, que elas não são elaboradas para a produção de vinho. Então, mas são essas uvas que dão origem, às vezes essas uvas americanas, que dão origem ao vinho suave. Aqui no Brasil recebe essa classificação de vinho suave, mas em outros países que não é produzido com uva
00:43:07
mlemos
Mais uma vez.
00:43:24
Ludimila Andrade
vítios viníferos, eles não consideram como vinho, não. É uma bebida a base de uva, uma bebida alcoólica a base de uva, mas não é considerada vinho. Então, um vinho suave não é bem vinho.
00:43:41
mlemos
É quase um frisante, essa categorização de frisante, ele é um vinho suave ou ele é frisante? Existe uma categoria chamada frisante.
00:43:54
Ludimila Andrade
O frisante é o gás, o que muda a diferença é o gás, é porque o gás foi colocado ali, ele não foi adquirido com a fermentação, ele foi um gás colocado, ele não foi um gás adquirido com a fermentação das upas. Então essa é a diferença do frisante para o espumante.
00:44:12
mlemos
Ah, entendi. Ah, entendi. Entendi, perfeito. E assim, você falou dos rótulos, né, pra pessoa conferir o rótulo.

Rótulos de vinho e termos enganosos

00:44:24
mlemos
Tem alguns segredinhos ali que as pessoas têm que saber, algumas curiosidades, assim, tem algumas siglas que aparecem no vinho, em alguns rótulos de vinhos, né.
00:44:37
Ludimila Andrade
O primeiro misto, que é muito engraçado, é o reservado. Essa classificação reservado, esqueça. Isso não é classificação, é um marketing.
00:44:42
mlemos
Ah, esquece. Entendi. Entendi.
00:44:53
Ludimila Andrade
Às vezes a vinícola usa, mas significa que é o vinho mais básico que tem nessa vinícola. Então, o reservado não é uma classificação. Aqui, as classificações começam mesmo a partir do vinho reserva. Então, tem o vinho reserva, um fio de grã reserva. Isso também varia, às vezes, por região. Mas, de maneira geral, eles passam mais tempo em barriga.
00:45:23
Ludimila Andrade
além das exigências com relação a algumas regras que eles têm que obedecer para levar ao título, na produção e na maneira de vinificar. Isso agrega qualidade. Então, você viu que a reserva é um pouco melhor, se quer reservada é um pouco melhor. Não que esse nome importar tanto. Tem produtor que prefere não colocar, não classifica, e tem outros que preferem colocar.
00:45:52
Ludimila Andrade
Mas se você viu lá, tem chance. A dica é esqueça o reservado. Reservado pode tomar, mas saiba que é o vinho de entrada, não é uma classificação de qualidade, porque reservado não significa que teve que cumprir a critério de produção. E tem para a Europa, para Portugal,
00:45:58
mlemos
Ah!
00:46:22
Ludimila Andrade
a Espanha, que é a DOC, você vai ver DOC, que é a denominação de origem controlada garantida. Então sim já, é bem mais criterioso, são bem mais rigorosos. Então tem, além de ser da região, tem que obedecer aos critérios de produção. Você pode colher, por exemplo, tantos porcentos de cada
00:46:28
mlemos
Sua.
00:46:49
Ludimila Andrade
pés de uva, você pode colher uma parte dessas uvas, que vai ser a melhor aproveitada, o rendimento, então tudo isso é controlado mesmo, por isso esse selo de denominação de origem, controlado, garantido, para a França, AOC, que é a mesma coisa, equivalente, então isso realmente agrega sim, e se você
00:47:18
Ludimila Andrade
tem essa garantia, a chance de ser um vinho com maior qualidade, ela existe sim. Não que os outros não sejam, mas se você tem esse selo, significa que sim, que é um vinho que passou por um grupo ali, avaliando as condições e tem mais qualidade. Também,
00:47:24
mlemos
E no Brasil a gente tem alguma coisa parecida? Esse selo? O que a gente pode procurar nos rótulos de vinhos nacionais?
00:47:46
Ludimila Andrade
A gente tem aqui... O vinho nacional, uma pergunta. Eu gosto tanto de tomar vinho, que é uma dívida que eu falo, é perco medo. Prova! Perco medo na hora de comprar. Então, experimente.
00:48:03
mlemos
Percumei. Prova, né? Sim.
00:48:11
Ludimila Andrade
a chance de acerta é sempre maior do que a de errar. Geralmente, acaba levando lucro. E o que você não gostou, você experimentou, ok, você não volta a comprar. E o que você gostou, você repete algumas vezes, ou não, você quer conhecer outro, mas prova. Então, quando o vinho é nacional, a gente tem, sim, a região de Beto Pontalvo, que foi classificado, conseguiu o selo agora de

Vinhos brasileiros com denominação de origem

00:48:40
Ludimila Andrade
de denominação de origem. Então, o Brasil tem essa classificação agora. E a gente, assim, o que você vai procurar no vinho nacional? Eu acho Bom, acho que a combinação, assim, uva-região. Acho que esse é o que interfere. É porque o brasileiro tem produzido bons vinhos.
00:49:01
mlemos
Uma região.
00:49:07
Ludimila Andrade
de verdade, bons vinhos. Então, quando você que é um vinho fino, que a gente fala, o vinho fino, que não é o vinho suave, que é um vinho fino, tem boa chance de ser um bom vinho. Procura procedência. O viniculo, a gente tem espumantes, é casa Valduga, casa Perini, Pedruti, casa Egaise,
00:49:34
Ludimila Andrade
A gente tem ótimos espumantes nacionais, com um custo muito barato. A gente tem, se você quer... Acho que vale essa anotadinha. Se você está procurando ali no Sul, tem muitas uvas italianas que se deram muito bem. E porque a descendência deles são italianas, então você vai tomar um Piroldo, ou você vai tomar essas uvas que se deram muito bem.
00:49:55
mlemos
Sim.
00:50:04
Ludimila Andrade
Se você está procurando um vinho nacional, se você quer procurar uma Malbec, então procura um que foi produzido ali na região próxima da Argentina, então vai ser melhor. em Bento tem Cabernet, Malbec, embora eles não produzam tanto não, mas ainda utilizam muito nos cortes também dos blenders. Mas a Merlot é muito boa, a Merlot do Sul é maravilhosa,
00:50:36
Ludimila Andrade
Falei, as italianas, Santa Catarina com os rosés, com os brancos, são espetaculares. Tem vinícula suzinha. São Paulo tem a Davo, produz excelentes espumantes também. Se é uma região de altitude, a chance de ter brancos, vins com boa acidez, que te faz ensalizar e tudo é maior,
00:51:04
Ludimila Andrade
E aqui em Brasília, o Fihá, tem o Fihá do Seu Claudinho, que é muito bom, produzido pela Vila Triaca. A gente tem... a Cabernet também, que é produzida aqui, que é muito boa mesmo também, a Cabernet Sauvignon. Tem o Monumental, que foi o vinho premiado, que foi uma mistura dos melhores vinhos,
00:51:21
mlemos
Sim. Sim. Vale a pena, vale a pena. Que bacana.
00:51:33
Ludimila Andrade
das vinícolas aqui de Brasília. Então, eu acho que é isso aqui, se deu muito bem o Sihá, que se você está procurando aqui nessa região, Sihá é muito bom, no Centro-Oeste. Acho que esse casamento, o uva, uva região.
00:51:49
mlemos
E região? Ah, bacana. Está falando de classificação de premiação?

Avaliações de vinhos e sua relevância

00:51:54
mlemos
A gente sabe que tem alguns rótulos que vêm umas notas, assim, 96, 95, 94, tem alguns... Eu não sei como é que se chama, são institutos ou são enólogos que dão essa nota? Sim.
00:52:13
Ludimila Andrade
Alguns são revistas, são grupos, e tem os advogados do VIN, que são os consultores, que eles avaliam. Por exemplo, Robert Parker, que é o mais famoso que a gente tem.
00:52:25
mlemos
Sim Sim Certo
00:52:33
Ludimila Andrade
que assim, para você escrever um vinho seu, submeter a uma avaliação dessa, é caro. Então é lógico que elas dão sim uma garantia, não vamos mentir, o cara não vai avaliar um vinho de qualidade como um vinho com uma nota boa, ele vai ser honesto na avaliação. E muitas vezes, por exemplo, Robert Parker, ele é hoje uma marca. Começou
00:53:02
mlemos
Sim. Certo.
00:53:02
Ludimila Andrade
Ele mesmo, porque ele tem um nariz muito bom, ele tem um paladar muito aguçado e ele mesmo avaliava e realmente interferia. Agora, hoje em dia é um grupo, então ele virou uma marca e é um grupo que degusta. Então, tem um grupo de especialistas na área degustando e classificando no conceito de qualidade, é lógico que provavelmente esse vinho
00:53:32
Ludimila Andrade
vai te agradar, provavelmente esse vinho é muito bom. Mas os que não têm não significa que não são. Não é que eles não receberam a nota. É que muitas vezes o produtor ou não tem interesse ou a maioria das vezes o que é mais comum é que não tem o dinheiro para investir para receber essa classificação. E outra que eles também avaliam muitas vezes
00:53:41
mlemos
Sim.
00:54:00
Ludimila Andrade
a partir da primeira vez que você produz o vinho. Ele não costuma avaliar vinhos que estão sendo produzidos pela primeira vez, vinhos que estão no mercado algum tempo. Além de ser caro, ainda tem algumas exigências que essas revistas, que esses advogados, que esses degustadores que eles fazem.
00:54:18
mlemos
Perfeito.
00:54:30
Ludimila Andrade
Mas agrega sim e não é marketing também não. A pontuação ela diz sim sobre o vinho, que os outros que não têm, sim, pode ter na garrafa e costuma sempre ter bons vinhos também.
00:54:50
mlemos
Maravilha, ótimo, muito bom. E Ludmila, assim, vamos lá. A gente chegando aqui no final desse nosso episódio. Eu sei que deve ter muitas outras coisas pra gente conversar. A gente pode até marcar quem sabe um dia a parte dois. Mas assim, se você fosse indicar, pudesse recomendar apenas um vinho, um vinho pro jantar especial.

Recomendação de Pinot Noir para ocasiões especiais

00:55:14
mlemos
Qual seria e por quê?
00:55:18
Ludimila Andrade
Ai, meu Deus do céu. Ô, Matheus, como é que você me faz isso? Aham. Ai, tão pronto aí. me ajudou um pouco, hein? Ah, meu Deus. Deixa eu ver aqui. Bom. Olha.
00:55:24
mlemos
Não precisa citar vinícola, mágoa, você pode falar uma uva e pronto, para ficar mais fácil seu trabalho.
00:55:47
Ludimila Andrade
É uma uva que tem me agradado muito mesmo. Sabe que é de fase, sabia? Eu funciono assim, às vezes, de fase. Claro que eu tomo tudo. Mas teve fase que eu estava achando um rosê, tão sem graça. E hoje eu estou tomando tanto vinho branco, estou achando um branco tão maravilhoso.
00:55:57
mlemos
Imagina, imagina!
00:56:13
Ludimila Andrade
Mas eu acho que escolheria uma Pinot Noir. Eu gosto muito da elegância da Pinot Noir. Eu acho que vale a pena investir num bom vinho Pinot Noir, com o seu valor. que ela é, para um jantar, para um momento especial, eu acho ela tão elegante, tão chique.
00:56:30
mlemos
Pinot Noir. Entendi. Olha só. Nossa, fica aí, gente. Fica a dica do especialista Melier. Fica a dica. Pinot Noir.
00:56:40
Ludimila Andrade
Chiquíssimo. Eu acho bom demais. Estou amando a pinô. Eu gosto muito da pinô, então eu escolheria uma pinô, um pinô da Borgoia clássico. Eu adoro. Embora eu tome bastante, vim encorpado, mas eu acho ela muito elegante. E teve fazes, teve fazes que eu fui apaixonada pela Taná,
00:57:11
mlemos
A sua fase, então, hoje é pinô no ar. Bacana, muito bom, Ludmila. Olha, o papo aqui foi 10, muito bom. E eu deixo aberto para você dar um recado final, deixar sua rede social aberta, seu contato.
00:57:11
Ludimila Andrade
Mas hoje eu estou na fase mais leve, estou na mais elegância, na pinofa.

Encerramento e convite à conexão com Ludmila

00:57:34
mlemos
Quem quiser conhecer o trabalho da Ludmila, de curadoria, fica à vontade aí. Esse espaço está aberto agora para você.
00:57:41
Ludimila Andrade
Muito obrigada, Matheus. Obrigada mesmo pelo convite. Fiquei muito honrada, muito feliz de ser convidada para participar, ainda mais porque eu assisti os outros episódios. Fiquei com um pouquinho de medo. Nos convidados, nossa, falei, meu Deus, quem sou eu para estar hoje? Mas fiquei muito honrada mesmo com o convite, enfim. E obrigada, né? Eu acho sempre maravilhoso falar sobre vinho.
00:57:54
mlemos
Ah, que isso!
00:58:09
Ludimila Andrade
Foi uma oportunidade também de levar um pouquinho mais da cultura do vinho e, enfim, desse movimento de crescer um pouquinho sobre o vinho, de aprender também. que eu estou precisando estudar mesmo, de novo, mais e mais, não parar. E é isso. Então, queria convidar a pessoa que quiser conhecer, pode nos conectar através. Tem o nosso Instagram, que é o arroba Luvinovinho,
00:58:24
mlemos
Não, aqui é isso.
00:58:40
Ludimila Andrade
E tem o nosso e-mail, que é o comercial.luvino.com.br. Comercial.luvino.com.br. Tem WhatsApp também. no nosso Instagram, você encontra o linkzinho para todas as nossas redes. Mas eu deixo o WhatsApp depois para você colocar no videozinho e fazer o nosso merchan, por favor. E é isso, pessoal.
00:59:03
mlemos
Befeito.
00:59:09
Ludimila Andrade
gostou, quiser entrar em contato, então a gente tem vins pronto entrega, a gente tem vins que você pede e a importadora entrega na sua casa. A gente tem entrega agendada, então pra esse período de férias agora é sensacional. Muitas vezes a gente recebe no hotel, vou viajar para a praia, vou para o Teará. Então vou estar nos vias, tal, tal. É difícil? Muitas vezes uma empresa que envie
00:59:36
Ludimila Andrade
E a gente tem importadora wine, que envia para todo o Brasil, com prazo de entrega bom, tem serviço de entrega agendado, então você marca, vou estar no dia sal. O vinho vai estar esperando já, e você vai ter a oportunidade de degustar seu vinho na férias. Casamento, a gente trabalha muito com exemplos de casamento, de outras festividades, porque a gente tem um preço bem agressivo mesmo para espuma,
01:00:06
Ludimila Andrade
Então, pré-estumante, pras instituições, agora com fraternizações, enfim. Então, esse período todo a gente consegue, você consegue comprar e agendar. Não quero ficar com a estante caixa aqui em casa até março. Então, agendo para uns cinco dias antes do meu evento, dez dias, que é para não ter pânico e você recebe na data que você agendou.
01:00:32
mlemos
Perfeito, maravilha. Então, galera, fica a dica aí. Quem quiser iniciar nesse ramo, nesse mundo que é o vinho de degustação, de amanização, pode contar com a Ludmila que você vai estar em boas mãos. bom, pessoal? Obrigado você, Ludmila. Pessoal, até a próxima, até o próximo episódio. Não deixe de curtir, deixar o like e fazer esse comentário. Um abraço, até mais.
01:00:48
Ludimila Andrade
Obrigada. Tchau, tchau, Mateus.